Nos últimos dois anos os bancos brasileiros e seus clientes tiveram um prejuízo de R$ 2,7 bilhões com crimes virtuais. No mundo, as perdas chegam a R$ 10,5 trilhões. Em 2024, o PIB do Brasil foi de R$ 11,7 trilhões, ou seja, os crimes virtuais movimentaram quase a soma de toda riqueza produzida no Brasil durante um ano.

Evento promovido pelo escritório Bottini & Tamasauskas reuniu especialistas para debater fraudes corporativas e investigações internas
Esses são alguns dados apresentados em evento sobre fraudes corporativas e investigações internas em evento promovido pelo escritório Bottini & Tamasauskas, nesta sexta-feira (28/3), em São Paulo.
Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, de estudos do Pólo Brasileiro de Segurança, de pesquisas recentes do Instituto DataFolha de 2024 e indicadores atualmente divulgados pelo Grupo Tecban e mostram a dimensão do problema.
Para se ter ideia, os bancos brasileiros já investiram R$ 5 bilhões na prevenção de fraudes e crimes. Além disso, 36% dos brasileiros já foram vítimas de golpes cibernéticos ou tentativas, isso até fevereiro de 2024.
Esse cenário foi discutido pelos especialistas Cláudio Alves Barreira (chefe substituto da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal em São Paulo), Eduardo Cezar Chad (sócio do Wald, Antunes, Vita e Blattner Advogados), Luciene Pandolfo (sócia fundadora do LP Consulting e sócia do Fleichman Advogados) e Igor Tamasauskas (advogado e doutor em Direito pela FDUSP).
Segundo os especialistas, o atual cenário exige uma atuação proativa das empresas e instituições financeiras na adoção de programas de conformidade para prevenir fraudes e proteger os dados de seus clientes e fornecedores.
Investigações internas
A inexistência de um marco legal para investigações corporativas foi um dos temas do segundo painel, que reuniu especialistas como Otávio Yazbek (advogado, doutor em Direito Econômico e sócio da Yazbek Advogados), Beatriz Rizzo (advogada criminal com experiência nos setores público e privado), Tiago Souza Rocha (advogado especializado em Direito Penal Econômico), Ana Lúcia Porcionato (superintendente jurídica cível do Santander) e Celso Poltronieri Neto (especialista em risco reputacional). Também participou o advogado e ex-procurador da República, Rodrigo de Grandis.
O debate girou em torno da necessidade de criar procedimentos de investigação internos eficazes que cumpram a missão de entregar resultados para a administração das empresas tenham segurança para tomadas de decisões.
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