CONDOR CONTEMPORÂNEO

Comissão da OAB divulga nota em defesa da soberania e da independência do Judiciário

A Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da OAB Nacional divulgou nota demonstrando preocupação e repudiando iniciativas de países estrangeiros que pretendam impor sanções a magistrados brasileiros em razão de atos praticados no exercício regular da função jurisdicional.

Raul Spinassé/CFOAB

Fachada do Conselho Federal da OAB, em Brasília

OAB defende, em nota, soberania do país e do Judiciário brasileiro

A nota foi divulgada em meio às especulações de represálias por parte do governo de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por sua atuação contra a intentona golpista capitaneada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nesta quarta-feira (21/5), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que “há uma grande possibilidade” de Alexandre ser alvo de sanções do governo norte-americano. Trecho da fala foi publicado pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) em sua redes sociais.

“Trata-se de uma clara violação aos princípios da soberania nacional, da independência dos Poderes e da não intervenção, pilares fundamentais do Direito Internacional e da ordem constitucional brasileira. A jurisdição é expressão da soberania, e somente o Estado brasileiro, por meio de seus próprios órgãos e segundo seu ordenamento jurídico, possui legitimidade para apurar e, se for o caso, responsabilizar seus agentes públicos”, disse a OAB em nota.

Para o presidente da Comissão de Estudos Constitucionais, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, é “absolutamente inaceitável que qualquer país estrangeiro pretenda submeter o Brasil a práticas de extraterritorialidade punitiva, afrontando nossa soberania e tentando nos reduzir à condição de nação subordinada”.

“Todos os brasileiros devem se insurgir contra essa tentativa de impor ao país o status de uma república de segunda categoria. O Brasil é soberano, cuida de seus próprios assuntos e não admite interferências externas em sua jurisdição,” disse Coêlho, ainda de acordo com a nota divulgada.

IAB endossa OAB

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) também divulgou nota repudiando as falas de Rubio sobre as possibilidades de sanções contra Alexandre. O texto é assinado pela presidente Rita Cortez e pelo presidente da Comissão de Direito Constitucional, Jorge Rubem Folena.

“É inaceitável a ameaça do governo norte-americano a qualquer autoridade brasileira, em ato que  representa indevida violação à soberania e à independência dos nossos poderes constituídos, em particular do STF. O Brasil convive em paz e harmonia com todos os países e exige respeito à sua autodeterminação”, diz a nota.

 

Luiz Carlos de C. Vasconcellos disse:
22 de maio de 2025 às 15:56

Deixem de desviar a atenção do centro do problema, que é o fato de Alexandre de Morais cometer ilegalidades contra empresas americanas. Ele mexeu onde não deveria ter mexido. Os demais ministros, espero eu, hão de ser também sancionados pela sua silenciosa e covarde conivência.

Alberto Louvera disse:
23 de maio de 2025 às 11:22

O princípio da soberania existe para os Estados Unidos e existe para o Brasil que não é quintal de Trump ou de quem quer que seja. Trump é maluco, mas não é burro; o seu seguidor, aqui no Brasil, é maluco e burro.

SM ADVOCACIA disse:
23 de maio de 2025 às 11:40

Data maxima vênia, como operador do direito vejo com perplexidade o posicionamento da nossa comissão em Direito Constitucional.

O que o Estados Unidos, e não o Governo Trump como a imprensa busca divulgar, está a praticar é a APLICAÇÃO DE SEUS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS estabelecidos em sua Carta Republicana e que foram regulamentados por meio de uma LEI APROVADA PELO CONGRESSO AMERICANO.

Naquele país, Estados Unidos, a liberdade de expressão e pensamento é algo que não pode ser preterido (por mais doloroso que seja) e deve ser protegido de quaisquer pensamentos divergentes, e assim respeitado.

Quando uma pessoa, DE QUALQUER NACIONALIDADE, pratica atos ou expõe pensamentos que possam atingir este VALOR (liberdade de expressão e de pensamento) são naturalmente consideradas persona non grata, ou seja, que não são desejadas em seu TERRITÓRIO NACIONAL.

A questão financeira (bloqueio de bens e valores, não ser permitido negociar com empresas americanas em solo americano) é uma consequência no sentido de extensão (se a pessoa é contra o valor da liberdade plena de expressão e pensamento, não tem porque manter relações comerciais e/ou financeiras em solo americano).

Tais pensamentos NÃO afrontam a soberania nacional, uma vez que, não busca atingir o Poder Judiciário e sim ao indivíduo (Alexandre de Moraes) que para albergar votos para suas decisões abusa de sua capacidade de convencimento de forma não baseada em nossas normas legais e/ou constitucionais e sim em ACHISMOS DESPROVIDOS DE FUNDAMENTOS JURÍDICOS (vide recente depoimento em sede criminal onde o ministro busca intimidar testemunhas para que as falar sejam em conveniência com seu interesse e pensamento).

Vamos ver os próximos capítulos??

A decisão que será tomada pelo Estados Unidos, qualquer que seja ela, precisará ser por nós respeitada, da mesma forma com que os Estados Unidos respeitam as decisões aqui tomadas.

Alex Mavian disse:
23 de maio de 2025 às 17:03

Não é papel da OAB defender pessoas do STF, o papel é defender a advocacia, mas nunca farão desagravo ao advogado na porta do STF com manifestação.
Agora os EUA deixar de aplicar sanções que entendem serem devidas por causa da OAB e outros órgãos do Brasil é sentar e chorar porque não vão mudar.

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