A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), uma das unidades mais tradicionais e produtivas da Universidade de São Paulo, e, por via de consequência a própria universidade, contaram durante meio século com os préstimos de Antonio Roque Dechen. Período esse encerrado, infelizmente, por seu falecimento ocorrido em 15 de fevereiro de 2026. Se há alguém que merece um panegírico, certamente é ele, quer por sua pessoa, quer por suas obras.
Resumindo, antecipadamente, o que ele fez na USP, pode-se dizer que ele serviu e não se serviu da universidade; sempre em seu estilo competente, calmo, atento e leal, avesso à política interesseira e antiética, que grassa, inclusive, nas casas do saber.
Foi vice-reitor executivo de Administração da Universidade de São Paulo (2010-2014), durante todo o meu mandato como reitor da USP. Sua escolha deveu-se aos títulos que já se revestia e à longa folha de serviços prestados.

O engenheiro agrônomo e professor Antonio Roque Dechen (1950-2026)
Engenheiro agronômo (1973), mestre, doutor e professor titular, todos pela Esalq, tendo versado suas pesquisas e escritos de pós-graduação “stricto sensu”, sobre solos e nutrição de plantas. Vice-diretor (1995-1999) e diretor (2007-2010) da Esalq. Publicou 108 artigos em periódicos, oito livros e 38 capítulos de livros, tendo orientado 18 dissertações de mestrado e 17 teses de doutorado.
Dechen trabalhou intensamente no âmbito da própria Esalq: (1) coordenador da Comissão Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Fisiologia e Bioquímica de Plantas; (2) vice-presidente da Comissão de Pós-Graduação; (3) presidente da Comissão do Sesquicentenário de nascimento de Luiz de Queiroz; (4) Presidente da Associação dos Ex-Alunos; (5) presidente da Comissão de Cultura e Extensão; (6) presidente do Conselho Curador da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz; e (7) diretor presidente da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz.
Participou de comissões universitárias: (1) coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Bioenergia e Sustentabilidade da USP; (2) membro da Comissão de Planejamento da USP; e (3) membro do Conselho Curador da Fundação de Apoio a Pesquisa da Universidade de São Paulo.
Sempre foi atuante nos órgãos de classe: (1) membro do Conselho do Agronegócio da Fiesp; (2) membro do Conselho Deliberativo da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo; (3) membro da Câmara de Agronomia do Crea-SP; (4) vice-coordenador do Fórum de Ensino do Crea-SP; (5) conselheiro federal do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea); (6) vice-presidente do Confea; (7) presidente da Comissão de Educação do Confea; (7) vice-chanceler da Comissão do Mérito do Confea; e (8) membro do Grupo Nutrientes Para a Vida da Anda.
Não descurou o serviço à comunidade: (1) diretor da Fundação Agrisus; (2) membro do Conselho de Notáveis do Prêmio Brasil Agrociência da AGgrishow; (3) membro da Diretoria da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha; e (4) conselheiro da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.
Recebeu homenagens: (1) título de Cidadão Piracicabano (2007); (2) Medalha Paulista de Mérito Científico e Tecnológico do Governo do Estado de São Paulo; (3) Medalha Fernando Costa da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo; (4) Medalha do Mérito do Sistema Confea-Crea em 2005; e (5) Agrônomo do Ano.
As menções detalhadas acima, ainda que não exaustivas, servem ao propósito de mostrar a abrangência da dedicação do professor Dechen.
Ao final, faço questão de formular preito de gratidão por tudo que fez pela Universidade de São Paulo, em particular no período de 2010/2014, na certeza de que me acompanham nessa reverência todas as pessoas de boa vontade da USP. O professor Roque Dechen continua presente, em sua determinação resiliente, sendo exemplo para todos nós.
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