Venda de sentenças

‘Nomadismo’ entre gabinetes pode estar associado ao crime organizado, diz presidente do STJ

O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Herman Benjamin, afirmou em entrevista ao Poder360 que o “nomadismo”, nome que o ministro dá a constante mudança de funcionários entre gabinetes de ministros, pode estar associado ao crime organizado.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministro Herman Benjamin, presidente do STJ

“É exatamente esse nomadismo que se associa ao crime organizado. Ah, o processo importante caiu no gabinete da ministra ou do ministro X ou Y. Então, você vai sair e vai para este outro gabinete. Não estou dizendo que isso foi constatado, mas é uma possibilidade”, disse.

O ministro afirma que o “nomadismo” era visto como natural: “O servidor chegava e dizia para o ministro: ‘Olha, eu recebi uma proposta melhor de um outro gabinete’. Ou ‘estou insatisfeito aqui e vou para o outro gabinete’. Até este episódio, não víamos problema nenhum”.

“Hoje temos que repensar como cuidar desse nomadismo. No meu gabinete, por exemplo, nunca teve. Estou aqui há 20 anos. A maior parte dos integrantes do meu gabinete está comigo pelo menos há 10”, declarou o presidente do STJ.

Benjamin diz que a investigação foi um “choque de realidade” para o tribunal: “Até este episódio, vivíamos num sentimento de Shangri-lá. De que éramos diferentes dos outros. De todas as
instituições brasileiras e estrangeiras”.

O ministro afirma reconhecer a gravidade da investigação, mas que “seria utópico imaginar que o Superior Tribunal de Justiça, com mais de 5.000 servidores, não tivesse uns poucos incapazes de se comportar de acordo com os padrões éticos que são exigidos”. “Agora, nós ministros queremos todos que esses fatos sejam apurados em profundidade. Punidos exemplarmente. E que o exemplo sirva não só para nós, mas para toda a Justiça brasileira, já que nós somos uma corte nacional”, declarou.

A Polícia Federal deflagrou uma operação no STJ em novembro de 2024. As apurações indicaram a existência de uma organização criminosa que atuava na antecipação de decisões judiciais.

Clique aqui para ler a entrevista na íntegra

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