Um ponto de virada na percepção pública da operação mãos limpas, tida como inspiração da "lava jato", foi quando empresários italianos acusados de corrupção passaram a cometer suicídio. Do outro lado do Atlântico, no hemisfério oposto, mais de 20 anos depois, o Brasil vive o auge de sua cruzada particular "contra a corrupção". A tragédia de um acusado tirar a própria vida ainda não tinha acontecido — até esta segunda-feira (2/10).
Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, foi ao vão central do Shopping Beiramar em Florianópolis e se atirou. Ele era acusado de atrapalhar as investigações da Corregedoria da UFSC sobre suposto desvio de R$ 80 milhões que seriam usados em cursos de Educação a Distância (EaD) da universidade. Por causa das suspeitas, ele e outras seis pessoas foram presas no dia 14 de setembro. Sua prisão foi decretada pela juíza Janaina Cassol Machado, da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal em Florianópolis.

UFSC
Citando fonte da Polícia Civil, o jornal Diário Catarinense diz que Olivo deixou um bilhete: “Minha morte foi decretada no dia da minha prisão”.
Ao se manifestar sobre o caso, a seccional de Santa Catarina da Ordem dos Advogados do Brasil afirmou ser “chegada a hora da sociedade brasileira e da comunidade jurídica debaterem seriamente a forma espetacular e midiática como são realizadas as prisões provisórias no Brasil, antes sequer da ouvida dos envolvidos, que dirá sua defesa”.
A entidade alertou para o perigo de reputações serem destruídas com uma única manchete de jornal.
Um bom negócio midiático
O problema é enfatizado pelo jornalista Mário Rosa, em entrevista à ConJur. Consultor de crises de políticos e empresários, Rosa acordou numa manhã de junho de 2016 com a Polícia Federal batendo em sua casa.
Era uma busca e apreensão da operação acrônimo, que investiga suposto esquema de corrupção envolvendo o ex-ministro e governador de Minas, Fernando Pimentel (PT). A consultoria de Rosa contratara a assessoria de imprensa de Carolina Oliveira, mulher de Pimentel. A PF encontrou notas de pagamento de uma empresa a outra e queria checar as conexões. Para isso, colocou o jornalista no centro da operação, com toda a pompa reservada ao que a corporação define que será um "escândalo".
A PF ainda estendeu suas buscas para mais de dez empresas com as quais Rosa tinha negócios. “Meu casamento acabou e perdi muitos dos meus contratos, tudo sem sequer ter sido julgado”, afirmou.
Rosa tem uma teoria: a destruição de reputações por meio de acusações de corrupção se tornou um bom negócio. Por um lado, Polícia Federal e Ministério Público aparecem como paladinos da Justiça e ganham capital social. Por outro, a imprensa recebe, de forma gratuita, sem qualquer investimento em reportagens e investigações, informações cuja divulgação é do interesse dos acusadores. Isso aumenta a audiência, pois o público sempre se interessou por enforcamentos em praça pública.
Assim, mesmo que não sejam importantes para o país, os escândalos fabricados geram interesse público e engordam as receitas de publicidade.
Com essa supervalorização das acusações, qualquer crítica a operações e excessos soa como conivência e estímulo à corrupção.
Onda moralista
O rolo compressor da imprensa é, inclusive, tema de artigo publicado pelo diretor da ConJur Márcio Chaer nesta segunda-feira. “Na ausência de outros elementos, a suspeita sobre o alvo é inaugurada com uma notícia da cisma. A suposição se torna convicção quando o inquérito é aberto ou a denúncia é apresentada. O rolo compressor chega ao juiz com força irresistível. O resultado já se sabe qual será”, escreveu.
Chaer alerta que onda moralista avança e em outras épocas e outros lugares teve outros nomes: macarthismo, inquisição, dulcinismo ou fascismo. A nova estrela de David costurada na roupa é ser taxado como inimigo da operação “lava jato”. Para isso, basta qualquer crítica à condução das investigações.
O desfecho é pouco animador:
Ao descrever a chama de um fósforo como se fora a floresta amazônica incendiada, a imprensa leva um general desinformado e voluntarista a dizer que os militares podem tomar o poder para conter tanta corrupção. Se um general de Exército não compreende a ilusão de ótica produzida pelo populismo de jornalistas que fraudam notícias, quem compreenderá?
A polícia deve agir sempre com muita cautela e discrição, os juízes tem que pesar muito ao decretar uma prisão temporária, e a imprensa nem se fala, seguidamente noticia boatos e inverdades. Esse é um caso entre muitos de exagero nas investigações, excesso nas medidas cautelares, e falta de ética da imprensa.
Em um país onde assassino não fica três anos preso, mais uma vez o punitivismo inexistente ganha força entre os parciais aqui no Brasil.
Em um país onde assassino não fica três anos preso, mais uma vez o punitivismo inexistente ganha força entre os parciais aqui no Brasil.
Importante observar que os mecanismos de investigação se tornaram pré condenações, no mínimo, de natureza social. Creio que haja necessidade de tratar com mais cuidado o articulado pela imprensa para não impingir desgastes morais insuportáveis, para os quais sabemos que não existem recursos suficientes à indenizar.
Então, se é assim, parem todas as investigações. Nenhum crime pode mais ser investigado. Extinga-se a Polícia Federal, extinga-se o Ministério Público.
Da OAB e de um site Jurídico como o ConJur se espera ponderação e argumentação jurídica. Usar o fato (suicídio) como se fosse prova cabal de inocência não é nenhum pouco razoável. É mera especulação desprovida de qualquer supedâneo jurídico.
As razões que levam uma pessoa a esse tresloucado ato são de foro muito íntimo, no entanto, quase sempre estão ligadas à fuga, e situação em relação à qual a vítima considera total ausência de saída para um fato que lhe leva ao desespero. De regra está ligado a um evento atual ou futuro. O passado por mais traumático que possa ter sido, é passado. O suicídio não é prova de outra coisa senão de desespero. Alto lá OAB e ConJur.
Em recente curso com os americanos eles informaram que só é dado publicidade quando saiu a sentença condenatória, a informação de investigações em andamento é exceção lá, mas sabemos que sem a divulgação a lava a jato seria mera bolha de sabão soprada e estourada a menor brisa. A matéria traz a lamentação, o que é justo, pois perdeu-se uma vida, mas não traz fatos importantes, como por exemplo, ele confessou? Foi indiciado? O que se tem contra ele? As vezes se matou por não suportar o carcere, preferiu morrer a ser preso, como um secretário do tesouro americanos anos atrás que suicidou em uma reunião pública quando descobriram o desfalque que cometeu. Digo isso porque há diferença colossal entre a morte por vergonha de um inocente e a morte por vergonha de um culpado, não que se deseje a morte em qualquer caso, mas no segundo ele fez suas escolhas e terminou preso a elas e, ao delinquir ele sabia que a prisão era uma alternativa palatável.
Havia uma grave investigação pela Corregedoria da UFSC, pela CGU e pelo MPF sobre desvios de recursos públicos no âmbito da UFSC.
Após algum tempo o Corregedor Geral da UFSC solicitou o afastamento do Reitor sob a alegação de que ele estaria fazendo pressão politica para travar as investigações e ter acesso ao andamento da mesma.
Isso fez com que o Corregedor Geral da UFSC solicitasse ao MPF o afastamento do reitor sob a alegação de ele estar atuando na tentativa de barrar as investigações sobre o ilícito.
Não bastasse tudo isso, o Reitor resolveu avocar para si a análise do processo no qual ele é acusado de estar tentando barrar e que é o fundamento para o seu afastamento da reitoria.
Me parece nítido que ele tentou travar as investigações e acabou sendo pego, ai depois que a "casa caiu" ele acabou não aguentando o tranco.
Ouçamos os bárbaros, os trolls e os robôs pagos por empresários interessados no caos que se tornou este país! Afinal, eles são onipresentes na internet
Só entendemos a importância do Estado de Direito quando somos vítimas da barbárie do Estado!
Um outro sistema de vigilância do patrimônio público e combate a corrupção deve ser estabelecido pois o que vigora até o momento, pelos séculos, não funcio... existe. Não acho que se deva prender somente pela menção em delações premiadas, mas quando se detecta movimentação para obstruir a aplicação da justiça, certamente a pessoa deve ser presa até que esse perigo não mais exista.
Já disse aqui que um dos grandes problemas do país é a lentidão do poder judiciário que faz por exemplo que, prisões ilegais perdurem. Quanto ao ator da notícia, muitas pessoas lamentam terem sido pegas e não o crime. Se tem filhos e esposa, não pensou neles.
O caso de Santa Catarina não conheço, por isso, abstenho-me em focá-lo.
Por outro lado, a cruzada contra a corrupção deve sim continuar.
Tudo de ruim que passa o Brasil, hoje, pode-se apontar que foi causado pela corrupção.
Saúde, segurança, saneamento, infraestrutura, gerações de brasileiros condenados à eterna ignorância, quem causou tudo isso?
Os corruptos!
Ativos e passivos.
Um latrocida mata uma pessoa, destrói uma ou duas famílias, já os corruptos destroem milhares de famílias brasileiras.
E gerações condenadas à eterna ignorância?
Infelizmente,a crise que o Brasil atravessa é resultado do descomprometimento com a "res publica" pelos governantes.
Lamento uma vida que se foi, mas, não é inédito no mundo.
(Nos anos 1980 )um político dos EUA acusado de corrupção se suicidou numa entrevista coletiva.E houve caso de Ministro japonês também se suicidar ao ser acusado de corrupto.)
Minha solidariedade para a família.
E nem por isso a cruzada em prol de um Brasil sem corrupção deve cessar.
Todo brasileiro deve pensar no futuro dos filhos e eles apenas terão um futuro se acabar a corrupção.
Que o dinheiro público que é amealhado de todos os brasileiros, seja respeitado como uma divindade e seja aplicado em benefício único e exclusivamente em prol do País.
Os brasileiros do futuro agradecerão o presente enviado do presente:um Brasil passado a limpo e sem corrupção.
Por isso, todo apoio para a Polícia Federal, Ministério Público Federal,Justiça Federal e Tribunais.
Corrupção ativa e corrupção passiva são crimes que merecem a sanção penal, como qualquer outro crime. Mas o ABUSO DE AUTORIDADE também é reprovável, repulsivo e merece punição. Porém, para tanto, necessário se faz uma nova lei de abuso de autoridade, não aquele texto frouxo e pífio que está no Congresso, mas uma lei forte, rigorosa e que permita uma punição efetiva de seus infratores. Concordo com a CRUZADA contra a corrupção, desde que de mãos dadas com a CRUZADA contra o abuso de autoridade. É só andar na linha. QUEM NÃO DEVE NÃO TEME.
São os valentes que adoram "bater" no General Desinformado, pois no PC sempre é possível sobrar valentia e faltar lhaneza.
Ganha-se pontos, em certos círculos, agindo assim.
Adiante.
O Brasil foi roubado, expoliado, sofre uma onda terrível de violência (60.000 homicídios/ano há mais de década) e ninguém parece querer discutir os porquês.
Por que chegamos a esse ponto?
Ninguém via nada?
Onde estavam nossas instituições este tempo todo?
Nada era possível ser feito?
Lamento pela morte do Reitor.
Qualquer ser humano que morre de forma brutal, leva junto um pedaço da nossa humanidade.
Mas o que me choca é que certos debates e questões não levam em consideração uma coisa...
Onde estavam todos enquanto tudo isso acontecia?
Com essa história de as instituições vazarem dados sigilosos, bem como em razão de muito jornalistazinho por aí que se acha o dono da verdade, o caso retratado será apenas o primeiro de muitos.
Já pensou se é o Lula que se suicida? O Aécio? Dirceu? A comoção que não iria causar? Vamos parar as investigações agora, antes que mais gente faça o mesmo!!! Censura à imprensa! Segredo absoluto de justiça para processos contra criminosos do colarinho branco já!!!
Não é a primeira vez que me deparo com essa pergunta que o senhor costuma fazer.
Então, vale repetir: Onde estavam todos esses paladinos quando tudo corria "normalmente"?
Citação: “O Brasil foi roubado, expoliado, sofre uma onda terrível de violência (60.000 homicídios/ano há mais de década) e ninguém parece querer discutir os porquês”.
Observador,
Agora é a vez da “guerra” contra a corrupção (o resto não importa), o pior de todos os crimes, blá-blá-blá. Ninguém sabe qual será o novo inimigo público número 1. Talvez seja o crime de falar: “Ou você está com os acusadores, ou está contra o Brasil”.
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