“Poliamor” desrespeita fundamentos do casamento, diz professora

A ideia da "união poliafetiva", relação estável com mais de duas pessoas, desrespeita o princípio estruturante do casamento e da união estável. É o que defende a professora Regina Beatriz Tavares da Silva, presidente da Associação Brasileira de Direito de Família e das Sucessões (ADFas).

Agência Brasil

Agência Brasil"Não há como mudar o sistema monogâmico por meros achismos", disse a professora.

"Os projetos de lei que propõem o poliamor podem até ter alguma tramitação, mas temos certeza que o Congresso saberá enxergar as propostas destruidores da família que constam desse projeto”, afirma. Ela é uma das palestrantes do V Congresso Iberoamericano de Direito de Família e das Pessoas, em São Paulo.

De acordo com Regina Beatriz, a jurisprudência uniforme dos tribunais superiores rechaça qualquer tipo de pleito de relações não monogâmicas. Aplica, segundo ela, a legislação brasileira em defesa da monogamia, que protege o par que vive em matrimônio. "Não há como mudar o sistema monogâmico por meros achismos", afirma.

A presidente da entidade ressaltou ainda o recente entendimento do Conselho Nacional de Justiça que proibiu, em junho, que cartórios façam o registro de uniões poliafetiva, reconhecendo que esse tipo de relação não configura uma família.  

O IDEÓLOGO disse:
29 de agosto de 2018 às 20:20

Os juristas são conservadores. Aqui no Brasil, mais ainda. Não conseguem entender as novas relações sociais. Se fossem para os USA, possivelmente seriam zeladores de universidades.

O IDEÓLOGO disse:
29 de agosto de 2018 às 20:20

Os juristas são conservadores. Aqui no Brasil, mais ainda. Não conseguem entender as novas relações sociais. Se fossem para os USA, possivelmente seriam zeladores de universidades.

Pyther disse:
30 de agosto de 2018 às 08:08

No Brasil, como sempre, e em algumas partes do globo, o nome disse é fraude.
Coloca-se a questão da poliafetividade para incluir um o outro dependente em um plano de saúde, previdência ou coisa que o valha.
As operadoras e o Estado precisam ficar de olho.
Mas já já vem um projeto (oportunista como o feminicídio) dando "liberdade" às pessoas em detrimento dos prejuízos ao mercado.
É só aguardar para ver qual político irá tirar proveito disso.

Traple disse:
30 de agosto de 2018 às 10:58

"Não há como mudar o sistema monogâmico por meros achismos" diziam o mesmo sobre a escravidão. Teve até uma guerra civil aí em um país famoso.

João Bremm disse:
30 de agosto de 2018 às 11:05

pois a religião católica assim dispõe.
Ora, em primeiro lugar, o ser humano não é naturalmente monogâmico (ao menos não o macho), mas sim, o é por um construto social, embora casos extraconjugais sejam algo tão banal quanto atravessar a rua.
Em segundo lugar, na história da humanidade houve períodos em que a poligamia era regra, e ainda assim o é para certos grupos (islamitas, por exemplo).
Terceiro, não cabe ao Direito ser o guardião da moral.

Pedro Lemos disse:
30 de agosto de 2018 às 11:36

Nossa... "Propostas destruidoras de famílias"... Só faltou soltar um "pela honra e glória do nosso senhor Jesus" depois...

Se a professora quer defender seu posicionamento, que o faça com embasamentos jurídicos, científicos e objetivos, não com base em uma moralidade subjetiva, pessoal e dúbia. O fato de ela achar que pessoas que vivem em poliamor não constituem uma família, ou não constituem a família correta, ou vivem em pecado, ou que essa união não é aprovada por um ou outro sistema moral pré concebido não lhe dá o direito de impor essa visão aos outros através da coercibilidade legal.

Não é a primeira e não será a última vez que previsões apocalípticas como essa são direcionadas a mudanças na estrutura social sem a apresentação de um encadeamento logico que as embase. Lembro que antes de o divórcio ser implementado no Brasil em 1977, alguns parlamentares alegavam que sua legalização seria um absurdo porque o país se tornaria uma "fábrica de menores grávidas abandonadas". Conservadores sempre apresentam um medo irracional de mudanças sociais, e defendem com unhas e dentes a manutenção do status quo, mesmo quando não parece haver nenhum motivo racional para fazê-lo - à exceção de uma aversão inexplicável àquilo que diverge de sua visão de mundo.

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