Escrevi há vinte anos [1] (sobre o uso de elevadores em Pindorama e outros temas típicos de nossa sociedade patrimonialista):
“A maior parte da sociedade passa a acreditar que existe uma ordem de verdade, na qual cada um tem o seu “lugar (de)marcado”. [2] Vejamos a complexidade do problema da formação do Brasil. Em muitos pontos há concordância dos pesquisadores. Segundo Antonio Houaiss e Roberto Amaral (Modernidade no Brasil: conciliação ou ruptura), o pressuposto é aceito de forma geral: 1) um território precioso, 2) flora, fauna e clima esplêndidos, 3) um autoctonato de fácil superação, 4) uma consolidação linguística quase miraculosa, 5) a gestação de uma cultura popular e ágrafa rica e emocionante, 6) uma expansão demográfica rara, pela multiplicação, pela miscigenação tolerante e pela democracia empírica convivial. Eliminando os pontos positivos, restam, ao cabo dos cinco séculos de operação Brasil, os enigmas: a dívida social crescente — fome, ensino miserável, ausência de terra (guardada como “poupança”) para os aptos a trabalhá-la, trabalho no campo preferentemente para a exportação, a importação preferentemente para gáudio dos exportadores. As chamadas elites brasileiras, bem pensadas, parecem ter tido, excelente ou sobre-excelentemente, o mais puro sentido de autodefesa e sobrevivência: 1) aos trancos e barrancos, embora souberam reter para si o máximo dos bens materiais; 2) souberam harmonizar-se com os donos do mundo; conseguiram manter “seu” povo admiravelmente manietado, pela escravidão, pelo genocídio, pela ignorância, pela superstição — já que a terra lhes foi compensatóriamente tão generosa, que raros foram os Palmares e os Canudos e os Caldeirões em que criaram, embora efêmeras, suas pátrias de eleição possível.
É nesse contexto que cada um “assume” o “seu” lugar. E estes compõem a maioria. Essa maioria, porém, não se dá conta de que essa “ordem”, esse “cada-um-tem-o-seu-lugar” engendra a verdadeira violência simbólica (Bourdieu; tb Katz e Kahn) da ordem social, bem para além de todas as correlações de forças que não são mais do que a sua configuração movente e indiferente na consciência moral e política.
O sistema cultural engendra exatamente um imaginário no qual, principalmente através dos meios de comunicação de massa, faz-se uma amálgama do que não é amalgamável. Por isso, por exemplo, é possível — e observe-se a relevância dessa questão no plano simbólico — que o país mantenha impunemente um apartheid em elevadores sociais e de serviço, o que legitima o preconceito social!
Não causa espanto, assim, em nossa “pós-modernidade” midiática, que, a exemplo de tantas pessoas, uma famosa atriz e modelo da Rede Globo justifique o apartheid nos elevadores de forma bastante solene: “As coisas estão tão misturadas, confusas, na sociedade moderna. Algumas coisas, da tradição, devem ser preservadas. É importante haver hierarquia”. Já uma promoter [3] paulista assídua frequentadora das colunas sociais, não “nos deixa esquecer” que “… cada um deve ter o seu espaço. Não é uma questão de discriminação, mas de respeito”. Ou seja, para elas — e para quantos mais (!?) — a patuleia deve (continuar a) “saber-o-seu-lugar”… [4]
Discursos deste quilate não podem (e não devem) nos surpreender, até porque nada mais são do que reproduções do que ocorre cotidianamente ao nosso redor, reforçados pelos estereótipos produzidos pela mídia em larga escala. Daí que, usando como pano de fundo essa discussão, Contardo Calegaris[5] procura explicar a atitude e o discurso das classes médias e médio-superiores brasileiras acerca desta problemática:
“No Brasil, talvez por ele ter sido e talvez por ser ainda o maior sistema escravagista do mundo ocidental, a modernização aconteceu pela metade. (…) As classes médias brasileiras não abriram as portas do poder sobre as coisas para metade da população do país. (…) Foi por tradição ou por gosto atávico escravocrata”.
Por isso, diz Callegaris, tanta violência no Brasil: o ladrão brasileiro não está só pedindo posse de mais coisas. Quer mais! Quer os corpos…![6] São eles que (os corpos) “é bom possuir”. E (de forma irônica) Callegaris acrescenta: “a violência (na sociedade) já reverte se os elevadores de serviço forem suprimidos”.
A “aceitação” da exclusão social é cotidianamente reforçada/justificada pelos meios de comunicação. Veja-se, a propósito — e a crítica foi magnificamente feita pelo jornalista Vinícius Torres Freire em matéria intitulada “Carro grande e senzala” —,[7] comercial veiculado em rede nacional de televisão, para lançamento de um certo automóvel “classe A”, onde um casal branco e bem vestido escorrega pelo piso ensaboado de uma garagem, em direção ao carro apregoado. Três faxineiros, morenos e miúdos como quase todo o povo, fazem pilhéria dos ricos à beira do tombo. Mas o casal classe “A” chega ao carro “A” e sai zunindo da garagem escorregadia — o carro é estável, é o que se vende. Os faxineiros ficam para trás com cara de besta. Um deles escorrega e cai feito um pateta. Em outro anúncio, novamente aparece a dualidade “elite branca e elegante” versus “plebe rude e ignara”: desta vez um engravatado regateia com um mendigo flanelinha a lavagem do mesmo carro “classe A”. Condescende com riso senhorial da esperteza do pedinte, que quer “dez real”, pois o carro aquele é grande por dentro. Como bem complementa Torres Freire, os aludidos anúncios reproduzem um clichê clássico do imaginário subdesenvolvido, onde os pobres são espertos, sensuais e marotos…:
“O Brasil jamais foi uma república de fato, ex-escravos continuaram pobres, pobres não têm direitos e são demais. O comercial de carro ‘A’ não os fará mais pobres, mas a naturalidade inconsciente com que mofa da patuleia é um sintoma. ‘Os nativos estão inquietos’, eles assaltam, mas são uma classe de gente diferente, que ficou para trás naturalmente, ridícula como um escravo ou um primitivo pateta”.
Outro exemplo interessante é de um anúncio publicitário (premiado) que conseguiu transformar a exploração em “glamour” (ou consegue “justificar” a (semi)escravidão dos “velhos e bons tempos”). O cenário era uma antiga fazenda de café. Os personagens são dois recém-casados, que, ao acordarem, se encaminham ao café da manhã. Entrementes, a câmera mostra os empregados da Fazenda se encaminhando para a plantação, com ferramentas rudimentares (típicas “daqueles (bons) tempos”). Enquanto os campesinos se afastam, o casal senta-se à mesa, ornada com toalha rendada e com xícaras de fino porcelanato comprado em Aveiro. A cena culminante é o café sendo servido, fumegante, denso, saboroso (quase “ontológico”)… e uma voz em off anunciando: Café Pindorama Casagrande [8]: a volta dos bons tempos! Ou “Os bons Tempos estão de volta”. Faltou apenas uma frase: bons tempos para quem, cara pálida?
Tudo isto se encaixa, pois, em uma espécie de razão cínica brasileira. Invertendo a famosa frase de Marx dita em o Capital: “Sie wissen das nicht, aber sie tun es”, que significa “disso eles não sabem, mas o fazem”, Peter Sloterdijk nos ajuda a explicar a fórmula dessa razão cínica traduzida no comportamento de nossas classes dirigentes: “eles sabem muito bem o que estão fazendo, mas fazem assim mesmo”.[9] Nossas classes dirigentes e o establishment jurídico sabem o que está ocorrendo, mas continuam a fazer as mesmas coisas que historicamente vêm fazendo. Não nos damos conta das questões mais prosaicas que nos rodeiam e que permeiam o nosso imaginário”. Tinha mais coisas. Escritas até antes de 20 anos. Mas, deixa prá lá. Não quero cansar os leitores que não gostam de ler textos longos. Sinais da “pós-modernidade” (aliás, para saber o que é pós-modernidade, assistam esse filme de um minuto — vejam o que é “o outro”).
Pronto. Tenho que acrescentar algo 20 anos depois? Eis a explicação para o episódio em que o advogado de São Paulo foi algemado no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) por ter “entrado por engano” no elevador que não era de sua “laia”. Ele não sabia o seu lugar. Chamemos a atriz e a promoter paulista.
Post Scriptum : muitos dizem que sou profeta do Direito. Calvo Gonzales diz que acertei que o realismo jurídico tomaria conta do Brasil (ler aqui). Pois também acertei a questão dos precedentes… e até a coisa dos elevadores. Do apartheid de elevadores. Sociais. De serviço. Privativos. Não privativos. Eu falei que isso não teria fim. Bingo.
E eu não poderia deixar de me manifestar sobre o episódio do TRT-2. É um dever cívico.
Enfim, Millor estava certo: o Brasil tem um imenso passado pelo frente!
1 A primeira vez que escrevi sobre os elevadores foi logo após a eleição de Erundina. Ela se elegeu em 1989. Depois disso, transportei isso para o Hermenêutica Juridica e(m( Crise. Também está no Tribunal do Júri, Símbolos e Rituais (esgotado de há muito). Como o Hermenêutica tem mais de 11 edições e reimpressões, fui agregando novos elementos. Mas o cerne é a questão do apartheid social (e profissional) Podem ver que o comentário do Callegaris é de exatos 20 anos atrás.
2 Exemplo disso é a “PEC das domésticas” que causa um mal-estar pela quebra das expectativas e da violação do arquétipo. Algo não estaria no lugar. No lugar de sempre. No lugar-comum. Ou seja, alguém, a partir da PEC, poderá “não mais saber o seu lugar”…! Ver: ”A PEC das Domésticas e a saudade dos "bons tempos, op. cit. Disponível em: http://www.conjur.com.br/2013-abr-11/senso-incomum-pec-domesticas-saudade-bons-tempos.
3 Promoters são as pessoas que fazem festas para as elites cheirosas que só usam perfumes oxítonos. A palavra deve ser pronunciada com afetação e uma dose de frescura. O segundo “o” deve ser dito fazendo ar de bocó: “ôôter”.
4 Cf.”A PEC das Domésticas e a saudade dos "bons tempos". Disponível em: http://www.conjur.com.br/2013-abr-11/senso-incomum-pec-domesticas-saudade-bons-tempos.
5 Cf. Calegaris, Contardo. A praga escravagista brasileira. In: Folha de São Paulo, Caderno Mais, p. 5. 22.09.1996.
6 Para se ter uma ideia, o tráfico de entorpecentes no Brasil emprega mais que a Petrobras. Somente no Rio de Janeiro, o tráfico emprega 16.000 pessoas, arrecadando 400 milhões de dólares/ano (que é o que arrecada o setor têxtil no Rio de Janeiro). Cf. Folha de São Paulo de 28 nov 2010, Caderno C, p.4.
7 Cfe. Freire, Vinícius Torres. “Carro grande e senzala”. In: Folha de São Paulo. 17.01.2000.
8 Preservo o nome original do café.
9 Ver, para isso, Sloterdijk, Peter. Kritik der zynischen Vernunft. Frankfurt, 1983.
Será Streck um bolivariano ???????
Starstreck não é profeta de nada. Profetas são humildes. Vários leitores já chegaram os dados apresentados nas colunas e identificaram falhas. Processo com número errado. Citação em alemão inteligível, e, nesta coluna se diz : um promoter, uma atriz. E os nomes? Tem coragem de citar? Ou é mais um peseudo dado ilusório imaginário?
Que dor de barriga dá ouvir esses intelectuais riquinhos falando como se tivessem um procuração em nome da "senzala"...O Streck se acha proletariado ou burguesia com a aposentadoria (que deve ser bem gordinha né Dr. Streck) de Procurador de Justiça? Ah como é fácil posar de defensor dos pobres aos quatro cantos...
"Os povos, uma vez acostumados a senhores, não podem mais passar sem eles. Se tentam sacudir
o jugo, afastam-se tanto mais da liberdade quanto, tomando por ela uma licença desenfreada que lhe é
oposta, suas revoluções os entregam quase sempre a sedutores que só fazem agravar as suas cadeias." Jean-Jacques Rousseau
No Brasil é preciso explicar metáforas, sinonímas e qualquer figura de linguagem. Logo, se Streck citar Aécio, ele é aecista, Trump, trumpista... Para não ser mal-entendido, preciso dizer: "estou sendo irônico".
Prédios públicos restringido o acesso de indivíduos que neles precisam ingressar e transitar.
Faz um tempo... No fórum trabalhista da Barra Funda fiquei incomodado com uma situação: a plebe esperando em média 10 minutos para ter acesso aos elevadores (iniciavam-se as audiências do período da tarde) e enquanto esperavam em longas filas, os servidores do TRT simplesmente atalhavam a fila. Elevadores estacionavam no andar térreo, abriam as portas e ficavam lotados de servidores esfregando na fuça alheia os seus crachás. A plebe seguia esperando o próximo carro até que... Outro grupo de servidores (maior ou menor que o anterior) acessava com "prioridade" os veículos.
Aí eu enviei uma manifestação para a Ouvidoria. Tempos depois, deparei-me com a SOLUÇÃO: uma placa na entradas dos elevadores com a seguinte conclusão, resumida: em havendo servidores para o embarque, a prioridade seria deles. E a fila? E os bobos da fila? A "lei do TRT" diz que os servidores são prioridade.
Há outros episódios de elevadores e servidores do Judiciário, mas não os relatarei.
Agora... Já imaginou toda essa casta de férias em um hotel tendo de esperar outro elevador porque a equipe de camareiros(as) e outros funcionários do estabelecimento são prioridade no embarque? Reclamariam no Procon!
Citar Marx criticando o cinismo dos outros é algo no mínimo cômico, visto que Marx foi um malandro que nunca trabalhou e viveu as custas de um burguês (sem nem entrar nos problemas familiares desse sociopata).
No mais esse texto parece muito mais panfletagem do PSTU do que qualquer outra coisa. Só faltou falar que odeia a classe média.
Irretocável o que disse o jurista Lenio Luiz Streck, bem como o comentário do advogado Eduardo Oliveira. Esse brasil tem que ser sacudido para acabar com os privilégios absurdos bancados com o dinheiro público, ou seja, com o meu dinheiro, com o dinheiro do povo sofrido e que em sua maioria não sabe que descaradamente os assaltantes do poder também assaltam seus bolsos para criarem e manterem os absurdos já ditos privilégios. Não posso deixar de registrar que nos anos 70/80 cheguei a manusear processos administrativos do Ministério das Relações Exteriores, que na época (não sei se ainda tem) mantinha a DIVISÃO DE PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES, que só pelo nome já causa repulsa, mas era uma sigla do organograma do MRE. Só no Brasil!
Esse tipo de abuso, infelizmente, nem surpreende tanto.
Enquanto que nos Estados Unidos e na Alemanha os debates na Suprema Corte são transformados em livros e discutidos em todo mundo acadêmico do Direito, aqui no Brasil tem se tornado caso de polícia.
Os Ministros do STF pensam que o plenário do Tribunal é a cozinha da casa deles e que lá ambiente para dar showzinho de ego.
Motivos não faltam para que voltemos nossa atenção ao estudo doutrinário e deixemos que certos Tribunais continuem a brincar de fazer "gracinhas jurídicas".
No fim de minha graduação, tive de fazer um trabalho de pesquisa.
Pedi para um amigo pegar um livro para mim na biblioteca da faculdade, depois fui ao trabalho dele devolver, no TJ da região.
Chegando lá fui barrado na porta, pois usava shorts e segundo a resolução do TJ local eu não poderia entrar na repartição. Ele desceu até a entrada rindo da minha cara e entreguei a ele o livro: ironicamente seu título era "acesso à justiça" de Cappelletti e Bryant Garth. A resolução existe até hoje.
Que tal começar com o fim das prerrogativas de foro, fim das celas, ops sala especial, etc.
Joseph Göebbels, há filmagens em canais de TV a cabo em documentários sobre o nazismo deste fazendo a afirmação, dizia com assertividade. "Toda vez que ouço falar de cultura, imediatamente passo a mão na minha pistola".
Somos obrigados, nas redes sociais, a ver manifestações que afirmam que o Fascismo e o Nazismo eram doutrinas de esquerda. Se o argumento raso de tudo que não defenda o neoliberalismo extremado, seja escola austríaca, seja escola monetarista de Chicago, tudo que reze fora desse "corão" é heresia... Por tais argumentos os governos militares, que tanto odiavam a concorrência econômica, visto políticas de substituição de importações e reserva de mercado em informática, pelo viés beócio que se vê por aí, usando os argumentos dos argumentadores radicais, os governos militares foram de esquerda, quase comunistas devido aos planos plurianuais. Poucos dias antes de 11 de setembro de 2001, Donald Rumsfeld fez um discurso, está em documentário, dizendo que o novo inimigo estava dentro dos EUA com seus planos plurianuais, etc., mirando no Pentágono, com ideário de privatizações.
A impressão que tenho é que há muita gente que revista Goebbels, "toda vez que ouço falar de doutrina jurídica imediatamente passo a mão no rolo de papel higiênico".
Tempos estranhos. Um pai radical perseguiu, baleou perseguiu baleando o filho até a morte por divergência ideológica, e nas redes sociais foi aplaudido, mesmo tendo cometido suicídio para não encarar a prisão.
Quanto a Göddel, o Teorema da Incompletude, tão aplicável para além da matemática e computação, aplicável inclusive a questões de direito, um grupo de pesquisadores doutores da UFRJ, a maioria com doutorado no exterior, resolveram estudar Goeddel, o projeto de seis meses...
Puxando de uma frase do jornalista Mauro Santayana em seu blog, http://www.maurosantayana.com/2016/08/a- lava-jato-e-o-vice-almirante.html .br/conteudo/samuel/43281/umberto+eco+14 +licoes+para+identificar+o+neo-fascismo+ e+o+fascismo+eterno.shtml
É lastimável ter de repensar se é fato que cada vez mais parece haver mais pessoas que teriam o interior da caixa craniana irrigado por ramos da artéria mesentérica superior...
Há um texto formidável de Umberto Eco, publicado num livro, Cinco Escritos Morais", mas que ganhou as redes sociais...
http://operamundi.uol.com
Neste país hoje a crítica substantiva foi substituída pela adjetivação. Proliferam epítetos e adjetivações, não há crítica substantiva, argumentativa. Adjetiva-se, "o sujeito é burguês, o sujeito é bolivariano, o sujeito é vagabundo" ou "o sujeito é petista", "o sujeito é esquerdista", e através de uma adjetivação vazia já se faz um pré conceito, o preconceito leva a pré juízos, desembocando em graves prejuízos intelectuais para todos... no que enquanto ainda restar arremedo de democracia, nessa modernidade líquida a imensa maioria não vota em programas e ideias, vota na imagem de quem surja como o mais parecido consigo, a imagem de si mesmo, e como historicamente a média das sociedades não é nada boa, a política reflete isso.
O que é preocupante são sinais de um possível vingar de um projeto que nos anos oitenta seria tratado como piada, a tomada do poder por uma teocracia evangélica.
Não falo de Crivella prefeito do Rio, falo de agentes públicos concursados pregando em igrejas, defendendo em igrejas que sendo oriundo de tal denominação evangélica poderia estar ungido para apresentar o que é inconteste, dogmático. Nem vou citar Nelson Rodrigues sobre maiorias numéricas.
Será que se Lênio tivesse alcançado um cargo no Judiciário abriria mão do elevador privativo?
Não é à toa que tantos odeiam a Constituição, aplaudem todo tipo de afronta à democracia e aplaudem aqueles que, unilateralmente, se autodenominam (abusivamente) intérpretes da consciência popular.
Não entendo como alguém possa aplaudir e apoiar um agente público que não é agente público, pois não cumpre uma função, mas exerce, isso sim, um poder soberano (e, portanto, ilegítimo). É soberano porque faz o que quer, sabendo que onde há função não há liberdade.
Não é à toa que alguns odeiam tanto o foro por prerrogativa. O foro por prerrogativa é a última trincheira, o último obstáculo para ser vencido rumo à soberania total.
Regras de competência já não existem em alguns lugares (são foros universais), nulidades também não, regras de suspeição também não, liberdade provisória também não, falar apenas nos autos também não, sigilo também não existe. Falta apenas destruir o foro por prerrogativa, aí a soberania será total.
Por isso a Constituição é vista como algo inútil, pois ela é um obstáculo ao poder soberano.
marx curtiu
É decepcionante quando alguém fala sobre tal realidade fática, que é evidente no cotidiano de todos, em vez de discutirem soluções para este escancarado problema, buscam atacar a pessoa do articulista.
Parece que sentiram-se ofendido por alguém apontar o dedo a um problema que todos somos responsáveis e a maioria é omissa na busca da resolução deste.
Os apontamentos do Professor foram factuais e os críticos levaram pro lado pessoal.
Veja, é comum as pessoas admirarem o poder de persuasão e oportunismos de Hitler, apesar do monstro humanitário que ele foi, mas citar Marx já causa descrédito a uma opinião? Que não defendeu a ideologia dele, registre-se.
Enfim, enquanto ficam nesta luta de classes, os governantes enchem a burra e riem da patuleia.
Quando perceberão que para evoluirmos como nação, devemos nos enxergar como nação, independente de credo, etnia, faixa etária, posição política, sexualidade, poder econômico, nível educacional, ofício, etc., somos todos parte da mesma nação.
No mais, está até virando clichê, mas volta e meia, a única solução, que vejo, para 99% dos problemas mundiais é a educação.
Paz e ótimo final de semana a todos.
Troque a polpuda aposentadoria da Casa Grande que é bancada pelos miseráveis da nação pela aposentadoria da Senzala Streck
Streck recebia o auxílio Grande (vulgo auxílio moradia) quando estava na ativa?
Posar de questionador para vender livro para os inocentes é fácil
Enquanto fizerem como Mussolini , que achava que devia ser "tudo no estado, nada contra o estado, nada fora do estado", continuaremos na retórica e a enxergar o "inferno", sempre no outro, ou em outra classe, sem nunca olharmos para o próprio umbigo, ou para o universo ao qual pertencemos.
Acabem com os privilégios, acabem com os supersalários e parem de gastar, sem prestar contas em detalhe, o dinheiro público como se privado fosse, que SÓ este ato já mudaria o panorama e o comportamento de todos, em nosso país.
Fico pasmo ao assistir pessoas que vivem como nababos, em país empobrecido, teorizando sobre luta de classes.
São os socialistas de Iphone.
Gostam de Marx, pensam como Stalin e gastam como Rockefeller.
Se acabarmos com os gastos descontrolados de dinheiro público, se incentivarmos nossos jovens a empreender (e não apenas a sonhar com um cargo no estado, para ter uma ótima - além de garantida - aposentadoria), teríamos um país que já tem a riqueza e passaria a ter o material humano para fazer esta aflorar, possibilitando a prosperidade.
Mas empresas que vivem de dinheiro do estado, e tantos outros cujo estado sempre foi o maior provedor, além de pessoas que nunca geraram um emprego na vida, parecem ter um certo - estranho - prazer em criticar uma classe abstrata, que não consigo observar nas ruas da cidade, talvez para tirar o foco de quem, de fato, são os responsáveis pelo país permanecer sempre naquela categoria do "foi, sem nunca ter sido".
Regras fazem parte do convívio em sociedade.A desvirtuação destas, geralmente prosperam em países onde o exemplo, aquele que deve vir de cima, é algo que NÃO faz parte da conduta .
São países onde a mudança é sempre cobrada "do outro".
Não tem como dar certo.
Tornei-me um leitor assíduo do Streck, quase nunca comento pois tenho ciência que alguns assuntos extrapolam a minha bagagem (em crescimento) de conhecimento. Mas fiquei estão estarrecidos com alguns comentários abaixo que me senti na obrigação de manifestar.
O Brasil está a cada dia se tornando um lugar perigoso a se viver. É assustador como as pessoas são capazes de ignorar fatos históricos (escravidão) e se rebelarem por uma citação de um sociólogo, que linguisticamente, é perfeitamente coerente à mensagem da crítica.
Professor, nunca pare de publicar textos similares! Tenho o senhor e o Luiz Flávio Gomes como grandes referências da construção da minha jornada profissional. Como disse o grande educador brasileiro Paulo Freire: "Não basta saber ler que 'Eva viu a uva'. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho".
Embora a mídia tem nos informados com notícias de que o própria pai tira a vida do filho por motivos político-ideológicos, acredito piamente que vem surgindo no nosso país uma geração mais conscientizada e progressistas, e esses vermes (desculpe o termo) não acharão mais hospedeiros para sustentar seu reino de regalias.
Com a aposentadoria que tem, um ex-Procurador de Justiça tem um imenso futuro pela frente!
Pimenta na aposentadoria do regime geral dos outros é refresco...
Mais um abuso de autoridade pros otários dessa Repúbliqueta de juristas inúteis que plantam papeis, que fabricam conflitos, e que não plantam nem uma banana...mas sabe muito bem tomar a comida da classe que verdadeiramente constroi e contibui para o crescimento do Brasil.
Já não existem mais Millor Fernandes como antigamente..
Com a aposentadoria que tem, um ex-Procurador de Justiça tem um imenso futuro pela frente!
Pimenta na aposentadoria do regime geral dos outros é refresco...
Mais um abuso de autoridade pros otários dessa Repúbliqueta de juristas inúteis que plantam papeis, que fabricam conflitos, e que não plantam nem uma banana...mas sabe muito bem tomar a comida da classe que verdadeiramente constroi e contibui para o crescimento do Brasil.
Já não existem mais Millor Fernandes como antigamente..
Eu não tenho o conhecimento e a experiência do prof. Lenio, obviamente, mas conheço o brasileiro, o Brasil, o funcionamento das instituições, os conflitos sociais e a própria sociedade de uma forma muito mais profunda do que a média dos cidadãos. Apesar disso, a da relativa experiência com o comportamento humano, a cada dia fico mais chocado com os rumos dessa Nação. Nem falo do passado, mas penso no futuro. Há um ódio generalizado corroendo as relações sociais em todos os níveis da atividade humana aqui na terra da bananeira. As pessoas querem subjugar, querem separações, muros, querem ser o senhor de engenho e estar com o chicote nas mãos, para chicotear seus semelhantes. E parece não haver solução para isso.
A cordialidade do brasileiro apresenta, também, a sua faceta negativa. ortagens/o_jeitinho_do_homem_cordial.htm l).
O jeitinho do Homem cordial no livro Raízes do Brasil, do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é manifestado na superioridade dos sentimentos à razão. A afabilidade não teria nenhum problema se restrita ao ambiente privado.
"O problema surge quando a cordialidade se manifesta na esfera pública. Isso porque o tipo cordial – uma herança portuguesa reforçada por traços das culturas negra e indígena – é individualista, avesso à hierarquia, arredio à disciplina, desobediente a regras sociais e afeito ao paternalismo e ao compadrio, ou seja, não se trata de um perfil adequado para a vida civilizada numa sociedade democrática" (http://www2.uol.com.br/historiaviva/rep
Assim, quando o advogado recusou-se no âmbito do elevador do prédio do TRT 2a. Região a apresentar identificação, ele demonstrou comportamento avesso ao cumprimento de regras. Utilizou a sua posição de advogado - detentor de poder- para romper com o equilíbrio público.
Na esfera privada - para demonstrar o comportamento "macunaímico" do brasileiro, basta verificar nas periferias das grandes cidades a existência de penetras em festas particulares, inclusive superando obstáculos protetores da intimidade - como um muro, sem que o anfitrião possa esboçar qualquer ato de desaprovação.
Enfim, necessariamente existem fronteiras visíveis e invisíveis entre as classes sociais (Karl Marx e C. Wright Mills). A demarcação simbólica é que permite o convívio entre diferentes atores comunitários.
A cordialidade do brasileiro apresenta, também, a sua faceta negativa. ortagens/o_jeitinho_do_homem_cordial.htm l).
O jeitinho do Homem cordial no livro Raízes do Brasil, do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é manifestado na superioridade dos sentimentos à razão. A afabilidade não teria nenhum problema se restrita ao ambiente privado.
"O problema surge quando a cordialidade se manifesta na esfera pública. Isso porque o tipo cordial – uma herança portuguesa reforçada por traços das culturas negra e indígena – é individualista, avesso à hierarquia, arredio à disciplina, desobediente a regras sociais e afeito ao paternalismo e ao compadrio, ou seja, não se trata de um perfil adequado para a vida civilizada numa sociedade democrática" (http://www2.uol.com.br/historiaviva/rep
Assim, quando o advogado recusou-se no âmbito do elevador do prédio do TRT 2a. Região a apresentar identificação, ele demonstrou comportamento avesso ao cumprimento de regras. Utilizou a sua posição de advogado - detentor de poder- para romper com o equilíbrio público.
Na esfera privada - para demonstrar o comportamento "macunaímico" do brasileiro, basta verificar nas periferias das grandes cidades a existência de penetras em festas particulares, inclusive superando obstáculos protetores da intimidade - como um muro, sem que o anfitrião possa esboçar qualquer ato de desaprovação.
Enfim, necessariamente existem fronteiras visíveis e invisíveis entre as classes sociais (Karl Marx e C. Wright Mills). A demarcação simbólica é que permite o convívio entre diferentes atores comunitários.
Totalmente alienado, o brasileiro valoriza o policial violento. Eis o trecho de uma entrevista com o ex- policial Rodrigo Nogueira Batista, autor do livro “Como Nascem os Monstros”, da Editora Topbooks: de/201ca-perversao-comeca-na-formacao201 d-diz-ex-pm-condenado-8569.html). onselhável a leitura da obra por todos os advogados.
Tem uma frase sua no livro que até vai nesse sentido, quando você escreve: “O PM só vale o mal que ele pode causar”. Como é que o PM enxerga essa hipocrisia da sociedade que às vezes exige o policial e às vezes o monstro?
"Se o PM andar com uma roupa humilde, pegar ônibus pra trabalhar, se ele não andar demonstrando que tá armado, ele vai ser encarado por aquelas pessoas que o conhecem como um policial bobão que não faz mal pra ninguém. Agora, se ele tá dentro de um Fusion, com uma pistola enorme na cintura, com roupa de marca, cordão de ouro no pescoço e mete a porrada em quem tá fazendo merda perto da casa dele. Se ele se torna algo que realmente traz risco, ele se torna valorizado. “Ih, pô, não mexe com o fulano não. Ele é polícia”. Há uma glamourização desse estado desumanizado. A sociedade valoriza mais o monstro do que o policial e é por isso que ele tá nascendo o tempo todo" .(http://www.cartacapital.com.br/socieda
Ac
Totalmente alienado, o brasileiro valoriza o policial violento. Eis o trecho de uma entrevista com o ex- policial Rodrigo Nogueira Batista, autor do livro “Como Nascem os Monstros”, da Editora Topbooks: de/201ca-perversao-comeca-na-formacao201 d-diz-ex-pm-condenado-8569.html). onselhável a leitura da obra por todos os advogados.
Tem uma frase sua no livro que até vai nesse sentido, quando você escreve: “O PM só vale o mal que ele pode causar”. Como é que o PM enxerga essa hipocrisia da sociedade que às vezes exige o policial e às vezes o monstro?
"Se o PM andar com uma roupa humilde, pegar ônibus pra trabalhar, se ele não andar demonstrando que tá armado, ele vai ser encarado por aquelas pessoas que o conhecem como um policial bobão que não faz mal pra ninguém. Agora, se ele tá dentro de um Fusion, com uma pistola enorme na cintura, com roupa de marca, cordão de ouro no pescoço e mete a porrada em quem tá fazendo merda perto da casa dele. Se ele se torna algo que realmente traz risco, ele se torna valorizado. “Ih, pô, não mexe com o fulano não. Ele é polícia”. Há uma glamourização desse estado desumanizado. A sociedade valoriza mais o monstro do que o policial e é por isso que ele tá nascendo o tempo todo" .(http://www.cartacapital.com.br/socieda
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