Por inépcia da denúncia, STJ tranca parte do caso mensalão do DEM

O Ministério Público do Distrito Federal errou ao considerar que o pagamento de vantagem indevida a ocupante de cargo público é ao mesmo tempo corrupção e lavagem de dinheiro, no chamado mensalão do DEM. Por isso, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça trancou todas as denúncias de lavagem de dinheiro oferecidas no processo da operação apelidada de caixa de pandora.

Por unanimidade, o colegiado entendeu que a inicial do Ministério Público Federal foi inepta, seguindo o relator, ministro Reynaldo Fonseca. A decisão é desta quinta-feira (4/2) e abrange todas as acusações de lavagem de dinheiro aos envolvidos na operação.

A operação apurava o repasse de dinheiro pelo ex-governador do DF José Roberto Arruda a deputados distritais para ampliar a base aliada. Esse dinheiro, segundo o MP, vinha de empresas que tinham contratos de prestação de serviços com o governo do Distrito Federal, principalmente na área de tecnologia da informação. 

O trancamento da denúncia foi decidido em Recurso em Habeas Corpus impetrado por José Geraldo Maciel, ex-secretário da Casa Civil do Distrito Federal. Ele é defendido pelos advogados Eduardo Toledo e José Carlos Cal Garcia, que também representam o ex-deputado distrital Leonardo Prudente (DEM), então presidente da Câmara Legislativa do DF, e Onézio Ribeiro Pontes, ex-assessor de imprensa de José Roberto Arruda, nesse caso. Também assinam a peça os advogados José Francisco Fischinger, Marcus Vinícius Figueiredo e Luis Henrique César Prata.

A operação foi deflagrada em novembro de 2009, com base em delação premiada de Durval Barbosa, então secretário de Relações Institucionais do DF. Na época, vídeos gravados por Barbosa a pedido da Polícia Federal mostravam Arruda repassando bolos de dinheiro a assessores.

De acordo com as alegações dos advogados, o Ministério Público do DF imputou ao mesmo fato — o recebimento de dinheiro ilegal — dois crimes diferentes: corrupção e lavagem de dinheiro. Para a defesa, isso torna a denúncia inepta. Para configurar lavagem é preciso que haja um crime anterior e um fato consequente a esse crime, com a ocultação da origem ou a dissimulação da natureza.

No caso da caixa de pandora, o MP afirmou que o uso de meios escusos para o recebimento de dinheiro em troca de apoio parlamentar é lavagem, já que se trata de uma ocultação de dinheiro. Mas, segundo o RHC, o pagamento de maneira oculta faz parte da natureza e da estrutura do crime de corrupção, e não de lavagem. A lavagem seria se os deputados, depois de recebido o dinheiro, tentassem ocultá-lo, ou esconder sua origem, de alguma forma.

A 5ª Turma do STJ concordou. Para os cinco ministros, ao usar a natureza do crime de corrupção para classificar um ato como lavagem de dinheiro o MP ofereceu uma denúncia inepta. E por isso trancou a parte da ação penal que trata do crime de lavagem. As acusações de corrupção e quadrilha continuam.

RHC 57.703

Pedro Canário

é jornalista.

daniel disse:
05 de fevereiro de 2016 às 07:19

então nunca teremos lavagem de dinheiro para corruptos....

daniel disse:
05 de fevereiro de 2016 às 07:19

então nunca teremos lavagem de dinheiro para corruptos....

O. Filho disse:
05 de fevereiro de 2016 às 10:49

Mas se fosse PT ..., poderia tudo. Até domínio do fato. É um jogo. Eu finjo que denuncio e vc finge que julga. Nesta hora, os promotores erraram. O erro deles foi tentar processar a oposição. Tudo dentro do legítimo processo legal. Agora, aqueles advogados que adoram a lava-jato, não acham nenhum absurdo. Afinal a justiça tem que triunfar. Para a oposição. Quem quer apostar que vai prescrever? Acho que se algum político da oposição quiser confessar, ele será desqualificado pelo MP. Li em outra reportagem a respeito do percentual de sucesso do MP. Beira um 99%. Obviamente dentro do 1% de erro estão os processos contra os políticos da oposição. Se fizer a estatística para a condenação, será 0%. Quando o MP não erra, erra o juiz, e o processo prescreve. E, de um milhão de processos sob a responsabilidade do juiz, o único processo que prescreve é justamente contra os políticos da oposição (Faça um pequena pesquisa e verifique o que eu estou dizendo). Contra a situação, eles passam até o processo na frente. Se o processo a seguir for contra a oposição, volta para a estaca zero. Se condenar, sabe que o acusado não ficará preso. Até o MP suíço toma volta. Se enviar dados contra a oposição e não fizer alarde, fica numa "gaveta errada". Se o MP recebe as provas da justiça suíça, o acusado não vai preso. Tudo dentro do processo legal. Legal para a oposição. Aí vai ter um engraçadinho para dizer , "ao menos alguém vai preso". Eu farei a seguinte sugestão. Já que o MP e o judiciário são a favor da oposição. E considerando que a oposição é neoliberal. Por que não privatizamos o MP. Poderíamos contratar o MP suíço. Pelo menos o auxílio moradia seria justificado.

O. Filho disse:
05 de fevereiro de 2016 às 11:01

Ou então, vamos acabar com a profissão de advogado, procurador e juiz. Teríamos só a polícia. Se o percentual de "acerto" do MP é de 99%. E as denúncias são levadas ao MP pela polícia, é razoável que parássemos de custear estas instituições. Só gastaria com a polícia (melhores salário inclusive). Uma vez apontado pela polícia como criminoso, a denúncia teria 99% de chance de acusar o verdadeiro culpado. O dinheiro que sobraria (acredito que mais de 100 bilhões de reais, já que, só judiciário gasta mais de 62 bilhões), seria usado em educação e saúde. Até diminuiria a criminalidade. E quanto aos processos civis, já foi calculado que, se o governo pagasse diretamente a demanda de cada pessoa que ingressa com ação no judiciário, o valor seria o mesmo. Imaginem quanto dinheiro injetaríamos no mercado. Bem, enquanto isto não acontece, vou correndo me filiar ao DEM ou ao PSDB. Vai que me acusam de ser o dono da padaria que fica perto da minha casa. Pois, eu vou lá toda manhã e levo pão e leite. E se eu não tiver as notas fiscais no momento da acusação? Isto é meio suspeito não é?

João pirão disse:
05 de fevereiro de 2016 às 11:41

Opa! Pensava que era imaginação minha, mas vejo que há pessoas que percebem o mesmo fato...
Até helicóptero cedido a político, capturado com droga, passa a ser engavetado, que dirá casos de corrupção e lavagem de dinheiro....?

daniel disse:
05 de fevereiro de 2016 às 11:42

Os petistas sempre usam este discursinho de vítimas e querem comparar com os outros....

então que provem a corrupção no governo militar e no psdb para que sejam punidos.... Têm a comissão da verdade....
A corrupção é normal no Brasil, mas o PT ampliou demais, além de tudo é incompetente e não sabe gerir ao aumentar as despesas do Estado

daniel disse:
05 de fevereiro de 2016 às 11:42

Os petistas sempre usam este discursinho de vítimas e querem comparar com os outros....

então que provem a corrupção no governo militar e no psdb para que sejam punidos.... Têm a comissão da verdade....
A corrupção é normal no Brasil, mas o PT ampliou demais, além de tudo é incompetente e não sabe gerir ao aumentar as despesas do Estado

Luiz Parussolo disse:
05 de fevereiro de 2016 às 14:42

O coronelismo construiu seu império em todas as instituições onde impõe poder e gera riquezas com impunidade a si e às suas clãs difusas. Em todos os estados e municípios.
Coronel é um ente limitado em capacidade a priori. Aliás, nenhuma e com seus 5 ou 10 QI e sem discernimento racional impõe seu domínio através dos latifúndios pecuaristas e na extração impondo-se pelos recursos dentro da política onde são encontradas bestas que nem dimensionar tempo e espaço conseguem.
Eles sempre tiveram preferências em cursos nas grandes universidade, redutos do coronelismo e dos dogmas nojentos e ultrapassados, menos nos grandes cursos impossíveis a eles e caso consigam politicamente logo estarão transferindo de escola em escola até encontrar ensinamentos para seu nível.
Vai que, o direito faz o jurista, pequena minoria, e alguns habilitados profissional, moral e eticamente. No entanto, qualquer bunda suja sem apriorismo e com boa capacidade mental em armazenamento pode cursá-lo em todos os níveis e como decoradores, somado a outros privilégios, acabam autoridades e com as indicações políticas estão onde estão e até os juristas estão desaparecendo juntamente com os dotados da arte verdadeira, cientistas e técnicos por serem indigestos e fora dos padrões do existencialismo e do materialismo dialético, estes facílimos e bons de conviver e decorar e não precisa ética, moral, ter competência para fazer ou deixar de fazer, ou omitir e construir errado de propósito, corromper, destruir cidadãos e famílias, libertar e indiretamente favorecer crimes e até perseguir os inimigos do império como favorecer os amigos. Falando de direita e esquerda, neoliberalismo comunista e comunismo neoliberal, nosso modelo colonial onde estamos estacionário.
A bunda aqui é rainha.

JTN disse:
05 de fevereiro de 2016 às 22:06

Quando assistimos o julgamento midiático chamado Mensalão, Barbosa literalmente escondendo as 800 páginas da AP 2474, e dentro dela o laudo da PF 2828, sobre o dinheiro em questão, quando ele Presidiu e foi Relator na mesma Corte e no mesmo Processo,quando escutamos a frase "não tenho provas, mas a Legislação me permite condenar ", quando enviam o Mensalão tucano para Instâncias de baixo, onde ficou sem juiz por um ano, quando promovem De Grandis, que por anos se negou a dar continuidade às investigações sobre o desvio de verbas do Metrô de SP, literalmente roubado por 20 anos seguidos, e hoje assistimos esse Processo parado na Justiça por inépcia. Será inépcia? Dentro das circunstâncias devemos acreditar que é inépcia? Dentro desse panorama, que credibilidade quer ter o mundo jurídico deste país, que vai além do Poder Judiciário. Meu repúdio convulsivo ao aparelhamento partidário e ideológico do MP e da Justiça deste país. Fazem Leis para serem interpretadas e assim as utilizarem de diferentes modos conforme o réu.

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