Aldo Rebelo avalia que Lira seguirá com poder de ‘primeiro-ministro’

O presidente da Câmara tem de ter responsabilidade e não deve pautar processos descabidos contra os chefes do Executivo, pois sua eleição representa a vontade do povo, segundo o ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo.

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Ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo acredita que influência de Arthur Lira deverá ser mantida durante o governo Lula

"Quando eu fui presidente da Câmara, arquivei 32 processos contra o presidente Lula e arquivaria também se fosse contra a ex-presidente Dilma ou o ex-presidente Bolsonaro, porque eu acho que presidente é o povo quem elege", relembrou em entrevista à jornalista Thais Oyama do portal Uol

Na conversa, Aldo analisou a amplitude do poder exercido por um presidente da Câmara dos Deputados, lembrando que o posto confere ao titular a possibilidade de ser o único entre 215 milhões de brasileiros a iniciar um processo de impeachment contra um presidente da República. 

"Então, hoje, a Câmara é a instituição que já afastou dois presidentes da República: Fernando Collor e Dilma Rousseff. Michel Temer só não foi afastado porque, na prática, abdicou de governar e entregou o poder à Câmara", avaliou.

Rebelo disse que é muito ruim para qualquer governo brigar com o presidente da Câmara, já que ele também tem o poder de definir o que será votado ou deixará de ser votado, além da prerrogativa de escolher os relatores das matérias.

"O presidente da Câmara pode criar muitos problemas para o governo — por exemplo, se resolver trancar uma determinada pauta ou apontar um adversário do presidente para relatar determinado projeto. Isso significa que, se o governo estiver bem, o presidente da Câmara pode criar muitos problemas para ele. E, se o governo estiver mal, o presidente da Câmara pode derrubá-lo. O poder dele é decisivo", avaliou. 

O poder de Arthur Lira
Questionado sobre o quão poderoso o presidente reeleito da Câmara, Arthur Lira, terá no governo do presidente Lula, Aldo lembrou que no governo anterior o parlamentar era apontado nos bastidores como o "primeiro-ministro" do Brasil e deve seguir com essa influência. 

"Isso porque o presidente Lula, com todo respeito, não tem votos na Câmara. Ele tem apenas os votos da coligação que o ajudou a se eleger — o resto ele vai ter de disputar", avaliou. 

Rebelo, contudo, lembra que o governo tem vantagem por ter os ministérios, o Tesouro, o Banco Central, o Banco do Brasil, a Caixa e outros instrumentos de poder, mas que esse poder de barganha só vale quando o Poder Executivo acerta. 

"É como diz o pessoal: casamento com governo é só na saúde e na alegria. Na doença e na tristeza, esqueça", sintetiza

O segundo mais poderoso
Rebelo apontou o cargo de  primeiro-secretário da Câmara como o segundo mais poderoso do parlamento. Isso porque ele tem um orçamento gigantesco para administrar. "Estados do Brasil não têm o orçamento que a Câmara tem. E o primeiro-secretário é quem autoriza, chancela as despesas da Casa, assina contratos para comprar água, café, para contratar milhares de terceirizados. O primeiro-secretário é o tesoureiro, o ministro da Fazenda da Câmara", explica.

Por fim, o ex-presidente da Câmara refutou o rótulo de "fisiológico" aplicado pela jornalista nas disputas de poder do parlamento. "Por que o poder disputado pelos políticos é fisiológico e o das empresas não é? Acabou de ter uma disputa por poder na Fiesp. Há disputa por poder na esfera política, econômica, eclesiástica e jornalística. Vocês [jornalistas], quando chegam numa redação, a primeira coisa que fazem é botar os amigos nos cargos mais importantes e tirar dali os que não conhecem. Poder é poder", resume.

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