Alexandre de Moraes manda PF ouvir ex-estagiária de Lewandowski

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou à Polícia Federal que colha o depoimento de Tatiana Garcia Bressan, ex-estagiária do gabinete do ministro Ricardo Lewandowski, apontada como informante do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

Fellipe Sampaio/STF

Alexandre de Moraes mandou PF ouvir ex-estagiária de Ricardo Lewandowski

O depoimento será tomado no âmbito do inquérito das fake news, que investiga o blogueiro. Além disso, Allan dos Santos é alvo de inquérito sobre o financiamento de atos antidemocráticos a favor do presidente Jair Bolsonaro.

Folha de S.Paulo revelou nesta quarta-feira (6/10) que Tatiana, que foi estagiária de Lewandowski de julho de 2017 a janeiro de 2019, trocava mensagens com Allan dos Santos e aceitou o pedido dele para ser "nossa informante lá [STF]". As mensagens foram obtidas pela PF a partir da quebra do sigilo telefônico do blogueiro.

Tatiana buscou o bolsonarista demonstrando ter interesse em trabalhar na equipe da deputada Bia Kicis (PSL-DF). Nas mensagens, ela opinou que Lewandowski iria soltar o ex-presidente Lula, pois havia se tornado prevento para julgar as questões relativas à execução penal do petista.

A ex-estagiária também disse que os ministros do STF "decidem o que querem e como querem". "Algumas decisões são modificadas porque alguém importante liga para o ministro", declarou Tatiana, citando o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas. Ela ainda revelou que tinha um perfil falso no Twitter, no qual divulgava apoio a Jair Bolsonaro e pedia a saída do ministro Gilmar Mendes.

Lewandowski disse à colunista da Folha Mônica Bergamo que "é lamentável que a Suprema Corte tenha sido infiltrada por uma pessoa sem compromisso com ética pública e a democracia".

O gabinete do ministro Lewandowski também afirmou, em nota à Folha, que todas as decisões proferidas por ele "têm fundamentação constitucional e a eventual modificação delas ocorre por meio de recursos cabíveis, apresentados nos autos e julgados individual ou coletivamente".

De acordo com a nota, "Lewandowski atende os telefonemas institucionais, principalmente vindos de autoridades da República". "Na época mencionada, o general Villas Bôas era comandante do Exército Brasileiro."

Mirrael Queiroz Gonçalves disse:
06 de outubro de 2021 às 16:47

O vazamento de informações por parte de agentes públicos das instituições da República é o que ocorre contidianamente. Inclusive , a folha de São Paulo também divulgou uma informação sigilosa. O STF só investiga quando interessa. A imprensa muitas vezes divulga antecipadamente o resultado do julgamento porque consegue por meio de vazamentos saber qual será o voto dos ministros. A impressa tem muitos informantes e está é a primeira vez que vejo investigação, o que me faz pensar que só está tendo investigação porque era uma estagiária que era uma informante de um jornalista bolsonarista, se fosse um chefe de gabinete informante de um jornalista de um grande veículo de comunicação nada aconteceria. Não podemos esquecer que nenhuma fonte da impressa durante os vazamentos da lava jato foi investigada. Provavelmente porque a fonte eram os próprios procuradores e não estagiários. Lamentável!!!

O ESCUDEIRO JURÍDICO disse:
06 de outubro de 2021 às 17:45

Diz o texto: "A Folha de S.Paulo revelou nesta quarta-feira (6/10) que Tatiana, que foi estagiária de Lewandowski de julho de 2017 a janeiro de 2019, trocava mensagens com Allan dos Santos e aceitou o pedido dele para ser "nossa informante lá [STF]". As mensagens foram obtidas pela PF a partir da quebra do sigilo telefônico do blogueiro.

Tatiana buscou o bolsonarista demonstrando ter interesse em trabalhar na equipe da deputada Bia Kicis (PSL-DF). Nas mensagens, ela opinou que Lewandowski iria soltar o ex-presidente Lula, pois havia se tornado prevento para julgar as questões relativas à execução penal do petista.
A ex-estagiária também disse que os ministros do STF "decidem o que querem e como querem". "Algumas decisões são modificadas porque alguém importante liga para o ministro", declarou Tatiana, citando o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas. Ela ainda revelou que tinha um perfil falso no Twitter, no qual divulgava apoio a Jair Bolsonaro e pedia a saída do ministro Gilmar Mendes".

Uma situação aberrante!
Estagiária "que virou a casaca" e trabalhava no Gabinete de um Ministro do mais alto Tribunal do Brasil.
A Polícia Federal precisa investigar.
Possivelmente tudo o que ela falou é mentira, e resolveu dar publicidade para se mostrar importante.
Tem muita gente com esse tipo de caráter.
O indivíduo não é dada e anseia por ser alguém importante. O típico "beija mão" que depois que ser beijado.
O brasileiro é assim.
E volto a alertar.
O Brasil não muda com leis.
Somente com um Regime Autoritário, seja de Esquerda ou de Direita.

R.A.R disse:
07 de outubro de 2021 às 08:30

Vazamentos são constantes, jornais vicem disso. Antidemocrático? Quer dizer aquilo que é contra a ideologia que não devia existir no STF, mas existe se classificada assim. A libertação e inocentar lula foi democrático, a ação na lavajato feita por hacker foi democrático? Qual é o conceito de democracia então? O povo em 7 de setembro foi Antidemocrático, as manifestações queimando a bandeira nacional das esquerdas com suas bandeiras vermelhas são democráticas? Nunca vi tantas asneiras sobre democracia. Cansa esse discurso esquerdista do STF e o uso dessa página jurídica para defesa política dessa ditadura da toga... saudade do tempo que os assuntos eram jurídico, afinal é Conjur ou Conpol?

Guilherme Máximo Lima disse:
07 de outubro de 2021 às 10:18

"A ex-estagiária também disse que os ministros do STF "decidem o que querem e como querem". "Algumas decisões são modificadas porque alguém importante liga para o ministro"..."

Alguém aí vai dizer que ela mentiu?

Dênis Cruz - Estudante disse:
07 de outubro de 2021 às 10:56

Se continuarmos "passando pano" para as violações que ocorrem com inimigos políticos estaremos validando o que nos ocorrerá amanhã...

O texto dessa matéria, inclusive, atribui a denominação de "informante" a uma evidente fonte jornalística. Criando uma espécie de interpretação casuística para marginalizar alguém que está do outro lado da sua posição política.

Art. 5, inc. XIV da Constituição Federal de 88 -
XIV - e assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

Cuidado, o futuro é logo ali... O que vai, volta...

Bacharel, grande zagueiro palestrino dos anos 80 disse:
07 de outubro de 2021 às 12:24

A bem da verdade, há vários "informantes" nos gabinetes de ministros que repassam informações pra imprensa. A dúvida que fica é: pode o judiciário, no âmbito legal e moral, investigar jornalista (aqui no conceito que o próprio STF atribuiu à profissão, visto que não se exige diploma e qualquer um pode exercer) para atingir a fonte? Pode-se, com isso, violar o sigilo da fonte? Por fim, pode-se fazer o mesmo contra os demais jornalistas, como os da grande imprensa (globo, SBT, Record, folha, Veja e estadão)?

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