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Estúdio ConJur As consequências do aumento da taxa Selic para 10,75%

No último dia 2, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou uma nova alta na taxa Selic com o objetivo de conter a inflação. Em apenas 12 meses a taxa de juros básicos da economia passou de 2,2% para 10,75% ao ano.

De acordo com o Banco Central, os aumentos na taxa Selic continuarão, porém, a velocidade de variação será reduzida, a elevação não será tão expressiva como tem sido nos últimos meses.

A taxa Selic é utilizada como valor de referência para muitas operações do sistema financeiro. Como consequência da alta, as possibilidades de fazer empréstimos ou financiar compras ficaram reduzidas, tanto para empresas quanto para pessoa física, pois as exigências são maiores e fica mais difícil conseguir um crédito e, quando a operação é liberada, o cliente tem que pagar mais.

Impacto do aumento da taxa Selic no crédito pessoal
Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o juro médio para pessoa física subiu de 110,17% para 113,03% ao ano. Isso quer dizer que o último aumento da Selic, que foi de 1,5 pontos gerou uma elevação de quase três pontos na taxa média das operações de crédito para pessoas físicas.

Em outras palavras, ao fazer um empréstimo de R$ 6 mil, em um ano o tomador do crédito teria que desembolsar R$ 8.834,40, sendo R$ 2.834,40 de juros, em vez de R$ 8.772,48 que seria o valor com a taxa de 110,17% ao ano, uma diferença de R$ 61,92.

Se bem que essa diferença não é muito alta e apenas percebida, por estar diluída nas 12 parcelas, quanto maior for o prazo de parcelamento de um empréstimo, maior será a diferença pelo efeito dos juros compostos. Por exemplo, se o mesmo empréstimo de R$ 6 mil fosse feito em dois anos, o total do pagamento seria de R$ 12.030,96, sendo R$ 6.030,96 de juros. Isto é, em um ano mais de prazo o cliente pagaria mais que o dobro de juros, R$ 3.196,56 a mais.

Como foi dito acima, essa é a taxa média, apenas um valor de referência, não quer dizer que todos os créditos tem essa taxa, por isto é importante simular um empréstimo e analisar a situação particular de cada pessoa ou família.

De acordo com a tabela de taxas de juros do Banco Central, as instituições financeiras informaram créditos com taxas entre 12,74% e 941,95% ao ano. Voltando ao exemplo anterior, tomar um crédito de R$ 6 mil em 12 meses, com uma taxa de 12,74% a.a. significa pagar R$ 6.397,08, com uma taxa de 941,95% a.a. o total da operação seria de R$ 17.178,84. Por esse motivo, antes de assinar qualquer contrato é conveniente pesquisar e dedicar alguns minutos para simular operações nas diferentes instituições financeiras do sistema autorizadas para liberar créditos.

Como fica o crédito imobiliário depois do aumento?
O financiamento para compra de imóveis também ficará mais caro, não só pelo aumento da taxa básica de juros, mas também pelo aumento dos custos da construção, que em janeiro aumentaram 0,64% de acordo com o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC).

Porém, essa modalidade de crédito tem uma vantagem diante das outras: a alta pode ser menor, porque esse tipo de financiamento conta com subsídios governamentais.

Para o período de janeiro deste ano, o Banco Central registra financiamentos imobiliários com taxas médias de mercado de até 14,47% ao ano. Considerando esse valor, comprar uma casa de R$ 150 mil parcelada em 15 anos exigiria 180 parcelas de R$ 1.953,47, no total R$ 351.624,60, sendo R$ 201.624,60 de juros. Assim como as demais linhas de crédito, antes de fazer um contrato desse tipo, que compromete a renda familiar por muitos anos, é preciso analisar bem todas as ofertas e consultar com várias instituições financeiras os custos de acordo com o perfil.

Como influi o aumento da taxa na caderneta de poupança e nos fundos de investimentos?
A poupança, que é uma das formas mais utilizadas para guardar o dinheiro, há um bom tempo tem um rendimento inferior à inflação, a correção está em 0,5% ao mês mais a taxa de referência. Até janeiro essa taxa referencial estava em zero, mas aumentou um pouco, porém não ajuda a que o rendimento da caderneta supere a inflação do IPCA nem o rendimento líquido do Tesouro Direto.

Em geral, os fundos de investimentos lastreados em renda fixa sobem com a alta da Selic. Mesmo assim, há fundo e fundos, e é preciso pesquisar e analisar muito bem a situação de cada um para poder investir em algum.

Atualmente há uma grande possibilidade de investir o dinheiro, com segurança e com rendimentos melhores que os da poupança, por exemplo. Porém, exige que o investidor tenha conhecimentos do mercado de finanças para poder escolher bem o investimento de acordo com seu perfil e seus objetivos futuros.

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