Ex-operador de Cabral questiona gestão de sua lancha por delator

Ary Ferreira da Costa Filho, ex-operador financeiro do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB), pediu ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, que ordene ao empresário Luiz Alexandre Igayara que preste contas sobre a administração de sua lancha.

Cauê Diniz

Juiz Marcelo Bretas já negou pedido de restituição da lancha
Cauê Diniz

Igayara delatou Costa Filho, que foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão. Com sua detenção, o empresário foi escolhido fiel depositário do veículo.

Em sua delação, o empresário afirmou que Costa Filho o usou como laranja para comprar a lancha. Porém, o ex-assessor de Cabral argumenta que Igayara passou a alugar o veículo em Angra dos Reis e não está cuidando bem dela.

Em 2020, a defesa de Costa Filho, comandada pela advogada Fernanda Pereira Machado, pediu a restituição do bem. Porém, Bretas negou o requerimento. Em abril deste ano, o ex-operador de Cabral solicitou que o empresário preste contas sobre a administração da lancha.

A defesa contesta as notas fiscais apresentadas por Igayara como prestação de contas. Conforme Costa Filho, o aluguel do veículo já rendeu pelo menos R$ 1,170 milhão ao empresário.

Avaliada em R$ 1 milhão, a lancha "Du Brasil I" possui duas suítes, dois banheiros, salas de estar e televisão e bar completo.

A advogada Fernanda Pereira Machado criticou o comportamento de Luiz Alexandre Igayara. "O comportamento do colaborador retrata a convicção de que seus atos jamais serão investigados e/ou contestados pelo órgão de persecução penal em razão do acordo de colaboração celebrado. Porém, são inúmeros indícios de ilícitos penais, não abrangidos no acordo, que deverão ser investigados, respondendo o colaborador de acordo com os rigores da lei".

A ConJur não conseguiu entrar em contato com a defesa de Ygayara.

Clique aqui para ler a petição
Processo 0501035-70.2017.4.02.5101

Sérgio Rodas

é editor da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Joro disse:
16 de junho de 2021 às 13:20

Surrealismos judiciais e teratologias processuais - como a noticiada nesta matéria - são os subprodutos da famigerada "delação premiada" que os americanos e vendilhões locais nos fizeram importar da common law...
Antes, Tio Sam usava o pretexto da "defesa universal das liberdades contra as tiranias" para manter sua hegemonia geopolítica e interferir em outros Estados soberanos. Gasto e puído esse falso discurso, agora se pretende "Xerife do Mundo", em nome da luta contra a corrupção (que certamente por lá não existe, pois não?...) e, com esse pretexto, exporta arsenal legislativo para o Terceiro Mundo, para mantê-lo sempre terceiro mundo. E, pior, sempre há os Moros, Bolsonaros, Parquets, Judiciários e Forças Tarefa Lava Jato da vida (e os inocentes úteis que tudo aplaudem e querem vísceras) que apoiam e até patrocinam a estratégia... Até quando?

Você precisa estar logado para enviar um comentário.