MUNDO ILUMINADO

Sul Global tem um papel essencial na transição energética

A secretária-geral da Conferência das Nações Unidas Sobre Comércio e Desenvolvimento, Rebeca Grynspan, afirmou nesta quarta-feira (26/6) que países do Sul Global, incluindo o Brasil e outras nações da América Latina, têm um papel essencial na transição energética e devem atrair investimentos.

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Rebeca Grynspan participou da 12ª edição do Fórum de Lisboa

A declaração foi feita durante exposição na 12ª Edição do Fórum de Lisboa, organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Lisbon Public Law Research Centre (LPL) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e pelo Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da Fundação Getulio Vargas (FGV Justiça).

O tema da palestra foi a busca por uma maior integração do comércio norte-sul. O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, moderou a exposição.

Em sua fala, Grynspan destacou como tendência atual a volta da política industrial e do protecionismo, com ênfase no setor de energias renováveis e de produtos relacionados a ela, como baterias e carros elétricos.

De acordo com ela, os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, terão papel essencial na transição energética porque detêm a maioria dos minerais necessários para o desenvolvimento da cadeia de energias renováveis.

“A grande maioria dos minerais críticos para a cadeia de valor de energias renováveis está no sul. Alguns países estão aproveitando essas riquezas para alavancar novas políticas de transformação estrutural que levem à alta produtividade e empregos de qualidade”, afirmou.

Ela citou como exemplo a Indonésia, que proibiu a exportação do níquel, em um esforço de construir a indústria de processamento doméstica.

“Chile, Argentina e Brasil são ricos em energias renováveis e minerais críticos para a transição energética e essa é uma grande oportunidade para uma política produtiva”, afirmou.

Mais integração

Quanto ao comércio, Grynspan destacou a tendência de crescimento entre o intercâmbio de produtos e serviços nos países do sul. Segundo ela, se em 1980, 60% do comércio mundial era feito entre países do norte, hoje essa mesma fatia representa 25% do comércio mundial, enquanto o comércio entre países do sul aumentou.

“O auge do Sul Global está levando a uma descentralização do poder econômico e do poder político a nível mundial, que tem sido chamada de ‘poliglobalização’. A poliglobalização responde a um mundo naturalmente mais multipolar e tem o potencial de gerar um crescimento global mais inclusivo”, disse.

ConJur

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Plateia do primeiro dia do XII Fórum Jurídico de Lisboa de 2024

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Rebeca Grynspan e Gilmar Mendes em painel sobre a

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Reprodução/Fórum de Lisboa

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Para ela, no entanto, é preciso aumentar reformar a arquitetura financeira para aumentar o fluxo de investimentos nos países em desenvolvimento, tarefa que o Brasil vem liderando no G20.

“O auge do sul global com seu crescente peso econômico e político abre uma janela de oportunidades sem precedentes para o comércio e a cooperação sul-sul. Essa oportunidade, no entanto, não deve ser vista como uma ameaça para o norte, mas como um catalisador para a inovação e o crescimento compartilhado. Em vez de pensar em blocos fechados e rivalidade, devemos abraçar uma visão ampla e colaborativa”, concluiu.

A 12ª edição do Fórum de Lisboa ocorre em Portugal entre 26 e 28 de junho e conta com transmissão ao vivo. Clique aqui para ver a programação completa.

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