“Se perdermos, temos que pedir impeachment do Gilmar”, disse Deltan

O procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da autointitulada "força-tarefa" da "lava jato" cogitou pedir o impeachment do ministro Gilmar Mendes caso a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal soltasse o ex-ministro Antonio Palocci. A mensagem integra a nova leva de diálogos entre integrantes do MPF no Paraná enviados pela defesa do ex-presidente Lula ao STF.  

Fernando Frazão/Agência Brasil

Dallagnol queria pedir impeachment de Gilmar, mas descobriu que Modesto Carvalhosa já pretendia entrar com solicitação
Fernando Frazão/Agência Brasil 

A conversa aconteceu em 5 de maio de 2017, quando a defesa de Palocci entrou com um Habeas Corpus pedindo que o petista fosse solto. Na ocasião, a 2ª Turma do Supremo havia acabado de julgar um outro HC, dessa vez ajuizado pelo também ex-ministro José Dirceu, decidindo pela liberdade do político. 

 "Caros estive pensando e se perdermos o HC do Palocci creio que temos que representar/pedir impeachment do GM [Gilmar Mendes]: 0) não se declarou suspeito / impedido no caso da esposa dele, com possível recebimento de honorários por ela 1) falas públicas dele inclusive imputando crimes a nós 2) incoerência de votos, denotando favorecimento 3) áudios em que declara solidariedade ao político do MT que sofreu BA [busca e apreensão] e dizendo que falaria com o relator 4) lei da ficha limpa é coisa de bêbado 5) confronto com Joaquim Barbosa (isso só pra dar força moral", disse Dallagnol a colegas. O "político do MT" citado é Silvar Barbosa, ex-governador do estado, então investigado por envolvimento em um esquema de corrupção. 

A procuradora Laura Tessler responde: "Deltan, a Anamara me falou que o Modesto Carvalhosa iria entrar com um pedido de impeachment do GILMAR. Parece que iria usar o caso do Eike como fundamento".

Deltan sabia disso, pois, dois dias antes, a procuradora Thaméa Danelon, de São Paulo, tinha enviado a ele uma mensagem dizendo que Carvalhosa pediu ajuda com a redação do pedido de impeachment. 

"O Professor Carvalhosa [Modesto Carvalhosa, advogado] vai arguir o impeachment de Gilmar. Ele pediu para eu minutar para ele", escreveu a procuradora no dia 3 de maio de 2017, em chat privado com o procurador Deltan Dallagnol. 

Ao saber da informação, Deltan demostrou entusiasmo. "Sensacional Tamis!", escreveu antes de aconselhar a colega a ir atrás de procuradores do Rio de Janeiro. "Fala com o pessoal do RJ QUE TEM tudo documentado quanto à atuação do sócio da esposa", disse.

Thaméa respondeu a Deltan informando que já estava em contato com Eduardo El Hage, procurador da República no Rio. O "sócio da esposa" a quem Deltan e Thaméa se referem é o advogado Sérgio Bermudes, que trabalha no escritório da mulher do ministro Gilmar Mendes, a advogada Guiomar Feitosa Mendes.

O pedido de impeachment de fato foi aberto por Carvalhosa. O argumento usado foi o de que a esposa de Gilmar trabalhava no escritório "que defendia os interesses do notório Eike Batista". 

Em abril de 2017, Gilmar mandou soltar o empresário. Antes disso, no entanto, chegou a negar um pedido de liberdade feito por Eike. O que se questionou na época do pedido de impeachment foi o fato da esposa de Gilmar prestar serviços ao escritório Sergio Bermudes Advogados, que já defendeu Eike. 

Ocorre que a banca não foi responsável pela defesa do empresário no caso julgado pelo Supremo. A assessoria de imprensa de Gilmar chegou a informar isso em 2017. 

"O HC 143.247 não tem como advogado o escritório Sergio Bermudes. Não há impedimento para a atuação do ministro Gilmar Mendes nos termos do artigo 252 do Código de Processo Penal. Cabe lembrar que, no início de abril, o ministro Gilmar negou pedido de soltura do empresário Eike Batista (HC 141.478) e, na oportunidade, não houve questionamento sobre sua atuação no caso", disse à época. 

Já o HC de Palocci, alvo de desconforto entre os integrantes do Ministério Público Federal no Paraná, nunca chegou a ser julgado, porque a "lava jato" convenceu o ex-ministro a desistir do pedido. 

Rcl 43.007

Vinícius VBM disse:
02 de março de 2021 às 22:20

Total razão a Deltan nessa aí. Está mais na cara que barba que o Gilmar Mendes manda soltar conforme a conveniência. O impechemant de Gilmar é tudo o quê povo quer. Mas quem vigia o vigia?

Afonso de Souza disse:
03 de março de 2021 às 08:25

Procurando pelo em ovo para tentar desmoralizar a Lava Jato. E isso, que absurdo!, com base em pretensos diálogos roubados que sequer podem ser periciados para atestação de autenticidade e integridade. Como disse o ministro Barroso, o Brasil vive um momento de “exaltação de provas ilícitas” e de “legitimação da profissão de hacker”.

__Wellington disse:
03 de março de 2021 às 10:17

Milhões de cidadãos brasileiros não querem o impedimento do ministro Gilmar Mendes.

__Wellington disse:
03 de março de 2021 às 10:21

Impossível desmoralizar o que não tem moral e ética.

Vamos "legitimar o juiz LADRÃO"!?

olhovivo disse:
03 de março de 2021 às 12:04

O Min. Gilmar foi o primeiro e enxergar os abusos, as ilegalidades e as tramoias da lava jato, na qual juiz e acusadores se difundiam, tratando o processo penal como um faz de conta. Aí veio a vaza jato pra desmascarar de vez o consórcio espúrio. Se fosse no primeiro mundo, seria o olho da rua, senão a cadeia, o destino certo de quem faz a "justiça" se parecer com mar de lama. Mas aqui na Banânia tem gente que aplaude isso, até mesmo "adevogados".

Afonso de Souza disse:
03 de março de 2021 às 12:21

Repito o que disse o ministro Barroso: "o Brasil vive um momento de exaltação de provas ilícitas e de legitimação da profissão de hacker”. E acrescento que espúria é a tentativa de abafar a Lava Jato.

Muita gente apoiava a Lava Jato até o dia em que ela alcançou certos políticos. Desse dia em diante, esses apoiadores viraram críticos e inimigos da Lava Jato e ainda dizem que a operação era seletiva.

Lourenço Augusto Mello Dias disse:
03 de março de 2021 às 12:34

Para os remanescentes que ainda apoiam a dita lava jato e seus prestimosos procuradores:
1. não se pode combater o crime cometendo crime;
2. não se pode enxergar a parte que é denunciada como adversário ou inimigo;
3. há de se ter em mente a responsabilidade do cargo ou função daquele agente do Estado que exerce mister de tão alta relevância;
4. em resumo, é preciso ter vergonha na cara e agir como um representante da lei e não como um grupo de adolescentes inconsequentes e imaturos...

LuizD'grecco disse:
03 de março de 2021 às 16:31

1º. - Ministro Gilmar Mendes no pleno desta corte, em alto e bom tom para toda nação Brasileira... “Até as pedras sabem que os juízes corregedores são corporativistas, não julgam com a devida isenção os seus pares” Ou seja, o Ministro reconhece e afirma publicamente que tais juízes são prevaricadores e como tal criminosos.

2º. - MM. Eliana Calmon, CORREGEDORA NACIONAL, que conclui fundamentada na teoria dos fatos... “Há muitos bandidos que se escondem por traz da toga e precisamos identifica-los urgentemente”

3º. - Presidente do STF MM. Joaquim Barbosa reitera o que seus colegas acima já afirmaram... “Os partidos políticos são de mentirinha e não cuidam dos interesses da nação e do povo Brasileiro, vivem de conluio e arrumadinhos com o judiciário”

https://youtu.be/V1jjGbS1e58

JCCM disse:
03 de março de 2021 às 18:51

Concordo plenamente e digo que agiram como adolescentes mimados, birrentos, arrogantes, que não aceitam o não.

Não se limitavam em exercer suas funções e queriam porque queriam manipular as peças que atuam no regular processo legal para que seus objetivos fossem atingidos.

Em larga escala agora se percebe que a carência ou incompetência para provar suas ilações eram sanadas com maracutaias para forçar resultados que lhes agradassem.

JCCM disse:
03 de março de 2021 às 19:08

Temos um insistente e enfadonho leitor que alude serem ilícitas as provas agora vindas a baila, carentes de perícia, trazendo a descoberto supostos diálogos, etc...

Semelhante a um robô digital, tão atual nesses tempos de Fake News, está em todos os comentários, feroz e atuante.

Mas, se os diálogos são supostos, porque tamanho trabalho em rebater a cada vez que surge novos trechos da patota entusiasmada.

Do mesmo modo, adora afirmar que os supostos diálogos foram roubados. Precisa decidir se eles foram roubados ou criados, porque evidentemente, essa distinção leva a um peso diverso quanto ao seu conteúdo.

E mais, se ilícita, como tanto agora sustenta, foi a própria patota por ele idolatrada que tentou aprovar uma PEC que tornasse esse tipo de arma aceitável quando usada de boa fé!

Faz o favor.

Dá um tempo.

Afonso de Souza disse:
03 de março de 2021 às 19:19

As "provas" (aspas necessárias" são ilícitas sim, soldadinho. Sequer podem ser periciadas para atestação da autenticidade e integridade. Ademais, não há nada nos pretensos diálogos que indique ter havido forjamento de provas.

Dê um tempo você, soldadinho.

Afonso de Souza disse:
03 de março de 2021 às 19:26

Você não tem provas de que os procuradores agiram da maneira que alega. Trata-se de material roubado que não pode sequer ser periciado para atestação de sua autenticidade e integridade.

JCCM disse:
03 de março de 2021 às 19:27

Por princípio é absolutamente inadmissível que o promotor de Justiça e o juiz de direito, respectivamente fiscal da lei e prestador da jurisdição, aos quais são conferidas garantias funcionais de relevo, trilhem caminhos obscuros e a sua margem.

Corromper o direito posto não foi, com certeza, o juramento firmado quando tomaram posse de seus cargos.

E como simples cidadão, eventual usuário de serviços públicos, exijo que esse imperioso requisito seja fielmente implementado.

Simples assim.

Afonso de Souza disse:
03 de março de 2021 às 19:28

Recuperar (até agora) 4,5 bilhões de reais desviados do bolso dos brasileiros e, algo inédito na nossa história, conseguir prender os corruptos que os desviaram.

Afonso de Souza disse:
03 de março de 2021 às 19:31

Mas vale também para o outro.

São diálogos roubados e que sequer podem ser periciados para que se possa atestar a autenticidade e integridade do material. Ademais, não há ali qualquer indicativo de que tenha havido forjamento de provas. E ainda: a decisão de Moro foi confirmada, e por unanimidade, nas instâncias superiores.

Simples assim.

Viva a Lava Jato!

Lourenço Augusto Mello Dias disse:
04 de março de 2021 às 09:22

Por favor, a fim de que se evite qualquer confusão:
1. as provas ilícitas não podem ser usadas contra o réu, porém, podem ser usadas pela defesa, sim, em favor do indiciado, do reclamado, do réu etc.
2. sendo ilícitas, de qualquer sorte, em razão de sua verossimilhança e pertinência, podem dar azo a uma investigação autônoma, onde se apurará a verdade dos fatos e, aí sim, se responsabilizará a quem de direito;
3. prova ilícita, por prova ilícita, aquele grampo feito ilegalmente por aquele sr. que se tornou ministro da justiça, foi vazada criminosamente e se prestou a dar credibilidade a acusações contra o ex-presidente da república, sem que se tenha levantado a tese da inutilidade da prova;
4. como, evidentemente, as ditas provas ilícitas apontam severos e graves atentados contra o estado democrático de direito, sonegar estas informações e pretender jogá-las para debaixo do tapete se afeiçoa a técnica do avestruz que enterra a cabeça na areia para não enxergar o óbvio...

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
04 de março de 2021 às 13:22

É o que acontece quando as pessoas e grupos de trabalho (lava jato) trabalham sem supervisão. Até o supervisor precisa de alguem que o supervisione. Tudo isto nao vai dar em nada. Somente aqueles atingidos pelas ilegalidades poderão se queixar de alguma coisa (aqueles achacados para confessar e colaborar) estes estao satisfeitos com as delaçoes premiadas. Estão pagando as multas (com dinheiro desviado) tiveram reduçao de penas e alguns ate estão em prisão domiciliar e logo estarão livres na primeira oportunidade. Quanto ao ex presidente tambem não vai alterar sua condenação no caso do triplex do Guaruja. O processo tem provas próprias nem e referido nas conversas vazadas. O caso ja foi julgado en segunda instância. O máximo que pode acontecer e alguem parar na comissão de ética. Ainda que as conversas sejam validadas como prova são por enquanto são só conversas. O que está ali tem que ser provado. Muito do que se disse não se cumpriu nem se provou. Passado a novidade do escândalo, cairá em esquecimento dentro de poucos meses até outro escândalo surgir e todos esquecerem isto.

Afonso de Souza disse:
04 de março de 2021 às 18:22

Até um avestruz entenderia que não se tem como saber se os supostos diálogos são autênticos e tiveram sua integridade preservada.
Mais: não há neles, ainda que tenham sido editados, nada que indique o forjamento de provas. Ainda: com base nessas provas, as instâncias superiores confirmaram, e por unanimidade, a sentença de Moro.

Afonso de Souza disse:
04 de março de 2021 às 18:23

Uns 4,5 bilhões de reais já recuperados, para dizer o mínimo!

Afonso de Souza disse:
05 de março de 2021 às 14:59

O ministro Barroso: “Não é esse o ponto, alguém ter dito uma frase inconveniente ou não. É que estão usando esse fundamento pra tentar destruir tudo que foi feito, como se não tivesse havido corrupção".

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