“Nações falham porque instituições fraquejam”, diz Gilmar Mendes

“Nações falham porque instituições fraquejam”, disse na noite da segunda-feira (19/2) o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. “Precisamos assumir mais as nossas responsabilidades institucionais. Temos ficado silentes diante de muitos absurdos. Alguma coisa deu errado, e precisamos discutir”, completou o ministro, durante jantar em São Paulo. “Um constitucionalista chega ao Supremo e se preconiza delegado de polícia. Isso é uma vergonha!”

ConJur

Comunidade jurídica homenageia postura independente do ministro Gilmar Mendes.

Gilmar falou durante jantar oferecido por juristas e advogados em homenagem ao ministro, como uma espécie de desagravo. Ele tem sido constantemente criticado especialmente por suas posições em defesa do Habeas Corpus e de garantias individuais de réus em relação à acusação. São posições que os criminalistas veem como coragem e independência do ministro, e o jantar foi organizado para celebrar essas qualidades.

“Vou copiar o meu querido irmão, paradigma, José Roberto Batochio para dizer que temos no ministro Gilmar Mendes uma garantia de defesa do Estado Democrático de Direito”, disse o presidente do Instituto dos Advogados do Brasil, Técio Lins e Silva, olhando para Batochio, sentado à mesma mesa que Gilmar, onde também estavam o professor Mário Cesar Duarte Garcia, decano da advocacia paulista, o criminalista Fábio Tofic Simantob, presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), o professor João Grandino Rodas, ex-reitor da USP, o advogado Sérgio Renault, presidente do Innovare, o advogado José Luís de Oliveira Lima, e o conselheiro federal da OAB Arnoldo Wald Filho.

ConJur

"Todos sofrem com ataques à democracia, mas nós, advogados, sofremos antes. Somos a ponta da flecha", diz Técio Lins e Silva.

Técio, que neste ano completa 50 anos de formado e 53 de advocacia, disse lamentar o momento por que passa o Brasil. “Vemos juízes invocando a vontade popular para decidir. São princípios extraídos do código penal nazista e da Rússia soviética, do stalinismo”, declarou o criminalista.

O discurso de Gilmar, dirigido aos mais de 80 criminalistas presentes, foi no mesmo tom, embora com doses de conclamação. “Perdemos a capacidade de dizer que o rei está nu”, declarou. “Temos que nos perguntar o que podemos fazer para que instituições sejam mais fortes”, continuou. “Tempos estranhos. Um dia vamos olhar para esse período com muita vergonha.”

Gilmar Mendes lembrou de 1977, quando, ainda estudante de Direito na Universidade de Brasília, decidiu ir a Curitiba acompanhar a Conferência Nacional da Advocacia. O tema era um projeto de constituinte a ser entregue ao governo militar para encerrar a ditadura.

ConJur

Mais de 80 juristas, professores e advogados prestigiam jantar em homenagem ao ministro Gilmar Mendes.

“Vocês vão entender o que quero dizer: o presidente da OAB era Raymundo Faoro”, contou, arrancando aplausos da plateia e ensaios de “vai, Toron”, conclamando o criminalista a concorrer ao Conselho Federal da OAB. Ele citou sua decisão de proibir as conduções coercitivas, cautelar imposta um ano depois de o pedido ter sido feito pelo PT e pela OAB, quando o partido pediu uma antecipação de tutela.

Passado um ano desde o ajuizamento da ação, Gilmar considerou o pedido razoável e o concedeu. “Entendo que o PT esteja passando por todo tipo de constrangimento e tenha dificuldade de articular sua voz. Mas, até hoje, nenhuma palavra da OAB.” Mais aplausos.

ConJur

"Olharemos para esses tempos com muita vergonha", diz o ministro Gilmar Mendes.

Gilmar continuou lembrando da Conferência da OAB de 77. Oscar Corrêia falou sobre a defesa do Estado de Defesa e foi vaiado. “Faoro imediatamente censurou a vaia, e é isso que falta hoje”, resumiu Gilmar Mendes.

O ministro também lembrou que naquele tempo os estudantes reverenciavam não o Supremo, mas o Superior Tribunal Militar. O tribunal era tido como independente, capaz de dar decisões liberais e impor alguns freios aos excessos da ditadura. “Hoje temos ministros do Supremo que pregam a restrição ao Habeas Corpus. Vejam só: Ernesto Geisel, um general, era tido como liberal, porque era independente. Melhoramos em muitas coisas, mas em algumas áreas, pioramos.”

Veja a lista de presentes:

 

Nome

Cargo/Empresa

Gilmar Mendes

Ministro do STF

Joao Grandino Rodas

Jurista, Professor da USP

José Luis de Oliveira Lima

Advogado, Sócio do OLH Adv

Mário Sérgio Duarte Garcia

Advogado, sócio no DGCGTA

Cristiano Marona

Presidente do IBCCRIM

José Roberto Batochio

Advogado, sócio no Batochio Advogados

Arnoldo Wald

Advogado, sócio no Wald Advogados

Técio Lins e Silva

Presidente do IAB

Guilherme Octávio Batochio

Advogado, sócio no Batochio Advogados

José Eduardo Cardozo

Ex-Ministro da Justiça e Ex- Ministro Chefe da Adv-Geral da União

Guiomar Feitosa

Advogada

Fábio Tofic Simantob

Advogado, sócio no Tofic Simantob | Advogados

Horácio Ribeiro

Presidente do IASP

Marcelo Martins Berthe

Desembargador do TJ / SP

Heitor Cornachione

Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas

Sérgio Renault

Advogado, sócio no Tojal Renault Advogados, Pres. do Instituto Innovare

Antônio Lavareda

Cientista Político, Diretor-Presidente da MCI-Estratégia

Cláudio Marçal Freire

Pres. da Assoc. dos Notários e dos Registradores do BR, e Pres. do Sinoreg

Roberto Lemos dos Santos

Juiz Federal Criminal

Alberto Zacharias Toron

Advogado criminalista

Celso Vilardi

Advogado criminalista

Jarbas Machione

Conselheiro da OAB-SP pres Comissão direito empresarial

Ricardo Tosto de O. Carvalho

Advogado, sócio no Leite Tosto e Barros Adv

Mário de Oliveira Filho

Presidente da Seção SP da Abracrim

Rodrigo Dall'acqua

Advogado, Sócio do OLH Adv

Igor Santiago

Advogado Tributarista, sócio no Sacha Calmon Adv

Walfrido Warde

Advogado, sócio no Warde Advogados

Cristiano Beraldo

Diretor Executivo na empresa REFIT

Valdir Simão

Ministro e Sócio na empresa REFIT

Eduardo Pizarro Carnelos

Advogado Criminalista

Letícia Lins e Silva

Advogada, Sócia no Técio Lins e Silva Advogados

Ricardo Geraldo Rezende Silveira

Coordenador da graduação do – IDP/SP.

Alexandre Zavaglia P. Coelho

Diretor Executivo do – IDP/SP.

Leticia Garcia

Coordenação – IDP/SP.

Ana Cristina Monges

Gerente Executiva – IDP/SP.

Sérgio Rosenthal

Advogado, Sócio no Rosenthal Advogados Associados

Carlo Frederico Muller

Advogado, sócio no Muller E Muller Advogados Associados

Ilana Muller

Advogada, sócia no Muller E Muller Advogados Associados

Marco Aurélio de Carvalho

Sindicato dos Advogados de São Paulo

Marcelo Nobre

Ex-Conselheiro do CNJ

Fernando Fernandes

Advogado Criminalista, sócio no Fernando Fernandes Adv

Fabiano Silva

Advogado, sócio no Marco Aurélio de Carvalho Advogados

Sonia Cochrane Rao

Advogada, sócia no Ráo, Pires & Lago Advogados

Fernando Castelo Branco

Advogado, sócio no Castelo Branco Advogados

Gustavo Neves Forte

Advogado Criminalista, sócio no Castelo Branco Advogados

Alexandre Fidalgo

Advogado, sócio no Fidalgo Advogados

Maurício Leite

Advogado, sócio no Leite Sinigallia e Forzenigo advogados

Alexandre Sinigallia

Advogado, sócio no Leite Sinigallia e Forzenigo advogados

Conrado Gontijo

Advogado, sócio no Corrêa Gontijo Adv

Denades Castro

ASSOCIACAO DOS NOTARIOS R. E. S. ANOREG

Leonardo Lima

ASSOCIACAO DOS NOTARIOS R. E. S. ANOREG

Sérgio Jacomino

Presidente do Instituto de Registro de Imóveis do Brasil

Flauzilino Araújo dos Santos

Ex-Presidente da Assoc. dos Registradores de Imóveis de SP

Daniel Lago Rodrigues

Diretor do IRIB

Adib Addouni

Advogado, sócio no Adib Abdouni Advogados

Karine M. Famer Rocha Boselli

Diretora da Associação de Registradores Civis de São Paulo

Oscar Paes de Almeida

Diretor da Associação de Registradores Civis de São Paulo

Diego Barbosa Campos

Advogado

Carlos José Santos da Silva (Cajé)

Presidente do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados

Bruno Salles

Diretor do Instituto de Direito ao Direito de Defesa

Miguel Pereira Neto

Advogado criminalista

Renata Mariz de Oliveira

Advogado criminalista

Pierpaolo Bottini

Advogado criminalista

Luis Francisco Carvalho Filho

Advogado

Mario de Oliveira Filho

Advogado criminalista

Ticiano Figueiredo

Advogado criminalista

Augusto de Arruda Botelho

Advogado criminalista

Daniel Bialski

Advogado criminalista

Leonardo Sica

Advogado criminalista

Flávia Rahal

Advogado tributarista

Guilherme San Juan

Advogado criminalista

Cláudia Vara

Advogado criminalista

José Carlos Alves

Presidente do Instittuto de Protestos de São Paulo

José Occhiuso jr.

SBT

Mônica Bergamo

Folha de S.Paulo

Guilherme Evelin

Revista Época

Sônia Racy

O Estado de S.Paulo

Marcela Rocha

Assessora

Pedro Canário

ConJur

*Texto editado para correção de informação. Em 1977, Oscar Corrêia foi à Conferência Nacional da Advocacia falar sobre o Estado de Defesa, o equivalente ao atual Estado de Sítio, e não sobre Estado de Direito. E editado às 16h07 do dia 20 de fevereiro de 2018 para acréscimo da lista de presentes.

Pedro Canário

é jornalista.

Hilton R C Costa disse:
20 de fevereiro de 2018 às 11:18

Gilmar é imprevisível. Mas seu discurso foi coerente. Ministro do STF não pode se ajoelhar à juiz de base ou clamor popular. A turba quer sangue.

Rivadávia Rosa disse:
20 de fevereiro de 2018 às 11:21

Merece os melhores encômios sua excelência, mas é de se lembrar que desde os antigos gregos: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”. [PLATÃO, filósofo grego -428 – 347 a.C.]
No mais, uma certa curiosidade a respeito do “delegado” no STF [“Um constitucionalista chega ao Supremo e se preconiza delegado de polícia. Isso é uma vergonha!”] se é que entendi a expressão - seria a inauguração da “delegadofobia”?
Posição “canônica” é isso aí, mas o que efetivamente se preconiza são juízes que continuem rompendo a mega cadeia delitiva que saqueou o País.

E a fórmula para romper esse círculo vicioso está na recuperação dos valores democráticos e republicanos, com juízes que singelamente promovam julgamentos justos, isentos, independentes, imparciais ...

Marcos Alves Pintar disse:
20 de fevereiro de 2018 às 11:29

Considerando o teor da reportagem, que pode naturalmente não ter reproduzido com fidelidade as intenções do Ministro, o alvo da crítica foi a OAB. Nessa linha, assiste razão ao Ministro, uma vez que a OAB praticamente encerrou suas atividades no que tange à defesa ao Estado de Direito e às instituições republicanas, sequer dando conta de defender os direitos mais básicos dos próprios advogados. Sem uma OAB que cumpra seu papel, tudo o resto vai de mal a pior.

carlos rosalvo disse:
20 de fevereiro de 2018 às 12:35

A defesa das garantias constitucionais vilipendiadas diuturnamente, ao que parece, não é tema caro à grande imprensa e à Ordem. Alguns parecem não terem lido Hanna Arendet, mas intitulam-se "liberais". Melhor fortuna temos com os "conservadores".

acsgomes disse:
20 de fevereiro de 2018 às 12:39

O Gilmar Mendes não é o Min do STF que durante um processo de investigação recentemente prescrito contra um senador da república fez um pedido de vista que durou CINCO anos? Já entendi que Estado Democrático de Direito é esse....

Observador.. disse:
20 de fevereiro de 2018 às 12:48

Assim o Brasil atual parece.
Inclusive neste diálogo de surdos.
Todos estão certos e todos estão errados.
A turba não quer sangue.
A turba está cansada de ver o sangue dos seus queridos escorrendo pelas ruas da cidade.
Hoje, em pleno início da GLO, um Sgto do Exército foi morto, ao ser reconhecido como militar em uma "Blitz" de bandidos na antiga estrada Rio-São Paulo.

O Ministro Gilmar é brilhante. E é necessário.
Mas os que o contrapõe se fazem também necessários nesta hora mais escura.
A balança da Justiça há muito foi desequilibrada em favor de toda espécie de bandido e de delitos.
Bandidos não temem a lei.
Isto ficou claro quando um bandido subiu no muro de um quartel da Marinha exigindo silêncio porque a atividade de Educação Física o estava perturbando.
Tal ousadia é o símbolo do fracasso das nossas leis.
Ele sabe que o fato de portar fuzil nada significará quando da sua prisão.
Ele sabe que os militares irão pensar antes de reagir porque a lei sofreu distorções que todos sabemos que atendem ideologias, não o bem da sociedade.
Ele sabe que se atirar e matar alguém, e alguém reagir e apenas o atingir, é mais fácil ele ser protegido pelo mau uso dos chamados "Direitos Humanos" do que a vítima e seus familiares.
Enquanto não reconhecermos este país foi erigido, um grande laboratório de interesses e ideologias, pouca coisa irá mudar.

Que o Ministro Gilmar , com sua técnica e sabedoria, continue sendo o contraponto de quem está forçando a balança para um outro lado.
Assim,quem sabe, chegaremos ao necessário equilíbrio e traremos justiça para uma nação tão engolfada em distorções; estas que cobram caro seu preço em sangue e em dinheiro do povo, esvaziado não só pela corrupção, como pelas benesses que poucos abrem mão ao ascender.

Marcos Alves Pintar disse:
20 de fevereiro de 2018 às 12:49

Há poucos minutos eu lia esta reportagem da CONJUR:

https://www.conjur.com.br/2018-fev-11/ministros-supremo-pretendem-reagir-emparedamento

No texto, diz-se que alguns agentes públicos estão espalhando "fake news", levando a população a acreditar em inverdades. Entre os exemplos citados, está a prescrição da ação penal relacionada a certo parlamentar.

Assim, parece-me que o comentarista acsgomes (Outros), além de outros, estão mesmo gostando de serem enganados. A propósito, talvez esteja ainda em tempo do comentarista citado se retratar em relação à acusação falta lançada em face ao Ministro, caso obviamente exista a devida compostura e idoneidade moral para tal ato. Ou será que é melhor continuar a reproduzir a falsidade?

Rejane Guimarães Amarante disse:
20 de fevereiro de 2018 às 12:50

Muitos Senadores e Deputados federais (a maioria, com honrosas exceções) estão usando a democracia para impor uma ditadura de um grupo de facínoras. Não tem ideologia, só pensam em encher seus bolsos, mas tem uma retórica "socialista" para quem gosta de ouvir isso e outra retórica "progressista" para quem gosta. São todos da mesma organização. Começou logo após 1985, com a criação do Foro de São Paulo por Lula e seus companheiros e a filiação de FHC ao Diálogo Interamaericano. FHC e Lula fizeram o Pacto de Princeton em 1992, que, basicamente, consistia em fingirem uma divergência política para conquistarem adeptos de uma ou outra "ideologia", mas ambos servem aos interesses econômicos de banqueiros e empresas gigantes. Eram pobres e estão milionários. Michel Temer também faz parte dessa encenação. Observem as leis de todo o período da "Era FHC", da "Era Lula" e de Michel Temer. TODA a AGENDA de implementação e consolidação das empresas gigantes foi executada e continua. Concentração de riqueza nas mãos de poucos, fragilização da segurança e soberania nacional, "venda" do território nacional e seus recursos naturais, escravização do povo. Tenho profundo respeito pelo Dr. Batochio, Dr. Tecio, Dr. Simantob e outros, mas se não assumirem uma posição realista frente ao que está acontecendo, vou considerar que são integrantes dos grupos que falam em defesa das "garantias", enquanto tramam a imposição da ditadura. Foi exatamente assim que enganaram os venezuelanos.

Observador.. disse:
20 de fevereiro de 2018 às 12:50

Enquanto não reconhecermos este país QUE foi erigido...

Abaixo.

Drake disse:
20 de fevereiro de 2018 às 13:08

Gilmar Mendes é o inimigo público n. 1 do país. É o maior algoz do povo brasileiro atualmente e o maior símbolo da resistência dos corruptos em face de uma inédita perseguição de grandes bandidos no Brasil. É, além disso, a prova cabal de que o foro privilegiado nada mais é do que uma garantia de impunidade.

acsgomes disse:
20 de fevereiro de 2018 às 13:21

https://portaldomagistrado.com.br/2018/02/08/falhas-e-atrasos-nas-investigacoes-ajudaram-juca-a-escapar-de-inquerito-arquivado-por-prescricao-congresso-em-foco/
===========================
Em 2005, Jucá pediu a anulação do processo por ilicitude da prova. O argumento foi aceito pelo relator, Marco Aurélio. Mas o então ministro Joaquim Barbosa pediu vista e o assunto voltou ao plenário em 2006. Barbosa votou pelo prosseguimento do inquérito, mas Gilmar Mendes solicitou mais tempo para analisar o caso. Só liberou os autos CINCO anos depois, em 2011

Marcelo-ADV disse:
20 de fevereiro de 2018 às 13:50

Nobre Dr. Marcos Alves Pintar,

Caso houvessem eleições diretas para presidente da OAB, o senhor teria o meu voto.

Abs.

Servidor estadual disse:
20 de fevereiro de 2018 às 14:08

Aclamado por soltar ricos e enfraquecer a lava a jato, permitindo que continuem ganhando milhões em honorários. Só isso. Quando a liberdade sangra a democracia, ambas morrem juntas. Dinheiro das escolas em gordas contas bancárias na Suíça e, agora no bolso de advogados, licitamente, pois não cabe ao advogado procurar saber da origem do dinheiro que lhe paga os honorários, mas há o incomodo que o dinheiro veio de lá, dos hospitais, da educação. O país é hoje uma panela de pressão e, se ainda não perceberam está prestes a explodir, aí não haverá essa democracia, que é uma democracia de meia duzia ligada ao poder.

Professor Edson disse:
20 de fevereiro de 2018 às 16:10

Um ministro político, parcial e seletivo é óbvio que agrada alguns, é natural.

Professor Edson disse:
20 de fevereiro de 2018 às 16:10

Um ministro político, parcial e seletivo é óbvio que agrada alguns, é natural.

isabel disse:
20 de fevereiro de 2018 às 16:20

Embora as informações que aqui registrarei não tenham qualquer impacto nas brilhantes ponderações do ministro Gilmar Mendes - que apesar de seus desacertos e comportamento polêmico - ainda é o que mais compreende a grandeza do papel civilizatório do Direito no seu Tribunal
Quanto a elas me alinho ao comentário do Marcos A Pintar, sobretudo na sua conclusão quanto à turba. Alias, isto o sabemos desde Pilatos, e todo juiz que não queira repetir o célebre e nefasto feito daquele, deveria ser surdo ao "clamor popular".

Mas os dados que trago referem-se ao evento que o ministro teria participado, ainda estudante, em 1977; salvo engano, durante a presidência de Raymundo Faoro na OAB, deu-se a VII Conferência nacional da Ordem dos Advogados, no ano de 1978, e na cidade de Curitiba, e teve por tema : "O Estado de Direito".
A tese defendida por Oscar Correa ( vaiada) era sobre as salvaguardas constitucionais em um Estado de Direito, a qual foi confrontada pela tese do professor Goffredo da Silva Telles que defendeu a tese do "Estado de Sítio" , a qual sagrou-se vencedora.
Tomo a liberdade de concluir que a errata apresentada não foi fiel aos eventos na célebre conferência, lembrada ainda na semana passada por ocasião do aniversario da OAB/PR, nas palavras do presidente da entidade.
Bons tempos em que o meu PR e a grande UFPR se notabilizavam por operadores do Direito que respeitavam o estado de direito .

isabel disse:
20 de fevereiro de 2018 às 16:42

relato de Eugenia Telles, na página semanagodoffrediana : “Goffredo sustentou que a defesa do Estado deveria ficar restrita ao estado de sítio, como medida excepcional, afastadas quaisquer outras medidas, não previstas na Constituição, incompatíveis com o Estado de Direito e caminho aberto para o arbítrio.O defensor da Tese das salvaguardas era Oscar Dias Correa baseado na ideia de que o Estado Democrático de Direito precisava incorporar normas que regulassem os estados de exceção que ocorrem na vida política, advogando a aplicação de medidas igualmente de exceção para defesa do Estado.O embate entre as duas atitudes políticas foi notável e marcou a Conferência como um dos encontros mais extraordinários.... A proclamação foi a seguinte: Tese nº 7 “Estado de Sitio e outras Salvaguardas” - APROVADA. Por fim, a "Declaração de Curitiba", aprovada na Conferência, manifestava o repúdio dos advogados pelo estado de exceção ainda vigente no Brasil: "Os direitos fundamentais não podem sofrer agravo de grupos ou entidades privadas, e, com maior razão devem ser postos no abrigo de agressões que decorram das autoridades constituídas, cujo dever primeiro será o de amparar o livre desenvolvimento daqueles direitos... No Estado de Direito, a segurança constitui meio de garantir as liberdades públicas. Protege-se o Estado, para que este possa garantir os direitos individuais. "

mat disse:
20 de fevereiro de 2018 às 17:31

O próprio ato de desagravo a um Magistrado por dezenas de criminalistas e não por seus pares diz muito senão tudo.

O IDEÓLOGO disse:
21 de fevereiro de 2018 às 15:19

Se fostes candidato à Presidência da OAB, não teria o meu voto.

O IDEÓLOGO disse:
21 de fevereiro de 2018 às 15:19

Se fostes candidato à Presidência da OAB, não teria o meu voto.

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