Lula pede que trânsito em julgado do caso tríplex seja anulado

A defesa do ex-presidente Lula impetrou neste domingo (21/2), no Supremo Tribunal Federal, Habeas Corpus solicitando que seja anulada decisão do Superior Tribunal de Justiça que certificou o trânsito em julgado da ação do tríplex do Guarujá e determinou a imediata baixa dos autos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O objetivo é ter a possibilidade de entrar com eventuais novos recursos no STJ. 

Ricardo Stuckert

Defesa de Lula pediu no STF anulação de decisão que não permite novos recursos na no STJ
Ricardo Stuckert

Em 9 de fevereiro, quando a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça apreciou o processo pela última vez, o ministro Felix Fischer, relator do caso, apontou que Lula já havia entrado com 433 recursos na corte, ordenando a baixa dos autos e o trânsito em julgado. A defesa do petista contesta o número de recursos. 

Segundo os advogados, Fischer voltou a desrespeitar prazos processuais. "A título de registro e antecipando o mérito desse writ, em um só ato a autoridade coatora solapou o recurso extraordinário aviado na origem e amputou o prazo recursal para a interposição de novo apelo excepcional, em absoluta ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa", dizem os advogados do ex-presidente. 

Ao determinar a baixa dos autos, Fischer classificou o inconformismo da defesa de Lula como "exagerado" e de "nítido caráter protelatório". Também apontou "desrespeito" ao Poder Judiciário, "constituindo abuso de direito, em razão da violação dos deveres de lealdade processual e comportamento ético no processo, bem como do desvirtuamento do próprio postulado da ampla defesa". 

Houve discussão na sessão se seria o caso de o STJ aguardar a interposição do recurso extraordinário ao STF junto ao TRF-4 para, então, mandar os autos direto à corte constitucional. Fischer não quis saber. "Se eles na origem entraram com recurso extraordinário, não foi contra a nossa decisão. Se fosse, seria prolatada hoje. O recurso é lá e não há vínculo com a gente", afirmou. 

Para os advogados de Lula, "o atentado da vez, com efeito, volta se não apenas contra o aviltamento do direito de defesa, mas, sim, — verdade seja dita —, contra a violência de se amputar a via recursal, jogando às favas toda e qualquer disposição prescrita em lei". 

A defesa de Lula é feita pelos advogados Cristiano Zanin, Valeska Martins, Maria da Lourdes Lopes e Eliakin Tatsuo.

Adilson Baldin disse:
21 de fevereiro de 2021 às 20:32

STJ de novo lavando as mãos. "JUSTIÇA NÃO SE FAZ COM TRAPAÇAS ".

Fran Jose365 disse:
22 de fevereiro de 2021 às 07:23

Recursos sem fim.
O importante é não transitar em julgado...
Caberá aí a expressão CHICANA PROCESSUAL ?

Fran Jose365 disse:
22 de fevereiro de 2021 às 07:25

"... o ministro Felix Fischer, relator do caso, apontou que Lula já havia entrado com 433 recursos NA CORTE..."

Isso daria um Livro: Como postergar para sempre o Trânsito em Julgado.

Joro disse:
22 de fevereiro de 2021 às 08:40

Her Fisher...

Radgiv Consultoria Previdenciária disse:
22 de fevereiro de 2021 às 08:40

Estou lendo o livro recém lançado pelo Intercept que aborda a vaza jato. Todas as ações da Força-tarefa de Curitiba deveriam ser revisadas pelos tribunais superiores. Os diálogos já passaram por perícia oficial, são verdadeiros. Os envolvidos alegam que foi ilicitude a captação das mensagens. Sim, foram ilícitas a captação, mas não o teor das conversas. Se fossem honrados viriam a público e confessariam que o teor das conversas são verdadeiras, embora não pudessem ser utilizadas contra os envolvidos na interceptação. Se fossem agentes públicos nos EUA ou na Europa - estariam demitidos e respondendo pelos seus atos. Aqui no Brasil não, preferem utilizar a desculpa de que a interceptação foi ilícita. Faltam homens honrados em todos os setores da vida pública. Todas as ações da força tarefa que houve a "colaboração" do juiz Moro devem ser revistas pelas Cortes Superiores. O TRF4 - mesmo com a robustez das provas não anulou as ações penais - lamentável. Isso não é o que esperamos de uma justiça isenta e correta. Merecem ser criticados pela falta de coragem em anular as ações penais onde está explicitamente comprovado a parceria entre a acusação e o juiz do processo. Por isso, a justiça está no olho do furacão nacional. E quanto mais arbitrariedades houverem, mas o descrédito aumenta para a justiça. Seguramente, muitos dos juízes, promotores e advogados que são professores universitários não ensinam isso aos seus alunos. No entanto, na hora da aplicação do efetivo direito, agem com paixões e ideologias, causando essa imensa confusão no estado democrático de direito. Apliquem o direito como ele é e nós o populacho ficaremos satisfeitos. Anulem tudo que comprovadamente foi maculado pela "parceria" de Curitiba. Necessitamos de mais honra neste país.

Joel Batista Ferreira disse:
22 de fevereiro de 2021 às 09:12

Mimimi de apoio a corrupção.
Eis aí porquê somos 3° mundo.

amigo de Voltaire disse:
22 de fevereiro de 2021 às 11:37

Que sistema de justiça pode sobreviver a essa chicana. Mais de 400 recursos num mesmo processo. Trata-se do devido processo infernal e do infinito direito a ampla e ilimitada defesa. No processo penal brasileiro não há culpados, mas sim heróis da resistência, no caso a sociedade! Ali Barbado deveria impetrar um corpus christis contra os códigos penal e de processo penal!

Harden Costa Resende disse:
22 de fevereiro de 2021 às 11:42

Tá, vou acreditar que a Vaza Jato(é assim que gostam de chamar?), deve ser desacreditada e tudo por ela julgada, ser anulado. O que farão com as outras instâncias e tribunais que julgaram e condenaram, vão anular também?

Mário Augusto de Araújo disse:
22 de fevereiro de 2021 às 15:33

Pode ter havido excessos, mas não o suficiente para anular os processos. A defesa mantém a estratégia de tentar desqualificar a conduta do ex-juiz Sergio Morro e não diz que as provas são falsas... mas e a Juíza que o sucedeu, também é suspeita? E o TRF-4, que manteve a condenação unânime? E a turma do STJ, que manteve por unanimidade a condenação?
Além disso, leiam a matéria do próprio CONJUR sobre o dinheiro que ainda está na Suiça. Nas contas de quem? https://www.conjur.com.br/2021-fev-20/suica-mantem-confiscados-bi-suspeitos-lava-jato

acsgomes disse:
26 de fevereiro de 2021 às 15:35

"Os diálogos já passaram por perícia oficial, são verdadeiros"
Não, a perícia oficial em nenhum momento analisou os diálogos para comprovar que eram verdadeiros e/ou não foram alterados.

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