O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, questionou, em entrevista ao jornal O Globo, um índice das universidades de Chicago e de Wisconsin que aponta que 26% dos brasileiros estão submetidos às regras do crime organizado. “Tenho dúvidas em relação a esse índice”, afirmou Lewandowski, complementando que a criminalidade preocupa os governos de forma geral, como o terrorismo ou as guerras regionais.

Lewandowski falou sobre facções em entrevista ao jornal O Globo
“Os países não têm mais condições de combater essa criminalidade de modo isolado. O problema das facções é muito sério. Temos mais de 80 delas operando no sistema prisional.”
Em relação ao assassinato do ex-delegado Ruy Fontes, o ministro pregou cautela. “As investigações vão revelar se a execução está ligada ao crime organizado ou a outro motivo, como a atuação à frente da Secretaria de Administração de Praia Grande (SP)”, disse ao jornal. “Vamos aguardar o resultado. Todo crime violento é imediatamente ligado às facções, mas não é bem assim.”
Lewandowski ainda defendeu que é necessário organizar as atribuições de cada instituição persecutória para tornar a investigação criminal mais eficiente. “Tradicionalmente, a Polícia Civil e a Polícia Federal faziam as investigações. Há estranhamento entre PF, polícias civis e MPs sobre os limites de investigação, mas vamos encontrar um meio-termo”, afirmou.
Na entrevista, o ministro afirmou que a PEC da Segurança Pública, gestada pela pasta, não está mais na alçada do Executivo, e sim do Legislativo, que deve aperfeiçoá-la.
“Só entendo que não se deve misturar temas constitucionais com leis ordinárias, porque a Constituição já é super detalhista e vai ficando cada vez mais um cacho de uva gigantesco”, disse Lewandowski.
PEC da Blindagem
Questionado sobre a chamada PEC da Blindagem, aprovada na Câmara dos Deputados, Lewandowski defendeu que a prática de crimes comuns cometidos por parlamentares não pode ser acobertada. Também afirmou que um dos possíveis efeitos deletérios da PEC da Blindagem é atrair o crime organizado para o Legislativo.
“Não é possível nem desejável que se criem mecanismos de impunidade, porque o parlamentar é um cidadão como outro qualquer. Não pode estar imune à persecução penal.”
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