Em nota, o procurador-geral da República Rodrigo Janot disse ter um “gosto amargo” a etapa da operação “lava jato” que culminou com a prisão de um integrante do Ministério Público Federal.
“As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição”, disse

O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi preso na manhã desta quinta-feira (18/5). Ele é acusado de receber dinheiro para repassar informações ao empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, a respeito de investigações que o envolvem.
A prisão foi decretada pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a pedido do próprio Janot. Além do procurador, também foi preso o advogado Willer Tomaz.
“Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público”, diz a nota.
Janot também diz que foi pedido o afastamento do procurador de suas funções. Além disso, o PGR determinou o a exoneração de Villela de sua função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e foi revogada sua designação para atuar no caso greenfield.
Goulart é diretor de Assuntos Legislativos da Associação Nacional dos Procuradores da República e, em junho de 2016, defendeu pacote de medidas do Ministério Público Federal contra a corrupção.
Leia a íntegra da nota de Janot:
Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de maio, mais uma fase do caso Lava Jato, especificamente a partir de investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição.
Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição.
Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público.
A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas.
No que diz respeito ao procurador da República, o mandado de prisão expedido pelo STF foi executado por dois procuradores regionais da República com o auxílio da Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em seus endereços residenciais e funcionais. Foi pedido ainda o afastamento do procurador de suas funções no Ministério Público Federal. Determinei também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revoguei sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield.
O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista.
A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais.
Como Procurador-Geral da República, cumpri meu dever institucional e adotei as medidas que a Constituição e as leis me impunham.
Sigamos confiando nas instituições republicanas".
* Texto atualizado às 17h10 do dia 18/5/2017 para acréscimo de informações.

Não vai ter powerpoint e julgamento antecipado na imprensa?
Agora se chama gosto amargo então?
E não era qualquer procurador da república: cargo de assessoria no MPF, e diretor da Associação Nacional dos Procuradores da República.
Que vergonha...
Taí a prova do pernicioso, desmedido e exacerbado corporativismo do MPF. Somente quando é para pedir (na certa a contragosto) a prisão preventiva de eminentes colegas, o sabor é amargo, enquanto que para o resto o gosto é sempre doce e com direito a powerpoint e entrevistas coletivas visando à pré-condenação perante a opinião pública no limiar de mera investigação.
P.S.: Falando em gosto amargo, a filha de Janot ainda advoga para a OAS e Oldepretch?
Exmo. Sr. Dr. Procurador Geral da República, diante de tantas ocorrências tão graves, impõe-se a remessa de todos os inquéritos e processos da Lava Jato para a Justiça Militar, nos termos da Lei 7170/1983.
O escritor José Martiniano dos Santos na obra "1942" , Atentado ao Brasil' reproduz o pensamento de Adolf Hitler: "Os brasileiros são uma raça de mestiços corruptos e que a democracia dificilmente funcionará na América do Sul". O objetivo do Fuhrer era esperar alguns anos e ajudar a nos livrarmos do sonho democrático.
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