A lei que regulamenta as interceptações telefônicas proíbe o uso das gravações que não estejam relacionadas com objeto da investigação. Além disso, a Constituição prevê o sigilo de fonte como uma garantia ao direito de informar. Mas isso não impediu a divulgação de conversa entre Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), com o jornalista Reinaldo Azevedo.
O caso foi revelado pelo site BuzzFeed, que publicou também a transcrição da conversa, que não poderia fazer parte do processo nem divulgada pela autoridade. Nela, nada de relevante ao processo é dito: nem a Polícia Federal considerou haver indícios de crimes nas conversas. O jornalista e sua fonte falavam sobre o cenário nacional, sobre o PGR, Rodrigo Janot, e sobre a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia.
Na conversa interceptada e tornada pública, Reinaldo Azevedo criticava também uma reportagem da revista Veja, onde trabalhava até esta terça-feira.
Azevedo enxerga na iniciativa uma tentativa de intimidá-lo. Ele vinha criticando a atuação do Ministério Público na operação "lava jato" e, mais recentemente, voltou sua verve contra o PGR, Rodrigo Janot, por causa do acordo de delação premiada assinado com o Grupo J&F, que controla a JBS.

"Se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é critico ao trabalho da patota?”, escreveu o jornalista, fazendo referência ao MPF, em comunicado publicado no Facebook.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, classifica o episódio como “um ataque à liberdade de imprensa e ao direito constitucional de sigilo da fonte”. O episódio, afirma o ministro, “enche-nos de vergonha”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), diz ver "com preocupação" a violação do sigilo de fonte . "A inclusão das transcrições em processo público ocorre no momento em que Reinaldo Azevedo tece críticas à atuação da PGR, sugerindo a possibilidade de se tratar de uma forma de retaliação ao seu trabalho", afirma a entidade.
Além de ignorar o sigilo previsto na Constituição, a interceptação viola também o artigo 9º da Lei 9.296/1996, que trata das interceptações, por ser uma gravação que não interessa à prova, lembra o jurista Lenio Streck. “É grave isso que foi feito em relação ao jornalista Reinaldo Azevedo. Isso já acontecera no caso da divulgação da parte da conversa de Aécio com Gilmar Mendes, que não é investigado. E também acontecera na conversa entre Dilma e Lula”, diz.
Ele critica o ato ilegal: “Ao que consta, formalmente ainda não estamos em um estado de exceção. Ninguém está seguro em conversar mais com ninguém na República. A Constituição parece que já não nos protege. Parece que estamos em mundo panótico, sob o olho invisível do poder. No caso, sob a escuta ‘invisível’ do poder”.
O constitucionalista Eduardo Mendonça, do escritório Barroso Fontelles, Barcellos, Mendonça e Associados, explica que o caminho para interceptações que não têm qualquer relação com os crimes investigados é o segredo de Justiça. "Não se pode simplesmente apagar, para que as partes possam verificar se a seleção de trechos feita pelas autoridades é legítima, mas também não se deve torná-las públicas, pois são conversas pessoais."
"É um grave problema do Direito brasileiro a falta de parâmetros objetivos para definir o que deve ser divulgado e quando", diz Mendonça. Ele defende que todas as pessoas que sejam vítimas de interceptações tenham o direito de ser avisadas posteriormente, mesmo que não tenha sido aberto um processo. "O Estado não tem o Direito de ouvir as pessoas em suas vidas privadas sem sequer dar satisfação", afirma.
A PGR divulgou nota dizendo que a não foi responsável por tornar pública a conversa privada de Reinaldo e Andrea Neves. Em nota divulgada nesta terça-feira (23/5), a entidade disse que ainda não recebeu o processo e qualquer documento que tenha sido incluído nos autos é de responsabilidade da Polícia Federal.
Ataques repetidos
O ataque à imprensa por meio da quebra do sigilo de fonte tem se repetido no Brasil. Em outubro, o jornalista Murilo Ramos, da revista Época, teve seu sigilo telefônico quebrado em decisão da juíza Pollyanna Kelly Alves, da 12ª Vara Federal de Brasília. A medida foi adotada para apurar quem passou à revista um relatório preliminar de pessoas suspeitas de manter dinheiro irregularmente no exterior.
No mesmo mês a decisão foi cassada pelo desembargador Ney Bello, do no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que disse: “O dever de investigar atos ilícitos praticados por terceiros não tem mais peso constitucional que o direito a um imprensa livre. Se é certo que a sociedade precisa de segurança jurídica, também é certo que precisa de uma imprensa sem medo e amarras”.
O caso se soma a uma lista de ações que criam embaraço ao exercício do jornalismo. No início do ano, três repórteres, um infografista e um webdesigner da Gazeta do Povo, do Paraná, sofreram 41 processos em 19 cidades do estado por juízes e promotores que se sentiram ofendidos com a divulgação de seus salários acima do teto constitucional pelo jornal.
Em ação coordenada, todos os pedidos foram idênticos, pedindo direito de resposta e indenizações por danos morais, que somam R$ 1,3 milhão. De acordo com a Gazeta, os pedidos são sempre no teto do limite do juizado especial, de 40 salários mínimos. Como corre no juizado, a presença dos jornalistas em cada uma das audiências se torna obrigatória. As ações foram suspensas no Supremo pela ministra Rosa Weber — o mérito da ação ainda não foi julgado.
A "lava jato" também entrou na lista. No início deste ano, o juiz federal Sergio Moro, que toca a operação em primeira instância, determinou a quebra do sigilo telefônico e telemático do dono do Blog da Cidadania para saber quem passou informações a ele — embora o inquérito no qual a medida foi adotada não investigasse o jornalista. Também foi ordenada a apreensão de documentos, celulares, computadores e até arquivos digitais.
Depois de criticado publicamente, Moro proferiu outro despacho para dizer que blogueiros não são jornalistas e não gozam da mesma proteção constitucional. E "acusou" o Blog da Cidadania de divulgar opiniões políticas.
Leia a nota publicada por Reinaldo Azevedo:
Pela ordem:
Comecemos pelas consequências.
Pedi demissão da VEJA. Na verdade, temos um contrato, que está sendo rompido a meu pedido. E a direção da revista concordou.
1: não sou investigado;
2: a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;
3: tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;
4: como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;
5: mas me ocorreu em seguida: "se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é critico ao trabalho da patota”.
6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerado um escândalo. Por aqui, não.
7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes.
8: Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;
9: Bem, o blog está fora da VEJA. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo.
10: O que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;
11: e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo".
*Texto alterado oàs 23h23 do dia 23 de maio de 2017 para correção e acréscimos.
Em 2016, quando uma conversa de Lula e Dilma foi grampeada e imediatamente divulgada, ele escreveu isto: "Dilma não foi grampeada. Grampeados foram outros entes e pessoas que estão sob investigação. O problema é que eles todos estavam em linha direta com a presidente da República. (…) Não se tratou de escuta ilegal, mas legalmente determinada. A quebra do sigilo dessas mensagens, dado o contexto, é plenamente justificada. A única área de debate será o uso das gravações feitas quando já suspensa a quebra do sigilo. Muito provavelmente, não poderão ser empregadas como prova.”.
O art. 9º da Lei 9.296/96 determina que as comunicações que não interessarem à prova serão inutilizadas. Portanto, qual o interesse do sr. JANOT de publicizar a conversa do jornalista. E justamente de seu crítico ferrenho. É motivação republicana do dito fiscal da lei? É por isso que não querem nem saber falar de lei de abuso de poder. Preferem continuar a submeter todos à constituição da republiqueta do MPF.
Vazaram conversas da esposa do Lula com o filho. A malta aplaude: família do "9 dedos" não merece proteção da constituição. Blogueiro sofre quebra de sigilo e condução coercitiva. A malta aplaude: "blogueiro petralha" não merece a proteção da constituição. Agora jornalista de direita tem grampo ilegalmente vazado, com prejuízos irreparáveis. Recomendo à malta cuidado nos comentários. Dependendo do teor da crítica, e a quem ela se destina, não se sabe o que virá depois.
Nota de esclarecimento da PF
Brasil 23.05.17 22:50
"Sobre os diálogos interceptados da investigada Andrea Neves e do jornalista Reinaldo Azevedo, tornados públicos na tarde de hoje, 23/05, a Polícia Federal informa que os mesmos foram realizados no mês de abril de 2017, por força de decisão judicial do Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ação cautelar 4316.
O referido diálogo não foi lançado em qualquer dos autos circunstanciados produzidos no âmbito da mencionada ação cautelar, uma vez que referidas conversas não diziam respeito ao objeto da investigação.
Conforme estipula a Lei 9.296/96, que regulamenta a interceptação de comunicações telefônicas, e em atendimento à decisão judicial no caso concreto, todas as conversas dos investigados são gravadas.
A mesma norma determina que somente o juiz do caso pode decidir pela inutilização de áudios que não sejam de interesse da investigação.
Informamos, ainda, que a Procuradoria Geral da República teve acesso às mídias produzidas das interceptações, em sua íntegra, em razão de solicitações feitas por meio dos ofícios 95/2017 - GTLJ/PGR, de 28 de abril de 2017, e 125/2017 - GTLJ/PGR, de 19 de maio de 2017, e respondidos pela Polícia Federal, respectivamente, através dos ofícios 569/2017 - GINQ/STF/DICOR/PF, de 28 de abril de 2017, e 713/2017 - GINQ/STF/DICOR/STF, de 22 de maio de 2017, em face do disposto no artigo 6 da Lei 9.296/96."
Fonte: O Antagonista, 23/05/17
Podem esperar o massacre em dose dupla.
Já não engoliram o tal acordo da imunidade.
Agora, vão comer o pão que diabo amassou e nele cuspiu.
Muita irresponsabilidade...
P.S: tenho a desconfiança de que pegaram mais conversas de mais gente. Aliás, o Migalhas de hoje fez a provocação: tem falastrão muito quieto.
Quando divulgaram o grampo ilegal de Dilma e Lula, Reinaldo apoiou.
Quando prenderam o bloguista Eduardo Guimaraes, muita gente apoiou.
Quando divulgaram conversa privada de D. Marisa e o neto, muita gente gostou, afinal ela era esposa do Lula.
Agora o Reinaldo fica reclamando, mas quando as ilegalidades foram contra adversário, foram boas.
A leitura da Nota da PF reproduzida parcialmente abaixo deixa claro que o vazamento não se deu no ambiente daquela organização policial.
Onde terá sido ? ? ?
"...Informamos, ainda, que a Procuradoria Geral da República teve acesso às mídias produzidas das interceptações, em sua íntegra, em razão de solicitações feitas por meio dos ofícios 95/2017 - GTLJ/PGR, de 28 de abril de 2017, e 125/2017 - GTLJ/PGR, de 19 de maio de 2017, e respondidos pela Polícia Federal, respectivamente, através dos ofícios 569/2017 - GINQ/STF/DICOR/PF, de 28 de abril de 2017, e 713/2017 - GINQ/STF/DICOR/STF, de 22 de maio de 2017, em face do disposto no artigo 6 da Lei 9.296/96."
Reinaldo Azevedo de posse de seu poderoso blog certamente vai sair atirando para todos os lados e com certeza neste processo vai mirar na caça e acertar o cachorro........
Nestas horas prefiro observar mais atentamente a turma do " Antagonista " que é menos emocional, nunca histérica de ocasião e de uma linha politicamente definida.
Reinaldo infelizmente perdeu o foco a algum tempo e agora virou uma metralhadora giratória atirando a esmo para todos os lados , o nosso verdadeiro Bakunin da Avenida paulista.
Em 2016, Reinaldo Azevedo defendeu grampo e quebra de sigilo contra Dilma....Já no dia 18 de março de 2016, em um episódio similar, o mesmo Reinaldo Azevedo defendeu a divulgação do conteúdo do grampo que atingiu a então presidenta da República, Dilma Rousseff (PT). Naquela ocasião, em um post intitulado “Dilma Rousseff quer prender Sérgio Moro, e eu quero prender Dilma Rousseff”, o jornalista escreveu em seu blog na Veja
Nota de esclarecimento da PGR
Brasil 23.05.17 22:11
"A Procuradoria-Geral da República esclarece que a informação veiculada na matéria do Buzzfeed 'PGR anexa grampos de Reinaldo Azevedo com Andrea Neves em inquérito (...)' está errada. A PGR não anexou, não divulgou, não transcreveu, não utilizou como fundamento de nenhum pedido, nem juntou o referido diálogo aos autos da Ação Cautelar 4316, na qual Andrea Neves figura como investigada.
Todas as conversas utilizadas pela PGR em suas petições constam tão somente dos relatórios produzidos pela Polícia Federal, que destaca os diálogos que podem ser relevantes para o fato investigado. Neste caso específico, não foi apontada a referida conversa.
A ação cautelar contém quatro mídias. As duas primeiras referem-se aos termos de confidencialidade firmados com os colaboradores (folhas 55 e 57), anexados com a inicial da cautelar. As outras duas, juntadas pela PF, referem-se aos relatórios (autos circunstanciados) parciais de análise das interceptações telefônicas autorizadas pelo ministro-relator (folha 249, anexada dia 24/04, e folha 386, anexada dia 19/05).
A Ação Cautelar 4316 ainda não deu entrada na PGR, tendo sido aberta vista nesta terça-feira, 23 de maio, com chegada prevista para quarta-feira, 24 de maio."
Como ocorre diariamente nesta triste República, nenhum agente público é culpado, apesar de estar escancarado aos quatro ventos a prática de uma grave conduta criminosa.
Analisem a Lei n.7170/83 e promovam o esclarecimento da população de que a Justiça Militar é órgão que, nesse momento histórico, reúne todas as condições para processar e julgar o inquéritos e processos da Lava Jato. Desde a redemocratização, é o órgão que mais cumpre a Constituição. Os processos estão em dia, não há pilhas acumuladas. Além disso, a instituição militar, desde o início dessa prolongada crise em meados de 2013, tem seguido rigorosamente a Constituição. E vem sendo incitada a intervir e, como até o momento não fez isso, vem sendo injuriada de covardia e palavras que não podem ser reproduzidas neste site. Se os nobres jornalistas analisarem a Lei n. 7170/83 e a nossa situação atual, concluirão que que é o caso de atos atentatórios à soberania e segurança nacionais. A delação dos irmão JBS é escandalosa.
Por que o brasileiro é tratado desta forma, se falam tanto em mudanças?
Aécio Neves e Andrea Neves eram fontes ou o jornalista em questão trabalhava p'ra eles e por isso os defendia e para tal não poupava críticas a lava jato?
O prejuízo é de um, bem definido. A responsabilidade é de ninguém sabido. Enquanto as cabeças da PF ou da PGR continuarem impunes pelos crimes praticados por seus subalternos, porque o que aconteceu com essa escuta foi criminoso, esses absurdos vão continuar e vão continuar impunes.
Se a PF diz que não lançou os referidos diálogos em quaisquer dos atos que produziu; se a PGR diz que não reproduziu, não anexou os diálogos, então a culpa é do Ministro Fachin que levantou o sigilo sem determinar a inutilização das conversas que não interessavam à prova.
Este estado policial foi instaurado com a ajuda do próprio Reinaldo e de boa parte dos seus colegas, que até bem pouco tempo aplaudiam tudo aquilo que a Lava Jato representava, de bom ou de ruim, desde que fosse contra o PT.
Será mesmo "jornalismo" a divulgação de que estamos falando? __ Em país sério, certos tipos de conversa tipificam conspiração, fofocas, tramas, etc. __ Não creio que deveríamos confundir as coisas. __ Afinal, QUEM foi objeto da escuta. __ Já vivemos isso, recentemente, quando a Presidente Dilma estava CONSPIRANDO para PROTEGER LULA, sem que, e pelo teor da conversa isso ficou bem claro, NEM MESMO LULA soubesse que havia uma CONSPIRAÇÃO para protege-lo. __ Agora, QUEM estava sendo objeto da ESCUTA não era um jornalista. Quem estava sendo "escutado" era uma PARCEIRA de um SENADOR que estava CONSPIRANDO contra o POVO BRASILEIRO, contra o CIDADÃO BRASILEIRO. __ Ora, Senhores, vamos parar de ver fantasmas. Vamos parar de querer culpar a Procuradoria por tudo que ocorre. Temos que nos dar conta de que NOSSA DIGNIDADE, nossa CIDADANIA está posta em jogo, porque POLÍTICOS e CIDADÃOS a eles ligados CONSPIRAM, CONSPIRAM para NÃO PERDEREM as FONTES de RECURSOS e MEIOS que LULA SEMPRE CHAMOU de MARACUTAIAS. __ Por acaso, algum de vocês, ao vender um imóvel, FOI BUSCAR um EMPRESÁRIO, de que você nem era Amigo íntimo, para comprar, OU FOI BUSCAR um CORRETOR de IMÓVEIS para VENDER? __ Na minha vida profissional já FUI ou SOU contra MUITO do que ESTÁ OCORRENDO. Aliás, já disse aqui que sou a favor de uma LEI de ABUSO de PODER, porque a Magistratura brasileira tem perdido o rumo, algumas vezes. Mas NÃO A VI perder o rumo, agora, atuando para prejudicar aqueles que USARAM a DEMOCRACIA para SANGRAREM a REPÚBLICA com suas MARACUTAIAS. Portanto, "modus in rebus"! E parabéns, CONJUR, por NÃO TER TOMADO o RUMO ESTRANHO e FACCIOSO que Migalhas há algum tempo já tomou!
Como está abaixo escrito por um comentarista....
Por que as notas?
No meu caso, penso diferente do comentarista.
Se estamos querendo mudar algo para melhor, fazer o povo perceber que a lei é para TODOS e deve ser cumprida....não faz o menor sentido lógico atropelá-la para poder, supostamente, ser feito justiça.
Se assim procedermos, estaremos apenas nos enganando.
Ou TODOS respeitam a lei ou o Vale Tudo irá se instaurar; há instituições que permanecem caladas mas observando, como todo o povo brasileiro está.
Que mudemos.Mas mudemos para melhor.
Que um Brasil realmente novo surja, sem abusos de espécie alguma.
Só assim mudaremos de fato.
Tenho visto, no exercício da ADVOCACIA, especialmente nos dias correntes, mas desde há algum tempo, com o SURGIMENTO da ARBITRAGEM e da MEDIAÇÃO, comportamentos completamente distintos, por parte dos Colegas. Inicialmente, no que concerne à ARBITRAGEM, surgiram os protestos de COLEGAS que, com formação exclusivamente judiciária, entendiam que a ARBITRAGEM era um meio de suprimir a JUSTIÇA. Bom, superada essa fase, foram aqueles Colegas se prepararem para a ARBITRAGEM. Mas começaram MALÍSSIMAMENTE, porque NÃO ENTENDIAM que NÃO DEVERIAM conduzir o processo arbitral, a arbitragem, com a querelas pequenas e firulas especulativas legais do processo civil ou penal. Agora, com o APARECIMENTO das MARACUTAIAS criminais políticas, que ESTÃO SANGRANDO a DIGNIDADE e a CIDADANIA do POVO BRASILEIRO, aqueles que ATUAVAM CONTRA A REPÚBLICA, usando os princípios democráticos, fazem reuniões e protestos, alegando que o DIREITO está sendo AMEAÇADO. Sim o "direito" NÃO REPUBLICANO dos PRATICANTES de MARACUTAIA está sendo posto em perigo, ou está sendo destruído. QUE BOM que ISSO ESTÁ ACONTECENDO! __ Agora, já temos ADVOGADOS especialistas em ACORDOS ou COLABORAÇÕES PREMIADAS, que a Lei chamou de Delação premiada, e TEMOS COLEGAS vivendo da Advocacia ROMÂNTICA, duma ÉPOCA REPUBLICANA, em que as maracutaias decorriam dos IMPULSOS HUMANOS, mas NÃO das TRAMAS HUMANAS, em que SEUS ATORES USAVAM e USAM os RECURSOS DEMOCRÁTICOS para SANGRAREM os CIDADÃOS DEMOCRÁTICOS e REPUBLICANOS. E o grupo é forte, tenta se mostrar resistente e GRITA que o Direito está sendo destruído. NÃO, NÃO ESTÁ. O DIREITO ESTÁ RESSUSCITANDO da DEMOCRACIA REPUBLICANA que alguns querem enterrar!
Ficou claro que Reinaldo não praticava jornalismo, mas sim prestava serviços à Aécio neves e família, pois quando o alvo erma agentes políticos do PT a lava a jato era de ouro, agora que mira TODOS os corruptos virou lama. Fez muito bem o Ministro em levantar o sigilo e fez muito mal quem levou a informação para a imprensa, agora, todos estão esquecendo que depois de levantado o sigilo advogados e partes têm acesso ao material.
O mesmo aplaudiu a divulgação do áudio da Dilma e do Lula. Mudou de opinião recentemente nas operações da lava jato. Vai saber o porquê??
Isto mostra como direito é coisa séria. Muitos são os praticantes Direito Penal do Autor, o problema é quando estes viram o “autor”.
O pior é que aqui no Conjur temos muitos comentaristas assim. Onde vamos parar com tanta hipocrisia! O direito virou um nada! Seletividade pura!
Está matéria e o Conjur é muito bom para provar a teoria do Direito Penal do Autor.
O direito deve ser igual para todos, para seu inimigo e para você, qualquer coisa fora disso é autoritarismo, exceção da norma.
Parabéns aos poucos que defendem o direito, que defendem o Estado de Direito!
Que o direito do jornalista seja respeitado, mesmo que ele não respeitou os direitos de outrem.
http://veja.abril.com.b r/blog/reinaldo/dilma-rousseff-quer-pren der-sergio-moro-e-eu-quero-prender-dilma -rousseff/
Lendo comentários entre dois fatos parecidos, percebi alguns comentaristas com opiniões diferentes:
Áudio do Azevedo:
1 – Temos que seguir a lei, a lei é para todos seguirem.
Áudio de Lula e Dilma:
1 – A lei não entra no caso, pois o que importa foi o que foi “escutado”
Enfim, pau que bate em Chico irá espancá-lo, já Francisco temos que observar a lei, pois como queremos um pais melhor se não respeitamos a lei. O detalhe que é o mesmo fato e a mesma lei.
Para quem interessar leiam os comentários abaixo, pois irão achar muita incoerência:
http://www.conjur. com.br/2016-mar-22/decisao-moro-grampos- lula-foi-inconstitucional-teori
... bate em Francisco.
Quando era para lascar a (péssima) presidente eleita, quase todo mundo desconsiderou grampo entre advogados e clientes, divulgação de conversas de pessoas que nada tinham a ver com a investigação (esposa e filho), de pessoa com prerrogativa de foro... Agora que o mundo jurídico se acostume com a várzea institucionalizada.
A tentativa de reverter os efeitos de uma vergonhosa conversa privada gravada entre Reinaldo Azevedo e Andrea Neves, que é o cérebro-de-saias do Aécio, pessoa que coordenava toda a atividade mental do tucano bicudo, esbarra em 5 traves.
A) Aquilo não foi uma conversa entre um jornalista e a sua fonte! Eles estavam, na verdade, romanticamente combinando e editando o que Reinaldo "amiguinho", quando voltasse a ser jornalista, publicaria na Veja, para "administrar", calculadamente, efeitos da publicação sobre desdobramentos políticos em curso.
B) Aprendi na faculdade de jornalismo que esta conversa não é jornalismo. Nem aqui, nem na China. O Reinaldo, na melhor das hipóteses, estava ajustando um petardo a favor de seus amigos irmãos Neves, para obter efeitos políticos a eles. Não foi uma conversa com fonte, nem foi jornalismo real. Foi, isto, sim, o velho jornalismo marron de esgoto praticado pela Veja, revista esta que o próprio Reinado qualificou, com razão, de "nojenta". Trocando em miúdos pastosos: mais uma farsa-fraude que veio à tona.
C) Fonte jornalística é aquele que sabe de algo e passa a informação ao jornalista, que a publica. Conversinhas carinhosas, trocas de poemas e combinações sobre o que vai ou não sair na Veja, isto é outra coisa, Reinaldo!
D) Não deixa de ser irônica e vexatória a situação do Reinaldo, ao chamar a própria revista onde escrevia e que lhe pagava o salário de "nojenta", qualificando assim a si mesmo, já que era um dos que nela publicava textos.
E) Para lembrar: quando Lula teve gravadas suas conversas com Dilma, com seus familiares e com seus próprios advogados, o Reinaldo achou "tudo-blém". Que tal agora a posição de gravado?
F) Nojento, Reinaldo, foi também o seu papinho de fim-de-noite com a Andrea.
Para alguns comentaristas iluminados, bastaria um simples despacho do Ministro: "Inutilize-se as gravações que não tenham relação com a investigação", e pronto, todos os problemas estariam resolvidos.
Que piada!
Quem vai dizer o que interessa a investigação? A polícia? O MP? A defesa? O juiz? A imprensa?
A polícia e o MP podem manter o que interessa a investigação e omitir todo o resto?
Quem vai analisar as milhares de horas em áudios para saber o que interessa? A polícia? E se o MP não concordar? E se a defesa não concordar? E se o juiz mandar tirar algo que tenha relação com a investigação, o que fazer? Como o MP vai questionar se nem chegar a ter acesso ao áudio? E a defesa?
Por isso, o certo e manter a mídia com tudo. Amplo acesso à Defesa e à acusação. Se não for assim, há claro cerceamento de defesa e acusação.
A partir daí, cada parte usa o conteúdo e transcreve o que lhe interessa.
O que deve ser aperfeiçoado, são os mecanismos de controle para evitar a divulgação do conteúdo sigiloso a pessoas não autorizadas.
Mas isso é outra história, muito complicada, e que rende discussões em todo o mundo.
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