Questionado por aluno a respeito de críticas a mim dirigidas pelo ilustre professor Lenio Luiz Streck, veiculadas neste prestigioso site, venho trazer resposta breve.
Inicialmente, elogio a revista eletrônica Consultor Jurídico pela contribuição relevante que vem dando ao debate na comunidade jurídica. Igualmente, realço a importância da crítica, ainda mais quando procede de pessoas com o cabedal de conhecimentos do professor Lenio Streck. Por outro lado, senti necessidade de exercer o direito de resposta.
A crítica à qual me refiro foi veiculada em texto que contém link que remete o leitor a meu artigo e foto. Não costumo responder críticas, mas às vezes o silêncio pode ser interpretado equivocadamente como anuência. Entendo que, se por um lado a crítica é saudável, a forma como ela é veiculada pode não o ser.
Embora escreva muitos artigos, faço-o para defender teses e ideias, mas não para defender o caminho que escolhi dentro do variado leque possível no magistério. Uma coisa é defender, por exemplo, as cotas, como faço desde que este assunto era tabu. Dirijo-me a terceiros professando uma ideia. Não é assim no caso do chamado “chute”, tema que foi objeto de crítica. Ensino o “chute” para meus alunos. Não preciso fundamentar nada, pois eles não só já me conhecem e confiam em mim como saber, por conta própria, de sua necessidade, pois vivem esse momento em suas vidas.
Erra, aliás, quem pensa que o “chute” só ocorrerá em questões de múltipla escolha ou em questões mal formuladas. Enquanto existirem provas e concursos, haverá espaço para o “chute” e, logo, para o chute consciente. Mas sobre isso direi em seguida. Antes, algumas observações.
Eu, lá pela 8ª série de ensino fundamental, era o melhor aluno de Geografia, com as melhores notas e, por isso, o predileto do professor. Naquela época, imaturo, ainda julgava ter as melhores notas e o topo do pódio, e, logo, o lugar de destaque, como algo que valia mais do que realmente vale. Vale, claro, mas não tanto quanto as pessoas pensam (e quem diz isso acumula várias primeiras colocações, impedindo a impressão de ser esta opinião movida por despeito ou inveja). Eu costumava tirar nota máxima em todas as provas e uma das estratégias de estudo que utilizava era, sozinho, em casa, fazer um questionário o mais extenso possível. Munido do livro e do caderno, imaginava toda e qualquer pergunta que o professor pudesse elaborar. A técnica era eficiente: em geral eu já tinha formulado e respondido a pergunta que apareceria na prova, e por fazer isso já estava com ela assimilada e memorizada,e ainda era rápido para responder. A prova não era novidade e meu desempenho era tão bom que parecia que eu tinha tido acesso prévio a ela. Na verdade, eu tinha. Não era mágica, como pensavam meus colegas, ou genialidade, como pensava meu professor.
O curioso é que certa feita estava em sala e um outro aluno, que desconhecia minha técnica, pediu ao professor de Geografia se ele poderia passar um questionário para os alunos estudarem para a prova. O professor, de quem eu gostava, fez uma cara de desprezo, quase de nojo, dizendo que apenas alunos fracos precisavam de questionário. Disse ele, os bons alunos estudavam e aprendiam sem isso! Confesso que, marota e malvadamente, interrompi o professor e disse que eu estudava justamente por questionários (e todos sabiam que rotineiramente a minha nota era a maior da turma). O professor ficou completamente desconcertado e meu coleguinha esboçou um aliviado sorriso.
Sobre esse evento, três notas.
Primeiro, já naquela época não gostava de ver alguém menosprezar outrem, ainda mais em situação que expressasse alguma inferioridade de armas. Professor ironizar aluno, ou professor já estabelecido ironizar professor em início de carreira, é algo que não aceito. Meu lado cristão assim como meu lado juiz me fazem não ficar silente.
Segundo, na época, ainda gostava muito de enfrentar os professores. Arrogante, como é comum nas pessoas com QI acima da média (aliás, nas pessoas com qualquer coisa acima da média: cultura, dinheiro, beleza, poder), e já com notas acima das que tinham meus colegas, eu esgrimava com os professores. Aquilo, todos conhecem, de o aluno fazer uma pergunta que o professor não sabe. Eu tinha isso. Logo, provar que o professor estava errado sobre a validade dos questionários era não só uma defesa do colega, mas também um prazer pessoal. O tempo e muito sofrimento recebido e causado terminaram , felizmente, me ensinando que devemos ser humildes e que os professores não existem para serem vencidos, mas ouvidos.
Terceiro, aquilo que era desprezado pelo meu professor como algo “menor” no mundo do estudo era, na prática, eficiente, e isso o chocou. Ele desprezava algo que era eficiente. Simples assim. Os mais estudados costumam ir se encastelando. Como o intelectual admira o saber e, logo, a capacidade de aprendizado, tende a, se não se cuidar, começar a desprezar quem não ocupa os mesmos patamares intelectuais. Assim como os ricos financeiramente tendem a, se não se cuidarem, desprezar os mais pobres, igual fenômeno ocorre entre os plasticamente belos, entre os poderosos, e assim vai a humanidade; vaidosa e, do ponto de vista humano, pobre. Pobres homens ricos, pobres homens poderosos, pobres homens sabidos e estudados, pobres homens bonitos.
Outro exemplo é o desprezo que muitos intelectuais têm em relação aos mapas mentais, técnica originalmente desenvolvida por Tony Buzan, que é de extrema eficiência, mas constantemente objeto de ironias daqueles que não precisam dela. Sim, alguém com maior facilidade de aprendizagem pode dispensar os mapas mentais. Se os usassem, tais pessoas, já muito capazes, seriam ainda mais eficientes, mas não querem usar essas coisas esquisitas, ou, como disse o professor Marcelo Hugo da Rocha, essas “simpatias” (cito esse assunto na minha resposta completa ao professor Lenio, disponível em meu site). Vale dizer que os mapas mentais são muito mais compatíveis com a rede neural do que as anotações blocadas, ou seja, o conhecimento da neurologia e da arquitetura natural do cérebro demonstram uma das razões da eficiência dos mapas mentais. Não deveriam ser desprezados, portanto. Mas os intelectuais do mundo do Direito, que pouco conhecem de neuroaprendizagem, gastam seu tempo ironizando quem usa técnicas úteis para democratizar o acesso ao conhecimento. Uma lástima.
Os mapas mentais fazem mágica ao utilizarem a mais sofisticada tecnologia da aprendizagem, mas enfrentam sábios que desprezam aquilo que parece algum tipo de “malandragem”. Uma pena.
Enfim, o que posso dizer é que as críticas aos professores que usam métodos não ortodoxos são equivocadas. Aliás, ao tratarmos das críticas, precisamos fazer um corte: uma coisa é criticar o sistema dos concursos e/ou do ensino jurídico, o que é válido; outra, é criticar os professores dos cursos preparatórios, os quais tão somente preparam os seus alunos para aquilo que será cobrado. Isto é acusar quem é inocente, quem apenas ajuda a enfrentar um sistema duro, às vezes injusto, mas ainda assim o melhor método de seleção que dispomos atualmente.
Enfim, estas breves considerações são para trazer rápida notícia de que não tenho problemas com a crítica, mas com seu modo e seu conteúdo, sim. Não concordo, por exemplo, com a forma como alguns críticos tratam os colegas professores universitários e esquecem a parte do problema do ensino jurídico que cabe ao MEC, OAB e IES.
Nem todo mundo precisa saber Direito no nível que sabemos. Há concursos para cargos e níveis em que os candidatos só precisam saber o básico. Quem apoiaria a crueldade de, em um concurso para nível médio, não existirem livros adequados para o concurseiro estudar? Friso isso: há uma parte dos livros simplificados, esquematizados e resumos que é e sempre será adequada. Errado será se as bancas exigirem para um técnico de nível médio o mesmo conhecimento (logo, o mesmo livro) que se exige para uma pós-graduação ou concurso para as carreiras do MP ou da Magistratura.
1. Sobre o “chute consciente”, ciência da seleção, Estatística, Heurística, Conhecimento Residual, Teoria da Resposta ao Item etc.
Considerando a crítica deselegante à “técnica do chute consciente”, faço algumas rápidas observações. Qualquer crítica leal ao meu artigo deveria mencionar as ressalvas que eu mesmo faço no corpo do texto de minha autoria (cujo link foi inserido no artigo do Professor Lenio). Eis aqui:
“Antes de começar, é importante fazer algumas ressalvas. A atitude correta diante de uma questão que não se sabe não é a tensão, o nervosismo, o desespero ou coisa semelhante. A primeira atitude é se prometer sinceramente que vai estudar mais para não passar tão facilmente por essa situação na próxima prova.
O ‘chute’ não é uma ciência exata e não substitui a preparação, é apenas uma alternativa para, na falta do conhecimento necessário, arriscar uma resolução. Reforço, o ‘chute’, por mais consciente que seja, não substitui o estudo. Além disso, nem sempre a resposta certa será aquela que a ‘técnica do chute’ indicar. Estamos lidando com tendências, chances, tentativas de acertar. Dito isso, vamos a alguns novos conceitos” (grifos meus, neste dia).
E encerro o artigo dizendo:
“Estude com afinco, prepare-se da melhor maneira possível e lembre-se do lema do BOPE: ‘Treinamento duro, combate fácil’. Na preparação para os concursos, quanto mais você treinar, fizer questões e conhecer a matéria, mais fácil será a prova e mais gols você fará, com menos ‘chutes’” (os grifos são meus, feitos nesta data).
Daí, para qualquer um que queira criticar a técnica do chute, deixo uma questão de múltipla escolha, esperando que de forma serena escolha a alternativa correta.
O que é melhor quando o aluno não sabe uma questão:
(a) não chutar, diminuindo a chance de ser aprovado;
(b) chutar de qualquer jeito, sem raciocinar; ou,
(c) chutar com consciência, utilizando seu conhecimento residual e/ou a heurística?
Recomendo ao aluno que estude, mas, na prova, se precisar, que seja inteligente. Inteligência, em seu melhor conceito, é “adaptação em busca da felicidade” (Luiz Machado, neurocientista brasileiro). Aliás, atribui-se a Albert Einstein, Nobel da Física de 1921 e Prêmio Max Planck de 1929, a preciosa lição de que a “imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Na condição de professor de concursos, devo ensinar ao candidato como chutar com consciência. Eu sei que esse exercício tem fundamento na Matemática, na Estatística e na Lógica, matérias acadêmicas cujo aprofundamento seria perda de tempo para o aluno de concursos. Eu poderia até mesmo dar a eles uma aula de “conhecimento residual”, “heurística”, “Teoria de Resposta ao Item”, “educated guess”, o que faria muitas pessoas me acharem o máximo, sábio, inteligente, mas acho que seria uma maldade com o aluno, pois ele não precisa saber isso, já tem muito o que estudar, família, pressão, dívidas etc.
Enfim, vale anotar que a premissa de que nos concursos públicos “são feitas perguntas que não passam de pegadinhas e exercícios de memorização” não é totalmente verdadeira. É generalização e mostra desconhecimento do trabalho sério que diversas organizadoras realizam, como o Cespe/UnB, FGV, FCC, Esaf etc.
A beleza do “chute consciente” consiste justamente no fato de sua eficácia ter como pré-requisito o conhecimento, o raciocínio e o saber residual.
Aos que criticam os concursos, lembro que nenhum método é perfeito. A grande pergunta é: que outro método de seleção seria mais justo e republicano? Adaptando a sabedoria de Winston Churchill: “Concurso público é a pior forma de seleção de servidores, à exceção de todas as outras que foram experimentadas”.
2. Sobre música e aprendizagem
O artigo também faz crítica ao uso da música. O aluno aprender é assunto, antes que jurídico, da Pedagogia, e os mais avançados estudos da Pedagogia e sobre neuroaprendizagem, com farta bibliografia disponível, recomendam a técnica. Ela é antipática para muitos juristas, mas funciona. Os estudos sobre utilização da música para aprendizagem podem ser úteis.
A Universidade de Yale, mais especificamente o Yale Center for Teaching and Learning (Centro de Ensino e Aprendizagem de Yale), publicou matéria que trata do Active Listening: Teaching with Music. Outro bom artigo sobre o tema foi publicado pela Johns Hopkins School of Education, o Music and Learning: Integrating Music in the Classroom.
Quem tiver interesse em saber mais sobre isso, leia minha resposta completa.
3. Sobre como funciona ser aluno/professor/autor de curso/livro para concursos
Qualquer pessoa sabe que chute e música são parte do mundo das provas e concursos. Ainda é melhor lidar com isso do que não termos concursos e as pessoas serem escolhidas por compadrio, parentesco ou aparelhamento político. O mundo dos concursos tem suas mazelas, mas são mais nobres do que a indicação de esposa, amantes, filhos e amigos. Prefiro ensinar a passar do que chorar vendo cargos públicos serem ocupados por quem não estuda.
Outro ponto é que os alunos de cursos preparatórios merecem respeito. Qualquer pessoa sabe que os alunos de cursos preparatórios não são bolsistas da Capes ou CNPQ, ou abençoados com licenças remuneradas em seus cargos públicos de origem. São pessoas que estudam à noite, após trabalho duro e antes de chegarem em casa para cuidar dos afazeres domésticos. São pessoas que estão se sacrificando e que, perdoe-me quem não gosta disso, merecem todo nosso esforço. Se uma música, uma roupa diferente, uma vuvuzela ou algum outro recurso andragógico for utilizado, isso merece meu aplauso, não meu riso de escárnio. Quem não gostar disso poderá ir a outro lugar, quem gostar, assistirá e usará. Democracia. E vamos ver quem passa na prova, pois desde que aprenda e seja honesto, terá sido válido.
No ramo dos concursos, cujos professores vêm sendo criticados repetidamente, não existe estabilidade. Professores mal preparados não se criam, porque vivemos de resultados práticos e imediatos no mundo real. Não temos Capes, ABNT nem Lattes, não temos que ter publicações, mas aprovações. Ou ensinamos o que é necessário de um jeito que o aluno aprenda, ou estamos fora. Acho justo. Anoto que não tenho nada contra Capes, ABNT e Lattes, aprecio tudo o que trazem de bom dentro de seus espaços. Há no mundo espaço para as mais variadas belezas. A academia é bela, e o cursinho também, desde que cada um saiba bem o seu lugar e, nele, cumpra bem o seu papel.
Aos que desejam ter conhecimento da resposta completa, cuja dimensão excede o que é razoável para este espaço de resposta, convido a acessar a resposta completa.
Incrível como WD tem coragem de defender chutes e outros truques para passar em concurso. WD é réu confesso. Defende o indefensável. Enriqueceu com essa máquina concurseira. A pergunta que fica é: no que sua fortuna foi boa para a república? O professor Lenio tem toda a razão. Os métodos defendidos e ensinados por gente como WD catapultou para as carreiras um tipo de agente autoritário e que faz o que quer. E não é que WD repetiu que nos concursos não é necessário conhecimento profundo? Duas vezes incrível. Pior é que vai ter gente defendendo WD e o triunfo da mediocridade. Ou a pedagogia da prosperidade, como bem lembrou o professor Lenio.
Streck sempre foi uma metralhadora giratória. Mas isso tem piorado com o tempo, especialmente depois que consolidou seu espaço no Conjur, graças justamente ao estilo irônico e provocativo (sim, atacar os outros dá IBOPE).
Ensimesmado em suas colunas e encastelado numa suposta superioridade intelectual, chegou a hora do Streck tomar um tapa de luvas de um juiz federal que se destaca pela humildade e conhecimento.
Creio que a querela Streck X William Douglas, que acompanho com certa distância, não possui muito fundamento. Explico. Lenio Streck é um doutrinador da área jurídica. Ele se propõe com sucesso a fazer ciência do direito, procurando trazer um pouco de progresso na área. Já William Douglas tem sua atividade centrada a fazer candidatos serem aprovados em concursos públicos. William Douglas não se preocupa com o que é certo ou errado na área jurídica, mas sim com a aprovação do candidato. A proposta de ambos é diferente, e os dois vem obtendo bastante sucesso em suas respectivas áreas. Assim, comparar Lenio Streck com William Douglas é algo sem sentido. Seria como comparar um barco com um avião. Ambos são meios de transporte, mas um por água, outro pelo ar. Agora (e creio que é nesse ponto que tem havido certa confusão), não existe nenhuma dúvida de que a função desenvolvida por William Douglas, infelizmente, nada tem a ver com direito ou ciência do direito. Ele é apenas alguém que tenta obter o ganha pão através das mazelas do sistema, ensinando as pessoas a "se darem bem", ao melhor estilo "jeitinho brasileiro". Aliás, nem sei porque estou dando tanta atenção a ele...
Enquanto houver viciados, sempre haverá traficantes. Enquanto houve quem quer ficar rico a qualquer custo, sempre haverá vendedores de bilhetes premiados. Enquanto houver quem almeja pagar por favores sexuais, sempre haverá prostitutas. E enquanto houver quem quer ser aprovado rápido em concursos públicos, mesmo sabendo pouco e não tendo vocação alguma para a área, sempre haverá alguém como William Douglas. Deixemos que o homem faça o seu trabalho.
Não haveria problema nos formatos (e mercados para) concurso se o aprovado, uma vez tomado POSSE do cargo, desempenhasse a contento o seu ofício. No entanto, uma vez aprovados, aplicam a solução resumida e desproporcional com a atenção exigida. Tristemente constato um fato: muitos novos juízes(as) da JT foram advogados(a) por anos, mas quando sentam do outro lado da mesa... Fazem muito pior do que já sofreram quando advogados(as).
Ainda fico com o Prof. Lênio:
"Por que é exigido de um professor, em concurso, conhecimento aprofundado e sofisticado e, na hora do concurso para juiz e promotor, cujos salários são o dobro do de um de professor de universidade, devemos exigir apenas um saber mediano, a partir de perguntas que mais exigem estratégias do que sabedoria? Isso não é fazer pouco caso das carreiras jurídicas? Aliás, imaginemos isso dito na Medicina. Algo como: “Acho ótimo a academia [médica] produzir saber extremamente aprofundado, mas guardemos esse saber para os lugares em que ele cabe”. Um doente bradaria, de cara: “— Aplique em mim, Doutor”. Assim como um cidadão, com direitos violados, também bradaria, em um fórum ou tribunal: “— Aplique o saber aprofundado e sofisticado ao meu caso, Doutor Juiz”.
de início e já para terminar... diz o WD: "Ensino o “chute” para meus alunos. Não preciso fundamentar nada, pois eles não só já me conhecem e confiam em mim como saber, por conta própria, de sua necessidade, pois vivem esse momento em suas vidas." ... "Não preciso fundamentar" é ótimo, as pessoas confiam nele e pronto...solipsismo puro! não há como ter debate sério com esse tipo de grundcoelhodacartola do WD...o articulista vive no GAP dos concursos de última qualidade...O "chute consciente" é a confissão de juridicidade zero no direito, bem como as estratégias neurais...em suma: "você não sabe nada de direito, mas de neurolinguística talvez um pouco..." pronto: temos grandes "operadores" protopreparados. E a culpa é de quem? da oab, dos concursos, do mec... sempre é culpa dos outros... sintoma de quem não se responsabiliza pelo que faz... algo típico no Brasil, achismos...como bem disse antes um comentador (Marcos A. Pintar) algo do tipo "temos traficantes, mas a culpa é de quem consome"... aham.
O modo "simplificado" e "descomplicado" pelo qual se ensina Direito é extremamente nocivo para o público em geral. Especialmente para os alunos de graduação que, ainda sem capacidade de discernimento sobre a natureza dos institutos e da importância da formação jurídico, acabam sendo as principais vítimas desse tipo de mercado. Isso sem falar no desestímulo ao pensamento crítico e imaginativo, absolutamente imprescindível para um jurista que esse tipo de produto oferece. É como pergunta o Prof. Lenio em sua coluna: afinal, você gostaria de ter a sua causa julgada por quem realmente estudou Direito ou por um expert em chutes? Fim de papo.
Este duelo está ficando cada vez mais interessante.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.
Cristão e autodenominado com um QI acima da média, arrogante, em suas próprias palavras. Essa alternativa estaria incorreta, não, em hipotética prova de concurso?
Ganhou Lênio, a meu ver, não só pela ausência de contradição (julga e age como o super-man, ressurreição do Miguel Reale, sem reverência ao cristianismo ou a arquitetos do universo). Ainda: "streckinhou" o endeusamento que o cargo cria, em vários de seus textos anteriores. O texto acima prova isso, a patologia do cargo, um coeficiente de inteligência criado pela aprovação em cargo público, pelo próprio aprovado. O que acertou lá na geografia que lhe rendesse tanta cultura: as capitais dos países?
A propósito: quanto vossa excelência tem de QI, prova, diga-se de passagem, que despreza várias outras inteligências efetivas no mundo moderno, talvez 8, a inteligência emocional inclusive?
parabéns pelas considerações tão sábias, caro professor; é óbvio que o senhor tem toda razão e acerto em utilizar esse bem-sucedido método; antes de esses críticos de plantão - que deveriam pendurar um melancia no pescoço e sair por aí desfilando, talvez assim conseguissem alguma notoriedade, porque é na verdade o que eles querem, com críticas tão infantis - antes de eles nascerem, tal método já era ensinado e usado com bons resultados, eis que é lógico, coerente e intuitivo; boa sorte e seja feliz no seu estudo e ensino!
Parabéns ao professor William Douglas não apenas pela resposta, mas principalmente pelo trabalho desenvolvido há anos ajudando pessoas a melhorarem de vida com base no esforço pessoal e na disciplina para alcançarem a tão sonhada aprovação em concursos públicos. Fui leitor de sua obra "Como Passar em Provas e Concursos" e sou um admirador de sua metodologia. Os concursos públicos devem evoluir, mas ainda são a forma mais democrática de contratação para a administração pública. Por outro lado, o Professor Lenio - que também já fui leitor e respeito o elevado conhecimento jurídico e filosófico - a cada dia que passa vem se tornando mais polêmico (e chato) para chamar a atenção com base na sua velha metodologia de criticar sem apresentar caminhos e respostas.
Obs. Duvido muito que o concurso do Prof. Lenio para o MPRS tenha sido muito diferente do que hoje se pratica nos certames daquela nobre instituição.
Parabéns ao professor William Douglas não apenas pela resposta, mas principalmente pelo trabalho desenvolvido há anos ajudando pessoas a melhorarem de vida com base no esforço pessoal e na disciplina para alcançarem a tão sonhada aprovação em concursos públicos. Fui leitor de sua obra "Como Passar em Provas e Concursos" e sou um admirador de sua metodologia. Os concursos públicos devem evoluir, mas ainda são a forma mais democrática de contratação para a administração pública. Por outro lado, o Professor Lenio - que também já fui leitor e respeito o elevado conhecimento jurídico e filosófico - a cada dia que passa vem se tornando mais polêmico (e chato) para chamar a atenção com base na sua velha metodologia de criticar sem apresentar caminhos e respostas.
Obs. Duvido muito que o concurso do Prof. Lenio para o MPRS tenha sido muito diferente do que hoje se pratica nos certames daquela nobre instituição.
Fico mt admirado que ambos, em nenhum momento ofendeu o outro mais rigorosamente, sempre com muito respeito e maturidade, gosto de ver como posso dizer, uma discussão sobre dois pontos de vista, do Dr. Lênio e do Dr. Douglas, e certo que um vai explicar o porque pensa assim e outro também, e defender o seu pensamento, mas vale pega o melhor que ambos propõe e ser mais zetética ainda. Mas 70 % dos alunos que têm numa turma de Direito hoje se pergunta por que estão fazendo o curso, falaram: passar em um concurso, diante de tantos, aquele que mais se preparar e tiver ajuda, com certeza, um dia ira conseguir, mas algo que é muito ruim e alguém tomar lugar de outro, que realmente merecia aquela profissão por ter a personalidade para tal, mas fazer oque, se ele passou têm seus méritos e cabe ele ter ciência de servir a sociedade o melhor possível. É digo que fiquei muito curioso para ver um debate jurídico ao vivo entre os dois, seria realmente um bom espetáculo para um amante do Direito...
As atividades desempenhadas tanto pelo Prof. Lênio quanto pelo Prof. WD têm sua relevância, observadas as finalidades específicas a que se propõem. Não se trata, pois, de indagar-se quem tem razão, como se estivéssemos diante de um embate de fundo maniqueísta. O primeiro se dedica com excelência ao ensino jurídico com maior densidade, exigível e verificável, em sua maior parte, na academia. O segundo, não com menor êxito, esmera-se em dotar o profissional jurídico que envereda pelo árduo mundo dos concursos públicos, a aprender as regras do jogo, com o escopo de obter sucesso, leia-se, aprovação. Portanto, ambos desempenham suas atividades com louvor, inexistindo, a rigor, concorrência meritória entre estas, como se uma fosse digna de encômios ao passo que a outra devesse, inexoravelmente, ser relegada a críticas de toda a sorte, como se fosse uma segunda classe de ensino jurídico. Esta constatação não exclui a sensata problematização sobre a melhor maneira de seleção dos profissionais do direito para os diferentes cargos jurídicos - juiz, promotor, procurador, defensor etc, tampouco sobre a eventual necessidade de seu aperfeiçoamento. Tal fato, per se, não denigre ou depõe contra os professores que se dedicam a atender uma demanda existente em nosso seio social, qual seja, o preparo para a submissão aos concursos públicos em diferentes graus e níveis, observada, como devido, a estrita vinculação ao instrumento convocatório - às regras do jogo, consubstanciadas nas exigências e condições editalícias. Em remate, sobrepõe-se à discussão acerca de quem tem razão ou venceu a batalha argumentativa, a busca por propostas concretas e exequíveis que possam ensejar uma mudança de perfil dos certames de ingresso nas carreiras jurídicas, aperfeiçoando-os!
No Brasil, se o sujeito não tem um mestrado ou doutorado, por mais sucesso e competência que possua, não vale nada.
Mas a academia forma pessoas inteligentes? Deveria, mas não. Forma apenas uma horda infindável de marxistas/foucaultianos arrogantes que acham que o diploma, por si só, assegura conhecimento.
William Douglas é reconhecido por sua competência em tudo que faz, o que incomoda muito os que têm diploma e vivem de exibi-lo a todo tempo.
De acordo com William Douglas, as críticas aos professores que usam "métodos não ortodoxos" são "equivocadas". Supostamente, criticá-los é "acusar quem é inocente", quem ajuda a "enfrentar um sistema duro, às vezes injusto".
Ora, aceitar a mediocridade de um sistema não ajuda a enfrentá-lo. Pior: insistir na lógica da resumocracia e das simplificações só contribui com a continuidade de um padrão que não leva o Direito a sério.
Concordo com William Douglas quando ele diz que o aluno de um curso preparatório merece respeito. E o ponto é justamente esse: quem merece respeito, merece ser levado a sério. Isso vale pro aluno e vale igualmente pro Direito.
Não li as críticas formuladas à Vossa Excelência( não mais leio a coluna citada),nada a acrescentar, a não ser cumprimentar.
A resposta de William Douglas desconsidera muita coisa. Primeiramente, desconsidera que as críticas de Lenio Streck não visam acabar com concursos públicos, nem com os cursinhos, mas com um certo imaginário "concurseirista", digamos assim, que se alimenta de bizarrices de quiz show que pouco têm a ver com a prática profissional (para a qual deveriam selecionar os melhores candidatos), tornando o concurso um fim em si mesmo. Desconsidera que essas críticas feitas não se restringem aos professores, alcançando também as bancas de concurso, as questões de prova bizarras e etc.
Desconsidera, ainda, que o "concurseirismo" é maior do que os cursinhos para concurso, tendo invadido a universidade vendendo deformações pedagógicas sob a embalagem da eficiência na aprovação.
Por fim, tem muita invenção de cursinho que não tem nada de heterodoxia pedagógica, sendo apenas bizarrice e modismo mesmo. E criticar isso não é ser anti-democrático. É papel da academia pensar o ensino jurídico.
Sobre a autodefesa do professor WD achei muito interessante, mas, de fato, ficou devendo no tocante à discussão mais aprofundada do problema exposto pelo prof. LS. Agora, sinceramente, não sei o que pode piorar em se tratando de direito no Brasil. O professor LS denunciou com certo desdém o caricato professor mascarado que ensina princípios constitucionais para os alunos do cursinho através de músicas e do processo de memorização. Mas, o que dizer daqueles homens que usam capa preta, mascarados por natureza, que se sentam em cadeiras confortáveis e posam com toda boçalidade na telinha da TV, letrados e autores de renomadas obras que fazem troça da CF?
Salvo melhor juízo, acho que o Professor William Douglas foi levado ao melindre mais pelo jeito que lhe informaram sobre a crítica do Professor Lênio Streck do que pela crítica em si.
Veja bem, interpretei que o Professor Lênio Streck criticou a necessidade de se ensinar "chute consciente" e outros quetais para a aprovação em concursos públicos. Não a pessoa William Douglas, e faz uma provocação para que estes profissionais se juntem a ele para constranger o atual nível dos concursos.
Em suma, como disse o comentarista Marcos Alves Pintar, o objeto de ensino de ambos os professores são diferentes.
Enquanto um ensina qual é a resposta certa e, na hipótese de não saber qual seja, apresenta um método, creio eu, por eliminação, de qual, provavelmente, teria mais probabilidade de ser a correta.
Por sua vez, o outro ensina qual a resposta está correta, por que é a resposta correta, por que as demais não são corretas e como se chegou a este raciocínio.
O irônico é que já vi o Professor William Douglas explanando sobre a necessidade de ser um questionador, sempre indagando: Por quê? Como? Onde? Quando? Quanto? Para quê?
No mais, lembro-me de uma frase do Paulo Nader, no meu primeiro livro jurídico na academia, Introdução ao Estudo do Direito, uma mensagem que ele deixa para os "Juristas de Amanhã":
"O hábito de raciocinar é da maior relevância, pois nada se aproveita quem se limita a ler e ouvir. Cada afirmativa, antes de assimilada, deve ser avaliada, submetida a análise crítica."
Grato por presenciar uma discussão desta envergadura que faz todos raciocinarem, estamos no caminho certo? Há opções melhores?
Prof. Dr. Lenio Streck é expoente, sempre de grande contribuição ao pensamento jurídico. Porém, aqui, equivoca-se no alvo da crítica. O problema está nos examinadores, quem elaboram as provas dos concursos, jamais na preparação dos candidatos pelos cursos, os quais são de competência comprovada, tanto que os aprovados são seus aluinos. Aí, sim, nos examinadores, há despreparo, inépcia. Repetidamente, tivemos anulações de questões por escrachada cópia de concursos anteriores. Há pouco, aqui no Estado/RS, aconteceu novamente. Isto também ocorreu na minha Instituição, Ministério Público Federal. A propósito de 'chute' do Prof. Douglas, prova inaugural do concurso a Procurador da República ora em andamento, modelo de questão com 4 assertivas, sendo as alternativas para apontar as corretas(v.g., estão certas a I e IV; I, II e IV; somente a IV ...), basta verificar a assertivas que mais aparecem nas alternativas e o candidato terá grande chance de acertar. Aí, culpa de quem alerta para a estratégia ou do examinador?
Resumo toda a discussão dizendo que William Douglas simples e pragmaticamente supre uma demanda de mercado, sem outras preocupações. É negócio pura e simplesmente.
Já Lênio Streck, como acadêmico que é, vivendo em um universo totalmente diferente do pragmatismo da indústria "concurseira", traz reflexões a respeito do nível de conhecimento exigido nos concursos, e consequentemente da formação que possuem os nossos juízes, promotores, delegados, etc....que de fato, com exceções, é lamentável. Enfim, WD não é culpado pela falta de profundidade dos concursos, mas seu conformismo e oportunismo me parecem bastante questionáveis para quem coloca a si próprio na posição de importante jurista. Decida-se WD, ou você é jurista ou comerciante. Os dois não dá.
Estou lendo esse Livro, o primeiro que lei do Willian, Está me ajudando muito, um livro que ensina muitas. Muito bom livro estou quase no final.Obrigado e continue Firme nesse papel que você desenvolve muito bem.
São dois operadores do Direito, distintos e com pontos de vista diferentes.
Nada contra sinopses, técnicas mnemônicas ou músicas. De fato são profícuos quando o jurista esquece algo -o que é possível, já que ninguém tem na cabeça um "HD de 10 PTB" em em vez de um cérebro.
Entretanto, quando a pessoa não souber e precisar aprender, realmente os métodos acima serão temerosos. Claro, pois vai saber "pela metade" -e olhe lá. E à guisa do comentarista R.G, quem vai querer ser patrocinado por um "meio" jurista?
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