Desafio imenso

Empossado, Nunes Marques promete TSE sem omissão diante de ameaças ou excessos

Para cumprir sua missão de organizar eleições livres, que reflitam a vontade popular, o Tribunal Superior Eleitoral precisa atuar com equilíbrio, de maneira a não se omitir diante de ameaças reais à democracia, mas sem ceder a excessos incompatíveis com o Estado de Direito.

Luiz Roberto/TSE

Nunes Marques TSE 2026

Nunes Marques foi empossado presidente do TSE e vai conduzir a corte durante as eleições gerais de outubro

Esse foi o recado do ministro Kassio Nunes Marques, empossado na noite desta terça-feira (12/5) como presidente do TSE para suceder a ministra Cármen Lúcia. Também tomou posse o ministro André Mendonça, como vice-presidente.

O magistrado reforçou uma ideia que já havia apresentado quando relatou as alterações nas resoluções do TSE visando às eleições gerais de outubro: uma postura mais moderada do que a praticada pela corte em 2022, quando o ambiente no país foi de conflagração antidemocrática.

Para o novo presidente, o processo eleitoral deve ter como protagonistas seus eleitores. Por isso, é preciso dar liberdade para que o debate político ocorra às abertas. E só haverá sucesso se o processo capturar fielmente a voz de cada cidadão.

“Para cumprir essa missão, devemos atuar com independência, equilíbrio e prudência, sem omissões diante das ameaças concretas ao processo eleitoral, mas sem excessos incompatíveis com o Estado democrático de Direito.”

Defesa da urna eletrônica

Nunes Marques dedicou uma parte relevante de seu discurso à defesa da urna eletrônica e do sistema de votação brasileiro, amplamente atacados nas últimas eleições gerais — e sobre os quais jamais recaiu qualquer suspeita real de manipulação.

Ele destacou que a urna é patrimônio institucional da democracia brasileira, que permite ao país ter um dos sistemas mais avançados do mundo para recepção, apuração e divulgação de votos. O ministro afirmou que esse sistema deve ser constantemente aperfeiçoado.

“Cabe à Justiça Eleitoral preservar e fortalecer a confiança em torno do sistema de votação. Acredito na sabedoria do povo e reputo que o coração da democracia está em confiar no voto direto, ainda que, individualmente, essa escolha possa não parecer sábia.”

Por fim, o ministro prometeu combater distorções potencialmente amplificadas pelo uso nocivo da inteligência artificial, ponderando que esse instrumento também pode servir para se obter maior transparência, fortalecimento e fiscalização da cidadania.

Senso da medida

Coube ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, o discurso de boas-vindas ao novo presidente, em nome do TSE. Ele destacou que a Nunes Marques não falta o “senso da medida”, que classificou como virtude discreta e essencial a grandes magistrados.

“Saber quando avançar e quando conter; quando inovar e quando preservar; quando falar e quando silenciar. Eis os atributos que se revelam na experiência, temperança e consciência do dever”, exaltou o magistrado.

Ferreira apontou ainda uma disposição permanente para eliminar divergências e desfazer incompreensões estéreis. E chamou a atenção para o tamanho do desafio no cargo, representado por ameaças reais como a desinformação e o uso nocivo de novas tecnologias.

“Cabe à Justiça Eleitoral preservar não apenas a legitimidade formal das eleições, mas também a higidez do ambiente democrático em que se realizam. Sobre ela repousa o dever de velar pela lisura dos pleitos, resguardando a vontade popular como um dos mais elevados patrimônios da vida republicana.”

Elogios a Nunes Marques

Procurador-geral da República, Paulo Gonet desejou uma boa administração ao novo presidente do TSE e falou de sua admiração pela aptidão do ministro Nunes Marques para agregar e conciliar, qualidade que será útil à Justiça Eleitoral.

“Sua prontidão e firmeza cobrirão com bom sucesso a gerência necessária dos valores eleitorais a serem acionados neste ano”, disse o PGR.

Beto Simonetti, presidente do Conselho Federal da OAB, elogiou a experiência de Nunes Marques, que, segundo ele, oferece ao país um olhar amplo sobre o sistema de Justiça e terá especial valor em 2026, diante de eleições em ambiente de intensa disputa e novas formas de manipulação da realidade política.

“O Brasil precisa de uma Justiça Eleitoral firme contra abusos, respeitosa com as liberdades, fiel ao devido processo legal e atenta ao direito de defesa”, destacou o advogado.

A cerimônia, promovida na sede do TSE, contou com autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o ministro Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal; Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado; e Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados.

Veja imagens da cerimônia de posse:

Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - André Mendonça e Nunes Marques

André Mendonça e Nunes Marques
Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - Paulo Gonet, Davi Alcolumbre, Lula, Nunes Marques, Edson Fachin, Hugo Motta e Beto Simonetti

Paulo Gonet, Davi Alcolumbre, Lula, Nunes Marques, Edson Fachin, Hugo Motta e Beto Simonetti
Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - Lula, Nunes Marques e Edson Fachin

Lula, Nunes Marques e Edson Fachin
Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - Antonio Carlos Ferreira

Antonio Carlos Ferreira
Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - Paulo Gonet, Davi Alcolumbre, Lula e Nunes Marques

Paulo Gonet, Davi Alcolumbre, Lula e Nunes Marques
Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - Beto Simonetti

Beto Simonetti
Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - Lula e Nunes Marques

Lula e Nunes Marques
Antônio Guerra

Solenidade de Posse no TSE - Edson Fachin, Hugo Motta, Beto Simonetti e André Mendonça

Solenidade de Posse no TSE – Edson Fachin, Hugo Motta, Beto Simonetti e André Mendonça

Danilo Vital

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

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