O trabalhador da Justiça, em sua maioria, não pertence ao grupo de risco da Covid-19, já tomou duas ou mais doses de reforço vacinal contra o vírus, sai com menos frequência de casa, mas sente na pele os resultados do isolamento social e do trabalho híbrido ou remoto.

Dos 21.646 servidores e magistrados que responderam à segunda rodada da Pesquisa Saúde Mental de Magistrados e Servidores no Contexto da Pandemia da Covid-19, a maioria admitiu sentir cansaço, insônia, dificuldade de concentração, aumento de peso e dores musculares.
A pesquisa realizada de maneira virtual pelo Conselho Nacional de Justiça, em dezembro de 2021, revelou como anda a saúde mental dos trabalhadores da Justiça e suas expectativas após viverem o segundo ano da pandemia. O estudo foi apresentado nesta segunda-feira (7/2) durante o 4º Seminário Nacional sobre Saúde dos Magistrados e Servidores do Poder Judiciário.
O levantamento atualizou os dados captados no primeiro ano da crise sanitária mundial e ouviu pessoas entre 18 e 78 anos. Magistrados e magistradas representaram pouco mais de 9% dos participantes, enquanto os servidores e servidoras da Justiça, 81,8%. Já os funcionários comissionados sem vínculo, 6,7%. A maioria das respostas (63%) apresentadas no questionário vieram de magistrados e servidores da Justiça Estadual (13.650), ramo com mais unidades e força de trabalho de todo o Judiciário nacional.
A Justiça do Trabalho vem em segundo lugar (13,8%), seguida da Justiça Eleitoral (11,5%), Justiça Federal (9,6%), Tribunais Superiores (1,2%), e demais ramos com menos de 1%. As mulheres representaram 57% dos respondentes, contra 43% dos homens. A maioria se identificou como branco (quase 70%). Negros representaram 28% e indígenas (ou origem oriental) 2,2%.
Imunizados
Considerada a forma mais eficaz de frear a pandemia, a vacinação completa é realidade para 97,4% dos respondentes do levantamento (com duas doses completas ou já tendo tomado a dose de reforço). Não haviam tomado o imunizante, até dezembro de 2021, apenas 1,3% dos respondentes; coincidentemente, a mesma porcentagem de quem havia tomado apenas a primeira dose da vacina.
Em 2020, apenas 2% haviam sido diagnosticados (por meio de exame) com Covid-19; já em dezembro de 2021 (antes da disseminação da variante Ômicron no Brasil), esse número tinha crescido para 23%.
A maioria dos respondentes (67%) eram casados ou mantinham relação estável com pessoa de outro sexo; homoafetivos casados ou em união estável representaram 2,2%. Solteiros representaram 20,6% dos entrevistados. Para 44% das pessoas ouvidas na pesquisa, o impacto do isolamento social melhorou e até aproximou as relações familiares. Já para 39%, a pandemia gerou desgaste para os relacionamentos.
Isolamento e desânimo
Mais da metade das pessoas que participaram do estudo (62,5%) afirmaram que saíam de casa para atividades pessoais, mas com menor frequência que antes da pandemia. Quase 20% relataram raramente sair de casa. A esperança, que ocupava o 2º lugar no ranking dos sentimentos compartilhados pelos servidores deu lugar ao desânimo, com aumento de sentimentos negativos.
Mais da metade dos respondentes (60,8%) afirmaram sentirem-se mais cansados. Quase 48% reclamam de alterações na rotina do sono, e 46,3% afirmaram sentir dificuldade para se concentrar, além de perda de memória. As alterações no peso foram apontadas como um sintoma inédito por 44% dos participantes da pesquisa. Mais da metade dos que responderam à pesquisa perderam algum parente ou amigo em decorrência da pandemia.
Mais trabalho
"Quando comparado com a pesquisa anterior, a maioria dos entrevistados (55%) afirmou perceber que o volume de trabalho recebido atualmente foi maior que no período anterior à pandemia. Além disso, as pessoas têm a sensação de estar dedicando mais tempo ao trabalho que antes", explicou a diretora-Executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), Gabriela de Azevedo Soares.
No primeiro ano da pandemia, a percepção do aumento de volume era de 38%. Para 66,6% dos entrevistados o tempo dedicado ao trabalho é bem maior do que na fase do trabalho presencial. Em contrapartida, na pesquisa anterior, essa percepção foi tida por 47,5% dos entrevistados.
Retomada
Em relação à forma de trabalho, 15% dos que responderam ao questionário disseram não se sentirem confortáveis para voltar ao trabalho presencial, mesmo que regras de segurança sejam adotadas e 35% preferem manter a forma virtual para reuniões de trabalho.
Os trabalhadores e magistrados também foram questionados sobre quais iniciativas gostariam que fossem adotadas para se sentirem seguros em uma provável volta ao trabalho presencial.
A maioria (66,1%) citou obrigatoriedade de apresentação de comprovante de vacina, o uso obrigatório da máscara dentro das unidades de Justiça (65%) e o estabelecimento de um rodízio de trabalho também foi elencado pela maioria dos entrevistados (63%).
Pesquisa
Desde 2020, o CNJ tem levantado junto aos profissionais da Justiça o que mudou em suas vidas desde que passaram a lidar com as medidas sanitárias necessárias para conter a Covid-19 e evitar a disseminação do novo coronavírus. O resultado da pesquisa, feita à pedido do CNJ, por meio do Comitê Gestor Nacional de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores, servirá para que o órgão trace um panorama de ações que deverão ser priorizadas para proteger a saúde dos funcionários.
A pesquisa foi anônima, sigilosa e voluntária e os resultados também serão apresentados de maneira que não se possa identificar os respondentes. O questionário foi apresentado aos magistrados e servidores em dezembro de 2021. Com informações da assessoria do CNJ.
Deveria fazer uma pesquisa sobre a sua mental do jurisdicionado, aquele indivíduo que está do lado de fora, desprotegido, esperando por um provimento judicial que nunca chega.
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