Direito e o emburrecimento seletivo. Crianças não devem ir à escola!

Spacca

Caricatura Lenio Luiz Streck (nova) [Spacca]Bula: Cuidado com o título. Se eu fosse você, leria até o fim e não deixaria, sob hipótese alguma, de ler o post scriptum.

O estimado professor Paulo Ghiraldelli escreveu na Folha de S.Paulo um artigo chamado Emburrecimento seletivo. Com ciúmes, reproduzo partes e aproveito para incluir alguns pitacos.

“Em todo e qualquer país há três tipos de pessoas: os cultos, os ignorantes e os semicultos. A anomia é uma ameaça para aqueles lugares em que os semicultos aumentam de maneira desproporcional. Quem são os semicultos? São os sabichões. São os que xingam um juiz que condenou ou soltou alguém, sem no entanto entender os detalhes técnicos legais pelos quais o juiz agiu. São as pessoas que, por conta de poderem veicular ideias, acham que sabem mais do que sabem. Hannah Arendt (1906-1975) chamou-os de filisteus da cultura. Eles barram a explicação douta, escolar, técnica. Como falam pelos cotovelos, conquistam os ignorantes para a adesão à informação errada”.

Acrescento que no direito brasileiro há muitos ignorantes e, é claro, sobram filisteus. As faculdades são o berço dois tipos. Que acabam fundindo seus horizontes. Além de serem dominantes na advocacia, também assumiram postos importantes nas diversas carreiras jurídicas (já nem se sabe quantas são). Afinal, faculdades tortas e cursinhos Walita existem aos borbotões para fornecer matéria prima para esse desiderato.

Como resultado, milhares de pessoas que nunca imaginaram ser professores acabaram na “cátedra” por causa da explosão do número de faculdades; milhares não imaginariam trabalhar no Estado como juiz, promotor, defensor, procurador, técnicos, etc. — mas, na insistência, passa(ra)m, mormente na modalidade de concursos públicos quiz shows…

Comparando — e aqui adapto o texto de Ghiraldelli “enfiando” meu estilo: enquanto na internet os filisteus dizem que a terra é plana, negros são indolentes, índios são preguiçosos (palavras do candidato à vice presidente da chapa Bolsonaro), vacina faz mal, cigarro faz bem, homossexualidade é aberração, mulher grávida prejudica o rendimento da indústria… no Direito, proliferam coisas como “não há verdades”, “tudo é relativo”, “aplicar a lei é igual a ser positivista”, “Kelsen era um exegeta”, “súmula é precedente”, “princípios são valores”, “pamprincípios são a solução para ‘superar o positivismo’’ (argh), “Direito é o que o Judiciário diz que é”… ufa. Paro por aqui.

Em outro campo, há os palestrantes de auto ajuda — no Direito já os há de há muito — que sabem de tudo, só não sabem que nada ou quase nada sabem. Vejo cartazes de congressos e fico pensando: poxa, esse cara vai falar para mil pessoas? Com essa “cultura” Wiki?

Sintomas. Sintomas. E mais sintomas.

E conclui o brilhante professor Ghiraldelli (de novo, com minhas adaptações de estilo e meu ciúme): Pessoas com saberes técnicos precisam começar a agir de modo menos condescendente com o pseudoculto. Guru político tresloucado que fugiu da escola, youtuber abobado, vereadores que compram medalhas e até dão diploma para jumento (animal), líder religioso vítima de analfabetismo funcional, deputado “ordenando” que sua colega paraplégica ande, tudo em nome “de o Senhor Jesus”, advogado mal formado, advogado que separa sujeito e verbo, professor de direito inculto, membros de carreiras jurídicas que, depois do concurso, nada mais leram (ou leem), gente que acha que o Direito pode ser facilitado, mastigado, cantado, comido com sushi, etc, palestrante que vomita frases banais, palestrantes que cleptam ideias de outros — toda essa gente que trabalha propagando iniquidades e tolices precisa ser combatida por meio do trabalho de quem tem cultura técnica. Quem se engaja nessa luta? As inscrições estão abertas. Deixemos Ghiraldelli brilhar, mais uma vez:

“O Brasil possui gente culta, mas que está se omitindo diante da barbárie. Esse pessoal culto ou está desanimado ou simplesmente não dá atenção para o volume que os semicultos estão fazendo. A qualquer momento veremos candidatos à Presidência não escovar mais os dentes ou ter dificuldade em decorar três palavras para falar em público”.

A qualquer momento, veremos gente do Direito pregar que não há qualquer direito (ups, isso já existe); que tudo é barbárie; e que o Direito é o que cada um diz que é.

Irmanado com o professor Ghiraldelli, digo: precisamos combater os ignorantes e os sabichões semicultos. Antes que eles tomem conta. Maioria eles já são. Só que ainda não sabem. Basta ver e ler o conteúdo das redes sociais e os comentários de sites jurídicos. É de arrepiar. Fossem dentistas, recomendariam a não escovação de dentes e o não uso do fio dental. Afinal, tudo é relativo. Fossem médicos, protestariam contra os remédios. E amaldiçoariam as vacinas, coisa do demo. Assim como gente (de)formada em Direito que acha que existem direitos demais no Brasil.

A ver (neste caso é sem h).

Post scriptum: A luta contra o comunismo e a “culpa” das escolas!

A minha distopia (ler aqui) está perigosamente próxima. Basta ler mais uma das propostas de Bolsonaro: “Contra o comunismo e por economia, Bolsonaro sugere ensino a distância”. Segundo ele, para que as crianças não sejam comunizadas nas escolas, devem ficar em casa e aprender com os pais. E um pouco por EAD. De vez em quando pode ir à escola. Isso tudo gerará economia. Bingo. Nem na minha distopia eu havia pensado nisso. Fui superado. Como se diz em Agudo, terra do Bagualossauro, meu antepassado, meus butiás caíram do bolso. Ou em Espanha: no me pongas cinco pies al gato! For God’s sake.

*Texto editado às 9h44 do dia 9/8.

O IDEÓLOGO disse:
09 de agosto de 2018 às 08:08

Excelente artigo. E, o pior, é que os eleitores do Senhor Jair Bolsonaro, ampliam-se em escala geométrica.
E viva o Brasil!

O IDEÓLOGO disse:
09 de agosto de 2018 às 08:08

Excelente artigo. E, o pior, é que os eleitores do Senhor Jair Bolsonaro, ampliam-se em escala geométrica.
E viva o Brasil!

Victor.P disse:
09 de agosto de 2018 às 08:51

Seria o Sr. Paulo Ghiraldelli, aquele que certa vez manifestou publicamente o desejo de que determinada jornalista fosse estuprada?

Rejane Guimarães Amarante disse:
09 de agosto de 2018 às 09:05

Por não assumir o seu compromisso acadêmico, enquanto professor e, em sentido mais amplo, um compromisso com a cultura, desde um ponto de vista histórico e, mais especificamente, com a cultura nacional. Os últimos trinta anos foram de demolição do ensino fundamental e médio, tanto em relação ao conteúdo didático, quanto aos costumes, disciplina e ambiente totalmente contrário ao aprendizado. Sobram vídeos na internet de salas de aula, onde alunos dançam, simulam atos de sexualidade duvidosa, agridem professores e, também e principalmente, professores obrigam os alunos a dizer que a Venezuela é uma democracia e que Maduro é um grande líder e, quando uma aluna questionou, mostrando vídeos armazenados em seu celular das atrocidades que vêm sendo cometidas, foi expulsa da sala de aula.Não condiz com uma postura pedagógica, seja no ensino médio, seja na Academia, simplesmente chamar os alunos de "néscios" sem ao menos ouvir com atenção seus argumentos e fundamentos. Muitos menos condiz com uma postura acadêmica adotar uma única teoria como se fosse um dogma ao qual todas as outras teorias e críticas devessem submeter-se em reverência ao "sagrado". O conhecimento é muito vasto, se alguns mestres dominam uma parte dele, hão de ouvir atentamente outros ramos e ponderar e aprender. Estamos sempre aprendendo uns com os outros. A propósito, as vacinas são benéficas para evitar doenças graves, porém, se forem colocados venenos nas ampolas, serão uma forma sórdida de comprometer a saúde de crianças inocentes. Existem provas de que isso ocorreu nos EUA em relação a provocar o autismo em crianças saudáveis.Estudar em casa é uma prática de países como os EUA dede o início do século passado. Basta seguir um currículo. Aqui, temos o supletivo.

John Paul Stevens disse:
09 de agosto de 2018 às 09:17

Em tempos bolsonarianos, vozes como a de Streck têm valor inestimável. Obrigado, Professor.

Guilherme L. B. Bebber disse:
09 de agosto de 2018 às 09:17

Prezado Lênio, o Sr. ainda está nos devendo o texto sobre “Quando uma lei é clara e quando uma lei não é clara”. Ainda pretende publicá-lo?

Quanto aos erros de português no "post" do procurador, caso esteja mesmo valendo um livro seu autografado, informo a existência de 4 erros.

1 - A pouco tempo (o correto é "há pouco tempo")
2 - (...) um analfabeto é aplaudido (tempo verbal equivocado. O correto é "era aplaudido").
3 - A pontuação/ausência de conjunção entre o "(...) estava tudo certo agora querem exigir economia de um militar do exército (...). Poderia ter colocado um ponto final, um ponto e vírgula ou uma conjunção após a palavra 'certo', visando unir as ideias (tortas, mas ideias).
4 - "Não entendo esse jornalismo". A palavra "esse" serve para retomar um termo, ideia, pessoa ou oração já mencionados anteriormente no texto. O correto é "Não entendo este jornalismo".

Fico na espera do seu livro autografado.

Raphael Grato disse:
09 de agosto de 2018 às 09:25

Paulo Ghiraldelli, aquele lá que ameniza e relativiza pedofilia? Que afirmou que JESUS era pedófilo? Que defendeu aquela cena do homem pelado com a criança no MAM? Que decepção, Lenio! Torço para que não seja essa o tal professor que você mencionou.

Raphael Grato disse:
09 de agosto de 2018 às 09:33

Prof. Lenio, o senhor poderia falar sobre o nosso STF interferindo em assuntos do Congresso, mais precisamente sobre a discussão sobre o aborto. Que tal na próxima coluna? Fica a sugestão!

Rodrigo Duran disse:
09 de agosto de 2018 às 09:40

Aparentemente esse perfil do Facebook que postou esse comentário não é o Deltan Delagnol oficial e sim um fake....

acsgomes disse:
09 de agosto de 2018 às 09:42

Muito interessante.....e fiquei com uma dúvida. O Min Dias Toffoli e o desembargador Rogério Favretto se encaixam em qual categoria? Cultos, ignorantes ou semicultos?

FSefrin disse:
09 de agosto de 2018 às 09:59

“A pouco tempo um analfabeto é aplaudido como presidente e estava tudo certo agora querem exigir economia de um militar do exército? Não entendo esse jornalismo”.
1. “a pouco”... substituir por “há pouco”...
2. Falta de vírgula entre o “a pouco tempo” e o início da oração seguinte. *
3. “é aplaudido”: no contexto, deveria ser utilizado o pretérito perfeito, ou seja, “era aplaudido”, já que a ação já teve fim.
4. Erro que ultrapassa a linguagem coloquial, porém afeta a clareza do discurso, é escrever apenas “presidente”, o correto seria escrever “Presidente da República”, já que a figura presumivelmente referida já foi também, por exemplo, presidente do PT, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos...
5. Falta de ponto e vírgula entre “estava tudo certo” e a oração seguinte, “agora querem exigir...”
6. A expressão “exigir economia” causa confusão no discurso, deveria ser utilizada a expressão “exigir conhecimentos de economia”. Ressaltando que a expressão não deve ser encarada como metonímia para não ser confundida entre as várias acepções do termo: “exigir economia” pode ser, por exemplo, “exigir que ele economize”, ou “exigir que ele curse economia”, ou “exigir que tenha conhecimentos em economia”.
7. “Militar do exército” não é pleonasmo, já que pode ser de uma das outras armas; mas a informação “do Exército” não agrega nada ao discurso, já que pode confundir no sentido de que, de um militar da Marinha ou da Aeronáutica seria possível “exigir Economia” (sic).
8. A expressão “Exército”, constituindo nome próprio, deve vir em maiúscula.
9. Entre o advérbio agora e o verbo seguir, considerando a natureza adversativa do agora (equivalente a porém, todavia, por outro lado, etc), eu creio que deveria haver uma vírgula após o “agora”. *

*Dúvidas.

SDG disse:
09 de agosto de 2018 às 10:00

O grande filósofo brasileiro Mario Ferreira do Santos, em seu manifesto "A invasão vertical dos bárbaros", muito tempo antes, já alertava esses males expostos pelo articulista, e uma infinidade de outros mais.
Sugiro que os leitores dessa coluna leiam essa obra e outros escritos de Mario Ferreira dos Santos, será esclarecedor.
Lênio é um intelectual, mas no Brasil Mario é quase que incomparável.
Não obstante, Mario não é contaminado pelas guerras ideológicas atuais, coisa que não se pode afirmar sobre Lênio.

Professor Edson disse:
09 de agosto de 2018 às 10:02

Não critica o Toffoli, Gilmar Mendes e Lewandowski. Disse que mesmo a decisão do Favreto sendo ilegal deveria ser cumprida, e eu duvido que fará uma crítica ao aumento abusivo dos ministros do STF, que agora vão receber 5 vezes mais que juizes da Europa, a sua parcialidade Lenio, é escancarada.

KRIOK disse:
09 de agosto de 2018 às 11:01

Foi inevitável lembrar Arthur Schopenhauer.
Dizia ele:
Uma pessoa de raros dons intelectuais obrigada a fazer um trabalho apenas útil é como um vaso valioso, com as mais lindas pinturas, usado como pote de cozinha.
Em patropi, temos essas "pessoas de raros dons" que acham fazer "MUITO além do útil" - e, por isso, acham que estão "ornando a mesa".
Infelizmente, o que temos é um estoque imenso e diverso de potes - pois raras os com raros dons, na medida em que os beneficiários do trabalho o acham mesmo inútil!
CARLOS ALEXANDRE DE SOUZA PORTUGAL

SDG disse:
09 de agosto de 2018 às 11:09

O grande filósofo brasileiro Mario Ferreira dos Santos em sua obra "A invasão vertical dos bárbaros" fez análises como essas, bem como várias outras.
No entanto, é importante ter cautela para não chamar de bárbaro, inculto, ignorante e afins todos aqueles que pensam diferente.

Patrizio disse:
09 de agosto de 2018 às 11:35

Acompanho a coluna do Dr. Lenio semanalmente e sempre acho incrível seus textos e suas opiniões, porém dessa vez não posso concordar em relação a exaltação do "filósofo" Paulo Ghiraldelli.
O Sr. Ghiraldelli é reconhecidamente um dos maiores "trolls" da filosofia contemporânea brasileira. Já atacou sem qualquer fundamento pessoas de todos os espectros políticos, muitas vezes com ofensas, calúnia e fake news.
Foi expulso de diversos locais onde trabalhou por comportamento impróprio e "trollagem", como já denunciou Luís Nassif.
Segue o link abaixo para aqueles que quiserem conferir o rol de atrocidades do "filósofo" Ghiraldelli:

https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-caso-do-filosofo-ghiraldelli

João Ricardo 1 disse:
09 de agosto de 2018 às 11:38

Nós já tivemos uma presidente que não consegue articular 2 palavras em público, lembram?

Alana Melo disse:
09 de agosto de 2018 às 12:23

Texto ácido e excelente. Nada além da realidade. Ainda sou mera acadêmica do último semestre de direito, almejo a docência e fico decepcionada ao ver que as Faculdades (antigas academias) se voltaram a formação de concurseiros e OABeiros. (que já me livrei).

Observador.. disse:
09 de agosto de 2018 às 12:56

Acho que o General equivocou-se.
Mas havia um contexto por trás da sua fala.
Queiram ou não.
Macunaíma, Raízes do Brasil, Os Bruzundangas, uma visão
seca, pouco simpática, das fundações do nosso país.
O General errou? Na minha visão, sim. Há tempo e local para tudo nesta vida. E ele agora deve entender que suas falas passarão por um escrutínio absurdo.

Lima Barreto, hoje em dia, talvez escrevesse um "Os Bruzundangas" muito mais interessante do que o que escreveu à época.
Temos um Presidente preso, um Ministro do STF que não respondeu a grave acusação feita por revista digital, novo recorde de homicídios, e muitos assuntos de uma gravidade que deve chocar Suíços, mas nunca brasileiros cultos, sempre com explicações para tudo , vendo a vida daquele jeito clássico :
"O Inferno são os outros".

Digo que estamos há décadas adotando um modelo que mostra-se claramente falido.
Nem Bolsonaro , nem o General, estão no poder.
Tirar o foco de quem nos trouxe a este estado de coisas não me parece lógico, ou demonstração de culto intelecto (e não miro alguém específico).
Parece algo mais ligado a ilusionismo.
Acredito que ilusionistas estão no poder há muito tempo.
Está na hora de mudar.

SMJ disse:
09 de agosto de 2018 às 13:30

Além da mensagem do título deste comentário, apenas destaco o seguinte trecho que achei sensacional:

“O Brasil possui gente culta, mas que está se omitindo diante da barbárie. Esse pessoal culto ou está desanimado ou simplesmente não dá atenção para o volume que os semicultos estão fazendo. A qualquer momento veremos candidatos à Presidência não escovar mais os dentes ou ter dificuldade em decorar três palavras para falar em público”.

Lucas Paim disse:
09 de agosto de 2018 às 13:33

Como adoro discordar, ouso dizer que há seis erros de português na frase.

Radgiv Consultoria Previdenciária disse:
09 de agosto de 2018 às 14:06

Ah! Que delícia ler a coluna Streckiana todas as semanas.
Suas colunas semanais deveriam ser alvo de disciplina obrigatória nos cursos jurídicos. Parabéns!

pljunges disse:
09 de agosto de 2018 às 14:35

Alguns dos comentários ao texto do professor são como que uma demonstração prática do que no texto se contém.

Afonso de Souza disse:
09 de agosto de 2018 às 15:22

Foi só mais um artigo para o – culto - articulista exercitar a sua vaidade. E, como de hábito, escolhendo os exemplos (contextos) de sua conveniência e evitando os inconvenientes.

A História tem mostrado que essa cultura não impede seus portadores de apoiar, nem sempre sub-repticiamente, autoritarismos travestidos de democracia popular, vejam só.

P.S. A julgar por certas escolas (professores) que se conhece por aí, é melhor mesmo ser educado em casa.

Stanlei Ernesto Prause Fontana disse:
09 de agosto de 2018 às 15:56

Lembro-me das palavras de Gadamer sobre a autêntica autoridade, a qual se funda no conhecimento e no reconhecimento de que outro, em perspectiva, está em posição superior para discorrer acerca de determinado assunto.

Não é a verdadeira autoridade, portanto, ato de arbitrariedade ou de submissão, mas, sim, atributo racionalmente adquirido.

Parece-me que, hoje, existem muitos discursos autorreferentes e arbitrários, como se nada mais existisse além das próprias impressões. Quase ninguém mais é capaz de ouvir e de se esforçar para entender, suficientemente, o que muitas pessoas cultas e críticas se propõem a oferecer.

Ou seja, são reduzidas as possibilidades de se pensar a diferença e de se produzir o conhecimento.

Frederico Fortes Binato disse:
09 de agosto de 2018 às 16:40

Mais um importante artigo para uma oportuna reflexão. Ao ler a ótima biografia de Cícero escrita por Taylor Caldwel, vemos que essa estultice que tomou conta do Brasil, já existia em Roma há 2.000 anos, no que se refere ao autoritarismo e o surgimento de figuras despóticas, ainda que cultas e até estoicas. Porém, naquela época, os pensadores gregos já haviam disseminado a filosofia e o mundo foi caminhando para um processo de evolução, tendo esta sido perpassada pelo o quê já é do nosso conhecimento. Lamentavelmente, o que hoje nos deparamos no Brasil é exatamente o contrário, com a parvoíce atacando de tal forma, que a idade da pedra parece avizinhar-se. É o narcisismo enviesado a nos levar a levantar a pedra de Sísifo diante das terríveis escolhas que ora se nos apresentam. Lutemos, pois.

Marcos Alves Pintar disse:
09 de agosto de 2018 às 17:49

O texto de hoje do prof. Lenio, conforme se verifica, não possuio conteúdo jurídico. Porém, trata de tema de maior importância no contexto atual. Nós advogados ou mesmo qualquer outra pessoa ou profissional sinceramente interessado na evolução de nosso país, sabemos que um dos maiores problemas que enfrentamos hoje é a incapacidade do brasileiro comum de desenvolver raciocínios ainda que incipientes. No escritório de advocacia essa incapacidade se mostra de forma muito clara quando, em linguagem acessível a cada um em específico, tentamos explicar alguns conceitos ou mesmo o funcionamento do Judiciário ou das insituições. A grande maioria, após três ou quatro fases já nos interrompe com conclusões apresadas e superficiais. É necessário um certa experiência para conseguir prender a pessoa por cinco minutos, até que se possa desenvolver um raciocínio mais aperfeiçoado. Fato é que os raciocínios apressados, superficiais, infelizmente tomaram conta do cenário nacional, atingindo quase que completamente o mundo jurídico e as atividades econômicas de forma geral. Até há algum tempo, textos de duas folhas não eram mais lidos. Hoje, textos de cinco linhas, por mais profundos e necessários que sejam, já são ignorados. O cidadão comum já passa automaticamente para outro texto, outra temática ou outro assunto. Como resultado, temos um povo vítima de si mesmo, incapaz de compreender a complexidade do mundo e se portar de forma adequada frente aos lobos que estão aí para abocanhar a todos (leia-se: agentes públicos, poder econômico). Na grande maioria dos casos a arrogância e prepotência são a causa primária desse estado. Como o sujeito já sabe tudo, não precisa ler, nem estudar, nem refletir. Dá no que dá.

Marcos Alves Pintar disse:
09 de agosto de 2018 às 17:59

É nesse contexto que os agentes públicos encontram ambiente favorável aos abusos. O juiz parcial interessado em condenar um inocente, seu desafeto, diz: "tudo indica que o réu é de fato culpado, assim eu o condeno a...". Ora, como dizia um antigo professor, nada é tudo, e tudo ou nada. Quando dizemos que tudo indica que o réu é culpado estamos na verdade usando argumento algum para condená-lo. Mas, como o cidadão comum está acostumado ler não mais do que três ou quatro palavras para formar seu "apurado conhecimento" sobre dado tema, acaba se contentando com isso. Em verdade, analisar um processo criminal por exemplo para verificar o acerto da decisão de um juiz não é um trabalho fácil. É preciso ter acesso aos autos, ler todas as peças, para aí sim aferir se a atuação do juiz se deu de forma correta. Se eu meio a 5 mil laudas dos autos há cinco linhas contendo o depoimento da vítima, dizendo que na verdade ela se equivocou ao apontar o réu como estuprador, são essas cinco linhas que decidirão o feito, ainda que para encontrá-la em meio a 5 mil folhas seja difícil. Processo 250 folhas já não são lidos por juízes, promotores ou estagiários, salvo exceções. Processos com 5 mil laudas jamais serão analisados pelas pessoas comuns. E, nesse contexto, o abuso predomina. De tirinha em tirinha, resumos jurídicos e posts rapidos de facebook, a coletividade vai se deixando levar. A verdade ou a essência das coisas vão sendo postas de lado, em uma insanidade coletiva que nem o mais pessimista dos futurólogas poderia prever há algumas décadas.

Dan Pinto disse:
09 de agosto de 2018 às 21:22

Hannah Arendt deve ter se referido aos "fariseus", geralmente hipócritas em sua religião e apegados excessivamente às regras; não aos "filisteus", que eram apenas os inimigos de Israel.

Eduardo. Adv. disse:
09 de agosto de 2018 às 21:28

Verdades.
Tenho limitações e consciência. Por tais razões jamais pensei em lecionar.
Mas outros (limitados, inconscientes, todavia engajados) da minha subseção são "professores" das Uniesquinas regionais. A cada quinzena entregam dezenas de carteiras aos seus alunos.
O texto lembrou-me:
a) de vizinhos da juventude, que pouca importância deram para a faculdade quando eu iniciei a peleja para pagar o meu curso, mas com as facilidades da última década resolveram "estudar"... Tornaram-se professores da rede pública e contarão com dupla aposentadoria no futuro. Hoje, apesar do pouco esforço no passado, se dizem indispensáveis ao futuro do Brasil, porque são professores.
b) também lembrei de que durante manifestações classistas sobre a reforma da previdência municipal (SP), um grupo de professoras embarcou no coletivo em que eu estava e iniciaram discussão sobre alguns de seus representantes. Aí surge a palavra "pelego" e... Eis que uma professora resolve sacar o smartphone para pesquisar o significado de "pelego".
Duas aposentadorias, tempo reduzido...

Rejane Guimarães Amarante disse:
10 de agosto de 2018 às 05:47

Existem vídeos na internet que provam a doutrinação nas escolas públicas, seja no ensino médio, seja na universidade.
Numa CPI na Câmara dos Deputados, uma aluna do curso de pós-graduação apresentou provas documentais e áudios capturados em sala de aula acerca da perseguição aos cristãos por uma professora.Está disponível no youtube
"Professora relata caso de perseguição ideológica em universidade pública"
https://www.youtube.com/watch?v=4GW9abYxlOA
Outros vídeos comprovam a perseguição nas escolas e universidades contra policiais militares
"Professora barra policial em sala de prova por ela estar fardada e armada"
https://www.youtube.com/watch?v=8xQrfz-INEM
"ADV de SD Jéssica diz 'A Professora impôs e disse que não aplicaria a prova caso ela permanecesse' "
https://www.youtube.com/watch?v=C7O7txjPDE0
Alunos que se manifestam contra Maduro são expulsos da sala de aula
"Intervenção Militar - Alunos revoltam contra apoio a Maduro"
https://www.youtube.com/watch?v=LNoIpqcgGK0
Em resposta a um professor, aluno foi expulso por apoiar Bolsonaro
"Acompanhe o caso do Professor que expulsou aluno que apoiou Bolsonaro"
https://www.youtube.com/watch?v=rhPR8xZpDoo
E tem também diretora de escola que, ao invés de chamar a polícia para manter a disciplina entre os alunos, chama traficantes para darem "uma dura" nos alunos
"Traficantes ditam normas na escola"
https://www.youtube.com/watch?v=3AvB3BHmP3E

Luís Carlos - Servidor Público disse:
10 de agosto de 2018 às 08:56

Professor Lenio Streck descobriu a formula mágica. Bingou!!!!
Ao escrever: "[...] Basta ver e ler o conteúdo das redes sociais e os comentários de SITES JURÍDICOS. É de arrepiar." Conseguiu afastar os críticos sabichões....kkkkkkkk. Esta foi boa.

Paulo Moreira disse:
10 de agosto de 2018 às 09:31

Hoje o povão classifica um smartphone como uma autêntica fonte de conhecimento. Talvez a única. Claro, pois é rápido. A resposta desejada é sempre encontrada. E tudo bem resumido, em coisa de poucas linhas.

Então, na cabeça deste mesmo povão desprovido de capacidade racional, fazer faculdades, escrever livros e desenvolver teses são ''coisas pra otário''.

Tanto é, que antigamente cursar uma faculdade ou portar um diploma era sinônimo de respeito. Atualmente, porém, diga que é formado em algo e será alvo de escárnio por parte dos ''sabichões''.

Rilke Branco disse:
10 de agosto de 2018 às 09:48

Cadê a vovó professora anencéfala do Direito Livre?
Delírio Treminis!

Eduardo. Adv. disse:
10 de agosto de 2018 às 10:13

Boa a passagem que adota a percepção de Bolívar Lamounier (https://www.conjur.com.br/2018-ago-04/entrevista-bolivar-lamounier-sociologo-cientista-politico). Se muitos juízes, que recebem auxílio para livros e para a aquisição de hardware e software não estudam mesmo com boas condições, como fica a condição do empobrecido advogado?
A crítica sobre as deficiências de português também me fizeram lembrar de um conhecido de infância que diz possuir um único diploma: datilografia. Publica os seus livros com linguagem pobre (não confundir coloquial), e é reverenciado pela elite intelectual. Até na TV Cultura ele foi aplaudido.... E eu ficava constrangido com as minhas antigas redações! Apesar disso, o tal escritor viaja o mundo com a sua "literatura marginal". Mas se ele fosse formado em Direito (*) certamente seria "espinafrado" na coluna.
(*) Se ele obtiver diploma, perde o "charme", desfaz o cartaz.

Rivadávia Rosa disse:
10 de agosto de 2018 às 10:53

Acho que está para mais para coletivo.
O fato é que no mundo globalizado – baseado fundamentalmente na valorização do talento/mérito e no desenvolvimento científico e tecnológico – a ciência, a tecnologia e a inovação são atividades vitais para o desenvolvimento. E o são para qualquer país, pois incidem diretamente no crescimento da economia, no desenvolvimento, na inclusão social e no melhoramento contínuo das políticas públicas, socioeconômica, cultural e artística.

Porém, durante décadas nos afastamos inexoravelmente do desenvolvimento sociopolítico, econômico e ‘sustentável’ da sociedade, justamente pela opção orientada para a ‘construção’ da hegemonia, ou seja, a ‘produção’ de uma [in] consciência que assegure a adesão e o consentimento das grandes massas, para ter o DOMÍNIO TOTAL DA SOCIEDADE e a SERVIDÃO DO SER HUMANO.
E, todos, ‘alegres, felizes e contentes’ - continuam pousando de ‘defensora da moralidade, da ética, dos direitos humanos, da ‘justiça’ social, da igualdade, da ‘democracia’, enquanto promovem o maior saque dos recursos naturais e públicos de que se tem notícia no mundo civilizado … que conduz não só o País, mas todo o Planeta, desgraçadamente ao mais sórdido e triste período da vida nacional/mundial, pela corrupção de dimensão tsunâmica e degradação das instituições com o objetivo de corroer a base moral da atual e futuras gerações.

Marcos Alves Pintar disse:
10 de agosto de 2018 às 12:38

Quem me desculpe a CONJUR, e também outras suscetibilidades, mas como leitor dessa conceituada Revista Eletrônica devo dizer que o Veículo vem contribuindo de forma importante para a situação delineada pelo prof. Lenio. Raras são as reportagens por aqui, nos últimos tempos, que retratam as situações narradas de forma completa. Talvez com medo de que o leitor não chegue ao final (ou à metade) se o texto for longo, é fato que resta quase que impossível na maior parte dos casos entender o que realmente ocorreu nas notícias publicadas. Inúmeros fatos são omitos nas reportagens, ao passo que quase nunca todos os interessados, envolvidos ou citados, são ouvidos. Já me manifestei sobre isso em várias situações.

Eduardo. Adv. disse:
10 de agosto de 2018 às 14:08

As críticas sobre

Marcelo-ADV disse:
10 de agosto de 2018 às 14:26

Dra. Rejane,

Todos (ou, ao menos, um grande número) se acham o máximo (uma forma de etnocentrismo). Livres para criticar qualquer um (ou melhor, livres para criticar qualquer tema, criticar slogans apenas, criticar sem considerar o todo e as partes) e dizer: “eu sou o portador da razão”, e os outros... todos errados (salvo se eu gostar do que foi dito). Não há diálogo autêntico.

Discutem-se slogans, ignorando o conteúdo. Em uma decisão, discute-se o dispositivo: condenou, então é bom. Absolveu, é corrupto.

Mas na escola, então, é diferente? Alunos são doutrinados. Parece-me que os exemplos citados, ao menos a maioria, comprovam o contrário.

A meu ver, doutrina, aqui, não faz diferença. Só se for uma doutrina anarquista: seja livre para falar qualquer coisa, defender qualquer coisa, etc.

Resume-se a gostar ou não do ato ou fato. Gostando, brasileiro aplaude. As razões não importam, logo, a doutrina também não importa.

Nada contra! Não desejo que os cidadãos se sintam oprimidos por discursos de autoridade e tenham a liberdade de expressão cerceada. Assim, acho ótimo que as pessoas se sintam livres para falar qualquer coisa, embora, a meu ver, o diálogo autêntico deveria ser fomentado, para, ao invés de se discutir slogans, pudéssemos discutir conteúdo.

Discutir apenas slogans, o discordar do outro apenas pelo slogan, não é discussão de verdade. É apenas impulso, vontade, etc.

Considerando que somos um povo intolerante, que ama odiar (criar espaços em que o ódio é tolerado) e se deixar levar pelos ódios do momento, não me parece que exista espaço para professores doutrinarem alguém. Mais fácil o professor ser linchado, se os alunos não gostarem dos ensinamentos.

Afonso de Souza disse:
10 de agosto de 2018 às 16:59

Mas o futuro do País parece mesmo distópico. E muito disso viria como resultado da omissão dos “cultos”, como escreveu na Folha o professor de filosofia e subscreveu neste site o colunista.

Ocorre que, infelizmente, não se trata apenas dos casos de incorreções gramaticais, estudantes preguiçosos, palestrantes vazios ou profissionais tecnicamente despreparados em carreiras específicas, todos estes sintomas superficiais. Sim, o problema vai bem além. Vivemos hoje um estranho estado de esquizofrenia social, potencializado pela dissonância cognitiva que acomete boa parte dos indivíduos, mesmo os mais escolarizados (e se for assim, fugir da escola não é necessariamente uma má ideia). Não se sente mais o que se vê, ao contrário, vê-se o que se sente. Já não se consegue mais classificar, avaliar, hierarquizar e analisar as informações, ficando assim impossibilitado o processo de conhecimento. As referências morais e culturais foram diluídas num caldo ideologizado para cozinhar teses que subordinam o que é verdadeiro ao que é desejável (e se o desejável for logicamente inconcebível, resolve-se o inconveniente com marteladas, na linguagem ou diretamente nas cabeças das pessoas). E tudo isso se retroalimenta...

Muitos desses “cultos” viam elitismo onde só havia rigor. Deu no que deu.

Reproduzi , ou tomei emprestada, a pergunta que o – culto – Demétrio Magnoli formulou ao final do seu penúltimo artigo (28/07) publicado na Folha de São Paulo: Quem educa o educador?

Holonomia disse:
10 de agosto de 2018 às 21:24

Os cultos não possuem coerência filosófica, em sentido pleno, não têm integridade no discurso acadêmico, que corta a história, iniciando-a com a revolução francesa, ou pouco antes, quando os pensamentos são desenvolvidos há três mil anos.
A Constituição Federal está inserida dentro de uma verdade histórica baseada numa ordem oculta de mundo, decorrente da tradição judaico-cristã, da qual é resultado o conceito de dignidade humana, efeito da encarnação do Logos.
Com base nessa verdade histórica pode-se dizer que é constitucional a criminalização do comportamento homossexual. Mesmo com uma filosofia desenvolvida com argumentos físicos e psicológicos, essa ideia deve ser chamada homofóbica, quando é apenas filosófica, ligada a uma Sabedoria sutil, mas como passamos por um processo de descivilização, pelo qual não há verdades, já estando deformado o conceito de Direito, não há culto que entenda o curso da história e a filosofia...
www.holonomia.com

O IDEÓLOGO disse:
11 de agosto de 2018 às 07:54

O cientista político, Bolívar Lamounier, aqui no Conjur (04 de agosto de 2018) avaliou o pensamento dos advogados. Eis: "Naquele tempo, o Brasil era a República Velha e se consolidava como “república dos bacharéis”. Cem anos depois, o cenário mudou um pouco: a advocacia tornou-se uma profissão de classe média baixa, cujos integrantes estão mais preocupados em entrar no mercado de trabalho do que em estudar e contribuir com a vida pública do país.
O quadro é típico, segundo ele, da classe social a que a maioria dos advogados pertence.
...
Mas isso não deixa de surpreendê-lo. “Como grupo, os advogados não meditam muito sobre esses temas institucionais, sobre as premissas filosóficas da carreira. Acho até que eles não leram muito e a grande maioria dos cursos de Direito parece não ter boa qualidade. O nível de leitura é muito prático, voltado aos códigos e à letra da lei”, analisa Bolívar. “É um processo de proletarização”, afirma, em entrevista à ConJur"
A situação apreendida pelo cientista político foi, também, não só captada pelo Dr. Lenio, mas também, criticada.
Como diz o texto, "Comparando — e aqui adapto o texto de Ghiraldelli “enfiando” meu estilo: enquanto na internet os filisteus dizem que a terra é plana, negros são indolentes, índios são preguiçosos (palavras do candidato à vice presidente da chapa Bolsonaro), vacina faz mal, cigarro faz bem, homossexualidade é aberração, mulher grávida prejudica o rendimento da indústria... no Direito, proliferam coisas como “não há verdades”, “tudo é relativo”, “aplicar a lei é igual a ser positivista”, “Kelsen era um exegeta”, “súmula é precedente”, “princípios são valores”, “pamprincípios são a solução para ‘superar o positivismo’’ (argh), “Direito é o que o Judiciário diz que é”... ufa. Paro por aqui"

O IDEÓLOGO disse:
11 de agosto de 2018 às 07:54

O cientista político, Bolívar Lamounier, aqui no Conjur (04 de agosto de 2018) avaliou o pensamento dos advogados. Eis: "Naquele tempo, o Brasil era a República Velha e se consolidava como “república dos bacharéis”. Cem anos depois, o cenário mudou um pouco: a advocacia tornou-se uma profissão de classe média baixa, cujos integrantes estão mais preocupados em entrar no mercado de trabalho do que em estudar e contribuir com a vida pública do país.
O quadro é típico, segundo ele, da classe social a que a maioria dos advogados pertence.
...
Mas isso não deixa de surpreendê-lo. “Como grupo, os advogados não meditam muito sobre esses temas institucionais, sobre as premissas filosóficas da carreira. Acho até que eles não leram muito e a grande maioria dos cursos de Direito parece não ter boa qualidade. O nível de leitura é muito prático, voltado aos códigos e à letra da lei”, analisa Bolívar. “É um processo de proletarização”, afirma, em entrevista à ConJur"
A situação apreendida pelo cientista político foi, também, não só captada pelo Dr. Lenio, mas também, criticada.
Como diz o texto, "Comparando — e aqui adapto o texto de Ghiraldelli “enfiando” meu estilo: enquanto na internet os filisteus dizem que a terra é plana, negros são indolentes, índios são preguiçosos (palavras do candidato à vice presidente da chapa Bolsonaro), vacina faz mal, cigarro faz bem, homossexualidade é aberração, mulher grávida prejudica o rendimento da indústria... no Direito, proliferam coisas como “não há verdades”, “tudo é relativo”, “aplicar a lei é igual a ser positivista”, “Kelsen era um exegeta”, “súmula é precedente”, “princípios são valores”, “pamprincípios são a solução para ‘superar o positivismo’’ (argh), “Direito é o que o Judiciário diz que é”... ufa. Paro por aqui"

O IDEÓLOGO disse:
13 de agosto de 2018 às 08:46

Diz a seguinte passagem do texto: "Comparando — e aqui adapto o texto de Ghiraldelli “enfiando” meu estilo: enquanto na internet os filisteus dizem que a terra é plana, negros são indolentes, índios são preguiçosos (palavras do candidato à vice presidente da chapa Bolsonaro), vacina faz mal, cigarro faz bem, homossexualidade é aberração, mulher grávida prejudica o rendimento da indústria... no Direito, proliferam coisas como “não há verdades”, “tudo é relativo”, “aplicar a lei é igual a ser positivista”, “Kelsen era um exegeta”, “súmula é precedente”, “princípios são valores”, “pamprincípios são a solução para ‘superar o positivismo’’ (argh), “Direito é o que o Judiciário diz que é”... ufa. Paro por aqui".
Não resta dúvida de que o pensamento do professor Lenio é brilhante e se destaca no círculo da mediocridade que afeta a "intelligentsia" tupiniquim.
Mas, apresenta uma característica própria da sociedade brasileira: o totalitarismo.
Ou você concorda com o pensamento do professor ou é ...excluído. Como disse N.Bobbio: - Qual Democracia?

O IDEÓLOGO disse:
13 de agosto de 2018 às 08:46

Diz a seguinte passagem do texto: "Comparando — e aqui adapto o texto de Ghiraldelli “enfiando” meu estilo: enquanto na internet os filisteus dizem que a terra é plana, negros são indolentes, índios são preguiçosos (palavras do candidato à vice presidente da chapa Bolsonaro), vacina faz mal, cigarro faz bem, homossexualidade é aberração, mulher grávida prejudica o rendimento da indústria... no Direito, proliferam coisas como “não há verdades”, “tudo é relativo”, “aplicar a lei é igual a ser positivista”, “Kelsen era um exegeta”, “súmula é precedente”, “princípios são valores”, “pamprincípios são a solução para ‘superar o positivismo’’ (argh), “Direito é o que o Judiciário diz que é”... ufa. Paro por aqui".
Não resta dúvida de que o pensamento do professor Lenio é brilhante e se destaca no círculo da mediocridade que afeta a "intelligentsia" tupiniquim.
Mas, apresenta uma característica própria da sociedade brasileira: o totalitarismo.
Ou você concorda com o pensamento do professor ou é ...excluído. Como disse N.Bobbio: - Qual Democracia?

Rejane Guimarães Amarante disse:
13 de agosto de 2018 às 16:36

Toda generalização é injusta e toda a permanência na discórdia é insana. Estou sempre às ordens para debater conteúdo com o nobre colega, Dr. Marcelo, assim como com quaisquer outros colegas ou compatriotas, sempre que desejarem. Até com Streck, se acaso fizesse um exame de consciência de sua conduta "acadêmica" nos últimos dois anos, além do que, entendesse que todos somos cultos e ignorantes em alguma área do conhecimento.

Observador.. disse:
13 de agosto de 2018 às 20:42

Excelente

Você precisa estar logado para enviar um comentário.