A Receita Federal executou 277.369 procedimentos fiscais em 2015, o que resultou um crédito de R$ 125,6 bilhões em impostos. Os dados estão presentes em relatório anual produzido pelo órgão e revelam uma redução de 16,6% de crédito tributário em relação ao ano anterior — veja abaixo o infográfico.
Os números são menores do que em 2014, quando o Fisco fez 365.832 procedimentos e constituiu R$ 150,5 bilhões. Também foi a primeira vez, desde 2011, que os valores lançados ficaram abaixo da expectativa das autuações (a meta para o ano passado era de R$ 157,9 bilhões).
Se o valor global arrecadado com as auditorias foi menor em 2015, a Receita aponta ter aumentado a qualidade de sua fiscalização: 92,4% de acerto. Ou seja, a cada dez contribuintes apontados com suspeita de irregularidades, nove realmente apresentaram problemas. O órgão reputa essa eficiência na arrecadação à regionalização das auditorias, que ampliou o alvo de contribuintes suspeitos de infração.
A mão da Receita é pesada e ela sabe disso. Tanto que as somas resgatadas com as autuações renderam R$ 1,2 trilhão arrecadado espontaneamente, ou nas palavras do Fisco, “pela percepção do risco sobre o não cumprimento da norma tributária”. Do total de autuações em 2015, cerca de um quarto dos lançamentos foram pagos ou parcelados.
Entre as pessoas jurídicas, as autuações concentraram-se na indústria, com lançamento de R$ 39,3 bilhões. Já entre as pessoas físicas, as autuações focaram-se nos proprietários ou dirigentes de sociedades empresárias — a principal infração cometida segundo a Receita foi a falta de tributação no ganho de capital oriundo de venda e permuta de ações.
Boa parte dos valores constituídos vieram dos grandes contribuintes (R$ 94,3 bilhões, ou cerca de 75% do total), em quem a Receita concentra seus esforços. Segundo o órgão, “mesmo nos períodos em que há queda no valor total das autuações, a queda na recuperação de crédito tributário nos grandes contribuintes é menor”.
Junto com as fiscalizações, a Receita também identifica suspeitas de crime contra a ordem tributária. Quando o lançamento é confirmado na esfera administrativa, o órgão encaminha para o Ministério Público Federal uma representação fiscal para fins penais. Em 2015, o órgão elaborou 2.782 desses documentos.
Operando ao lado da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o balanço da Receita também destaca sua atuação a operação “lava jato”, em que extraiu informações de 7.516 CNPJs e 6.072 CPFs. O resultado é a constituição R$ 1,42 bilhão em créditos tributários — referentes aos fatos investigados até 2010.
Planos para 2016
O documento também mostra qual deve ser a linha de atuação da Receita em 2016. Só com fiscalização, o órgão espera recuperar, de ofício, R$ 155,4 bilhões — estão na mira do Fisco, por enquanto, 20 mil contribuintes. De acordo com o órgão, são escolhidas pessoas jurídicas de grande porte e pessoas físicas de alta renda e grande patrimônio com indícios de irregularidades e com valores mais significativos a serem cobrados.
A Receita também identificou inconsistências em quase 19 mil declarações do Simples, que têm até o dia 20 de abril para se regularizar. O alerta para as empresas optantes pelo Simples Nacional é relativo à diferença entre a receita bruta declaradas e o total de notas fiscais emitidas que atingem R$ 10 bilhões. Segundo as contas da Receita, considerando uma alíquota média de 4%, são pelo menos R$ 400 milhões de tributos que deixaram de ser declarados.
A Receita também promete reforçar a fiscalização sobre os planejamentos tributários, entre eles aqueles relativos a reorganização societária com geração de ágio; envolvendo fundos de investimento em participações; e envolvendo direitos de imagem de profissionais. Além disso, o Fisco vai manter sua atuação nas operações “lava jato”, ararath e zelotes.
Também estão no alvo do Fisco em 2016 a tributação de resultados auferidos em controladas e coligadas no exterior; sonegação envolvendo distribuição isenta de lucros; evasão nos setores de cigarros, bebidas e combustíveis; sonegação previdenciária por registro indevido de opção pelo Simples; falta de recolhimento de Carnê-Leão por profissionais liberais; omissão de receitas com base em notas fiscais eletrônicas; financiamento de aposentadoria especial; omissão a partir de indícios de movimentação financeira compatível; e compensação previdenciária informada em GFIP.
O tributarista Fabio Calcini, do Brasil Salomão e Matthes Advocacia e professor da FGV, ressalva, entretanto, que as operações na mira da Receita não são ilegais. “Isso nos dá uma prévia do que, eventualmente, a Receita entende como questões de maior questionamento e podem gerais mais riscos para o contribuinte. É importante deixar claro que não são operações ilícitas. As operações devem ser muito bem construídas do ponto de vista fático e jurídico”, disse.
Atuação no Carf
No ano em que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (Carf) foi tragado pela operação zelotes e suspeitas de vendas de sentenças para beneficiar sonegadores, a Receita Federal teve 99,6% de “aderência” dos processos julgados por sua instância administrativa. O valor não representa a taxa de vitória do Receita no Carf, mas aponta que a quase totalidade dos lançamentos feitos pelos fiscais foram mantidos.
“Esse relatório é um tremendo passo da Receita Federal em relação à transparência. Mas para entender esse dado é necessário conhecer os critérios da pesquisa. Quais autos de infração foram lavrados? Com quais decisões? Falta informação da metodologia”, avalia o tributarista Eurico Marcos Diniz de Santi, coordenador do Núcleo de Estudos Fiscais da Fundação Getulio Vargas. Procurada para se explicar, a Receita Federal não respondeu aos contatos da reportagem.
De acordo com o relatório, esse índice de aderência é alcançado graças à qualidade dos lançamentos feitos pelos auditores-fiscais, “que se comprometem com o crédito tributário até a fase final do contencioso, preparando subsídios para atuação da Procuradoria da Fazenda Nacional junto ao Carf, e pelo acompanhamento dos julgados efetuados pela subsecretaria de Tributação e Contencioso”.
Clique aqui para ler o relatório.

Matéria esclarecedora, a medida que o ano de 2015 ficou marcado, nesse assunto, como o ano em que a AGU foi ao congresso pleitear salário de magistrado sob o argumento, entre outros, de ser a maior responsável pela arrecadação de tributos federais. A matéria dá a César o que é de César.
Um despropósito o simples fato de se estabelecer "meta" para autuações da Receita, como que a incentivar e estimular o agente público a aplicar sanções pecuniárias contra o contribuinte! Em primeiro lugar, porque revela verdadeira sanha arrecadatória; em segundo, porque infração tributária é ilícito eventual e aleatório, e que, como tal, não pode ser objeto de quantificação prévia, por último, porque, como todos sabemos, havendo eventuais excessos (para cumprir meta) o contribuinte é que terá pela frente a sempre árdua tafefa de "desconstituir" o princípio da presunção da legitimidade, da legalidade e da veracidade que norteia os atos da Administração.
Entre autuar e receber existe uma distância mais longa que da Terra ao Plutão. Eventualmente, se for devido, daqui uns 20 anos entra no caixa.
Uhé, mas outro dia eu li que quem arrecadava mais recursos para os cofres publicos era a PGFN/AGU, como é isso afinal, alguém pode esclarece melhor ??? l-11/pgfn-defende-reajuste-alegando-arre cadou-2064-bi-2014
http://www.conjur.com.br/2015-ju
Em tempos de crise econômica é um “salve-se quem puder” e o povo e a Fazenda Pública tornam-se inimigos viscerais. Aquela usando todos os meios para oprimir este, escravizando as pessoas para delas tirar tudo o que puder, toda a dignidade, rebaixando o indivíduo e reduzindo-o a nada. O indivíduo tenta superar a crise lutando com as lânguidas forças que possui para subsistir e, assim, garantir sua finita longevidade pela máxima extensão possível, com a certeza de que a Fazenda Pública, o Estado, a Administração Pública (cuja longevidade tende à perenidade) nada farão para facilitar-lhe tal labuta, mas antes, tudo farão para atrapalhá-lo e prejudicá-lo sob os mais diversos pretextos, mesmo tendo sido o Estado o responsável pela crise econômica que aflige a todos os indivíduos. Em síntese, nós somos sempre os culpados de tudo, o para-raios ou pau de Exu dos erros do Estado e seus membros.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br
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