carroça na frente dos bois

Lula sugere a Trump prisão de dono da Refit sem base jurídica

Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venha sugerindo de forma indireta a prisão do empresário Ricardo Magro, dono do grupo Refit, não há base jurídica para isso. Magro, que mora nos Estados Unidos, não foi condenado, não está na lista vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e sequer é alvo de processo criminal até o momento.

Ricardo Stuckert

Donald Trump e Lula

Lula faz referências indiretas a Magro e tenta convencer Trump a ajudar a prender o empresário

Lula tem feito afirmações desse tipo desde o final do ano passado. Neste domingo (22/2), durante entrevista coletiva em Nova Delhi, na Índia, o presidente disse que enviou ao presidente dos EUA, Donald Trump, informações pessoais sobre Magro, inclusive seu endereço em Miami, na Flórida.

O petista não citou o nome do empresário nem da Refit, mas fez referência a uma operação da Receita Federal que apreendeu milhões de litros de combustível destinados à refinaria, no ano passado.

“Nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos”, declarou.

Em dezembro do último ano, depois de uma ligação entre os dois presidentes, Lula já havia revelado ter dito algo semelhante a Trump: “Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustíveis fósseis, mora em Miami. Então se ele quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí”.

Falta de base

O grupo Refit, que administra a Refinaria de Manguinhos (RJ), foi alvo de uma operação coordenada pela Receita Federal em novembro de 2025. Em uma investigação sobre sonegação e lavagem de dinheiro, foram cumpridos 190 mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Refit e aos seus executivos.

Nessa operação, contudo, não havia nenhum pedido de prisão, e Magro não estava entre os alvos. Por essa razão, ele não é considerado foragido até o momento.

A única acusação criminal conhecida contra o empresário não tem nenhuma relação com crimes tributários e já foi descartada pela Justiça Federal. Ele chegou a ser preso por um breve período em 2016, suspeito de envolvimento no desvio de R$ 100 milhões dos fundos de pensão Petros e Postalis — dos funcionários da Petrobras e dos Correios, respectivamente.

Acusado de emitir títulos e valores mobiliários sem lastro ou garantia, Magro acabou absolvido pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

A revista eletrônica Consultor Jurídico perguntou ao Palácio do Planalto, por meio de assessoria de imprensa, se já houve algum pedido formal para a prisão ou extradição de Magro, e com base em que decisão judicial a medida seria tomada. Se houver resposta, ela será incluída no texto.

Seja o primeiro a comentar.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também