Pelos bastidores é que se conhece o verdadeiro Teori Zavascki

Personalidade, cada um tem a sua. Mas poucos a têm tão marcante quanto teve Teori Zavascki. Desconfiado, reflexivo, calado. Mas, ao mesmo tempo, incisivo, marrudo. Quem o via de longe imaginava-o um ermitão. Não era. Gostava de rir, das coisas boas da vida e de seus amigos.

Dois competentes jornalistas incumbiram-se de ouvir Teori nos últimos dez anos para a produção do Anuário da Justiça Brasil: Rodrigo Haidar e Pedro Canário. Eles narram aqui e aqui suas percepção e o que aprenderam com Teori Zavascki, mostrando quem é o ministro da vida real.

Acervo pessoal

Teori, nos EUA, no dia em que Donald Trump foi eleito presidente.
Dias Toffoli

Foi esse Teori menos conhecido que embarcou com o engraçadíssimo Carlos Alberto Filgueiras, dono do avião que caiu e do Emiliano, em direção à casa do hoteleiro em Paraty (RJ). Carlos Alberto também morreu nessa viagem.

Teori recebia jornalistas, diferentemente do que pensa muita gente. Só não dava entrevistas ou declarações. Nem falava de processos em curso. Mas tinha um carinho especial pelo Anuário da Justiça, que considerava um canal legítimo e importante para levar à sociedade informações relevantes sobre o Judiciário.

Nessa lida, sem que se noticiasse, o Anuário soube que Teori, sem paciência para os jogos de poder, confessou em dado momento que apearia da disputa pela vaga no Supremo e anteciparia sua aposentadoria no Superior Tribunal de Justiça caso não fosse indicado para o STF. Felizmente, não foi necessário.

Márcio Chaer

é diretor da revista Consultor Jurídico e assessor de imprensa.

Rafael Oliveira Advocacia & Consultoria disse:
19 de janeiro de 2017 às 23:57

UMA PERDA LAMENTÁVEL. Além de ser o relator de um dos processos mais importantes da história do STF (a operação "Lava Jato"), foi responsável por decisões históricas, como a aquela que suspendeu o mandato do então Presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) e, pela primeira vez na história, autorizou a prisão de um Senador (Delcídio do Amaral).
Todavia, pelo menos por hoje, é momento de lamentar a perda do Ministro. Toda vida é preciosa, um presente de Deus. Pelo menos Teori conseguiu colocar seu nome na história. Jamais esquecerei sua frase segundo a qual, "no Brasil, quando se puxa uma pena, aparece uma galinha". Descanse em paz, Ministro.
Rafael Oliveira Advocacia & Consultoria.

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