Os embargos culturais desta semana enfrentam um recorrente problema historiográfico. Refiro-me às armadilhas quando julgamos pessoas e seus atos em contextos distintos dos quais essas pessoas viveram e esses atos foram praticados. Experiências humanas perdem a contextualização, reduzem-se a fragmentos, perdendo suas identidades, em processo de desintegração caótico e irradiador, a exemplo do que ocorre com as próprias coisas e objetos. Não há texto sem contexto, e também tudo decorre de um pretexto. Perdão pelo lugar comum.
No entanto, porque inconscientemente consideramos o passado como um modelo para o presente, com alguma injustiça colocamos em cena personagens e mentalidades, como se fossem peças de uma mosaico opaco e indefinido, identificadores de uma galeria de tipos históricos. Uma representação histórica talvez contenha menos do que se representa, em favor daquele que constrói a representação, qualificando-se a natureza lacunar do esforço de compreensão do passado. Há um juízo moral na história, e desse juízo moral não se consegue escapar. A história é muito mais o presente do que o passado. O passado é fixado por perguntas que o presente levanta. Cada tempo tem sua história.
É nesse contexto substancialmente perturbador que se pretende inserir debate a respeito de fragmento da obra do escritor José Bento Monteiro Lobato, quando se imputou conteúdo racista em excertos de literatura produzida para o público infantil, destinatário de obra que transcendeu no tempo e que hoje ainda é apreciada, pelo que são inegáveis os efeitos que suscita.
Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, em 18 de abril de 1882. Registrado como José Renato Monteiro Lobato, mais tarde mudou o nome para José Bento Monteiro Lobato, ao que consta para valer-se das iniciais JBML e usar uma bengala deixada pelo pai, cujo nome era José Bento. Pressionado pelo avô, o Visconde de Tremembé, seguiu para São Paulo onde bacharelou-se.
O desinteresse de Monteiro Lobato pelo curso de Direito era total. Parece que apreciava apenas um professor, Pedro Lessa, que lecionava Filosofia do Direito. Durante os anos de faculdade, Monteiro Lobato aprofundou amizades com as quais o interesse comum era a Literatura. Concluído o curso de Direito, retornou a Taubaté; foi festivamente recebido como Bacharel. Nomeado promotor, mudou-se para Areias, no interior paulista. Casou-se em 1908 e no ano seguinte herdou a fazenda do avô. Deixou o Ministério Público e tornou-se fazendeiro.
Em meados da década de 1910 começou a publicar contos, crônicas, um pouco de crítica. Após vender a fazenda mudou-se para São Paulo, fundou uma editora em 1918. Faliu sete anos depois e mudou-se para o Rio de Janeiro. Na então capital da República colaborou na imprensa com certo destaque. Em 1926 seguiu para Nova Iorque e lá morou até 1931. Foi adido comercial brasileiro. Impressionado com o crescimento econômico dos Estados Unidos, dedicou-se a fazer proselitismo em torno da exploração do petróleo e do ferro. Em virtude de intransigente luta em prol de soberania nos direitos de exploração do subsolo foi preso, em 1941, por três meses. Seguiu para a Argentina em 1946, lá vivendo um ano. Ao retornar ao Brasil era aclamado autor de livros infantis. Morreu em 4 de julho de 1948, derrubado por um espasmo vascular.
O curso jurídico foi uma imposição do avô, de quem herdou a fazenda. Depois de rápida passagem por Taubaté, terra do avô, foi designado promotor em Areias. À época, virada do século, o Ministério Público não tinha o perfil que tem na contemporaneidade. Não gostava do júri. Detestava acusar os pobres réus. Afastava-se do tabelião. Não tinha vínculo ideológico com o Juiz. Não lia autores de Direito. Jamais escreveu artigo jurídico. Lobato deixou Areias e a vida de promotor, para a qual não se sentia talhado.
Carregado de desilusão, de pessimismo, e de ceticismo, Lobato lutou por superação desse vazio, o que suscitou uma literatura crítica. É o caso do sublime conto Júri na Roça, e de tantas outras peças literárias absolutamente irônicas e mordazes. Por exemplo, Lobato foi um crítico agudo do modelo tributário. Em Ideias de Jeca Tatu ao descrever a chegada da família real portuguesa no Brasil, Lobato chama a atenção para o desembarque de um personagem: “O Fisco — um canzarrão tremendo de dentuça arreganhada — é conduzido no açamo por vários meirinhos.”
Lobato viveu num contexto muito diferente do nosso contexto atual. Seu primeiro livro para crianças, Reinações de Narizinho, foi lançado em 1920, ano marcado pelo antagonismo entre os tenentes rebeldes e o Presidente Epitácio Pessoa, ponto de partida para uma década absolutamente difícil, e que se desdobrou no movimento conduzido a partir do Rio Grande do Sul por Getúlio Vargas. Lobato combateu Vargas, especialmente por causa da resistência deste último em reconhecer a existência do petróleo brasileiro, posição que alterou substancialmente na década de 1950.
A obra infantil de Monteiro Lobato também alcançou um grande número de adaptações, que fizeram muito sucesso, a exemplo de Dom Quixote das Crianças, Os Doze Trabalhos de Hércules, Fábulas, Aventuras de Hans Staden, Peter Pan, História do Mundo para as Crianças, O Minotauro. Também criou um universo infantil absolutamente contagiante para muitas gerações, a exemplo das estórias que lemos em Viagem ao Céu, O Saci, O Picapau Amarelo, A Reforma da Natureza, A Chave do Tamanho, A Reforma da Natureza, Memórias da Emília, Caçadas de Pedrinho.
Este último, Caçadas de Pedrinho, cujo conteúdo também é questionado, originou-se de um livro escrito ainda em 1924, A Caçada da Onça. A versão final é de 1933. Nesse livro os personagens mirins caçam onças-pintadas, porcos do mato, rinocerontes. Acusarmos Monteiro Lobato por incitação ao crime ambiental é incriminação que desconsidera o delito historiográfico de julgarmos as pessoas fora dos contextos e ambientes nos quais viveram. No entanto, porque há também gravíssimas imprecações de fundo racista, a questão pode suscitar uma outra abordagem, necessária.
A discussão relativa ao racismo em Lobato coloca-nos, entre tantos outros problemas, uma questão historiográfica de difícil resolução. Não se pode isolar Lobato do contexto no qual viveu, ambiente de herança histórica, maldita, e que percebia a herança escravocrata dentro de uma naturalidade que hoje não conseguimos compreender, e que sistematicamente devemos denunciar. Colocar Lobato no banco dos réus, nesse sentido, pode de algum modo ser atitude presunçosa de nosso tempo, que detém algum benefício de retrospecto. Não se faria justiça à imensa colaboração crítica desse grande escritor, no contexto de nossa história literária.
Por outro lado, há um elemento perverso de recepção de textos, por intermédio do qual não nos libertamos de nosso tempo e de nossas instâncias e categorias de pensamento. Não se pode dissimular que há um conteúdo ofensivo em fragmentos da obra questionada, e que se deve mitigar a dor e a humilhação dos atingidos, porque efetivamente existentes. Para muitos, a exposição a esses conteúdos ofensivos pode resultar em humilhações e constrangimentos, que não se pode simplesmente desprezar. O problema é gravíssimo.
O que fazer? A solução média, a meu ver, pode não contemplar o banimento ou a censura pura e simples da obra. Penso que podemos tentar construir mecanismos de esclarecimento, com a necessária mediação das leituras dos textos do autor questionado, instruídas também por notas explicativas circunstanciais. Pode-se cogitar de um espaço de consenso e de discussão, que leve em conta a dor dos atingidos, e o legado também indiscutivelmente positivo do escritor questionado, construindo-se uma agenda compreensiva que possa de igual modo nos orientar para o enfrentamento de outros problemas, também muito graves, a exemplo da questão do ataque às estátuas.
Em primeiro lugar, congratulações, Dr. Godoy, por colocar essa questão do racismo em Monteiro Lobato e propor tão sensata solução.
Como mulher e integrante da mais aviltada e histórica de todas as minorias, acho que posso opinar sobre essa questão. Estamos no século XXI e, ainda hoje (e não há sinais de mudança), as mulheres são vistas como objetos pelos homens. Somos comparadas com comida, com outros objetos e outros animais. Nosso valor decorre imediatamente da aparência e juventude para sermos consideradas humanas. Qualquer decréscimo na aparência e juventude nos torna verdadeiras escravas domésticas/sexuais sem direito a qualquer afeto, respeito ou consideração. Inúmeros casos de homens que preservam mais seus automóveis e cachorros confirmam esta afirmação.
Desse modo, não vejo em que sentido a obra de Monteiro Lobato, que fez parte da minha alfabetização em sentido amplo na infância, possa ser censurada, condenada, desprezada. É um patrimônio cultural riquíssimo.
Sempre que se levantam bandeiras das minorias (negros, gays, etc.) eu falo de como as mulheres sempre enfrentaram os preconceitos, as discriminações, a violência com classe, obstinação, eficiência e bom-humor. E como as mulheres avançaram e avançam em sua emancipação social em sistemas tão patriarcais como o brasileiro.
E, por acaso, o preconceito racial deixará de existir se "cancelarem" Monteiro Lobato ? Claro que não, apenas seremos privados de excelente literatura que edifica tanto a nossa cultura como seres humanos como também, em especial, como brasileiros.
A propósito da questão colocada nessa coluna, recomendo o livro "A Chave do Tamanho", que trata do relativismo dos conceitos conforme o contexto.
Boa semana, Dr. Godoy.
Dra: Rejane boa tarde, casdastrei-me agora só pra lhe parabenizar pela análise e resposta do assunto...gostaria que soubesse que só tenho formação de nível médio, sou técnico mecânico formado pela Escola Tecnica Federal - atual CEFET- acredite ou não minha mãe me presenteou em meados finais da década de 60 com a obra infantil de Lobato, 17 volumes, ....li ao menos uma dezena de vezes...a obra toda...li milhares de gibis, pouco mais de milhar de livros, foto novelas, livros de bolso da Ediouro... Na verdade nunca li filósofos, sociólogos, historiadores...mas li romances, contos, poesias que nos ensinam também, ajudam-nis a compreender e sermos compreendidos... bem, aos fatos, amo Lobato, como fantasiou minha infância/adolescência....se pensar-mos em racismo pelo simples uso de costumes de moda o que dizer de Machado ( o mais completo escritor brasileiro, do parnasiano ao modernismo ) ele também usou negros em suas posições à época..tanto escravos como engenheiros/advogados...embora a percentagem a época dos libertos E formados era ínfima ( ponto este que dificulta a visão apresentada ser normal e não preconceituosa). Abraço. Parabéns pelo posicionamento e saber.
Obrigado pelo texto!!!! Ótimo e esclarecedor!!!
“Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (…) Precisamos lançar, vulgarizar estas ideias. A humanidade precisa de uma coisa só: poda. É como a vinha.
Lobato.” in História Viva , edição 49 – Novembro 2007 Eugenia, a biologia como farsa, por Pietra Diwan.
A obra literária de Monteiro Lobato é marcante, mas sua vida não se separa da obra, por trás de suas frases racistas se encontra um flerte com a Klu Klux klan e a eugenia. Isso TB é temporalizado e hoje é encarado de maneira diferente?
O movimento abolicionista data de séculos atrás, mas mesmo assim mais de 40 anos depois da abolição Lobato admirava a KKK e teoria eugenista. O tempo em que ele viveu não fez o Lobato, ele era o que era. Alguém que queria exterminar negros e estabelecer uma nação branca. Isso se justifica temporalmente?
Como historiador, só tenho que parabenizá-lo. De fato, é um ato de extrema pequenez, ignorância e insensibilidade, buscar a censura e a desconstrução da história, valendo do argumento de defender um determinado grupo que se sente ofendido. Ora, como o próprio autor sugere no texto, temos que levar em conta que cada indivíduo é protagonista de seu tempo, e não devemos nunca julga-los através das experiência e mudanças do presente. Fazer tal julgamento deveria ser considerado um crime! Devemos sempre aprender com o passado afim de melhorar as relações presentes e não apagá-lo simplesmente. Destruir monumentos históricos, censurar grandes obras, alterar a língua ou os costumes de forma tão abrupta e inatural... apenas vai contribuir para a aculturação da nossa sociedade. Precisamos de Acadêmicos, Juristas e Autoridades sérias para tratar o assunto de forma justa.
Excelente colocação.
Lobato está longe de ser reprodutor do racismo, essa é uma leitura equivocada de sua obra. Todo escritor, pintor escultor, compositor é antes de tudo um ser social e político que expressa toda a carga cultural que recebeu, e ou adquiriu ao estudar ou conhecer sobre realidades distintas ( Pablo Picasso). Lobato escreve criticamente sobre o Brasil que se reordenava com o fim do império, da monarquia e o princípio da república. Críticava o destino dado aos ex escravizados, tia Anastácia continuava a exercer os ofícios de outrora de muitas escravas da casa grande, tio Barnabé foi deixado de lado, num canto qualquer da propriedade pois não tinha mais para onde ir, nem sequer conhecia nada além do sítio, ou do povoado de Tucanos. Dona Benta sempre recebia os netos, cujos pais estavam sempre ocupados nos seus ofícios urbanos, a vida da cidade separava pais da vivência dos filhos. Por outro lado, nos mostra a diminuição da importância da vida no campo, em termos econômicos e a ascenção do ambiente urbano. Seu Jeca Tatu era uma crítica aguda a organização social e política que ignorava o personagem do brasileiro nato, entregue a exploração coronelista e às suas crenças mais humildes. É preciso conhecer a história do Brasil e as crenças de deu povo para se conhecer sua obra. Infelizmente vivemos uma época de críticas sem contexto, esporádicas, superficiais e desnecessárias. Não dá pra descrever aqui sua importância na construção da identidade. Nem pretendo, não sou crítico, professor de história. Conheçam mais profundamente o ser e a época em que viveu. Quem sabe um dia faça um artigo sobre. Ninguém escreve senão do mundo que o cerca. Alguns vêem a realidade com mais profundidade. Monteiro Lobato foi muito profundo e merece mais respeito.
Aqui estamos novamente num momento de destruir reputações.
Alguns comentários aqui suscitaram o questionamento da validade ou não de um autor ao analisar-se a sua biografia e encontrar supostos deméritos que impediriam que se considerasse positivamente o conteúdo de suas obras. uD1vJQxuYs
Nesse particular, recomendo o documentário "Martin Heidegger- Humano, Demasiado Humano", disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=S
No documentário, vários filósofos falam sobre a filosofia de Heidegger e de seu envolvimento com o nazismo e questionam se ele pode ser considerado um dos grandes filósofos de nosso tempo ou se o envolvimento com o nazismo retiraria o mérito de sua filosofia. Interessante notar que o próprio "nazismo" de Heidegger era muito contraditório, pois enquanto membro do partido, namorava Hanna Arendt, que era judia, bem como, segundo o relato de seu sobrinho, tinha muitos amigos judeus, ou seja, o seu "antissemitismo" não era pessoal, alguém qualificou como "antissemitismo cultural".
Talvez uma pesquisa mais profunda sobre Monteiro Lobato revelasse contradições semelhantes, se, de fato, era eugenista em conversas com outros intelectuais, na vida privada poderia ser afetuoso com pessoas negras, ou mesmo ter relacionamento íntimo com pessoas negras.
Além da biografia do autor, também é importante pesquisar as origens, referências, raízes de sua obra. A esse respeito, uma matéria publicada na "Revista Super Interessante", com variadas fontes, mostra as versões originais de estórias dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen, do folclore brasileiro e muitos outros. No caso de "Alice no País das Maravilhas", o personagem chapeleiro maluco, segundo pesquisas, fazia muito sentido porque muitos chapeleiros ficavam mentalmente perturbados no século XIX, na Inglaterra, por contato permanente com mercúrio.
Como é bom estar numa conversa em que a importância do contexto é entendida, é algo dado.
Como é bom não ter de me cansar em contextualizar! Pois vocês entendem.
Aí vai
Sou preto.
Ah como é bom escrever a quem entende. A quem sabe o que é contexto.
Sendo preto.
Negro.
Africano, em diáspora forçada no brasil.
Sendo preto eu e amantes de contexto vocês, nem preciso me preocupar em defender a necessidade dessa declaração.
Vocês entendem, não entendem? É claro que entendem!
Nenhum de vocês acharia desnecessário, talvez incômoda uma declaração dessas.
Não vocês. Vocês não, eu sei. Mas tem gente que sim 'Ain mas nossa, precisa disso?' E é cansativo ter de explicar. Mas que bom, não aqui.
Dado o contexto, preciso esclarecer algo. É que o autor do texto desconhece. Aliás, mais provavelmente, seu modelo de mundo o obriga a ignorar.
Mas xô falar: não se captura contexto sem oposição.
poxa intelectualidade, não força poxa kkkkkk!
Contexto sem oposição é desculpinha.
Mas não faz assim. É só juntar tico com teco, intelectualidade br.
Como se fala do contexto de Monteiro Lobato sem falar do homem eugenista?
Uai
Então vem comigo.
Se se capta o contexto mas se deixa de fora parte desse contexto... Então já não é contextualizar o objetivo do contexto. O objetivo é dar desculpa. É mostrar a parte do contexto que suaviza uma questão qualquer do homem, nesse caso o racismo.
Vamo agora voltar ao contexto.
Lembra que sou preto.
E deixa eu te perguntar.
Eu tenho muito cara de otário né. Não, sério, a gente é tudo uns neguinho e neguinha burra, fala pá mim.
Porque pra vc achar que eu vou querer construir uma nação com aqueles que ESCOLHEM - porque é uma escolha - elevar a seu panteão cultural uma figura que despreza a mim e aos meus (...) [Continua]
Pra vocês acharem que a gente vai fazer parte disso com vocês... Vocês tem que achar que a gnt é muito burro mesmo.
Mas segura aqui o contexto.
A resposta é não.
Pretos e pretas não irão construir nação que exalta racista. Que exalta o anti-preto.
Simplesmente não.
E a conta é tão simples.
Nenhuma contribuição cultural, ideológica, literária, pode vir de quem nos odeia. É simples assim.
Uma mente descaradamente racista, eugenista, seja em que época for, nunca poderá produzir algo de valor para nós.
Não imagino que seja assim tão difícil de entender.
Então, escolham o eu panteão cultural. Adorem-no. Defendam-no com unhas e dentes. Amem os racistas.
Mas não esperem de nós algo senão desprezo por essa escolha.
Por favor né, contexto.
"Monteiro Lobato (1882-1948) já tinha vários livros publicados — entre os quais Cidades Mortas, Urupês e O Saci e contos que depois seriam incluídos no famoso Reinações de Narizinho, de 1931 — quando vislumbrou fazer sucesso no mercado editorial anglófono. Sonhando se tornar um novo H. G. Wells (1866-1946), cultuado pelo A Guerra dos Mundos, de 1898, passou cerca de quatro anos nos Estados Unidos, na segunda metade da década de 1920" (https://www.bbc.com/portuguese/geral-53 115152).
O Senhor Monteiro Lobato era uma pessoa irascível, de um ego "gigante" e intolerante.
Ele escreveu um livro "O Choque das Raças" que depois passou para "O Presidente Negro" e tentou publicá-lo nos USA, porém, não teve aceitação, nem mesmo, entre os editores americanos (todos brancos).
Ou seja: o "Lobato era mais racista que os próprios ...racistas...
Quem o defende, não leu sua obra.
Em uma época de revisionismos, necessários para a evolução de uma sociedade, Lobato não está no panteão dos heróis. Mas dou um desconto: foi produto de sua época.
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