Celso de Mello ressalta história de Manoel Rodrigues Jordão

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello rememorou neste fim de semana a história de Manuel Rodrigues Jordão, o “Brigadeiro Jordão”, paulistano, nascido em São Paulo em 1781 e falecido nessa mesma cidade em 1827, com 46 anos de idade.

Pedro Américo/Reprodução

Eternizado no quadro de Pedro Américo, Brigadeiro Galvão não estava presenta no momento da proclamação da Independência
Reprodução

"Ele foi um dos mais ricos proprietários na Capitania de São Paulo! Possuía enormes fazendas e largos estratos de terras! Foi numa dessas terras a ele pertencentes, no bairro do Ipiranga, na capital paulista, que Dom Pedro, então Príncipe Regente, proclamou a nossa Independência de Portugal!"

“É importante observar que Dom Pedro, nos dias em que permaneceu em São Paulo, naquelas históricas jornadas de setembro de 1822, inclusive no próprio dia 07 de setembro de 1822, alternou sua hospedagem entre as residências do Brigadeiro Jordão e de Antônio da Silva Prado (futuro Barão de Iguape), pai de dona Veridiana da Silva Prado (há, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, uma rua designada em sua homenagem)”, pontua o jurista.

Celso de Mello lembra que a figura do Brigadeiro Jordão está eternizada no célebre quadro Independência ou morte, de Pedro Américo, que está no Museu do Ipiranga (oficialmente Museu Paulista, da USP). "Há uma curiosa história sobre a inclusão do Brigadeiro Jordão nesse quadro, feita pelo famoso pintor Pedro Américo, assim relatada pelo historiador Edmundo Ferreira da Rocha: 'O Brigadeiro Jordão foi uma figura histórica da nossa Independência. Com Antonio da Silva Prado, o Barão de Iguape, hospedou na cidade de São Paulo, no dia 7 de setembro de 1822, o Príncipe Regente D. Pedro, no velho prédio de sua propriedade, do canto das ruas Direita e S. Bento, posteriormente Hotel de França, hoje Palacete Jordão'".

O ministro aposentado segue citando o historiador Edmundo Ferreira da Rocha: "Há quem diga que, entre aquelas pessoas que aparecem ao lado de D. Pedro I, no famoso quadro de Pedro Américo (pintor, romancista e poeta – Areia/Paraíba, 29/04/1843 – Florença, 07/10/1905), Independência ou morte, mais conhecido como O grito do Ipiranga, datado do ano de 1888, sobre o momento da nossa independência, está o brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão".

“Segundo o que tudo indica, porém, naquele exato momento, o brigadeiro Jordão não estava ali. Como os documentos históricos registram, D. Pedro I proclamou a Independência na volta de uma viagem a Santos, na qual se fizera acompanhar de vários integrantes da Guarda de Honra, corporação honorária cujos membros podiam seguir voluntariamente o imperador em viagens e solenidades. Estranhamente, porém, o nome do brigadeiro Jordão, paulistano dos mais ricos de sua época, grande amigo de D. Pedro I, e também pertencente à Guarda de Honra, não aparece na lista dos participantes da viagem”, explica o historiador, citado pelo ex-integrante do STF.

"Pedro Américo, ao pintar o quadro, sessenta e seis anos após o grito do Ipiranga, deve ter pensado: 'Se não estava presente, bem que poderia estar', daí ter incluído a figura do brigadeiro Jordão no quadro. Razões para pensar assim não lhe faltavam. Afinal, D. Pedro I, quando em São Paulo, alternou sua hospedagem nas casas do brigadeiro Jordão e de Antonio da Silva Prado, o barão de Iguape (à época, ambos moravam nos dois sobradões, um frente a outro, existentes na esquina da Rua Direita com a São Bento). Acresça-se a tudo isso o fato de que foi nas terras de uma propriedade do brigadeiro – a Chácara das Paineiras, no Ipiranga — que D. Pedro I proclamou a Independência".

“Tamanha era a riqueza de Manoel Rodrigues Jordão que ele, com o seu dinheiro, supria os cofres públicos, em casos de necessidade. As cidades paulistas de Campos do Jordão e Tatu floresceram em antigas propriedades suas”, explica o historiador, conforme relata Celso de Mello.

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