No papel do assaltante que, depois do roubo, grita “pega ladrão” para camuflar sua fuga, o cronista Conrado Hübner Mendes, que se apresenta como “professor da USP”, atacou nesta semana, na Folha de S.Paulo, advogados e juízes que decifraram o DNA criminoso da autoapelidada “operação lava jato”.

Conrado Hübner Mendes tentou explicar por que trabalhou por golpe militar no país
Hübner Mendes — a exemplo de jornais que fraudaram notícias no esquema juridicamente corrupto que avassalou Curitiba, Brasília e o Rio de Janeiro — tenta explicar, na ofensiva, por que trabalhou para que o país fosse vítima de um golpe militar. A “lava jato”, como se sabe, funcionou como comitê eleitoral de Jair Bolsonaro e sua tropa.
A descrição do cronista, que faz as vezes de animador de auditório, é factualmente falsa. Ataca as decisões do ministro Dias Toffoli, que apenas replicou os entendimentos do STF. Covardemente, faz acusações genéricas sem fundamentar suas ilações e sem mencionar a quem se refere.
Em seu libelo, Hübner atua como “livre-atirador”, nas palavras de Lenio Streck, escrevendo “como um outsider”. “Apoiou a ‘lava jato’ e agora, como ex-lavajatista, inventa espantalhos para esconder esse passado. E sai queimando caravelas. Sem se dar conta de que, quando ele fala do neolavajatismo, fala com conhecimento de causa. Afinal, quando Pedro fala de Paulo, fala mais de Pedro do que de Paulo.”
O colega advogado Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, não esconde o espanto com a leviandade do texto. “Impressionante como reagem as viúvas da ‘lava jato’”, opina. “Não podemos permitir que se escondam entre nós.”
“O artigo é pobre. Carregado de ressentimentos e de adjetivações caluniosas. As ofensas aos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e à advogada Roberta Rangel são inaceitáveis. Devem ser rigorosamente apuradas”, defende Carvalho.
Pedro Serrano aponta que as críticas de Hübner são totalmente infundadas, lembrando que as decisões de Dias Toffoli meramente suspenderam o pagamento de compensações financeiras acordadas em uma situação de desvantagem para uma das partes do acordo.
“Todos sabiam que, se não fizessem concessões às intenções político-partidárias da ‘lava jato’, ou seja, se não acusassem políticos do campo progressista, em especial as grandes lideranças desse campo, não teriam suas delações aceitas e, portanto, estariam sujeitas a prisões preventivas, a uma série de mecanismos arbitrários e de exceção nas investigações e processos”, lembra Serrano.
Assim, Hübner comparou coisas incomparáveis, de acordo com o advogado: de um lado, todo o aparato de perseguição estatal, usando medidas de exceção com finalidade política. Do outro, “discursos de advogados”, que se opuseram aos métodos ilegais da “lava jato” mesmo a um alto custo pessoal, mesmo em momentos em que a mídia e a opinião pública eram quase unanimemente a favor dos métodos de perseguição dos procuradores e juízes.
O criminalista Pierpaolo Bottini bate na mesma tecla: “Não acho que as decisões de Toffoli e aquelas da ‘lava jato’ sejam comparáveis. O ministro determinou uma investigação, uma apuração de fatos, algo distante das conduções coercitivas, prisões mal fundamentadas e vazamentos seletivos de informações que pautaram atos de parte dos agentes que atuaram em Curitiba.”
A desonestidade dos argumentos do cronista, por fim, fez o juiz Alexandre Morais da Rosa jogar a toalha: “O grau de conjecturas, deslizes imaginários e ausência de inferências válidas e sólidas impede qualquer crítica racional à opinião do articulista”.
A matéria é de uma parcialidade extrema. Os defensores da corrupção continuam firmes na sua saga. É melhor manter os corruptos soltos do que tê-los presos, e propunham a continuação da perseguição aos que mostraram a corrupção que atingiu elevados cargos políticos e empresariais. Viva a corrupção. O povo que paga a conta que se dane.
Conrado Hübner é um dos raros juristas que tem a coragem de criticar com desassombro, comportamentos inadequados para um magistrado e deslizes cometidos por ministros do STF, bem como, decisões que, para dizer o mínimo, são estranhas. Comete exageros, comete sim. Contudo, é criticado, como agora o é, por não integrar o numeroso grupo de juristas, advogados e juízes que vivem se auto agradando. Como assinante da Folha, li o artigo que foi, por sinal, muito bem escrito - muito acima deste da Conjur que parece ter sido escrito com o fígado - e concordo com boa parte da critica que ele faz. A CONJUR precisa aprender a conviver com a crítica e com quem pensa diferente do seu grupo ou, seria panela?
Parabéns e todo apoio a Conrado Hubner. Cheio de leviandade e inferências descabidas é este texto.
Em se tratando de lava-jato a emoção supera a razão, seja nas coberturas, seja nos comentários. É fato que o professor Conrado está sendo submetido a uma saraivada de críticas, principalmente por ir, escrever contra alguns integrantes do Supremo como se esses fossem, como se diz com relação ao Papa, infalíveis; não o são. No entanto foi publicado há um tempo que Conrado submetia seus textos aos procuradores da extinta operação e isso não pode passar despercebido. É verdade? Ele contestou essa afirmação? Parece que não. Então o que podemos fazer é olhar de fora e tentar analisar tudo com as poucas informações que temos, sem tomar partido, pois desconhecendo tudo e o contexto fica difícil se expressar em favor desse ou daquele.
O exposto aqui, é notícia ou opinião. Da forma dita "cronista", entende-se o que está aqui, também é uma crônica. Não é uma narração de fato, é uma emissão de opinião, disfarçada de notícia. Triste!
Que matéria absurda. Repleta de ad hominem e absolutamente enviesada. Articulista que para meu espanto é diretor do website de baixíssimo nível.
Que houve uma montanha de dinheiro desviado de estatais e que, depois, passou aos bolsos de políticos e empresários, isso é fato. Lado outro, o que o juiz federal e o Ministério Público federal fizeram na condução das ações penais é o maior absurdo jurídico que podíamos assistir neste país. No início tiveram apoio maciço dos Tribunais, inclusive dos Superiores. Demorou, mas a ficha acabou caindo na cabeça dos ministros que passaram a ver e por freios nos excessos praticados em Curitiba. De forma que, houve desvio de dinheiro, mas houve abusos e crimes cometidos pelo juiz e pelos acusadores. E, todos sabemos, em nome do combate ao crime o Estado não pode cometer crimes.
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