O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, publicou artigo justificando os benefícios que concedeu aos irmãos Wesley e Joesley Batista, da JBS, em troca das informações colhidas por eles. Por terem gravado o presidente Michel Temer (PMDB-SP) dando anuência para ter seu nome usado em troca de favores e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pedindo propina, os empresários tiveram extinta a possibilidade de serem punidos pelos crimes que cometeram e puderam permanecer nos Estados Unidos, sem qualquer controle das autoridades.

Além desses crimes, Joesley Batista diz em uma das gravações que tinha um informante entre procuradores que atuam na operação “lava jato” e que também comprou dois magistrados, um titular e outro substituto. Para Janot, tudo isso justifica a ausência de punição aos irmãos Batista proposta pelo Ministério Público Federal e aceita pelo ministro Luiz Edson Fachin, no acordo de delação premiada.
Em artigo publicado no UOL nesta terça-feira (23/5), o procurador-geral admite ainda as inúmeras limitações das investigações brasileiras — que nos últimos tempos tem se calcado apenas em grampos e delações —, dizendo que o sistema penal brasileiro jamais teria chegado a esse nível de apuração sem as confissões dos empresários.
“Embora os benefícios possam agora parecer excessivos, a alternativa teria sido muito mais lesiva aos interesses do país, pois jamais saberíamos dos crimes que continuariam a prejudicar os honrados cidadãos brasileiros, não conheceríamos as andanças do deputado com sua mala de dinheiro, nem as confabulações do destacado senador ou a infiltração criminosa no MPF”, afirma.
“Quanto valeria para a sociedade saber que a principal alternativa presidencial de 2014, enquanto criticava a corrupção dos adversários, recebia propina do esquema que aparentava combater e ainda tramava na sorrelfa para inviabilizar as investigações”, complementa.
Janot critica ainda o que chama de mudança de foco, já que a imprensa, e parte da classe política e da jurídica, têm criticado os benefícios concedidos. Segundo o PGR, “mesmo diante de tais revelações, o foco do debate foi surpreendentemente deturpado”. “Da questão central — o estado de putrefação de nosso sistema de representação política — foi a sociedade conduzida para ponto secundário do problema — os benefícios concedidos aos colaboradores”, critica.
Ainda tentando mostrar que fez o bem ao país, Janot cita uma proposta de acordo — já recusada — feita pelo MPF ao grupo J&F, que é o controlador da JBS, de pagamento de multa de R$ 11 bilhões. Menciona também que há possibilidade de a holding ser punida com base nas leis anticorrupção e de improbidade.
Complementa dizendo que há um outra possibilidade de punição, devido às investigações da Comissão de Valores Mobiliários sobre a compra futura de dólares que a J&F fez um mês antes da divulgação dos áudios. Nessa posição assumida, o grupo lucrou com a alta de 8,15% da moeda americana na última quarta-feira (17/5).
Prêmio ao criminoso
O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello explica que o Ministério Público não poderia ter feito o acordo nos moldes que fez. “Uma coisa é você diminuir o peso da sanção. Outra é deixá-los livres para aproveitar as ilicitudes que cometeram”, diz.
Para Bandeira de Mello, os responsáveis por firmar o acordo “agiram contra todo o Direito Constitucional brasileiro”, pois “indivíduos que confessam crimes não podem depois ser premiados”.
A situação, continua, é mais uma mostra da real faceta da PGR. “Se alguém tem ilusões com a Procuradoria da República e com o Ministério Público, não é o meu caso. Sempre achei que eles eram parciais. Portanto, gente assim não merece respeito. Não tenho por eles nenhuma consideração”, diz.
O ex-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) Leonardo Sica destaca que a situação dos irmãos Batista passa uma imagem muito ruim à sociedade. “Se você vender um cigarro de maconha ou roubar um celular, vai preso e não tem alternativa. Se desviar muitos milhões de reais dos cofres públicos e tiver um gravador no bolso não te acontece nada.”
Esse modelo de Justiça que está sendo construído pela PGR, segundo Sica, não usa como base a lei, mas a delação premiada. Ele afirma que, ao aceitar esses seguidos descumprimentos na obtenção de provas, o Judiciário diz ao povo que a Justiça não se faz com base na legislação.
“A delação premiada oferece benefícios com base na lei, ela não oferece uma impunidade geral”, diz Sica, complementando que há outra mensagem deixada desse caso todo: “Se for roubar, roube muito, e tenha alguém para delatar”.
Fachin e Janot
Causou estranheza aos advogados as seguidas atuações monocráticas do ministro Luiz Edson Fachin em todo esse processo da delação. “Não entendo nem porque essas delações foram distribuídas ao ministro Fachin. Porque ele tem a prevenção de distribuição dos casos da ‘lava jato’ por força da construção dos crimes conexos ligados à Petrobras. Mas não vejo nada da Petrobras nesse caso da JBS”, diz Leonardo Sica.
Já Bandeira de Mello destaca que Fachin sequer poderia ter afastado Aécio Neves de suas funções, pois isso é atribuição do Senado, e não do STF. “Estamos com o Estado de Direito Submerso há muito tempo”, analisa.
Essas divergências também são citadas pelo criminalista Fernando Hideo Lacerda, para quem “o que está valendo é o juízo discricionário”. “Assim como um ministro tira um julgamento da turma e joga para o plenário por razões que ele volta-se a sua consciência, outras vezes, ao invés de ampliar o polo, o restringem.”
Especificamente sobre Janot, Bandeira de Mello vê possibilidade de responsabilização, desde seja demonstrada a relação entre os problemas enfrentados pelo país e a delação. Já advogado e ex-procurador de Justiça Roberto Tardelli condiciona uma eventual punição ao PGR à maneira como o STF analisará todo esse caso. Se a corte anular as provas, diz, “aí, o procurador-geral da República está em maus lençóis”.
Poucas pessoas, sem consulta popular, decidem que uma pessoa que manipulou o mercado, enriqueceu com dinheiro público, poderá ficar com o dinheiro da nação aplicados em empresas e gerando empregos em outro país, usufruindo tudo de bom que o suado dinheiro do povo brasileiro pode oferecer.
Realmente não sabia que nosso Direito funciona desta maneira.
Acho que a frase "Ninguém se beneficiará da própria torpeza" não serve nos trópicos.
Aqui, inclusive, pode-se beneficiar duplamente. Sabedores do caos que seria provocado, ainda ganharam dinheiro com isto.
Se não fosse verdade, diria que é um roteiro de filme "B" Hollywoodiano.
Na cleptocracia tupiniquim , o caso dos Irmãos "brother" que se deram muito bem passa a servir como exemplo de dois pesos e duas medidas. Vide o caso do Marcelo Odebrecht que esta a quase 2 anos na grade e os batistas que saíram pela porta da frente e se bobear a PGR ainda pagou a tanqueada de querosene do Gulfstrean 650 ate o Aeroporto de
Teterboro na periferia de New York , espécie de campo de Marte para os "manu" ai de Sampa. A reviravolta que se abriu a partir da semana passada jogou um quilo de areia nas engrenagens do relógio. O rocambolesco episodio tem mais furos do que escumadeira de pastelaria de chinês. Só isso já renderá certamente um livro e dos grossos pois as teorias conspiratórias envolvendo altas granas decolaram e com mais força que o próprio G-650 dos Batistas. A curiosidade já começa com a utilização de um gravadorzinho de camelô quando levamos em conta que para o pretendido , deveria se ter utilizado equipamento padrão NASA , o resultado foi essa gravação cheia de duvidas graves apesar de que conforme disse o Dr.Lamachia , o principal foi o ato em si sendo a gravação apenas um complemento secundário. Admira-se uma raposa de cauda felpuda na politica bandalha como é o caso do "Conde" Temmer cair numa esparrela quase infantil por comparação. Também devemos lembrar os atos casados de vendas de ações antes do escândalo explodir e mais a compra de dólares na baixa para vender no topo conforme a Imprensa registra. O inacreditável é o TOPETE deles em querer "negociar" a multa imposta por menos do valor original estipulado. É a republica bananeira da esculhambação em toda sua plenitude. Madame Eny e Bete Cuscuz la em Terezina não fariam melhor em suas maternidades de políticos em geral. A duvida é qual o "cu$tou" disso
O que o Joesley fez, foi como blefar em um jogo de poker.
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Ele ajudou a PF/PGR a fazer a tal ação controlada onde pegaram o Aécio em escuta.
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Depois ele disse que tinha gravações explosivas feitas por ele com o presidente Temer. Então o Joesley disse: só entrego as gravações de eu ficar totalmente impune. Se for para delatar e ficar preso não entrego gravação nenhuma.
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Bingo.
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O PGR, para "ficar bem na foto", resolveu aceitar e pedir ao Judiciário que homologasse o acordo.
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E assim foi a maior marmelada da história recente em delações.
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O PGR jogou no ralo a real finalidade das delações. A finalidade não é inocentar criminosos mas abrandar suas penas.
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