Quem não se interessar pelo primeiro assunto, pode pular e ir direto para os dois PS's no final, que tratam de como eu tenho razão no caso “carne fraca” e sobre a última do juiz Sergio Moro.
Sigo. Era uma vez um povo que vivia em uma floresta. Esse povo era vegetariano; não sabia dos prazeres da carne. A falta de predadores naturais fez com que a população de porcos explodisse. Ecossistema: ausência ou fracasso de predadores resulta no aumento do elemento a ser predado. Certo dia, um incêndio, fortuito, dizimou parte da floresta, queimando muitos porcos. O povo sentiu pela primeira vez o cheiro de leitão à pururuca…! E caiu de boca. Desbragadamente.
Logo, logo, queriam mais carne assada. O que fizeram? Se você pensa que foram caçar porcos, enganou-se. Na verdade, foram incendiar mais florestas. E assim se sucedia.
Consequência: Com o tempo, as florestas escassearam. Era inexorável. Fome por carne, floresta no chão. Então alguém teve a ideia de plantar novas florestas, para que pudessem ser logo queimadas e, assim, assar mais porcos. Instituíram até um percentual de incremento para quem mais plantasse árvores e as incendiassem. Só se falava nisso. Queimar porcos queimando florestas. Mesmo assim, faltou floresta. Então, implantaram tecnologias pelas quais se plantavam árvores que cresciam mais rapidamente e, assim, mais porcos podiam ser assados…
Inventaram novos métodos de plantação de florestas. Com isso, multiplicaram o espaço plantado. E inventaram modos de queimá-las mais rapidamente. Também inventaram florestas do tipo “classe A”, que, uma vez incendiadas, já produziam porcos temperados. Suculentos. E sem colesterol. Quem não plantasse árvores, seria multado. E havia incremento para os fiscais. Para tornar o “sistema” mais eficiente.
Era incrível essa terrae florestalis. Na medida em que aumentava o consumo de porcos assados e se multiplicavam as plantações de florestas e, claro, as queimadas, também aumentou a logística e a infraestrutura daí decorrente. Criaram um sistema complexo de controle estatal do plantio de árvores, das queimadas, dos impostos sobre os porcos, da venda de fósforos, tochas, emissão de moeda, etc. Claro. Aumentava a demanda por porcos assados e a quantidade de florestas incendiadas se multiplicava. E o “Estado-Floresta” foi se complexizando. Siglas e mais siglas. Criaram controladorias, corregedorias, polícias (de vários tipos), ministérios públicos, juizados (comuns e especiais), tribunais, defensorias, TC’s (Us, Es e Ais…), agências reguladoras. Muitas procuradorias. Da Fazenda, do Estado, etc. O Estado-Floresta aumentava, dia a dia, a sua máquina. Tudo para controlar esse “sistema”, que, na verdade, quanto maior, menos funcionava.
Um dia chegou um estrangeiro em terrae florestalis e, perplexo com essa mega-estrutura, perguntou: por que até hoje não construíram churrasqueiras para assar os porcos? Para que tudo isso? Ao que um dos terraflorestalensis respondeu, limpando o bigode encharcado de gordura do porco com um finíssimo guardanapo fabricado por uma sucursal — estatal — que fabricava suplementos: “ — Churrasqueira? É obvio que todos sabemos disso. Se construíssemos churrasqueiras, o que faríamos com toda essa estrutura? Tolinho”.
Escrevo isso para tentar demonstrar, metaforicamente, o que a autopoiética burocracia construiu no país, ao ponto de os fiscais de tributos receberem um percentual daquilo que arrecadarem. Bingo. Claro que a ideia não é nova. Isso já existia no Brasil colônia. Chamavam-se contratadores de tributos. Nada de novo, portanto.
E o caldo do “sistema” entornou quando surgiu um paradoxo, que explico na sequência. Com efeito, o artigo 5º da MP 765 instituiu
“o Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e de Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil”.
Tudo muito claro. Transparente. Nada feito à socapa. A MP não tenta esconder nada. Ela estabelece que os servidores da Receita terão aumento de remuneração (não importa o nome, é disso que se trata) de acordo com a produtividade. Mais cobranças, mais multas, mais salário. A questão é que os servidores em tela já são pagos exatamente para fazerem esse tipo de serviço! Ou não?!
Não preciso fazer uma análise técnica de mérito, ficando, por ora, com o parecer da Comissão de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB que avaliou que o “bônus de eficiência” pago a auditores fiscais é inconstitucional. Voltarei a esse assunto em breve.
Mas, alguém pergunta: professor, onde está o tal “paradoxo”? Em que lugar o “sistema” se autodetona? Respondo: Simples. Um servidor da própria Receita levantou a lebre, talvez sem se dar conta de que poderia estar explodindo o “sistema”. Isto porque, segundo a Lei 9.784/99, o servidor público que tiver interesse, direto ou indireto, na matéria tratada no processo administrativo fica impedido de atuar nele. Com base nessa regra, um auditor fiscal que atua em alfândega disse não ter imparcialidade para elaborar parecer analisando auto de infração de perdimento de mercadorias devido ao seu interesse em receber “bônus de eficiência”.
Logo, conclui-se que, em tendo razão o referido auditor, o “sistema de arrecadação” terraebrasiliensis terá que criar uma nova estrutura, com outra classe de servidores que possam elaborar os laudos sem que tenham interesse no seu resultado. Igual ao que ocorreu em terraeflorestalis para controlar os insumos da queima de florestas. É mais ou menos como se todos os procuradores do estado se recusassem a elaborar parecer pedido pelo governador e este tivesse que contratar um escritório de advocacia para o defender. Simples assim.
A máquina pública se autorreproduz. Cria novas necessidades. Birô-cracia (a força do cara atrás da mesa). Basta ver o tamanho dela. Controladorias que controlam não se sabe o que, que por sua vez nada tem a ver com as procuradorias, que igualmente nada sabem ou podem fazer em relação ao que ocorre no âmbito dos tribunais de contas, agências reguladoras que não fiscalizam e protegem o interesse das grandes corporações que prestam serviços públicos, agentes de fiscalização que não fiscalizam e se beneficiam das burocracias do próprio sistema e assim por diante.
Como fica o contribuinte que tem de pagar um plus para quem o multa e arrecada os tributos, quando o sistema não consegue — e quem denuncia isso é um auditor — lhe fornecer um servidor isento para atuar nos processos administrativos sobre autos de lançamento? Por isso, logo surgirá uma Medida Provisória criando a categoria dos avaliadores dos autos-laudos de lançamentos feitos por quem tem percentual de incremento mas-não-tem-isenção-porque-possuem-direto-interesse (de novo: não fui eu quem disse isso; foi um auditor em parecer). Esta nova categoria de servidores, na sequência, receberá, isonomicamente, a contribuição já paga atualmente (afinal, avaliadores de laudos não podem receber menos do que os que autuam), o que fará com que se crie uma outra novíssima categoria, a dos avaliadores dos avaliadores, que, logo, por ação judicial, receberão equiparação também. Resultado: a criação de cargos até que, finalmente, alcancemos uma função ou cargo fundamental, algo como a metáfora da Grundnorm kelseniana, isto é, um Grund-avaliador-elaborador-de-laudos-dos-laudos-dos-laudos, algo como o fundamento último da metafisica: o fundamentum inconcussum absolutum veritatis (ou o Trilema de Münshausen). Além disso, deverá ser criado um Carf 2, já que ao que consta alguns julgamentos estão suspensos em face desse imbróglio.
Falando em Carf, a coisa vai longe. Com efeito, na ânsia de proteger os auditores fiscais que atuam como conselheiros, o Carf correu para publicar a Portaria 01/2017, que “declara” o “alcance” dos impedimentos regimentais, aplicando “exclusivamente aos conselheiros da representação dos contribuintes” (sic) os impedimentos decorrentes de “interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto” (sic). Katchanga real! Tirambaço! Nada como uma portaria para alterar o mundo. Poderiam aproveitar para fazer uma portaria para dobrar o percentual que pagamos de imposto de renda. Ou proibir a febre amarela. Katchanga por katchanga… qual é a diferença? Por que será que não ganhamos o Prêmio Nobel?
Vejam: nem é preciso fazer juízo de valor para falar do assunto. Basta ler o parecer do auditor que se deu por suspeito. Dou credibilidade a ele. Por que não acreditar no que disse o auditor de Campinas? Ele é insuspeito (sem trocadilho).
E peço que tudo isso seja avaliado a partir da metáfora dos queimadores de florestas. A metáfora serve também para a multiplicação de faculdades, de tribunais, da burocracia em geral, do surgimento de cursinhos, pós-graduações, congressos, seminários, coaching e assim por diante.
Por fim, um juízo de valor: se esse tipo de benesse pode ser alcançado aos fiscais e auditores, por qual razão não estender isso aos guardas de trânsito (receber percentual das multas aplicadas), aos policiais por prisões efetuadas, aos inspetores por inquéritos, aos promotores por denúncias, aos juízes por sentença (condenatória, é claro), aos professores de universidades privadas por reprovação de alunos, aos legislativos por produção de projetos de lei aprovados … E o que mais? Cartas para a Coluna.
PS1: Golaço da associação dos delegados federais
Modéstia à parte, este escriba não prega prego sem estopa. Leio que a associação dos delegados federais criticou a pirotecnia na divulgação da operação “carne fraca”. E a associação dos peritos também. Isso é para mostrar para o baixo clero epistêmico (cujo raciocínio é da profundida dos calcanhares de uma formiga anã)[1] que, raivosamente, atacou meu artigo sobre o assunto, porque me preocupei com os prejuízos que foram causados ao país. Os delegados da associação nacional — a quem dou os parabéns — fizeram o que o Ministério Público Federal deveria ter feito, em vez de só publicar uma nota.
PS2: Sergio Moro nos braços do Estado de Exceção ou “Cala boca já morreu”
Leio, estupefato, que o juiz Sergio Moro, contrariando a Constituição Federal e a posição vinculante do STF, determinou a busca e apreensão de laptop de blogueiro (mais celulares), além de, surpreendendo-o, determinado a sua condução coercitiva. A notícia é autoexplicativa. Por vezes, é difícil falar sobre determinados assuntos. Deixo para a associação dos jornais fazer as críticas. Moro pode estar mordendo a mão que sempre o alimentou. Terá que prestar contas, agora, também aos veículos de comunicação. Que, como se sabe, presam muito o sigilo da fonte. Assim como o STF. Liberdade de imprensa é tão sagrada que a presidente do STF disse, em um julgamento sobre o tema: “Cala a boca já morreu”. Corretíssima a presidente Cármen Lúcia! Corretíssima! Moro não tem lido os acórdãos do STF sobre o assunto.
PS3: 50 Tons de Cinza — MP-RN — Só questões
Enquanto o país arde, o ensino de cursinho vai de vento em popa (MP, no caso, acredito ser Ministério Público; ou seria Medida Provisória?). Vejam o anexo. Depois dizem que é implicância minha com a forma como alguns cursinhos “agridem o mercado”. Quando o réu não se ajuda… o que fazer?
[1] Os comentaristas Paulo Henrique Costa e Macaco & Papagaio esgotaram o assunto em dois breves comentários sobre os comentários. Bingo!

Desta vez o prof. Lenio se superou com a alegoria. De fato, no Estado brasileiro a solução para tudo é criar novos cargos altamente remunerados. Trata-se de uma cultura sedimentada, que o "povo gosta" e que corrói as bases da República dia a dia. Veja-se que temos 4 milhões de bacharéis em direito. 1 milhão de advogados. Em qualquer "rodinha" desses profissionais o assunto primordial é algum concurso público ou uma nova forma de "se dar bem" arrumando um lugar no Estado. O mundo pode estar acabando, o caos pode dominar o sistema de Justiça, mas todos estão preocupados apenas em conseguir seu lugar em alguma repartição pública. Já os que conseguiram seu lugar, pensam em aumentar a remuneração, trabalhar menos, afastar as responsabilizações, enfim driblar as regras constitucionais para "se dar bem". Todo comportamento que pode levar o agente ao objetivo final (estar empregado pelo Estado) é repudiado. Estudo sério do direito nem pensar, pois o concurso público é baseado em decoreba e verdades absolutas ditadas pelas bancas. Firmar postura favorável à vigência da Constituição, também é algo a ser evitado, pois amanhã ou depois pode surgir uma reprovação no concurso devido ao "perfil psicológico". Contrariar juízes, promotores, defensores, etc., nem pensar, ainda que com razão. Afinal, todos vivem de incendiar florestas, e se isso é melhor ou pior não interessa. Nessa linha, o governante que cria novos cargos e abre novos concursos está "fazendo a coisa certa" pela mentalidade vigente no universo jurídico, ainda que os efeitos sejam extremamente nefastos para o País como um todo. Triste Brasil.
1 - com doze milhões de desempregados e tendência de aumento, sou favorável a que se crie todo o tipo de carreira no funcionalismo. A nossa Economia seria impulsionada pela circulação dos proventos em diversos setores da produção, serviços e consumo.
2- A PF, além de fazer autocrítica na Operação Carne Fraca, deveria conscientizar-se de sua missão institucional. É regida por Lei e deve atuar rigorosamente dentro da Lei, inclusive, negando-se a cumprir ordens ilegais. E deve dar publicidade dessas tentativas arbitrárias à sociedade brasileira. O direito à vida e à liberdade são fundamentais e a PF é o nosso braço armado para nos proteger, não para nos ameaçar.
3 - Vamos continuar a lutar.
Há algumas semanas eu vi um estudo interessante que demonstra bem a alegoria do prof. Lenio neste artigo. Conforme demonstrado, algumas prefeituras aqui do interior de São Paulo, inclusive a de São José do Rio Preto, estando gastando mais com indenizações devido a acidentes causados por buracos nas ruas do que a própria despesa para tapar os buracos e evitar os acidentes. O estudo não inclui os gastos com procuradorias municipais, nem as despesas suportadas pelo Judiciário para julgar as ações. Veja-se o paradoxo. Todo mundo quer trabalhar no Estado, mas não com uma pá ou picareta sob o sol tapando buraco. Querem trabalhar em uma sala com ar condicionado, em frente ao computador. E o Estado dá isso. Ao invés de contratar trabalhadores pagando R$1.200,00 para tapar os buracos (para isso nem precisa concurso, pois a procura é baixa), contrata procuradores pagando 45 mil, um bando de estagiários, uma infinidade de assessores. Claro, tudo em salas luxuosas, com ar condicionado, a um custo astronômico. Em vez de tapar os buracos, contesta-se até a última instância as ações surgidas em função da inadimplemento da obrigação de manter as vias públicas em perfeito estado. E veja que nem estou falando aqui dos custos humanos pelos acidentes. E todos estão contentes. Todos anseiam pela abertura de um novo concurso público para procurador do município, estagiário, assessor. Para cada vaga, há 1.000 candidatos. Se a vaga é para pegar no pesado tapando os buracos, há a maior dificuldades para arrumar alguém. E assim seguimos queimando florestas, deixando a churrasqueira de lado, em um ciclo alucinado de caos institucional que destrói a cada dia a economia do País, embora com alguns poucos contentes com os cargos altamente remunerados.
Nos comentários sobre o texto anterior, constatei que os comentaristas não entenderam a mensagem passada pelo articulista. Fico imaginando a postura dos comentaristas interpretando um texto legal sem compreenderem a "mens legis". Não entenderam o texto porque não deixaram que o texto lhes dissesse algo.
"1 - com doze milhões de desempregados e tendência de aumento, sou favorável a que se crie todo o tipo de carreira no funcionalismo. A nossa Economia seria impulsionada pela circulação dos proventos em diversos setores da produção, serviços e consumo."
Claro, os recursos para o pagamento do funcionalismo público surgem do nada.
Como não pensamos nisso antes?
Alô, Estado? Preste atenção. Achamos a solução para a crise econômica.
Crie mais cargos com remuneração elevada.
O que esperar de um país (?) cujo epíteto "CRIAR a dificuldade para VENDER a facilidade" cai como uma luva? "Funciona" em vários (senão todos) setores: tributário, trânsito, previdenciário... Vale rememorar a piada do sujeito que flagrou a esposa com o amante no sofá: em vez de "se acertar" com os dois, vendeu o sofá...
Não sei a sua idade, mas eu já vi muitas coisas nesse país.
Houve um tempo em que era fácil fácil conseguir um emprego na Administração Pública, pois não era obrigatório concurso para todos os cargos.
Houve um tempo em que era fácil fácil ter dinheiro, com os chamados "papagaios" no banco e, quando não conseguia pagar, fazia um "papagaio" maior para pagar o anterior e, ainda, ficar com "uma graninha"
Houve um tempo em que para aquecer a Economia, o governo emitia cédulas e mais cédulas de dinheiro.
Houve um tempo em que a inflação era de 100% ao mês e todos viviam muito bem.
Foi nesse sentido que fiz o comentário.
O comentário sobre o marido que encontrou a esposa com o amante no sofá e vendeu o sofá.
Existe outra piada sobre o tema que bem demonstra a criatividade de Brasil & sons - SOLUÇÕES
Senão, vejamos
O marido chega em casa e flagra a esposa com o amante
Na Paraíba, o marido mata o amante, corta em mil pedacinhos e coloca no varal e deixa ao sol.
No Rio Grande do Sul, o marido foge com o amante da esposa.
Em São Paulo, o marido vai fazer terapia.
Na Bahia, o marido vai para a rede e espera os dois terminarem. Há anos está pensando o que fazer em relação ao assunto.
No Rio de Janeiro, o marido vai para o sofá e parte para o "ménage a trois"
Agora, fiquei curiosa. Em qual Estado da federação o marido vendeu o sofá ?
Seja como for, diante do mesmo problema, muitas são as possibilidades de solução, conforme a personalidade, preferências pessoais, condições demográficas, históricas, antropológicas, etc.
“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
[...]
Sempre em frente
Não temos tempo a perder”
(Renato Russo).
Nosso destino é a autodestruição! Se houver salvação, então não temos tempo a perder.
Mas é difícil acreditar que o Brasil não tenha salvação. Aqui é o eterno país do futuro. Os brasileiros não conseguem se unir em nada. Cumprir a Lei é importante? Nem sobre isso há união, porque a nossa cultura não aceita a igualdade perante a Lei. Nossa cultura é da hierarquia.
Enfim, a democracia (igualdade perante a Lei, limitação de poder) ainda não chegou ao Brasil.
Apenas um país de cultura muito autoritária pode admitir que alguém possa decidir conforme a sua consciência, ignorando a Lei, ou seja, que alguém possa se colocar acima da autonomia pública para fazer prevalecer a autonomia privada (a sua própria vontade), enfiando o seu conceito de justiça goela abaixo para o resto dos cidadãos de faz de conta, que, nesse momento, deixam de ser iguais, para ser subalternos, escravos, etc.
Disse Jürgen Habermas:
“No interior de uma comunidade democrática, cujos cidadãos concebem reciprocamente direitos iguais uns aos outros, não sobra espaço para que uma autoridade determine unilateralmente as fronteiras do que deve ser tolerado. Na base dos direitos iguais dos cidadãos e do respeito recíproco de um pelo outro, ninguém possui privilégio de estabelecer as fronteiras da tolerância do ponto de vistas de suas próprias preferências e orientações segundo valores. Certamente tolerar as crenças de outras pessoas sem aceitar a sua verdade, e tolerar outros modos de vida sem apreciar o seu valor intrínseco, como fazemos com relação a nós mesmos, isso requer um padrão comum. No caso de uma comunidade democrática, essa base de valor comum é encontrada no princípio da constituição”. (In: BORRADORI, Giovanna. Filosofia em tempo de terror: diálogos com Habermas e Derrida. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 53).
A forma bisonha e caricata que imprime o "estilo" do tal "sã chopança", é alguma de repugnante. No manto covarde do pseudônimo qualquer idiota, deveras, é valente! De fato, os artigos do professor Lenio atingem em cheio os alvos predestinados. Como o insano "sã chopança (administrador???)", que demonstra carecer de argumentação factível, alguns têm flagrante dificuldade de interpretação cognitiva, e aí se embebedam enveredando no mar de ofensas e menoscabos paranóicos, desrespeitando não tão-somente o preclaro articulista, mas expressiva parcela de leitores dessa tradicional revista eletrônica. Discordar, contestar, contrariar, divergir, etc., é tão válido quanto normal, desde que se mantenha estreita relação com o paradigma da discórdia, e não, contrária e propositadamente, forjar digressões descontextualizadas e fora de qualquer lógica plausível.
Por fim, parabenizo o professor Lenio, pelo pertinente artigo.
Me divirto muito com a coluna, principalmente com os comentários. De nada adianta rasgar o verbo, pois o controle está com ELES, e blá blá blá não vai mudar nada. De A a Z eles decidem com as nádegas; aliás tem um dito polular: de bunda de neném e cabeça de juiz nunca se sabe o que vai sair. Chega de conversa. Passem para a ação. Ficar na sala de espera enquanto ELES não lhe atendem não resolve. Bate na porta. Enfrenta. Pressiona. São uns lesos, encastelados, estressado com muitos processos que os criadores de caso distribuem; e quando atendem torcem o nariz; atender o povinho suado, mas que paga seus salários e verbas remuneratório. Bem fez Carlota Joaquina, foi-se e bateu os sapatos pra não levar nem o pó nos sapatos.
O artigo defende, indiretamente, os ilícitos perpetrados pelas empresas processadoras de carne.
A excelente parábola da floresta assada (ou do porco queimado?) é uma peça maravilhosa da visão austríaca da economia sobre o intervencionismo estatal. Por isso, sugiro aos leitores da CONJUR incluir nos seus "favoritos" o endereço a seguir. Todos os dias um ótimo artigo.
http://www.mises.org.br /
Está coluna não era para ser incomum? Não tem nada de relevante acontecendo? Quando o escriba não fala da veja ou jornal nacional, fala dos comentários da coluna anterior. Consequentementalista. Aí, é mais do mesmo, um comentarista frustrado por que não passou no concurso, uns aDEvogados que acham que só eles podem falar do direito e umas viuvinhas do governo deposto. Patético.
Por que o imbroglio com a remuneração dos auditores? A resposta simples, direta e verdadeira é que a categoria conseguiu, depois de anos de batalha ainda no governo Dilma, um acordo para o reajuste de seus vencimentos. Aí, os golpistas que tomaram o poder em 2016 não quiseram cumpri-lo, pois a eles, corruptos como sabemos, interessa uma Receita fraca. Diante da óbvia e justa repulsa dos servidores, o temeroso governo saiu-se com a tal medida provisória tão criticada. Tivesse cumprido o acordo, nada disso estaria acontecendo.
"Apenas um cafezinho" 2015-mai-07/senso-incomum-cada-republica -advogado-cafe-feliz
http://www.conjur.com.br/
É possível ocorrer em qualquer das outras vinte e duas unidades federativas, já que a senhora citou apenas cinco.
-É um dos expoentes do pensamento filosófico alemão, atualmente.
-Preconiza a valorização do politicamente correto, que uma forma social e também jurídica de ditadura (cotas sociais);
-Defende uma Democracia utópica (multiculturalismo, imigração, integração e desprezo consciente ao pensamento tradicional germânico);
-A morfogênese é de mão única;
-A administração estatal deve atender interesses múltiplos e contraditórios, através do consenso, fato que pode provocar perda de eficiência.
Orras meu, se esse tal de Administrador ficasse de boca calada. Estaria recitando o maior poema dos séculos, ou escrevendo o mais profundo texto de filosofia do Direito.
Então, é isto: alguns defendem a igualdade, perante a Lei, e outros defendem a hierarquia.
As partes são sujeitos de direitos? Iguais perante a Lei? Ou são escravos e subalternos de juízes?
Para quem defende a escravidão, é o que quer a teoria da relação jurídica, uma relação de subordinação, as partes subordinadas aos juízes.
Que país é esse, hem?
Você paga uma taxa (um tributo) para receber um serviço público (a prestação jurisdicional), porque precisa proteger o seu patrimônio, a sua vida, a sua liberdade, etc., e o que recebe em troca é a moral de um juiz, e não o que você pagou para receber: o Direito.
Isto sim que é utopia: acreditar em uma cultura hierárquica, em que os cidadãos não são iguais (perante a Lei).
Nessa terraebrasiliensis, a qual os leitores da CONJUR integram, o professor fala de uma coisa, a maioria dos comentaristas nem leem (se é que já leram algo), entendem outra, e, por fim, escrevem algo completamente diverso do assunto ou sem qualquer lógica.
Este país é uma floresta repleta de macacos e papagaios (e, claro, de burros) que vêm trabalhando para manter o luxo dos caricatos políticos e, agora, para manter os altos salários desta casta de funcionários públicos formada por juristas de blog e concurseiros sem neurônios que, depois que assumem os cargos, não cumprem sequer prazos.
São 517 tons de um colonialismo cinza.
Povo e elite sem ideais ... chafurdam nessa lama até se livrarem do silopsismo que o articulista tanto critica!
Nessa terraebrasiliensis, a qual os leitores da CONJUR integram, o professor fala de uma coisa, a maioria dos comentaristas nem leem (se é que já leram algo), entendem outra, e, por fim, escrevem algo completamente diverso do assunto ou sem qualquer lógica.
Este país é uma floresta repleta de macacos e papagaios (e, claro, de burros) que vêm trabalhando para manter o luxo dos caricatos políticos e, agora, para manter os altos salários desta casta de funcionários públicos formada por juristas de blog e concurseiros sem neurônios que, depois que assumem os cargos, não cumprem sequer prazos.
São 517 tons de um colonialismo cinza.
Povo e elite sem ideais ... chafurdam nessa lama até se livrarem do silopsismo que o articulista tanto critica!
O comentarista "Macaco & Papagaio" não consegue perceber a realidade. É, apenas, um inocente útil, que necessita usar a "Navalha de Ockham" com o cuidado de não se ferir.
Senhor Sã Chopança (Administrador),
Constatar um fato, constatar consequências de uma ação errada (errada por não se conformar a uma forma ou a um princípio) não é consequencialismo.
Seria consequencialismo se a ação fosse considerada certa ou errado unicamente (inteiramente) em razão dos resultados (consequências).
Inequivocament e, consequencialismo não está presente nos textos (e no modo de ser, pois o ser só é sendo) do Streck, que defende comportamentos conforme aos princípios (independentemente das consequências).
Apenas você conseguiu ver uma defesa de comportamentos com base nas consequências, acima dos princípios.
Talvez você seja um gênio, pois consegue ver o que outros não veem.
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