"A competência romana em arrecadar
impostos …foi a alavanca para o predomínio
desse império usando a simbiose força do
seu poder (exército) para …arrecadação de
tributos e a rapina tributária para sustentar
essa força…. No Brasil …atos normativos,
portarias e quetais…se aplicam…como um
corpo vivo incontrolável dentro do estado."
(José Antonio Schitini)
A citação acima é comentário sobre notícia que tem 13 anos, sobre abuso cometido pelo fisco em causa que defendi. Seu autor é um contador e advogado que em 2003 publicou livro sobre o processo administrativo do ICMS. Presto serôdia e singela homenagem ao “Dia do Contabilista”, enquanto espero as homenagens que os escravos do fisco receberão no próximo dia 25, o “Dia Nacional de Respeito ao Contribuinte”. Talvez algum candidato se lembre disso. Em época de eleições tudo é possível.
Na coluna da semana passada vimos que se o Congresso emendar uma MP quando a discute, deve observar as normas explícitas da Constituição. Não se permite incluir assuntos estranhos a uma lei que resulte de MP. Qualquer coisa diferente do seu objetivo é proibida expressamente. Qualquer estudante de Direito aprende isso no 1º ano do curso.
Essa criminosa e irritante criação de elementos estranhos ao texto legal tem sido chamada de “jabuti”, animal que dizem só existir no Brasil. Assim foi criado o protesto de CDA, cuja legitimidade foi reconhecida pelos nossos tribunais superiores.
Penso que Advogados devam adotar como uma espécie de mantra a expressão que sempre divulgo: “o Judiciário é o mais respeitável de nossos Poderes.” Se é respeitável deve ser respeitado. Para ser respeitado deve respeitar o texto da Constituição, concordem ou não com o que está ali escrito. Quem não aceita o texto, que se torne Legislador elegendo-se.
Como leu Sobral Pinto no comício pelas diretas, “todo o poder emana do povo.” Para alguém alterar a Constituição deve eleger-se Deputado ou Senador e cumprir os ritos constitucionais.
Pelo que vi hoje, a MP ainda não se transformou em Lei. O Presidente Temer tem a oportunidade de, com uma canetada, eliminar os jabutis. Se não o fizer, haverá, dentre outras coisas, aumento nas contas de energia elétrica.
A “Folha de São Paulo” de ontem (página A26) traz matéria produzida em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro, com um trágico título: “Viver com até R$ 47 por mês obriga a escolher entre comida e higiene.” Esses R$ 47 em 2017 eram R$ 76 em 2016, segundo a reportagem. Houve queda de 38% de um ano para outro.
Nenhum de nossos governantes ou legisladores obedecem a Constituição, a começar pelo seu preâmbulo. Recuso-me a transcrevê-lo novamente. Nossos leitores seriam desrespeitados se imaginarmos que não conhecem essa que, apesar de tudo e de todos, é nossa Lei Maior.
Com ascendência libanesa e italiana (pai revolucionário e mãe filha de anarquista) acredito que haja solução para nossos problemas. Primeiro que, apesar de tudo e de todos, este é o melhor país do mundo. Território de grandes dimensões, recursos naturais abundantes, população adequada etc. Além de tudo é este o país da fraternidade.
O que nos falta todo mundo sabe: educação em primeiro lugar, no sentido amplo do termo. Um país em que professores ganham salários vergonhosos não tem futuro, nem presente. Professores,especialmente do ensino oficial, até a década de 60 ganhavam salários adequados. Há tempos o salário dos mestres é anedota ridícula na TV.
No ensino privado a coisa estava bem. Mas na mão de mercenários do ensino, há faculdades particulares que substituem quem ganha 100 por 2 de 50. Em algumas ainda sobra troco… Com isso muitos aceitam trabalho escravo para ostentar títulos que nada valem. E a qualidade do ensino piora a cada ano.
Além da reforma da previdência, há que se fazer a do ensino e acabar com o voto de analfabetos, usados apenas para fraudar eleições. A fraude começa quando o eleitor nem sabe ler jornal e torna-se refém da mídia eletrônica, com programas de gosto duvidoso ou sem dúvida mesmo, destinados a poluição (e não lavagem) cerebral.
Tudo isso, caros leitores, talvez consigamos com o futuro Congresso, através de ampla discussão em meio a uma reforma Constitucional que:
a) só admita MP em casos de guerra externa; b) elimine o voto do analfabeto e torne obrigatório o dos maiores de 16 anos; c) que reduza a maioridade penal para 16 anos. Se um menor de 18 anos quer votar para presidente, deve responder a qualquer crime que possa cometer.
No campo da tributação, já apresentei aos leitores ideias com base no meio século de luta nesta trincheira, que acredito sejam necessárias:
a) reduzir a carga tributária sobre o PIB. Hoje em cerca de 40%, se a reduzirmos 2% a cada ano em 10 anos, chegaremos aos 20% que vigorava em 1967, quando da reforma feita pela EC 18/65;
b) eliminar impostos de múltipla incidência, como o IPVA;
c) fundir o IPI com o ICMS, como já exposto em artigo publicado em 25/8/1970 na “Gazeta Mercantil”;
d) aprovar o “Código Nacional de Defesa dos Contribuintes”;
e) criar nas Polícias e no Ministério Público setores especializados nos crimes de excesso de exação.
Uma reforma meia boca como a que está dormindo no Congresso não serve para nada. Trata-se de algo similar a trocar vidraças, janelas e portas do edifício cuja estrutura é precária, está todo rachado e inclinado.
Vendo hoje as 69 leis ordinárias aprovadas neste ato que constam do site do “planalto”, gostei de duas:
1ª) a Lei 13.645 de 4/4, que cria o “Dia Nacional do Desafio”, a comemorar na última quarta-feira do mês de maio de cada ano. No próximo dia 30 (véspera do Corpus Christi) vou emendar o feriadão, como faz o Judiciário;
2ª) a Lei 13.646 de 9/4, que instituiu o “Ano da Valorização e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa”, que vale durante 2018 inteiro (deveria ter começado depois do carnaval) quando haverá palestras e eventos sobre o tema etc. etc. etc.
Para cumprir a primeira vou DESAFIAR meu amigo Alexandre (descendente de armênios) a jogar sinuca. Depois vou ministrar palestras sobre como é bom ter 75 anos sem aposentadoria. Meu cachê será justo.
Prezado Dr. Raul Haidar, já tentei por duas vezes em processos seletivos para Mestrado ter aprovado meu projeto que trata do crime de Excesso de exação, todavia, para o meu azar, em ambos os casos os professores que me entrevistaram eram procuradores do Estado e ouvi deles que o projeto não teria vinculação com a proposta do Mestrado, pelo que peço sua ajuda na indicação de uma instituição de ensino onde eu poderia talvez ter um olhar diferente para essa minha proposta de trabalhar a tese de responsabilização do servidor público pelos erros que não deveria cometer. Obrigado. Cláudio Henrique - Advogado
Apenas agregaria que os Romanos, em determinado momento em que os espólios de guerra eram imensos, deram uma folga ao respeitável e distinto contribuinte, deixando momentaneamente de cobrar impostos.
Porém, o estarrecedor é que se está vivenciando um processo de hemiplegia moral ‘nunca vista antes neste país’, a maior de todos os tempos, com a aniquilação dos princípios republicanos fundamentais, como a divisão horizontal dos poderes, com um Parlamento que abdicou de suas faculdades de representação primordial em favor do Executivo.
Aí entram as facções apoiadas na cegueira digna da melhor causa – a que lhe proporciona os melhores ‘rendimentos’ à custa do erário, cujos cofres exigem cada vez mais tributos.
E, ainda entre as inefáveis forças políticas – figuram as que buscam apelações reiteradas no passado, onde cada um põe no seu caminho o que acredita ser êxito, ignorando ou minimizando fracassos, os danos e os prejuízos para as atuais e futuras gerações.
SUMA ciceroniana: Quousque tandem abutere patentia nostra? [Até quando os que detêm o poder – abusarão da nossa paciência?”]. CÍCERO [Marco Túlio Cícero - 106-43 a.C. filósofo, orador, escritor, advogado e político romano
Prezado Colega: faça-me a pergunta pelo e-mail.
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