Os agentes da Polícia Federal em Brasília sofrem com “assédio moral vertical e estratégico” e “terror psicológico”. É o que afirma um estudo feito com eles por duas psicólogas da UnB, a pedido do Sindicato dos Policiais Federal do Distrito Federal (Sindipol-DF). A intenção da pesquisa era avaliar o estado de saúde dos agentes e o impacto do trabalho sobre suas vidas.
E os resultados assustaram o sindicato: 50% dos entrevistados apresentaram sintomas de quadro depressivo, 43% apresentaram "desesperança quanto ao futuro", 83% dos agentes têm sentimento de desvalorização na profissão, 74% sentem indignação, 46% têm “emoções de raiva”, 39%, inutilidade, e 18% sentem medo.

O documento está pronto há três anos e permaneceu em sigilo até agora, porque o Sindipol queria que a cúpula da PF tomasse alguma providência. Como nada foi feito, segundo a entidade, a pesquisa foi divulgada.
O estudo avaliou também a vulnerabilidade de pessoas submetidas a estresse funcional e tentativa de suicídio na corporação. À época, foi registrado que 21% dos agentes tinham ideias suicidas e alguns deles também “verbalizaram o desejo de ‘matar delegados’”.
“Como a identificação social do ser humano se dá por meio do trabalho, se o indivíduo é confrontado com a possibilidade de perder esta identidade, uma crise existencial pode ser desencadeada, levando-o ao suicídio”, apontou o relatório sobre o alto índice de suicídio da categoria.
Já quanto aos dados de membros aposentados, a pesquisa verificou que não havia programas de atenção ao servidor. Tal ausência de programas de preparação para aposentadoria impacta "nos sentimentos de desvalorização dos policiais, que sentem que não serão mais lembrados quando saírem do DPF", diz o relatório.
O documento conclui que o ambiente da instituição é caracterizado pelo assédio moral e terror psicológico, que inviabiliza o crescimento profissional, além “transformar as relações interpessoais no ambiente de trabalho em fontes concretas de destruição da cidadania e dignidade humana”.
Base de entrevistados
Foram entrevistados trezentos policiais da ativa, dos quais 79% são homens e 75% têm entre 30 e 49 anos de idade. Do total, 56% são agentes federais e 60% têm ensino superior completo.
Esfera disciplinar
Em nota, a Polícia Federal afirmou que "apura todos os eventos que possam ter repercussão na esfera disciplinar", e que os servidores têm à disposição os instrumentos para notificação de "eventuais fatos concretos dessa natureza".
Alega também que "a instituição mantém constante atenção aos mais elevados padrões de gestão" e que já foi solicitado ao Ministério do Planejamento a criação de cargos na área de saúde, "inclusive de psicólogos, para ampliação do atendimento aos servidores".
Clique aqui para ler o relatório do Sindipol-DF.
Clique aqui para ler o relatório das psicólogas.
É imprescindível a valorização da Polícia Federal, formada por verdadeiros "Napoleões", que a tudo enfrentam, a tudo vencem.
É imprescindível a valorização da Polícia Federal, formada por verdadeiros "Napoleões", que a tudo enfrentam, a tudo vencem.
Desde os bancos escolares sonhamos com o sucesso na carreira que escolhemos trilhar.
Não podemos olvidar que, no serviço público, uma das maiores realizações profissionais - e pessoais - é exercer o cargo público em que se exige, especificamente, a formação acadêmica em que nos graduamos, como por exemplo, o bacharel em Direito como Advogado, Defensor, Delegado, Juiz, Procurador, Promotor, conquanto outros também se realizem nos diversos cargos em que não se exige formação específica (auditoria, controladoria, fiscalização, agentes de polícia)
O mesmo ocorre na iniciativa privada: o Bacharel que passa a advogar efetivamente; o Médico que exerce a medicina; o Engenheiro que atua nas várias áreas de sua formação etc; o Psicólogo que tem o seu próprio consultório, o professor de educação física que tem a sua própria academia, ou dá aulas, trabalha com esportes etc.
Uns, por não conseguirem a realização profissional, acabam exercendo cargos estranhos às suas formações acadêmicas.
Alguns se frustram, tornam-se amargos, infelizes, rancorosos, vingativos; outros se realizam nesses cargos, ou estudam e procuram a via do concurso público para atingir o objetivo colimado ou, ainda, retornam à iniciativa privada onde obtém sucesso.
A esse respeito, é esclarecedor o depoimento de um policial federal (APF) nomeado há poucos anos, a um jornal de sua cidade natal:
"... A PF não foi a minha primeira opção (...) ficava trocando de emprego na iniciativa privada para tentar galgar carreira, e não conseguia emplacar uma posição profissional boa. Embora formado, sempre conseguia um cargo como técnico, nunca como gerente ou analista, então acabei desmotivado".
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login