Moro sonegou R$ 2,2 milhões em serviços a consultoria dos EUA

O ex-juiz Sergio Moro causou um prejuízo de pelo menos R$ 2,2 milhões aos cofres públicos devido à falta de pagamento de tributos relativos aos valores recebidos pelos serviços prestados à consultoria Alvarez & Marsal. Se aplicada a multa máxima pela sonegação, o valor chega a quase R$ 3,2 milhões.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Sergio Moro trabalhou para consultoria por certo tempo como pessoa jurídicaFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro recebeu, no total, R$ 3,7 milhões da Alvarez & Marsal. De novembro de 2020 a maio de 2021, ele atuou por meio de pessoa jurídica (Moro Consultoria) e foi remunerado por duas subsidiárias brasileiras do conglomerado americano: uma de compliance e outra de consultoria para empresas de engenharia. Já entre junho e novembro de 2021, trabalhou como empregado do grupo nos Estados Unidos.

Se considerados apenas os salários e o bônus da etapa brasileira, recebidos de forma simulada por meio de pessoa jurídica — cerca de R$ 2,3 milhões —, Moro deve quase R$ 630 mil de imposto de renda de pessoa física.

Pela tabela progressiva, ele precisaria pagar 27,5% de IR em cada nota fiscal emitida. No entanto, o cálculo leva em consideração um total de R$ 35,3 mil em juros pela taxa Selic e, ainda, aproximadamente R$ 464,2 mil referentes à multa tributária, na porcentagem mínima de 75%. Assim, chega-se a uma possível autuação de R$ 1,1 milhão.

Segundo cálculo de um escritório tributário feito para ConJur, a pejotização tem sido aceita pelo Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e até pelo Supremo Tribunal Federal, mas adverte: "Abusos continuam a ser combatidos, como os casos de diretores de empresas — cargo em que Moro foi anunciado na Alvarez & Marsal — que recebem como pessoa jurídica".

Além disso, há a tributação sobre um pagamento sem causa de R$ 811.980, feito em fevereiro de 2021. Segundo Moro, o valor, muito superior à sua remuneração mensal de US$ 45 mil, seria apenas um erro material na emissão da nota fiscal.

Em sua live, Moro informou ter sido contratado pela Alvarez & Marsal Disputas e Investigações (brasileira) e depois pela Alvarez & Marsal Disputes and Investigations (americana). Mas o recibo relativo ao bônus de US$ 150 mil foi emitido contra a Alvarez & Marsal Consultoria em Engenharia Ltda, à qual o ex-ministro alega nunca ter prestado serviços.

A lei trata essa situação como pagamento sem causa, com cobrança de imposto de renda retido na fonte de 35% sobre base reajustada. A autuação a ser lavrada contra a fonte pagadora chega a quase R$ 380 mil de imposto. Com os juros de mora e a multa mínima de 75%, o valor chega a R$ 685 mil. "Esse tipo de autuação era o pão-de-cada-dia na operação 'lava jato'", acrescenta o mesmo tributarista."

Por fim, caso a Alvarez & Marsal Consultoria em Engenharia Ltda. seja tributada pelo lucro real, o pagamento sem causa não poderia ser deduzido na apuração da base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). Assim, com o IRPJ de 25%, a CSLL de 9%, os juros Selic e a multa de 75%, a empresa ainda fica sujeita a uma autuação de mais de R$ 440 mil.

Somados, os valores da pejotização, do pagamento sem causa e da glosa da dedução chegam a R$ 2.247.178. Mas o montante considera todas as multas na porcentagem mínima de 75%. Caso entenda que os contribuintes agiram com evidente intuito de fraude, a Receita pode aplicar uma multa de 150%. Nesse caso, o prejuízo total seria de R$ 3.184.618.

Moro é investigado pelo Tribunal de Contas da União por possíveis irregularidades relativas aos rendimentos recebidos pelos serviços à consultoria. O Ministério Público junto ao TCU já pediu o bloqueio cautelar dos bens do atual pré-candidato à Presidência da República, justamente devido à possibilidade de falta de recolhimento de tributos aos cofres públicos.

José Higídio

é repórter da revista Consultor Jurídico.

O ESCUDEIRO JURÍDICO disse:
12 de fevereiro de 2022 às 10:23

O senhor Sérgio Fernando Moro quer ser Presidente do Brasil, porém com ficha suja.

olhovivo disse:
12 de fevereiro de 2022 às 11:25

Alô, é da Receita Federal?
"Sim, pois não."
Posso tirar uma dúvida?
"Sim"
Se eu tiver uma renda - ora me identificando como sócio, ora como empregado, ora como consultor, ora como PJ prestador de serviço - renda essa toda recebida da mesma fonte, da mesma empresa, há indícios de crime de sonegação fiscal? É caso de instauração de procedimento administrativo fiscal?
....
Alô, alô, alô (desligou na minha cara).

Luciano Olivo de Almeida disse:
12 de fevereiro de 2022 às 13:15

mais uma "notícia" força barra do grupo "impunitivas" contra o Moro, o próprio texto reconhece que a pejotização tem sido aceita pelo Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e até pelo Supremo Tribunal Federal.

acsgomes disse:
12 de fevereiro de 2022 às 15:57

E aí Conjur? Nenhuma matéria sobre essa ligação do procurador Lucas Furtado com o PT?
https://www1.leiaja.com/politica/2022/02/11/veja-e-mail-interliga-pt-e-procurador-que-investiga-moro/
Veja: E-mail interliga PT e procurador que investiga Moro
“Erenice, peço que leia o texto da representação que pretendo encaminhar ao TCU. Tenho certeza que o tema é da mais alta relevância para as agências e, portanto, para os usuários de serviços públicos e para o governo”, disse Furtado. “Aliás, seja absolutamente sincera quanto à necessidade ou conveniência de ser encaminhada a presente representação e fique à vontade para fazer qualquer sugestão de nova redação para o texto, seja para incluir nova redação, seja para excluir partes dele. Grande abraço, Lucas Furtado”, diz o e-mail.

elias nogueira saade disse:
12 de fevereiro de 2022 às 16:22

Infelizmente, a CONJUR persegue infatigavelmente Moro, o que é falsa liberdade de imprensa. Os escritórios de advogado são tributados como pessoa jurídica, como também jornalistas e artistas, e também o seu protegido LULA que assim recebia por suas falsas palestras.

GCB Advogado disse:
13 de fevereiro de 2022 às 08:19

o deu$ nu!! Triste ver quem insiste em não ver!! Defende!! Defeende, defende, defende, como o Miliciano DRIBLE fosse a coisa mais normal, a julgar pela régua dele mesmo!

José Ribas disse:
14 de fevereiro de 2022 às 03:27

Acorda MP, eu tive um pesadelo agora. Achei q havia consultoria lá fora, mas q nada. Foi apenas paga por serviços jurídicos destruidores da economia nacional.

Ondasmares disse:
14 de fevereiro de 2022 às 07:49

Como Moro sempre dizia, a lei é para todos e ninguém está acima da lei - se bem que ele considerava bom não melindrar FHC.

Portanto, se há algum indício ou dúvida sobre seus pagamentos, ele pode ser investigado, não pode? Ou ele está blindado de qualquer investigação?

É até bom para ele, porque se a investigação concluir que foi tudo OK, não ficam dúvidas pairando por aí.

viraliza.app disse:
14 de fevereiro de 2022 às 10:47

o choro é livre, mas eu gostaria de saber se o jornalista da conjur é contratado como CLT ou PJ.
duvido ser CLT.
Engraçado que a própria conjur tem matéria incentivando contratação de PJ. Quanta hipocrisia

moi disse:
14 de fevereiro de 2022 às 11:20

Coitado do Moro, acossado por todos os lados: amigos de lula, inimigos da Lava Jato, bolsonaristas, parlamentares que odeiam combate à corrupção... Quem aguenta? Outra coisa, foi só eu quem percebi a sutil malandragem da reportagem? "Moro PODE ter deixado de pagar IR". Se se confirmar que não houve sonegação, sem problema: o mal já está feito e o objetivo alcançado! Lamentável esse tipo de jornalismo!

moi disse:
14 de fevereiro de 2022 às 11:31

Curioso o Conjur: primeiro diz que “Moro recebeu, DE FORMA SIMULADA, como PJ. Como se receber ganhos na forma de pessoa jurídica fosse crime. Depois diz que o procedimento é legal, no entanto ressalta que há abusos e o caso de Moro teria sido um desses!
Será que não percebem que o ataque contra o ex-juiz está um tanto escandaloso?

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