O autoritarismo político brasileiro

O pensamento político brasileiro já proporcionou muitas reflexões interessantes sobre o país. Entre os muitos temas debatidos ao longo da história nacional, podemos destacar interpretações que se debruçaram sobre as dificuldades para o enraizamento da democracia no Brasil. Durante o Império e a Primeira República, a preocupação com a construção da ordem política e os questionamentos sobre a formação do povo brasileiro dominaram grande parte das reflexões. Após a Revolução de 1930, a queda da Primeira República deu lugar à modernização autoritária liderada por Getúlio Vargas. O Estado nacional se consolidou como uma das grandes obras do varguismo, mas, por outro lado, a questão democrática passou a ser vista com bastante pessimismo por diferentes setores da intelectualidade brasileira. Havia a sensação de que o autoritarismo encontrava-se enraizado no país. Algo que podemos observar em três diferentes momentos da reflexão do pensamento político e social brasileiro sobre a questão democrática: 1) a análise feita por Sérgio Buarque de Holanda em "Raízes do Brasil", a partir da sua segunda edição em 1948; 2) o ensaio "Os donos do poder", publicado por Raymundo Faoro em 1958; 3) e o livro "A revolução burguesa no Brasil", publicado pelo sociólogo Florestan Fernandes em 1975.

Na década de 1930, a publicação de três obras impactou grandemente o debate intelectual brasileiro. No ano de 1933, Gilberto Freyre publicou "Casa-Grande e Senzala", uma obra na qual o pensador pernambucano colocou a miscigenação como um aspecto positivo da formação do povo brasileiro. Em 1934, Caio Prado Jr. lançou a "Evolução Política do Brasil", um livro que utilizou o materialismo histórico para compreender a formação do Brasil em um momento que os estudos sobre Marx ainda eram incipientes no país. Dois anos depois, Sérgio Buarque publicou "Raízes do Brasil".

Para a finalidade desta coluna, a primeira edição de "Raízes do Brasil" não é a que mais interessa para uma compreensão dos desafios da questão democrática no país. Em 1936, ano da primeira edição, Sérgio Buarque ainda apresentava um olhar conservador-autoritário que seguia uma tendência política muito forte na época. Nesse sentido, a questão democrática ainda não estava colocada como ponto central de suas reflexões. A derrota do nazi-fascismo, o fim do Estado Novo e a redemocratização em 1945 modificaram o ângulo político de análise do autor. Após se afastar do autoritarismo, as edições posteriores publicadas por Sérgio Buarque passaram a destacar a passionalidade do povo brasileiro como um dos grandes entraves à instauração da racionalidade jurídica do Estado de Direito. Foi nesse momento que Sérgio Buarque passou a afirmar que a democracia no Brasil sempre tinha sido um mal-entendido. Não obstante as diversas críticas ao projeto intelectual de "Raízes do Brasil", que no caso buscava compreender o caráter do povo brasileiro, presente, por exemplo, na tese do homem cordial; o que interessa aqui é a percepção de Sérgio Buarque sobre como as elites estabeleceram o reino da vontade dentro da coisa pública.

Diferentemente dos ventos autoritários que sopravam no ano da primeira edição de "Raízes do Brasil", Raymundo Faoro publicou "Os donos do poder" em 1958, ano em que Juscelino Kubitschek era presidente da República e o país era tomado por uma forte onda de otimismo político. Industrialização, desenvolvimento econômico e um presidente bossa-nova prometiam levar o país a um rumo democrático. Na verdade as aparências enganavam. A República de 1946 sofreu ameaças autoritárias durante toda a sua existência. Em 1947, o PCB teve seu registro cancelado pelo Tribunal Superior Eleitoral e seus parlamentares tiveram seus mandatos extintos. Em 1954, a ameaça de um golpe civil-militar motivou o suicídio de Getúlio Vargas. Antes da posse de Juscelino Kubitschek, em janeiro de 1956, um movimento civil-militar tentou impedir que o presidente eleito assumisse o governo. A tentativa de golpe naufragou graças à intervenção do marechal Henrique Teixeira Lott. Ainda durante o governo de Kubitschek ocorreram dois pequenos levantes militares, um em Jacareacanga e outro em Aragarças. Como é possível observar, a tensão política foi grande durante boa parte da década de 1950, mas o pior ainda estava por vir em 1964.

O ensaio escrito por Faoro em 1958 não acompanhou o otimismo dos anos do governo Kubitschek. Por meio de uma longa narrativa, que começa na crise dinástica instaurada entre os lusitanos no final do século 14 e termina na revolução de 1930 no Brasil, Faoro apresentou a viagem redonda do patrimonialismo ao estamento. A partir de uma posição liberal, no sentido político, Faoro sustentou que o grande problema nacional se concentrava no caráter autoritário do Estado brasileiro, dominado por uma elite que instrumentaliza o poder público para o seu próprio benefício. Apesar de todos os problemas da tese de Faoro, que no caso aponta para uma linearidade nas transformações políticas do país, o aspecto mais interessante da obra é a sua percepção sobre o enraizamento do autoritarismo no Brasil. Algo que justifica a maneira pessimista como Faoro encerra "Os donos do poder".

O último dos nossos autores, o sociólogo Florestan Fernandes, também escreveu um ensaio pessimista sobre as condições políticas do país. Em 1975, ano da publicação do livro "A revolução burguesa no Brasil", o país encontrava-se sob uma ditadura militar que durou 21 anos. Tempos de perseguição, tortura, prisão, assassinato e desaparecimentos forçados. No caso particular de Florestan, o autoritarismo o atingiu dentro da Universidade de São Paulo. Em 1969, Florestan teve sua carreira interrompida dentro da USP por meio de sua aposentadoria compulsória. Foi esse ambiente inóspito ao livre pensamento e à reflexão que gerou uma resposta de Florestan ao que se instalara no país a partir de 31 de março de 1964. Para compreender o sentido político e social da ditadura imposta após a deposição do presidente João Goulart, Florestan chamou a atenção para o tipo de modernização capitalista que ocorria no Brasil. Ao contrário do modelo clássico de revolução burguesa que aconteceu na França, e que, devido ao radicalismo dos acontecimentos políticos do século 18, permitiu uma maior ampliação da noção de cidadania; no Brasil, a revolução burguesa tomou rumos bem diferentes, de modo a favorecer a consolidação de uma ordem social competitiva, própria de uma sociedade capitalista, mas que, por outro lado, não foi capaz de romper radicalmente com a dominação senhorial. Desse modo, a modernização capitalista brasileira mantinha em suas estruturas de poder a dominação política autocrática. Algo que pode ser observado até hoje na maneira como o Estado se relaciona com as massas populares. Assim, por meio de outra chave de interpretação, Florestan também escancarou a maneira como o autoritarismo político permanece enraizado no Brasil.

Após a promulgação da Constituição de 1988 e a realização de sete eleições presidenciais sem manifestações dos quartéis, a impressão que se tinha era que o país finalmente havia tomado o rumo da democracia. Engano de todos nós. O autoritarismo político, analisado pelas diferentes chaves de interpretação citadas acima, nos últimos anos deixou o subterrâneo para se manifestar na superfície. Em tempos de extremismo político, messianismo judicial e grande exploração econômica, vimos que o liberalismo professado por muitos que se autodenominam liberais não passa de um liberalismo econômico, do tipo que mantém uma relação meramente contingencial com o Estado de Direito, mas que se levanta de forma enérgica para defender a liberdade da "turma da Faria Lima". É esse caráter autocrático e estamental que domina as instituições. E para nós, que atuamos no Direito, a fonte da discricionariedade judicial e do messianismo do Ministério Público — fenômenos autoritários analisados há muito tempo por Lenio Streck — encontra-se no modelo autocrático de dominação política. Algo que precisamos investigar melhor por meio de um diálogo com os clássicos dos pensamentos político e social brasileiro.

Danilo Pereira Lima

é professor do curso de Direito do Centro Universitário Claretiano de Batatais (Ceuclar), doutor e mestre em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), membro do grupo de pesquisa Hermenêutica Jurídica, vinculado ao CNPq, e do grupo DASEIN — Núcleo de Estudos Hermenêuticos.

Rejane G. Amarante disse:
24 de abril de 2021 às 09:21

A análise "esquerdista", "progressista", "marxista" da situação política de um país é sempre inócua para o Povo e favorece à "direita", "burguesia", ou outra denominação que seja da preferência de quem analisa. O que os "progressistas/marxistas" (que só sobrevivem à custa de "financiamento" da burguesia) não analisam é a democracia no cotidiano do Povo. Seu foco volta-se exclusivamente para as ditas "instituições democráticas", a saber, os partidos políticos e a "alternância no poder" por meio de "eleições periódicas". Nada mais falacioso. Ainda que uns poucos sinceros vocacionados à atividade política cheguem a ser eleitos, pouco ou nada poderão fazer contra a "oligarquia partidária" (inclusos todos os partidos), que se une nas votações de interesse de todos (burguesia e parlamentares), votam em bloco, e encenam "embates democráticos" noutras questões de menor importância. A análise peca de início : ao invés de contrapor os períodos de "normalidade democrática" aos de "ditaduras", deveriam analisar o grau de autoritarismo e exploração econômica em todos os períodos para, daí, então, avaliar qual o sistema mais "democrático" ou menos "autoritário". São "cientistas" que não se enxergam, aderem aos ditos regimes "democráticos", sendo que são tão excluídos quanto os pobres e explorados, apenas prevalece a hipocrisia da "narrativa democrática". Vide PL 2630/20, vide inquérito 4781 do STF. Não tem censura para falar sobre sexo, mas nem um pio para criticar as "instituições democráticas'. Eu votaria pela volta da monarquia, havia muito mais liberdade de imprensa e de expressão no tempo do Império.

Servidor estadual disse:
24 de abril de 2021 às 10:15

O articulista esqueceu, ainda, de mencionar que as intervenções se deram não em favor da democracia, mas em favor da ditadura de um proletariado. Os ditos direitos e tão festejados tem em sua história muito, mas muito sangue. Basta ver que Dalton foi guilhotinado, os regimes "democráticos" praticaram verdadeiro genocídio, hoje, é permitido falar em matar o presidente, jogar futebol com sua cabeça, mas criticar as ditas instituições dá cadeia. Aniquilaram os movimentos sociais de direita, embora nunca invadiram, destruíram propriedades, se limitaram a soltar fogos, e, depois, com a população amedrontada, por um IP onde Delegado, Promotor, Juiz e instância recursal estão concentradas na mesma pessoa, soltaram corruptos, anularam os processos que combateram a corrupção, colocando a culpa no investigador, não no ladrão. Enquanto isso as ditaduras europeias e americanas seguem punindo tais corruptos e suas empresas lá foram sem que os "doutores" e a imprensa aqui mencione uma linha sobre isso.

Gabriel de Oliveira disse:
24 de abril de 2021 às 22:59

A pretensão do comentário tem uma profunda falha ao estabelecer premissas muito questionáveis para fazer a crítica que pretende.

Dizer que as análises acerca da democracia se limitam à avaliação das instituições democráticas (aqui entendidas enquanto partidos políticos e alternância de poder) denota uma possível falta de leitura mais robusta sobre o tema, afinal, existem diversas análises sobre a democracia que partem dos mais variados focos.

As colocações sobre marxismo, progressismo e esquerdismo aprofunda ainda mais a imprecisão e impossibilidade de compreensão do que se pretendeu criticar, visto que marxismo não é a mesma coisa que progressismo ou qualquer ideologia do espectro de esquerda pode ser reduzido a uma análise marxista. Nesse ponto, o comentário falou muito mas não disse absolutamente nada.

A estipulação de um ponto de partida, como se qualquer um que não partisse dali estivesse equivocado nas colocações chega a ser anticientífico. Não discordo de analisar a democracia a partir e graus internos (tal qual a referência sueca em estudos sobre democracia o faz). Entretanto, afirmar que a análise peca por não partir dessa mesma perspectiva é ignorar que existe mais de uma perspectiva para análise dos fenomenos sociais.

A partir da colocação sobre os cientistas serem excluídos pelo próprio regime democrático, me parece que há um problema conceitual profundo. A crença a exclusão absoluta na sociedade moderna é equivocada, conforme demonstrado por autores como Niklas Luhmann e Marcelo Neves desde o final da década de 80. Já a comparação com pobres e explorados parece, em alguma medida, confundir regime democrático com sistema capitalista. Em suma, uma grande salada no comentário. O autor tenta falar de muita coisa e acaba sem falar nada...

Alessandro de Oliveira Souza disse:
26 de abril de 2021 às 04:27

O autor, pode ser criticado por não enfatizar aspectos que agradariam mais aqueles que sofrem da moléstia cívica que ele indica: um profundo descompromisso com o Estado de Direito no Brasil.
Infelizmente, nem as pessoas "formadas" em Direito neste País demonstram compromisso com o respeito à ordem jurídica democrática de 1988.
Penso que nenhuma constituição contou com tanta participação popular e, por isso, legitimidade do que a nossa atual Constituição Cidadã.
Como bem frisou Ulysses Guimarães, com certeza, ela não é perfeita, assim como nós também não o somos, mas vejo profunda carência de humildade jurídica em seus críticos. Por trás do país de seu "sonho individual", preferem defender a ruptura com a ordem jurídica vigente, a convocar a sociedade, pela via democrática, a reformar e aprimorar as instituições existentes.
O artigo aqui lido, dentro das limitações do gênero, faz um diagnóstico: temos uma sociedade em que suas elites conduzem sempre o povo ao desprezo às Leis e à ordem constitucional. É o que vivemos hoje com o atual Presidente da República, recorrendo às Forças Armadas e a Decretos extrapolativos, e não ao Direito, à Democracia e à Constituição.
Imprensa ameaçada, Judiciário, PGR, TCU, PF sob claras tentativas de cooptação por este e por governos anteriores, e o que defendem alguns "juristas": mais arbitrariedades, nada propositivo! Eis a renúncia constante ao Estado de Direito, o hábito histórico bem sintetizado pelo autor de renúncia frequente ao poder nosso, democrático, da sociedade civil no Brasil.
Realmente há muito trabalho aqui a ser feito, de conquistar antes de nossos juristas e operadores do direito um compromisso como o do grande Advogado Dr. Sobral Pinto, com o Estado de Direito, com a ordem jurídica e democrática.

Afonso de Souza disse:
26 de abril de 2021 às 13:54

Regime democrático e sistema capitalista não são sinônimos, mas a democracia liberal e o capitalismo (sociedade de mercado) são unha e carne.

Rejane G. Amarante disse:
26 de abril de 2021 às 13:57

Entendo as suas ponderações teóricas. Entretanto, o meu comentário foi feito em bases realistas, da experiência. Nenhum parlamentar no Brasil tem sólida formação teórica em ciência política e, aqueles que estudaram esses assunto, não o aplicam na prática parlamentar. A "salada" a que o senhor se refere que eu fiz foi apenas uma "fotografia" da "salada" existente entre nossos parlamentares que se autodenominam das diversas formas mencionadas, pura e simplesmente, bem como "rotulam" seus opositores pura e simplesmente. Ao fim e ao cabo, as divergências teóricas nunca são resolvidas, mas encarar a realidade é que me parece o caminho para resolver os problemas. Exemplo : os "esquerdistas" não geram riqueza, precisam receber seu sustento de fontes alheias a eles -- esse é um ponto a ser elucidado e resolvido na prática. E assim muitos outros.

Gabriel de Oliveira disse:
27 de abril de 2021 às 12:32

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a resposta ao que ponderei.

Não sei de compreendi bem. Vc entende que a formação acadêmica em ciências políticas e afins seria um pressuposto necessário para o ingresso na vida política?

Não entendi o exemplo também. O espectro político de esquerda, assim como o de direita, não tem a ver com produção de riquezas. Me parece que há uma profunda confusão partindo-se do que se acha ser a teoria marxista sobre a sociedade.

Em primeiro lugar, todos produzem riquezas no modelo capitalistas, tanto esquerdistas, quanto direitistas. O que difere ambos os espectros políticos é, em grande medida, o valor definido como pedra e toque (Bobbio trata bem disso em seu livro que trata as distinções dos espectros políticos). A proposta comunista, por sua vez, propõe o rompimento com o modelo de organização social pautado na exploração de uma classe sobre a outra. O que consegui apreender do comentário sobre esquerdistas produzirem riquezas é que vc acha que a proposta é de não produção de riquezas, mas de uma vida pautada em caridade(?). Sendo o caso, há sérios problemas nessa visão. Nem a esquerda capitalista (que tal qual a direita, entende que o capitalismo precisa de limites), nem a esqueda comunista propõem isso. É preciso ter muito cuidado para não passar opiniões por fatos... outra questão que merece comentário é essa história de bases realistas x base teórica. O tema aqui tratado é sociologia, de modo que, bases teóricas são o que possibilitam a análise da realidade. Assim, a pretensa cisão entre teoria e prática, nesse caso, se trata de uma ideia falaciosa. Ainda que se faça uma análise da realidade, não se pode dar aos conceitos o conteúdo que se quiser sob o argumento de que a análise é realista e não conceitual...

Gabriel de Oliveira disse:
27 de abril de 2021 às 12:50

Bom, em primeiro momento, confirma-se, então, o que eu disse. Se não são sinonimos, tratar como se fossem é partir de uma premissa que macula todo o desenvolvimento do pensamento.

Acerca da proximidade entre democracia liberal e sistema capitalista. Essa discussão não caberia na caixa de comentários da conjur.

Além disso, o que se discutiu no texto não foi sobre se há possibilidade de existência de democracia liberal em outros contextos que não seja o da organização segundo o modelo capitalista. Em nenhum momento o autor propõe a substituição do modelo capitalista, de modo que não há qualquer razão de ser em trazer argumentos que tratem dessa questão.
Ps.: Capitalismo não é entendido simplesmente como sociedade de mercado. Sugiro que leiam as obras de Marx para compreenderem as críticas e análises formuladas. Do contrário, estaremos aqui perdendo tempo em discussões sobre o que acham que Marx disse (o que se percebe a partir do vazio conceitual de algumas colocações). É preciso recuperar o constrangimento para não se falar do que não se sabe. Estamos criando o mundo dos doutores em achismo. Cada um tem uma tese formulada, destruindo e refutando o que eles supõem que seja a proposta marxista. (Já vi acontecer com outros autores além de marx tbm). A única coisa que fazem é lutar com moinhos de vento imaginários...

Rejane G. Amarante disse:
27 de abril de 2021 às 16:25

Quando eu coloco um termo entre aspas, como fiz com "esquerdista", estou justamente mostrando que se trata de uma deturpação do termo em seu significado próprio, deturpação essa feita pelos próprios "esquerdistas". Seria desejável exigir formação em Ciência Política para os candidatos a cargos eletivos, mas não foi isso o que eu quis dizer no meu comentário. Melhor esclarecendo, eu disse que mesmo aqueles que estudam esse assunto, ou sejam graduados nessa área (ou correlatas) são verdadeiramente infiéis à sua formação acadêmica, assim como tantos na área jurídica, médica, etc. Sobre "gerar riqueza", basicamente estava fazendo referência aos pequenos e médios empresários, aos informais que, diferentemente dos "esquerdistas" que eu conheço, não vivem do salário em alguma estatal, ou financiados por algum banco ou corporação que "apoia" ONG's e similares. Sobre a sociologia, teorias e realidade, o meu posicionamento é bem simples : eu analiso a realidade, aspectos culturais, materiais e imateriais, a partir da ontologia. Eu não considero teorias que sejam totalmente ou predominantemente abstratas, sem fundamento na realidade. Às vezes, quando tenho tempo, até leio sobre algo assim, mas não levo em consideração, embora algumas sejam um primor de arquitetura intelectual.

Afonso de Souza disse:
27 de abril de 2021 às 18:13

Ninguém tratou como sinônimos. E foi você quem inseriu o termo capitalismo na discussão.

É ao contrário. A democracia liberal (que deriva do liberalismo político) vem antes do mercado livre, da sociedade de mercado.

O capitalismo é a sociedade de mercado (com suas virtudes e defeitos). O que Marx disse (ou não) sobre o que seria o capitalismo pode atender às necessidades de formulação dele, mas não ao que se depreende do mundo real.

Franz F. disse:
28 de abril de 2021 às 00:58

Estava lendo os comentários levantados e, venho apresentar apenas outros ângulos de reflexão.

Primeiro ponto que coloco, é que o empirismo em sua essência, não se confundiria com a experiência pessoal. A sensação, percepção e interação do Ser com o Ente, não revela o que seja algo, mas o que se interagiu com algo. Portanto, compreendo as considerações de cunho de percepção e opinião, mas não se sustenta, ao meu sentir, com o método científico.

Quanto ao que "a" ou "b" se denomine como uma coisa ou outra, não retira justamente o fenômeno a que o agente esteja envolto. É justamente isso o limite ontológico e a estreita fronteira da percepção, realidade e consequentemente o que se conceba como forma de verdade. Então, por mais que eu diga que uma parede é uma cachoeira, ela será uma parede. Justamente por esse motivo, o olhar sob o prisma metodológico, revela a estrutura do fenômeno que se observa, muitas vezes, divergindo do que o agente assim conceba.

É preciso que, para se criticar algo, a estrutura crítica desse algo esteja em caráter comunicativo como de mesma ordem. Se estou a criticar a teoria A ou B, seus pressupostos e bases teóricas que devem ser criticadas e postas sob análise, e não o que se conceba que a teoria seja ou que algumas pessoas digam que seja. É aquela velha questão dos limites de origem da coisa e o balizador do sentido.

Quanto a questão da Sociologia, ela por si só em seu conceito e objeto, estão ligados... à realidade. Agora, retomemos a questão da experiência pessoal e percepção de mundo. Isso não é método científico a refutar a própria razão e objeto Sociológico. E sobre a abstração, bem... qual seria justamente a origem Ontologia senão a metafísica do ser enquanto ser? A abstração não é sinônimo de irrealidade.

Rejane G. Amarante disse:
28 de abril de 2021 às 12:06

Na minha singela opinião, tudo o que o senhor disse sobre percepção pessoal e método científico, conclusões científicas, confundem-se na mesma limitação de compreensão ou apreensão do "ser" ou parte dele seja a nível individual, seja a nível coletivo, aqui entendido da coletividade de cientistas. Uma corrente pode, cientificamente, concluir da mesma maneira que o indivíduo em sua percepção pessoal. Idem, as divergências, que podem se dar a níveis pessoais e coletivos. Por óbvio, quando mencionei manifestações culturais materiais e imateriais, nestas, inclusas abstrações, porém o foco não é esse, mas sim enfatizar que muitas (admiráveis) produções intelectuais em diferentes áreas do conhecimento não passam de criação "literária" do inteligentíssimo autor, sem aprofundamento na realidade, seja física, seja social, em sua dinâmica. O meu comentário, como muitos que faço, especialmente nesta coluna, é sempre pessoal, "puxando" para a realidade porque, na minha impressão pessoal, a equipe do Dasein vive no mundo das abstrações e acha que todos os problemas podem ser resolvidos "mentalizando".

Gabriel de Oliveira disse:
28 de abril de 2021 às 12:52

Capitalismo é uma forma de organização social que se pauta na exploração de uma classe sobre a outra, economia de mercado é sistema econômico. Há uma diferença nos níveis em que os dois estão, de modo que não é possível fazer a comparação que vc pretende. Se vc acha que o que Marx disse não se depreende do mundo real, definitivamente vc não leu Marx e não sabe nada de sociologia, de modo que, o que vc está comentando é a sua opinião do que seja, baseado em senso comum.

Nenhum autor minimamente sério trata o capitalismo como sinonimo de sociedade de mercado. Isso é um reducionismo tão grosseiro que não vai a frente nem nos bancos de graduação de ciências sociais.

Vc tem o direito de achar o que quiser, sobre o que quiser, mas eu discuto ciência, opinião fica para os achismos de mesa de bar...

Obs.: Eu inseri o termo capitalismo diante da colocação de que os cientistas estariam juntos aos pobres e explorados, defendendo a narrativa democrática. A discussão sobre exploração de classes está num lugar distinto da discussão sobre democracia efetiva ou não. O termo capitalismo é cunhado em razão da definição trazida no comentário ao texto, que veio desacompanhada da expressão correta para tratar o que se descreve...
O que não tem o menor sentido na discussão aqui tratada é a sua constatação de que a democracia liberal é fruto do liberalismo político. Tá, mas e daí? Isso significa o que no contexto que eu e Rejane estávamos falando? Gostaria tbm que vc me apontasse de onde vc tirou esse fundamento sobre capitalismo ser o mesmo que sociedade de mercado.

Franz F. disse:
28 de abril de 2021 às 13:27

Primeiramente, agradeço à Sra. pelo diálogo.

Quanto às colocações acerca do grupo, não posso opinar. Não conheço as linhas desenvolvidas em suficiência a firmar juízo de valor ou crítico de modo sério. Porém, tudo o que vi até hoje, estava permeado de premissas científicas e lógicas. E... quanto ao nível de profundidade e eventual "abstração", o nome do grupo é Dasein. Penso que reflete se ocupar com questões intrinsecamente profundas. Nomes significam.

Quanto aos demais pontos, se bem compreendi, as colocações feitas partiriam exclusivamente sob o prisma da percepção pessoal e não científica. Se assim o for, agora identifico o ponto de discordância que tive. Ao meu ver, não é possível a nível de comunicação provável para refutação de uma teoria primada em arcabouço científico, somente o uso da opinião para essa finalidade.

Esclareço: um coletivo de cientistas não põe algo da forma que cada um quer ou acha certo ou errado, mas analisa o fenômeno dentro de balizas objetivamente colocadas a possibilitar a universalidade da análise. E nisso, não se confunde forma, mas método.

Quanto a criação literária, abstração e faticidade, bem, é uma questão, ao meu ver, de crer na ciência. Creio ser a percepção limitada. A termodinâmica, a física quântica, a matemática etc, todos esses segmentos são abstratos e vão sendo explorados a partir da ciência. Não é tangível olhar a água e vê-la como aglomerado molecular, composto de núcleo atômico. Mas nem porque eu não assim veja, átomos não existam e seja Einstein um literário abstrato.

Assim também ocorre com as complexas Ciências Sociais. É uma questão de adotar critérios científicos para busca do consenso pela razão, e não da perspectiva exclusivamente pessoal a partir de sensações individuais, que limita.

Rejane G. Amarante disse:
28 de abril de 2021 às 13:45

"O Neocolonialismo e o Direito Administrativo Brasileiro"
[https://www.direitodoestado.com.br/rede.asg]

(...)"As idias jurídicas vigentes em um dado período sofrem inevitável influência do ambiente cultural em que estejam imersas. Com efeito, o mundo do direito não vive em suspensão, alheio ao contexto socioeconômico que lhe serve de engaste. Pelo contrário, as concepções dominantes em uma sociedade são as que ofertam a matéria prima trabalhada pelos legisladores e depois pelos intérpretes das regras por eles produzidas."(...)

(...)" o Direito é uma das manifestações dessa 'cultura', é, pois, uma expressão desse todo e - diga-se de logo - é uma sua relevantíssima expressão, visto que, por meio dele é que se exprimem os laços formais, coercitivos, que afirmam, confirmam, e reconfirmam os comportamentos positivamente valorados."(...)

(...)"As teorias econômicas, sociais, políticas e, portanto, também as jurídicas não surgem do nada, não são produto do acaso ou do momento de iluminação de uma só pessoa (...) sob a forma de proposições concatenadas, articuladas e ademais blindadas com o rótulo de 'científicas' para captarem os créditos de uma pretensa neutralidade."(...)

(...)"Evidentemente, então, as concepções jurídicas, as instituições jurídicas e as interpretações jurídicas irão sempre refletir o que se esteja a processar neste ambiente cultural, que, interessa ressaltar, pode ter muitos de seus ingredientes produzidos exogenamente, isto é, fora de sua própria sociedade."(...)

(...)"O certo, o errado, o belo ou o feio, o progressista ou o retrógrado, o útil ou o inútil não são aferidos por pautas geradas 'desde dentro', isto é, internamente, ao lume de sua própria realidade, de suas características, de suas necessidades ou interesses."(...)

Rejane G. Amarante disse:
28 de abril de 2021 às 14:04

(...)"Nunca é demais ressaltar o quadro de subserviência dos meios culturais e, pois, dos jurídicos, às ideias e até modismos que nos vêm de fora, oriundos dos centros mais bem reputados pelos brasileiros."(...)

(...)"as ideias ultimamente propostas como respaldo 'teórico' para a sustentação de determinadas linhas de 'pensamento' jurídico (...) Trata-se, em suma, de reconhecer se estão, deveras, apontando algo a título de avanço, de progresso, de desenvolvimento histórico supostamente inevitável ou se nelas há, mais que tudo, uma difusão de interesses alheios aos nossos, que buscam infiltrar-se e se infiltram de maneira a sustentar juridicamente, no campo do direito administrativo (embora não só nele) as teses que servem de sustentáculo a propósitos políticos econômicos convenientes à implantação de tais interesses, apresentando-se, então, como uma forma de neocolonialismo."(...)

(...)"Com a queda do 'Muro de Berlim' (novembro de 1989) e com a implosão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (dezembro de 1991) a dualidade politica, militar, econômica e ideológica que opunha dois blocos,o socialista e o capitalista, se desvaneceu."(...)

(...)"A partir de então, uma única voz, um único poder, uma única ideologia, uma única propaganda, se impôs globalmente ao mundo (...) um movimento propagandístico de grande porte e universalmente disseminado chamado 'globalização'. Esse notável empreendimento de marketing que mobilizou todas as energias de difusão disponíveis tanto pelos governos cêntricos, quanto pelas agências internacionais, como pelas organizações capitalistas em geral se estruturou ao derredor de umas tantas teses e se direcionou a alcançar certos objetivos."(...)

Rejane G. Amarante disse:
28 de abril de 2021 às 14:13

(...)"A respeitabilidade do conceito de globalização e seus objetivos poderiam até mesmo ser resumidos em uma frase do renomado economista John Keneth Galbraith : 'Não é um conceito sério. Nós, americanos, o inventamos para dissimular nossa política de entrada econômica em outros países. E para tornar respeitáveis os movimentos especulativos de capital, que sempre são causa de grandes problemas."(...)

(...)"Na área que nos interessa, a jurídica, no Brasil, foram necessárias alterações legislativas e até mesmo constitucionais para que se oferecesse o máximo de suporte a esta penetração de interesses internacionais."(...)

(...) "É prescindendo dizer que na implantação destas 'novidades' o direito constitucional pátrio foi atropelado sem contemplações."(...)

Rejane G. Amarante disse:
28 de abril de 2021 às 14:16

Existiria alguma relação entre a Operação Lava Jato e a Pandemia Covid-19 ?

Elementos - destruição de empresas brasileiras de grande porte, adquiridas por empresas estrangeiras "na bacia das almas". Na Covid-19, destruição de pequenas e médias empresas brasileiras, desemprego, autoritarismo sanitário.

Gabriel de Oliveira disse:
28 de abril de 2021 às 14:33

Rejane, desculpe, mas não consegui acompanhar o raciocínio sobre covid e lava jato. Vc poderia explanar de maneira mais detalhada seu ponto?

Afonso de Souza disse:
28 de abril de 2021 às 16:08

Só autores marxistas - pedantes como você - tratam o capitalismo como você colocou aqui. Você, ou Marx, pode dar a cambalhota retórica que quiser, mas não conseguirá escapar do fato de que o "capitalismo" é tão somente o nome feio que se deu para o que existe na vida real: a sociedade de mercado, da qual participam inúmeros agentes econômicos que buscam maximizar o seu bem-estar.

Você fala em "reducionismo grosseiro", mas ao mesmo tempo defende que "exploração de uma classe sobre a outra" seja inerente ao sistema, como se, no mundo real, as relações econômicas entre patrão e empregado pudesse ser reduzida ou sintetizada em termos tão simplistas e maniqueístas.

Você fala que "discute ciência", mas - a presunção contida na afirmação é ridícula - ora uso o termo 'sistema' para definir o capitalismo ora o renega.

O liberalismo político está na raiz dos conceitos de democracia liberal e do surgimento da sociedade de mercado. As liberdades políticas vêm antes das liberdades para tomar as decisões econômicas. E eu não preciso necessariamente "tirar que" o capitalismo é sociedade de mercado, basta pensar por conta própria e ligar as pontas.

Rejane G. Amarante disse:
28 de abril de 2021 às 17:58

Começando pelo princípio. O artigo que estamos comentando trata de um hipotético, porque ainda não cientificamente comprovado, autoritarismo inerente à sociedade brasileira, mais especificamente, à política brasileira e suas instituições de Estado.
Abordamos, nós, vários aspectos sociológicos. Eu transcrevi alguns trechos de um artigo do Mestre Celso Antônio Bandeira de Mello acerca do neocolonialismo que ele enxerga na gobalização, Ele mostra como a penetração (eufemismo para invasão) do capital estrangeiro vem ocorrendo no Brasil desde a Queda do Muro de Berlim e da dissolução da URSS, ou seja, desde 1989, um ano após a promulgação da Constituição de 1988. De lá para cá, os parlamentares, democraticamente eleitos sem interrupções de qualquer natureza, promoveram mais de uma centena de emendas à Constituição, em média, três emendas por ano. Para quem não é da área jurídica, para aprovar uma emenda à Constituição são necessários três quintos dos votos dos deputados e dos senadores. Só três partidos têm todos esses votos - PMDB/MDB, PT e PSDB. Esses três partidos são "do tempo da ditadura", isto é, a mesma oligarquia que governava Estados, municípios e Poder Legislativo nessas unidades da federação. Não se diga que o PSDB foi criado após 1985 porque saiu das entranhas do PMDB/MDB, a saber, FHC, Mário Covas e tantos outros. Bem assentadas as condições "políticas", a Lava Jato veio a "lavar" a corrupção dessa oligarquia antiga e consolidada.Os métodos foram considerados "autoritários". No final, tudo foi anulado e ninguém foi punido, nem de um lado, nem de outro. Paralelamente, eclodiu a "pandemia", e a mesma oligarquia parlamentar aprovou medidas sanitárias autoritárias rapidamente. Os efeitos da LJ e da Covid são a destruição de empresas brasileiras.

Rejane G. Amarante disse:
28 de abril de 2021 às 18:13

Tanto num caso como em outro, surpreende a total falta de preocupação dos governadores, prefeitos e, principalmente, dos parlamentares em todas as esferas (federal, estadual e municipal) com a preservação ou mitigação dos danos às economias locais, com honrosas exceções que pouco ou nada puderam fazer. As "lideranças partidárias" só se ocupam de "bate-boca" e nenhuma ação efetiva para a adoção e implementação RACIONAL das medidas sanitárias, se e quando necessárias e em qual intensidade. Pelo contrário, mais escândalos de corrupção foram verificados. Cidadãos trabalhadores foram esbofeteados, algemados e até presos. Assim, de repente. Vigilância "sanitária" e restrições ao direito de ir e vir. Diariamente, são aprovadas leis que mais e mais facilitam as condições econômicas para o capital estrangeiro no Brasil, ao passo que restringem ou revogam direitos consolidados do cidadão (trabalhistas, consumeristas, etc.). Conforme o artigo do Mestre Bandeira de Mello, o neocolonialismo nas leis e na Constituição também ocorreu na esfera penal. A delação premiada (e outros institutos) é do direito inglês/estadunidense e foi aprovada pelo Congresso pouco antes de eclodir a Lava Jato, na qual foi muito usada. Muito estranho aquele Congresso aprovar essa que foi chamada "legislação anticorrupção". Coincidentemente, o mesmo aconteceu na Itália, em 1988, quando fizeram um ampla reforma no código de processo penal e incorporaram institutos do direito inglês/estadunidense. Em 1992, eclodiu a Operação Mãos Limpas, que destruiu empresas, partidos políticos e terminou sem grandes resultados no que concerne à corrupção. Penso que esses elementos devem ser bem analisados, inclusive as pessoas envolvidas.

Gabriel de Oliveira disse:
28 de abril de 2021 às 18:24

Meu caro, claramente vc sequer compreende a discussão que está tentando dar seguimento. Vc já fala besteira quando diz que eu sou um autor marxista. Sou luhmanniano, o que é bem distante de Marx, entretanto, não sou ignorante ou desonesto no que diz respeito à teoria marxista...
Siga achando que capitalismo é outro nome pra sociedade de mercado e seja sempre ridicularizado em qualquer círculo de intelectuais que já tenham lido qualquer coisa sobre o assunto, isso não muda nada em minha vida, a vergonha é toda sua, pode passar o quanto vc quiser...
As relações econômicas entre patrão e empregado não são reduzidas a isso, elas estão fundadas nessa base pelo modelo organizacional capitalista. Existem dezenas de milhares de páginas escritas para demonstrar isso, basta vc ler. O que não tem cabimento sou eu ter que te explicar detalhadamente isso com a limitação de 1780 caracteres por comentário...
A colocação sobre discutir ciência tem como presunção o fato de que vc claramente não leu as obras que está criticando e está tirando essas justificações da sua própria cabecinha, fato que torna a discussão sem qualquer propósito pra mim. Não tenho pq ficar discutindo um assunto com alguém que não sabe o assunto...
Sobre o termo sistema, não se trata de renegar o uso. É possível falar em sistema capitalista e isso não muda o fato de que trata-se de uma forma de organização social específica. O que vc confunde é a forma de organização social com o modelo econômico (ou sistema econômico, se preferir). Organização social é uma forma abrangente que envolve variados fatores sem que isso impeça que sejam fixadas estruturas econômicas específicas para cada caso singular.

Rejane G. Amarante disse:
29 de abril de 2021 às 11:13

Permita-me recomendar que assista ao filme "O Mistério da Mula Sem Cabeça", com Johnny Depp.

Sobre o seu comentário, só tenho a dizer que não vou entrar em debates sobre se Deus é substantivo concreto ou abstrato. Não mesmo. O propósito dos meus comentários, especialmente na coluna do Dasein, não é debater sobre a ciência, ou o método científico em si, mas sempre evidenciar questões da realidade, "questões de fato", que muitas vezes são ignoradas ou negligenciadas pelos cientistas. Se levarmos a sua proposição às últimas consequências, então só determinados ramos das ciências humanas poderiam debater entre si acerca de determinado objeto. Transportando isso para a vida real, manifesta preconceito, discriminação. Melhor "admitir" todos ao debate, ouvir com atenção, debater com respeito e, se for o caso, aprender com humildade com a sabedoria popular.
E fazer a sua parte, chancelando "comprovado cientificamente que a sabedoria popular neste caso está absolutamente correta".

Afonso de Souza disse:
29 de abril de 2021 às 12:13

Rapaz, essa limitação cognitiva cabe bem em você, não em mim. A começar pelo fato de não ter entendido que eu não disse que você era marxista (nem autor), o que eu disse, e repito, é que você é pedante. E agora acrescento: e presunçoso (o penúltimo parágrafo foi um primor, poderia estar em algum esquete de humor).
Sigo sim achando que capitalismo é o nome feio que o marxismo deu para a sociedade de mercado (algo que nunca realmente entenderam). Você vir aqui falar em "círculo de intelectuais" é bastante engraçado (embora não mude a sua vida). Aliás, o trecho "modelo organizacional capitalista" e as tais "milhares de páginas escritas para demonstrar isso [o óbvio, mas que não resolve nada, pois o que interessa é como tal relação se dá]" também são muito engraçados.
Você, um pedante, tem comportamento bem típico: tenta esconder na forma, essa escrita empolada, a ausência de conteúdo.
Não, rapaz, o confuso aqui não sou eu...

Franz F. disse:
29 de abril de 2021 às 13:33

Opa, sou cinéfilo. Grato. Fico feliz que uma lenda brasileira tenha ido parar em Hollywood. Bem: li, reli e li novamente, e em momento algum encontrei qualquer menção sobre Deus no meu comentário. Muito menos de fé, ou religião. Manifestei-me estritamente acerca da análise filosófica e sociológica.

Em minhas manifestações, em momento algum disse que pessoas não possam exprimir opiniões. Inexiste isso em meu texto. O que afirmei é: somente opiniões não são aptas a refutar a ciência. Podem ser um caminho a se buscar aprofundar; pesquisar; mas por si só, são opiniões. Se eu me propusesse a dizer que teoria A ou B é uma falácia, eu teria que mostrar as bases teóricas que me levam a isso, não bastando a minha opinião.

Por razões de consenso por intermédio da razão, é que se procede mediante critérios sociais aceitos para formação de paradigmas, como a ciência, por exemplo, apresentar teorias. Isso não é preconceito. Isso não é discriminação. Se eu disser: a água não ferve a X graus, e não demonstrar as razões de tal afirmação, ainda que eu me manifeste, opine sobre algo, será minha opinião, mas não uma refutação.
Óbvio que, até por uma visão dos sistemas sociais, um mesmo fato é analisado pelos demais sistemas de maneira simultânea, mas não significa dizer que meu critério de sistema psíquico seja o que irá determinar a estrutura de um fenômeno.

A determinação acerca da percepção vai de qual linha a seja adotada: Kant, Ponty, Gadamer, Heidegger, Nietzsche, Platão, Aristóteles, Schopenhauer.

Lamento que por ter apresentado um ponto de vista demonstrando a necessária cisão entre opinião e ciência, eu tenha sido mal interpretado.

Já externei minha posição anteriormente. Opiniões são necessárias, ciência também.

Franz F. disse:
29 de abril de 2021 às 13:48

Sobre a questão do debate, ouvir a opinião popular e realidade, fora as questões intrínsecas ao Ser no Mundo; sobre o Dasein (Ser-aí), é inegável a existência de uma historicidade do mundo cotidiano. Isso é premissa.

Não há como se negar o real. Agora, a questão é o que seja o real, e o que percebemos que seja o real. Por isso, que anteriormente pontuei sobre minha opinião acerca da percepção ser critério limitado para análise de fenômenos, principalmente os sociais. Existe um ponto cego e, justamente esse ângulo, é o crucial.

Luhmann, que fora citado anteriormente por alguém nos comentários, justamente revoluciona por superar esse aspecto e entender pela existência de uma observação de segunda ordem: observador do observador.

Ao se observar a sociedade, deve-se observar a observação. O que seria de um grupo de pessoas que não possui o paladar para o azedo ou doce? O doce ou azedo inexistiria? Não. Essa pessoa está mentindo? Não. Logo, é uma verdade? Sim, se fosse adotado somente o critério opinativo baseado em percepção individualizada de um objeto com pretensão de universalidade na análise. E, não, caso seja o mesmo objeto à análise do todo, por critérios que transcendam o agente que está percebendo limitado aos meios de percepção individual.

Essas questões que coloquei. Não nego as opiniões. Não discrimino ideias, muito menos tenho preconceitos. Seria ir de encontro com o que acredito. Tenho a convicção de que o conhecimento deve proporcionar a melhoria, união e fortalecimento do todo social e não a segregação. Apenas, e tão apenas, manifestei minha opinião quanto a forma de se refutar, afastar uma teoria criada sob análise com espeque em premissas científicas. Falar sobre a ciência não é ser desumilde.

Agradeço pelo diálogo.

Franz F. disse:
29 de abril de 2021 às 13:57

Concluindo, e encerrando minha participação, apenas ressalto que é dever da ciência, adentrar no dia a dia. Fazer-se possível a todos. Estar ao acesso de quem quer que queira, onde, só assim, o discurso e comunicação se fará provável. E opiniões são sim também importantes, mas num ângulo diferente do que seja a ciência.

Concluo agradecendo o diálogo que tivemos aqui. Muito obrigado.

Rejane G. Amarante disse:
29 de abril de 2021 às 14:39

O título do filme é "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça".
Agradeço antecipadamente pela paciência.

Gabriel de Oliveira disse:
29 de abril de 2021 às 15:58

Siga achando o que quiser, meu amigo. Não faz a menor diferença pra mim e pensei que isso já tinha ficado claro. Aliás, vc nem deveria estar perdendo tempo com alguém pedante assim... Mas é massa vc falando que Marx e os marxistas não entenderam a sociedade que estudam. Poxa, queria ler suas contribuições científicas. Certamente são excelentes... kkkkkkk

Afonso de Souza disse:
30 de abril de 2021 às 11:22

Não sou apenas eu quem diz (disse) que "Marx e os marxistas não entenderam sociedade que estudam", mas uma grande quantidade de pensadores e estudiosos - que, diferentemente de você, sabem o que é fato e ciência). Não bastasse a própria realidade insistir em refutá-lo sistematicamente.
P.S. Sua escrita rocambolesca é mesmo engraçada, mas você precisa aprimorá-la, se quiser seguir no papel.

Gabriel de Oliveira disse:
30 de abril de 2021 às 14:39

Depois de refutar Marx, agora vc me analisou e concluiu que eu sou carente. Quer me dar um carinho?
Cara, que papel lamentável... Vc sequer indicou qualquer argumento que aponte erros nas teorias marxistas. Na verdade, vc sequer leu os livros de Marx. Possivelmente analisou e concluiu que Marx tbm deve ser carente pela capa dos livros...kkkkkk
Que bom que minha escrita te divertiu. Vc superou minhas expectativas...
Vou repetir pq acho que vc ainda não compreendeu. Eu não me importo com o que vc ACHA. Mas, continue comentando pq está divertindo bastante meu círculo de amizade.
Aguardo ansiosamente a sua critividade para o próximo título. Será que virá uma nova profissão ou as análises continuarão?

Afonso de Souza disse:
30 de abril de 2021 às 16:07

O autor não esclarece o que entende por “autoritarismo político” e termina, subitamente, de modo simplista e maniqueísta, citando abstrações fantasmagóricas (ex: “grande exploração econômica”, “messianismo judicial”) sem explicar o que são (ou como se dão) e como caracterizariam o autoritarismo do qual ele fala. (Se o espaço não é suficiente, e não é mesmo, talvez devesse ter sido menos ambicioso na escolha do tema...).
E poderia ter mencionado ainda o Roberto DaMatta, que talvez seja hoje quem melhor descreve e explica o autoritarismo brasileiro - pode ser sintetizado no típico “você sabe com quem está falando??”, comum no estamento burocrático e na nossa “aristocracia” política e empresarial. Faz isso inclusive em artigos nos jornais, como o que vai abaixo:

https://blogs.oglobo.globo.com/opiniao/post/somos-todos-pacientes.html#box-comments

Rejane G. Amarante disse:
30 de abril de 2021 às 16:49

"Da Democracia Proscrita à Democracia Prescrita"
Autor - Francisco Bento da Silva
Graduado em Ciências Sociais e habilitação em Ciência Política pela Universidade Federal do Acre (1998). Mestre em História pela UFPE (2002). Doutor em História pela UFPR (2010)

(...)"No fim da década de 70, muitos países na América Latina, incluindo o Brasil, começaram a promover a 'abertura política'. Este período é chamado por Samuel Huntington de 'terceira onda', por abrir canais mais ampliados de participação e dotar o Estado e a sociedade de mecanismos democráticos nos países até então dominados por ditaduras militares. No Brasil, durante todo o tempo em que existiu a política de caserna no âmbito do poder executivo, movimentos sociais e outros setores da sociedade civil organizada lutaram pela volta da democracia e por maior participação popular na condução dos interesses coletivos. A abertura política lenta, gradual e a volta do 'pluripartidarismo controlado' culminou, em 1982, com o retorno das eleições diretas em todo o país para governador."(...)

(...)"No Acre, assim como em todo o país, as forças políticas que polarizaram na primeira eleição após o golpe de 64 foram o PMDB, que abrigava nas suas fileiras alguns políticos com ideias mais progressistas e o PDS, que era em síntese a Aliança Renovadora Nacional (Arena) com uma nova denominação. Apesar do PT e do PTB também terem disputados as eleições, eles não tiveram desempenho comparável com o PMDB e o PDS, que herdaram todo o espólio do bipartidarismo, contavam nas suas hostes com políticos tradicionais e já tinham uma base política segmentada através de seus quadros executivos e legislativos nas esferas municipais, estaduais e federal."(...)

Franz F. disse:
30 de abril de 2021 às 17:02

Do que estão falando?

Rejane G. Amarante disse:
30 de abril de 2021 às 17:11

(...)"A partir destas questões, este trabalho visa buscar discutir como a abertura política que culminou com as eleições de 1982 no Acre, uma participação mais ampliada de partidos, de candidatos e de eleitores através do voto, interferiram na formação, introdução e consolidação dos valores democráticos no âmbito da tomada de decisões da esfera estatal. Ou seja, como se deram as relações com a sociedade civil e o novo governo eleito. "(...)

(...)"Somente na segunda metade da década de 70 é que surge um órgão de imprensa muito importante na luta pela democratização, marcando de forma indelével a história da imprensa no Acre. Este jornal foi 'Varadouro', que tinha uma linha editorial bastante identificada com os seringueiros expulsos de suas colocações, dos indígenas, dos desempregados e dos moradores da periferia que começavam a migrar com mais intensidade para as cidades acrianas. Os assuntos que não eram publicados nos outros jornais saíam no 'nanico das selvas'.(...)

(...)"Essa mobilização e organização de diversos setores populares foi muito importante, já que a oposição no âmbito institucional era quase inexistente como aponta o jornal 'Varadouro' :'na verdade, é difícil saber quem é ou não adesista na oposição do Acre, ou melhor, não é fácil excluir os deputados e vereadores oposicionistas que não fizeram composições, conchavos e toda espécie de negociatas com o partido do governo ou diretamente com os governos que passaram nesses anos todos pelo Palácio Rio Branco. Oposição firme, intransigente, ideológica não só ao governo, mas e principalmente oposição ao regime ditatorial, repressivo, concentracionista, antipopular e antinacional que perdurou desde 15 anos neste país, a rigor isso nunca foi feito ! Dos chamados 'políticos profissionais'

Rejane G. Amarante disse:
30 de abril de 2021 às 17:33

[dos chamados 'políticos profissionais'] praticamente nada se pode esperar. A esperança de uma oposição atuante e verdadeira reside mesmo nos grupos populares - sindicatos, Igrejas, estudantes, etc. - que começam a se movimentar para entrar na política partidária."(...)["PMDB acreano nasce fedendo a adesismo"- Varadouro, ano II, n. 17, p.03, dezembro de 1979]

(...)"É nesse contexto de conveniência entre o arbítrio corporificado e institucionalizado, que a luta pela democracia através dos partidos de oposição e das organizações populares tentam começar a construir uma nova ordem política. Inicia-se aí, a remoção gradual do autoritarismo com o retorno de certos direitos políticos e a instituição de normas mínimas para uma participação formal da maioria."(...)

(...)"Neste quadro político condicionado, apenas quatro partidos estavam aptos e puderam lançar candidatos nas eleições de 1982 no estado do Acre : PMDB, PT, PDS e PTB (...) O PMDB era composto basicamente dos partidários oriundos do MDB e constituía-se em um partido muito amplo no que se refere a composição ideológica dos seus membros. Comportava desde políticos moderados e conservadores , até grupos ligados à esquerda (...) Já o PT, tinha os seus quadros compostos por certa intelectualidade urbana integrada por estudantes, professores e alguns profissionais liberais. No entanto, no meio rural sua força era muito maior, principalmente entre seringueiros e pequenos produtores (...) Outro partido era o PDS, que na verdade era a nova denominação da Arena. Era o partido onde permaneciam os políticos mais conservadores e os defensores da manutenção do cenário desenhado durante o governo dos generais do planalto (...) De tradição trabalhista e tendo sua história ligada ao varguismo, o PTB volta

Afonso de Souza disse:
30 de abril de 2021 às 17:52

Você fala em ciência, mas não sabe nem a diferença entre refutar e discordar, menino. Então se apoia em autores e obras que não leu, e seu leu não entendeu.
Você diz não se importar, mas volta e lê a resposta., seu círculo de amizades deve ser muito amplo e divertido...
Suas expectativas não foram superadas, elas sequer têm parâmetros.

Rejane G. Amarante disse:
30 de abril de 2021 às 17:54

[o PTB volta] sem sua força anterior a 1964. Acaba abrigando em seu interior muitos políticos que tinham sido preteridos em outros partidos : por questões de ordem ideológica (no caso do PT) ou por excesso de quadros com maior potencial de votos (PMDB e PDS)."(...)

(...)"Dentro desse quadro eleitoral de continuidade com elementos liberalizantes ainda muito tímidos, o resultado eleitoral foi amplamente favorável ao PDS e ao PMDB, os dois maiores partidos surgidos nos estertores do regime militar. Ambos não só ocuparam quase que totalmente todos os cargos eletivos disponíveis como também tiveram juntos mais de 80% de todos os votos válidos no Acre."(...)

(...)"Talvez isso tenha ocorrido, como afirmamos anteriormente, devido ao fato destes dois partidos terem herdado o espólio do bipartidarismo. Ou seja, tinham em suas fileiras políticos que já possuíam inserção segmentada junto aos eleitores e contavam com uma estrutura partidária mais forte que a de outros partidos."(...)

(...)"Na verdade, esse conservadorismo embutido na transição foi e é o preço a ser pago nas democracias negociadas. Como bem afirma Maria Lúcia Barbosa, o PMDB foi o grande beneficiado desta situação pois : 'na ambiguidade da situação, todas as vantagens foram possíveis para o PMDB (...) de um lado, as do poder em si; de outro, a manutenção diante da massa de uma atitude de oposição, capaz de empolgar o eleitorado sempre desconfiado com a distância e inoperância dos poderosos. Ser poder e ao mesmo tempo combater o poder, quando isso fosse conveniente, nada poderia ser mais ideal. Diante dessas sutilezas políticas, o povo se abstinha de compreender." (...) ["O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto - a ética da malandragem", Zahar Ed., Rio de Janeiro, 1988]

Rejane G. Amarante disse:
30 de abril de 2021 às 18:15

(...)"Ao tomar posse em março de 1983, Nabor Júnior recebeu o cargo de governador do então último mandatário designado pela ditadura militar, Joaquim Falcão Macedo. O novo governador sem seu discurso afirma ser sem vocação para revanches e perseguições e assegura ainda que mesmo com as dificuldades enfrentadas nos diversos setores da administração pública, o estado precisava crescer e desenvolver-se. Para isso era necessário um 'governo de participação', como afirmou em seu discurso de posse."(...)

(...)"Mas o que seria um governo de participação ? Em sua obra "Participação e Teoria Democrática", Carol Pateman ressalta que Charles De Gaulle já utilizava amiúde este 'slogan' nas campanhas políticas. Segundo esta autora, o uso contínuo, generalizado e constante do termo nos meios de comunicação indicava o desaparecimento de qualquer conteúdo preciso e significativo. 'Participação' era empregada por diferentes pessoas, de diferentes linhas ideológicas para se referirem a uma variedade de situações." (...) [o mesmo pode ser dito sobre os termos 'democracia' e 'democrático' - nota da Rejane]

(...)"Esse propalado discurso de um 'governo de participação' serviu para desfocar um novo arranjo entre as forças políticas majoritárias que sempre conduziram a política acriana na base do compadrio, nepotismos e favores através do Estado. Foi a continuidade e permanência de figuras políticas tradicionais no interior dos vários níveis da máquina estatal , estes principalmente no âmbito dos poderes legislativo com seus apadrinhados preenchendo cargos nos escalões inferiores. Eram figuras com uma capacidade enorme de adaptação às situações políticas do momento. Tinham poder de barganha para fazer negociatas e acordos com setores administrativos do governo. "(...)

Rejane G. Amarante disse:
30 de abril de 2021 às 18:28

(...)"Na verdade, o período conhecido como transição conservou em seu bojo elementos de uma nova democracia que engatinhava com os resquícios da ditadura que permaneciam. O PMDB, como partido, privilegiou esta democratização tutelada em lugar de lutar por uma ampla transformação social. Na verdade, o que ocorreu foi uma democratização que, embora extremamente necessária, foi signatária e expoente das forças majoritárias que a compunham. Suas fronteiras ultrapassaram apenas os tênues limites do formalismo. Faltou democracia com um conteúdo mais amplo, mas isto não era projeto político das forças majoritárias que ascenderam ao poder no início da década de oitenta. "(...)

Ver também o excelente vídeo produzido por Felipe Quintas, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense

"Paulo Guedes, o Poder da Banca e a Economia de Cemitério"
https://www.youtube.com/watch?v=FG7VJKw-M&t=166s

Gabriel de Oliveira disse:
01 de maio de 2021 às 01:23

Sua falta de criatividade com o título me decepcionou, apesar de não ter me surpreendido.

"Não sou apenas eu quem diz (disse) que "Marx e os marxistas não entenderam sociedade que estudam", mas uma grande quantidade de pensadores e estudiosos - que, diferentemente de você, sabem o que é fato e ciência). Não bastasse a própria realidade insistir em refutá-lo sistematicamente."

Vc não só ostenta a presunção de que sua mente simplista, de olhar raso, refuta a proposta teórica de Karl Marx, você diz expressamente que ele foi refutado.

Isso fica bem evidente em trechos específicos de seus comentários, como por exemplo:

"O capitalismo é a sociedade de mercado (com suas virtudes e defeitos). O que Marx disse (ou não) sobre o que seria o capitalismo pode atender às necessidades de formulação dele, mas não ao que se depreende do mundo real."

Aqui você demonstra isso de maneira bem clara. Ao afirmar que as formulações marxistas não podem ser depreendidas do mundo real, vc demonstra uma total ignorância acerca da teoria marxista, ou uma desonestidade intelectual profunda.

Gabriel de Oliveira disse:
01 de maio de 2021 às 01:28

" E eu não preciso necessariamente "tirar que" o capitalismo é sociedade de mercado, basta pensar por conta própria e ligar as pontas."

Nesse outro trecho, você responde ao meu questionamento sobre de onde você tirou que capitalismo e sociedade de mercado são a mesma coisa me ensinando que não precisamos fundamentar nossas afirmações peremptórias, como essa sua, em nenhuma teoria, basta olhar pra sociedade pensando por conta própria e ligar as pontas. Belo método científico... é equivalente a ter a brilhante ideia de bater pedras para fazer fogo em pleno século XXI.

"Sigo sim achando que capitalismo é o nome feio que o marxismo deu para a sociedade de mercado (algo que nunca realmente entenderam)."

Aqui, fechando suas contribuições, vemos sua brilhante e irrefutável conclusão sobre o a dificuldade de compreensão de gente que tinha uma robustez de estudos a ponto de saber ler e escrever em grego antigo. Certamente vc deve o cara com aptidão para definir o que os marxistas entenderam ou não...

Disso tudo, vc é uma pessoa que demonstra pouco apreço pelas bases da ciência. Que não se propõe a fazer uma crítica minimamente séria. E por isso que essas suas tentativas de me atacar pessoalmente são risíveis. Eu sequer levo a sério o que vc fala desde que vc demonstrou sua postura anticientífica.

Afonso de Souza disse:
01 de maio de 2021 às 11:59

Aquelas classes sociais (socioeconômicas) ideologicamente homogêneas já eram de um simplismo até para o nível de complexidade da realidade social da época. Além disso, ou relacionado a isso, as sociedades de mercado têm consumidores, um elemento-chave que Marx deixou de fora da equação! Todos esses agentes atribuindo valor a produtos e serviços baseando-se em um sem número de fatores, mais gerais ou específicos de cada gosto pessoal e experiência de vida. Para não falar dos afetos...
Diferentemente do que ele previra, o "capitalismo" não foi "superado". Foi, isso sim, reformado nas condições e nos limites inerentes às democracias liberais.
A priori, tudo pode melhorar. E tudo pode piorar. Mas a natureza humana segue imutável em sua essência.

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