nova disciplina

Convocados ao STJ receberão salário de ministro e adicional por acúmulo de função

Os juízes de primeiro grau convocados a auxiliar os gabinetes do Superior Tribunal de Justiça agora têm direito a receber salário equiparado ao de ministro da corte superior, além de gratificação pelo acúmulo de função.

Max Rocha/STJ

STJ sede prédio

STJ pode contar com até 200 juízes de primeiro grau convocados para auxiliar os gabinetes no combate ao acervo

Essa definição foi feita pela Presidência do STJ e representa uma mudança na forma como esses magistrados são remunerados.

Até o início deste mês, os convocados prestavam auxílio dois dias por semana aos gabinetes do STJ, de forma remota e com a obrigação de manter a produtividade e continuar atuando presencialmente em suas varas.

A remuneração vinha na forma de licença indenizatória, limitada a oito dias por mês, e era paga pelo STJ. Não havia bônus pelo acúmulo de função, nem alteração da remuneração-base de juiz de primeira instância.

Esse modelo se tornou inviável depois que o Supremo Tribunal Federal limitou o pagamento de verbas indenizatórias para a magistratura e o Ministério Público, em março.

Na sequência, o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público editaram a Resolução Conjunta 14/2026, estabelecendo a extinção desse tipo de licença compensatória, conforme o artigo 2º.

Remuneração dos convocados

Pelo novo modelo, os convocados vão continuar recebendo o salário de magistrado de primeiro grau, que será complementado pelo STJ até atingir o valor do subsídio de ministro da casa (cerca de R$ 44 mil).

A complementação se dará com base no artigo 124 da Lei Orgânica da Magistratura, segundo o qual o magistrado convocado para atuar como substituto recebe a diferença de vencimentos para o cargo que passa a exercer.

Essa posição é respaldada pela Resolução 22/2006 do CNJ, que dá aos juízes convocados para auxiliar a Presidência do Conselho a diferença de subsídio ou remuneração correspondente ao cargo de conselheiro.

Já a gratificação por acúmulo de função será paga pelo tribunal de origem do convocado, também com base em uma decisão do CNJ, que entendeu que o pagamento é obrigatório quando o juiz é chamado a atuar temporariamente em tribunais superiores.

Modelo de sucesso

A mudança de remuneração vai alcançar os 200 juízes de primeiro grau que podem ser convocados para auxiliar os gabinetes do STJ — cem na 1ª Seção (Direito Público), 150 na 2ª Seção (Direito Privado) e 50 na 3ª Seção (Direito Criminal).

O modelo de convocação é considerado um sucesso. Ele foi iniciado em 2024, na 3ª Seção, e possibilitou a redução de 44,4% do acervo até fevereiro deste ano. Por isso, foi estendido aos demais colegiados da casa.

Os juízes convocados atuam em auxílio aos ministros, mas sem autonomia para tomar decisões. Eles ajudam a minutar sentenças e despachos. Até fevereiro, tinham somado 137,2 mil atos judiciais, importantes para um tribunal que recebe anualmente mais de 500 mil processos.

Danilo Vital

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

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