Juiz que pegava água do fórum é alvo de processo administrativo

"Em todos esses anos de Órgão Especial, temos muitas surpresas ruins com infrações cometidas por magistrados. Mas essa seria cômica se não fosse trágica". Essa foi a reação do desembargador Ferraz de Arruda, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, diante do caso de um juiz da capital acusado de levar garrafas de água do fórum para sua casa.

ConJur

Por unanimidade, o colegiado rejeitou a defesa prévia do magistrado e instaurou um processo administrativo disciplinar contra ele, nos termos do voto do corregedor-geral da Justiça, desembargador Ricardo Anafe. Consta dos autos que o juiz, todas as vezes que ia ao fórum, enchia uma mochila com garrafas da água. Segundo apuração da Corregedoria, isso fez com que o consumo de água do fórum passasse a ser de 240 garrafas por mês, totalizando 6,5 litros por dia. 

"As garrafas de água ficavam na copa, ele passava na copa e retirava as garrafas. O tribunal não tem auxílio água. Foi um verdadeiro auxílio água estabelecido pelo magistrado", afirmou Anafe. Além disso, o corregedor disse que o juiz não conferia decisões, delegava essa tarefa aos auxiliares, raramente comparecia ao fórum às segundas-feiras e ainda proferia palavrões contra colegas de trabalho.

Anafe concluiu que a conduta do magistrado fere dispositivos da Lei Orgânica da Magistratura. "Onde já se viu levar garrafas de água para casa? Isso chega ao ponto do ridículo, aumentando os custos do tribunal", completou o desembargador Ferraz de Arruda. 

Tábata Viapiana

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Radgiv Consultoria Previdenciária disse:
07 de julho de 2020 às 16:11

Seria ótimo também se acabassem com o lanche institucional dos juízes e desembargadores que são pagos pelos contribuintes. Afinal, embora o salário não seja o justo sob a ótica de trabalho, pelo menos é suficiente para pagar os lanches. Fim dessa mordomia também.

Marcos José Bernardes disse:
07 de julho de 2020 às 16:47

Não conferia decisões? Afinal, não é ele quem deve decidir? Sentenciar?

Eliene Ribeiro disse:
07 de julho de 2020 às 17:11

Sempre desconfiei da "portinhola da esperança" em concursos públicos no Brasil, o filme nacional "O Concurso" retrata bem isso. Pessoas apadrinhadas pelo próprio sistema contaminam os verdadeiros. E a Justiça segue seu rumo. Avante!

Ana Paula Custódio disse:
07 de julho de 2020 às 18:55

Lendo os comentários aqui exarados percebo o quanto é fácil apontar o dedo, julgar e condenar alguém com base somente em uma matéria jornalística. Para a mídia pouco importa quem esteja no foco da notícia ou se os fatos narrados aconteceram como na forma descrita. Muitos meios de comunicação não se preocupam com a veracidade de seus conteúdos publicados e se esquecem de seu principal propósito, que é de informar e auxiliar na formação de cidadãos conscientes e capazes de formarem suas próprias opiniões com imparcialidade. É justamente o que ocorreu aqui nesta matéria: julgamentos precipitados e comentários desmedidos. Trabalhei com Dr. Marcelo por muitos anos e sei que ele jamais seria capaz de algo assim. Ele é aquele tipo de Juiz que prefere a companhia de seus funcionários do que do restante dos juízes, o que, por vezes, gerou algumas animosidades com os colegas de toga. Como disse um outro colega de trabalho, jamais ouvimos alguém dizer que Dr. Marcelo tenha agido de maneira incompatível com sua carreira, diga-se de passagem, almejada por muitos, mas alcançada por poucos. Talvez seu erro tenha sido tratar seus subordinados com respeito, dignidade e humanidade, não sendo demais supor que a acusação injusta se deva ao fato dele dividir a "água dos magistrados" com seus funcionários. Espero que quando a verdade vier a tona, vocês também publiquem o desfecho.

Melo Annibal disse:
08 de julho de 2020 às 07:21

Comem lagosta e tomam vinhos caríssimos à custa do contribuinte e querem punir um juiz porque furtou alguns litros de água!! O crime é o mesmo nobres Desembargadores!! Punam-se a si mesmos se querem moralizar o Judiciário!

Francisco Ivonei de Araujo Rocha disse:
08 de julho de 2020 às 16:17

Li com atenção alguns cometários, porém, suas afirmações me parece ser as mais seguras, vez você afirmar que conhece o magistrado em questão. Também não acredito ou quero acreditar que seja verdade que um magistrado seja capaz de tamanha bisonhice, (termo usado na caserna aos militares que faz besteira), pois, seria uma verdadeira besteira se tiver agido assim. Também não sou credor das matérias jornalistica brasileira, vez que todos os canais jornalísticos ora são governo outrora esquerdista e outros apenas não são confiáveis por não transmitir a verdade. Porém, fico no aguardo da verdadeira história ou estória...

Castro 71 Silva disse:
08 de julho de 2020 às 19:07

Achei super correta sua observação, tem muitos magistrados que se acham semi deuses, o que é um equívoco, vez que estão onde estão para servir a sociedade e quando vêem um colega de toga tratando seus colaboradores como iguais torcem o nariz.

PAULO FRANCIS disse:
09 de julho de 2020 às 23:08

Pobreza moral.

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