Juíza reconsidera e libera festa de Carnaval em bar do centro de SP

Um bar localizado na região central de São Paulo conseguiu reverter uma decisão da 15ª Vara Cível de São Paulo que limitava os ruídos emitidos e proibia a utilização de vias públicas durante o Carnaval.

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anncaJuíza reconsidera decisão e libera festa de Carnaval em bar do centro de São Paulo

O estabelecimento é um bar que se anuncia como de esquerda, voltado à promoção de arte, cultura e lazer no centro da capital e alega estar sendo perseguido por um vizinho, incomodado com o barulho no local.

O autor buscou o Judiciário alegando que o local era foco de “muita algazarra” e solicitou “celeridade e urgência na progressão e agravamento das medidas fiscalizatórias e administrativas, rumo à interdição e lacração do estabelecimento”.

A defesa do bar sustenta a tese de que a ação do vizinho seria movida por questões ideológicas e disse que a concessão da liminar configurava "medida gravosa que impunha risco à continuidade das atividades do negócio, uma vez que estavam preparados para atender um intenso fluxo de foliões durante o Carnaval".

Inicialmente, a juíza Cinara Palhares concedeu a liminar pleiteada pelo autor para restringir as festividades em torno do bar. Porém, após a interposição de agravo de instrumento, ainda pendente de análise, a própria magistrada reconsiderou em parte sua decisão.

"Durante o feriado de Carnaval, os ruídos serão em certa medida inevitáveis, o que causará um natural abalo no sossego do local. É preciso, nesse caso, razoabilidade para que os direitos e garantias fundamentais (lazer, diversão, tranquilidade, ir e vir, sossego, etc.) sejam equilibrados para que não resulte numa decisão injusta. Reconsidero, pois, em parte, a decisão liminar para que surta os seus efeitos a partir de 22/2/2023", afirmou a magistrada.

Ela acolheu parcialmente os pedidos formulados pelo bar, entendendo por bem postergar os efeitos da tutela de urgência deferida para depois do Carnaval, autorizando, o atendimento ao público de forma irrestrita durante o feriado. 

O bar é representado pelos advogados Poliana Chinamerem Moreira Kamalu e Ian Aurichio de Mello, sócios do escritório Kamalu Aurichio Sociedade de Advogados.

"A decisão é importantíssima para o Boteco Furdúncio e para os foliões que pretendem passar pelo centro de São Paulo, uma vez que a ocupação democrática daquele espaço promove eventos, saraus, festividades, exibições de cinema na rua, em meio a uma região tomada pela violência urbana e abandono por parte do Poder Público", disseram.

Processo 1007022-83.2023.8.26.0100

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