Governo do Reino Unido aprova extradição de Julian Assange

A ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, aprovou na sexta-feira (17/6) ordem de extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para os Estados Unidos, onde o jornalista é acusado de espionagem por ter publicado documentos confidenciais relacionados às guerras no Iraque e no Afeganistão.

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Decisão é "um dia sombrio para a liberdade de imprensa e para a democracia britânica", diz WikiLeaks Reprodução

O Ministério do Interior informou em comunicado oficial que Assange tem 14 dias para recorrer da decisão.

Entenda
Em 20 de abril deste ano, a Justiça britânica já havia emitido um mandado para que o jornalista fosse entregue aos EUA. Agora, a ministra do Interior aprovou o pedido. 

"De acordo com a Lei de Extradição de 2003, o Secretário de Estado deve assinar um pedido de extradição se não houver motivos para proibir o pedido", afirmou um porta-voz da pasta no comunicado.

O porta-voz acrescentou que "os pedidos de extradição só são enviados ao Ministério do Interior quando um juiz decide que eles podem prosseguir após ter avaliado vários aspectos do caso".

"Em 17 de junho [nesta sexta-feira], após uma avaliação feita pelos juízes da Corte de Magistrados de Westminster e do Tribunal Superior, foi ordenada a extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. Assange retém o direito de recorrer dentro de 14 dias", diz o texto.

Segundo o representante do governo britânico, os tribunais consideraram que não seria "opressivo, injusto ou um abuso de processo extraditar Assange".

"Tampouco acreditam que a extradição seria incompatível com direitos humanos, incluindo seu direito a um julgamento justo e à liberdade de expressão, e que enquanto estiver nos EUA ele será tratado adequadamente, inclusive em relação à sua saúde", diz o comunicado.

Assange é procurado pelas autoridades norte-americanas por causa de documentos vazados em 2010 e 2011, que os EUA dizem violar a lei e colocar vidas em risco. 

O WikiLeaks, a organização fundada pelo jornalista, disse em um tuíte que a aprovação da extradição foi "um dia sombrio para a liberdade de imprensa e para a democracia britânica". 

O site, que publicou documentos que expuseram a má conduta militar dos EUA durante as guerras do Iraque e do Afeganistão, afirmou que Assange "não fez nada de errado" e está "sendo punido por fazer seu trabalho". Também informou que a decisão será apelada.

"Estava no poder de Priti Patel fazer a coisa certa. Em vez disso, ela será para sempre lembrada como cúmplice dos Estados Unidos em sua agenda para transformar o jornalismo investigativo em um empreendimento criminoso", criticou a organização.

Segundo a agência de notícias Deutsche Welle, anteriormente um juiz britânico havia bloqueado a extradição de Assange alegando que ele estaria em risco de cometer suicídio se condenado e mantido em uma prisão de segurança máxima.

Mas isso foi anulado em um apelo depois que os EUA ofereceram um pacote de garantias, incluindo a promessa de que o jornalista de origem australiana poderia ser transferido para a Austrália para cumprir qualquer sentença.

Julian Assange está preso na penitenciária de segurança máxima Belmarsh, na Inglaterra, desde 2019. Antes, ficou na embaixada do Equador em Londres por sete anos. Ele nega qualquer irregularidade.

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