Dupla da ‘lava jato’ dá demonstração de força com votação no Paraná

Sergio Moro (União Brasil) e Deltan Dallagnol (Podemos) foram eleitos neste domingo (2/10) para senador e deputado federal, respectivamente, pelo Paraná. E a vitória da dupla foi enfática. Enquanto o ex-juiz obteve 1,9 milhão de votos, o ex-procurador foi o candidato mais votado para a Câmara dos Deputados no estado, com 343 mil votos (99,96% das urnas apuradas até a publicação deste texto).

Antonio Cruz/ Agência Brasil

Para especialistas, Moro teve sucesso por pegar carona na popularidade de Bolsonaro
Antonio Cruz/ Agência Brasil

Peça central da autodenominada força-tarefa da "lava jato", o ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro superou o padrinho político Alvaro Dias (Podemos) na disputa por uma vaga no Senado. Além disso, Moro, que queria se candidatar por São Paulo, mas não conseguiu, emplacou o nome de sua mulher, Rosângela Moro (União Brasil), para a Câmara dos Deputados em terras paulistas. 

Depois de terem se tornado nacionalmente conhecidos por causa de sua atuação na "lava jato", Moro e Deltan protagonizaram um escândalo judicial sem precedentes graças às revelações da "vaza jato", que desnudou os métodos do consórcio de Curitiba.

A dupla parecia estar em baixa, mas neste domingo conseguiu dar uma demonstração de força. Para Fabio de Sa e Silva, professor de estudos brasileiros na University of Oklahoma, nos Estados Unidos, o êxito dos dois nas eleições é justificável. "O lavajatismo é uma variante do bolsonarismo. Tendo em vista o desempenho do presidente na eleição, é natural que esses personagens colham os dividendos eleitorais." 

O professor lembra que tanto Moro quanto Deltan, em suas campanhas, tentaram se associar a Bolsonaro de alguma maneira. "É um retrato dos valores que a sociedade brasileira hoje compartilha. Eles emulam muito do que o Bolsonaro faz. Pode até ter uma diferença estética, mas estão no mesmo campo." 

O advogado e doutor em Direito Econômico pela USP Ernesto Tzirulnik, por sua vez, opina que a "lava jato" ajudou a criar uma conjuntura que permitiu que a direita passasse a ter um espaço enorme na preferência dos eleitores brasileiros. "O resultado até aqui mostra que a consciência individual dos brasileiros retrata bem o grau de preconceitos e reacionarismo do Bolsonaro."

Já o criminalista Fernando Fernandes afirma que tanto a eleição de Moro quanto a de Deltan comprovam a necessidade de vigilância na aplicação da Constituição de 1988. "A atuação de um ex-juiz e um ex-procurador que usaram seus cargos para fazer política criou o que o ministro Gilmar Mendes chamou de estamento, que influiu na eleição de 2018 e acabou os favorecendo em 2022." 

Apesar do sucesso eleitoral, porém, Moro e Deltan poderão ter dificuldades no Congresso, conforme alertou à revista eletrônica Consultor Jurídico um advogado com livre trânsito em Brasília. "É natural que eles sejam eleitos. O desafio deles é sobreviver no Congresso Nacional e continuar relevantes em 2026." 

Rafa Santos

é repórter da revista Consultor Jurídico.

acsgomes disse:
02 de outubro de 2022 às 23:47

Impressionante a capacidade da Conjur em selecionar análises totalmente equivocadas, para não dizer patéticas. Moro e Deltan foram eleitos porque o povo prefere quem combate a corrupção e não quem "passa pano" para ela, simples assim. Vê se o Augusto Botelho foi eleito....

Vitor Alexandre de Sousa Perillo disse:
03 de outubro de 2022 às 00:10

Perdão colega, mas discordo de você, essa posição de "justiceiros" que o Moro e o Deltan representam é uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito. É nitido que esses dois personagens usaram seus cargos de juiz e procurador da república para atender ás suas aspirações politico-partdiarias. Eu até posso acreditar que esses dois sejam mesmo bem intecionados, mas o agir, a conduta deles foi abusiva na Lava Jato. Eu sou a favor do combate á corrupção, desde que observada a lei e a Constituição, se não voltamos para a Idade Média época em que o acusado ser despedaçado ou enforcado em praça pública para o mero deleite do público. Para mim, aquela exposição midiatica da Lava Jato, os audios bombasticos que "vazavam" dos autos (até mesmo nas vesperas de eleições) são o retrato de um Poder Judiciário e de um Ministério Público arcaico e medieval. E mais: as conversas vazadas entre Moro e Deltan mostram um Ministério Público e um Judiciário unidos em um proposito que é acusar e condenar quem eles consideram "corruptos". O Juiz não pode combater a corrupção, cabe a ele apenas julgar o fato e condenar ou absolver o agente com base na lei penal. Alias, eu tenho minhas dúvidas se cabe ao Ministério Público tambem "combater a corrupção". A minha visão é que o Ministério Público muito mais um orgão garantidor de uma acusação justa e pautada na legalidade e constitucionalidade do que simplesmente um orgão voltado a combater a criminalidade em si. Portanto, á luz da nossa legislação processual penal e da nossa Constituição, não vejo como sustentar que Moro e Deltan fizeram a coisa certa, tanto é verdade que as ações tiveram que ser anuladas por erros deles, ou seja, no final das contas eles causaram dano ao erário público com suas condutas ilegais.

Gabriel Matheus disse:
03 de outubro de 2022 às 08:13

Fiquei esperando, em vão, o momento do texto que conteria alguma avaliação positiva.

-- disse:
03 de outubro de 2022 às 11:36

Alguns não conseguem assimilar a resiliência dos seus oponentes e daí minimizam maldosamente toda e qualquer conquista legítima... O Brasil se tornou uma guerra de narrativas, tanto de um lado como do outro, e ambos lados se tornaram eternamente escravos delas, infelizmente... perdemos a objetividade e a honestidade de argumentos.

Marcelo-Advogado disse:
03 de outubro de 2022 às 12:32

Será que a mídia, os 3 poderes, as instituições permanentes, os juristas faladores, etc., ainda não entendeu que o povo, pelo menos uma boa parte deles, não pactua com a corrupção, com o autoritarismo, com a mentira. Olha a vergonha que foi para a mídia e empresas de pesquisa eleitora! Quem quer que entre, entendam o movimento de descontentamento demonstrado. E fica a lição ao Judiciário: pare de achar que estão no filme Minority Report… a mídia e vcs próprios criaram essa imaginação de golpe, de violência eleitoral, etc. mais uma vez isso não se confirmou, até este momento. A única ameaça veio do próprio STF e TSE, ameaças reiteradas de prisão neste ou naquele caso. Lamentável o que se viu neste país nos últimos 6 meses.

Limago disse:
03 de outubro de 2022 às 13:04

Eu tenho Moro e Deltan como heróis nacionais, tipo Super-homens. Combateram o mal (corrupção institucionalizada) com os poderes que tinham.

Infelizmente, ao final o errado venceu o certo e todo trabalho foi perdido. Mas, ao menos o ciclo foi quebrado e o que era enraizado como regra, passou a ser exceção, como deveria ser.

Serem eleitos foi uma forma de reconhecimento pelo povo brasileiro. Quem sabe até, o nascedouro de um partido político anticorrupção!

Jacques Villeneuve disse:
03 de outubro de 2022 às 22:00

Totalmente de acordo com você, Vitor Alexandre de Sousa Perillo. Embora eu ainda apoie a Lava-Jato, eu sou pela correta aplicação do Direito.

Leuter disse:
04 de outubro de 2022 às 08:19

Interessante como os comunistas, com sua "novilíngua" querem ganhar todas no sopapo.
"Lavajatismo é Inconstitucional", seria novidade somente em papo de botequim. Uma argumentação dessas é tão pobre que chega a provocar um forte mal-estar naqueles que procuram ao longo do descabimento do texto algo que possa embasar que a "conduta ilegal", a "inconstitucionalidade", o despropósito de fato tenham existido. Quer argumentar alguma coisa em direito? Falar do "Estado Democrático de Direito"? Me diga onde a Justiça Federal tenha limitação de foro em todo o território nacional. Me diga onde as decisões dos TJF agiram fora de sua jurisdição, baseado em qual lei mesmo?
Que me desculpem os socialistas de calça curta, mas argumentação em direito tem que apresentar o seu embasamento; na letra da lei, na jurisprudência e/ou na Doutrina. Não vi nada disso acontecer na soltura do ladrão.
Criminosos tem que ser julgados sim, dentro do legítimo processo penal, mas de forma célere, para minimizar os efeitos do crime, para afastar as nefastas impunidades e até para calar os falsos argumentos de "comunistóides", cujas lamúrias (parcas e pobres) são nada mais, nada menos do que "vento engarrafado".

Ramon Araújo disse:
04 de outubro de 2022 às 08:56

Mais uma vez, cito a frase do Karnal: "Não existe isso de país com governo corrupto e população honesta".

E escrevo de modo geral, não me referindo a esses dois cidadãos.

acsgomes disse:
04 de outubro de 2022 às 09:16

Vc acredita realmente nessa baboseira que a Lava Jato não seguiu a lei e a CF? Ora, essa é uma das narrativas empregadas por qualquer político numa investigação. Começa negando a existência de provas, depois passa a afirmar que é perseguição política e por último alega que ilegalidades foram praticadas. É um comportamento padrão desse pessoal. Quanto as mensagens da Vaza Jato, o Sr dá importância a elas? O Sr. sabia que não existe qualquer perícia que ateste a veracidade, autenticidade e não adulteração das mesmas? Se o Sr está preocupado com o cumprimento das leis então, por consequência, não deveria fazer a menor menção a essas mensagens. E outra, mesmo que sejam verdadeiras, não há NADA, absolutamente NADA de grave nelas. É claro que os defensores dos bandidos corruptos criaram uma narrativa negativa baseada nelas e fizeram muita propaganda. Muitos membros dos tribunais superiores praticaram (e praticam) coisas muito piores do que o que foi divulgado na Vaza Jato. Como disse o Daniel Dantas, numa conversa gravada pela PF, ele temia o juiz de 1a instância, mas não os dos tribunais superiores, onde ele tinha "facilidades".

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