Condenação de americano na Nicarágua gera comoção nos EUA

O julgamento do homem acusado de matar Doris Jiménez, há 14 meses, não serviu serviu apenas para expor no cenário internacional os supostos culpados, mas, sobretudo revelou as peculiaridades do sistema judicial nicaragüense, um misto de “conceitos nebulosos, subjetivos e abstratos”. Os adjetivos com ataques à justiça nicaragüense ocupam toda uma página, deste domingo (6/1), do jornal The New York Time.

Contribuem para tornar o caso mais clamoroso desde o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, até a juíza Ivette Toruño. que acatou as denúncias do Ministério Público nicaragüense, passando por figuras de peso do Departamento de Estado dos EUA, e da Suprema Corte da Nicarágua. A juíza já confessou que teme represálias.

Em fevereiro passado, o norte-americano Eric Volz, de 28 anos, foi condenado pela morte de sua namorada Doris Jiménez, então com 25 anos. Volz contou ao júri que estava em Manágua, capital da Nicarágua, no dia 21 de novembro de 2006, quando alguém entrou na butique de Doris Jiménez, perto da cidade de Rivas, a 100 km da capital, e a estrangulou.

Não só provas circunstanciais indicaram a inocência de Volz, como também as materiais: ligações de celular, que ele fez de Manágua, na hora do assassinato, e registros de navegação de seu computador pessoal, a indicar que ele estava mandando mensagens via internet na hora do crime.

A juíza não acatou as evidências. Ela confiou nos depoimentos do surfista nicaragüense Nelson López, que de suspeito do crime passou a acusador do namorado americano da morta. Segundo o New York Time, López foi inocentado por pressão da população sobre a juíza e os jurados.

Volz foi condenado a 30 anos de prisão e o caso virou manchete dos jornais e da televisão nos EUA. As emissoras não se cansam de exibir manifestações públicas de pessoas ostentando camisetas em que se lê “Libertem Eric Volz”. Também têm sido vendidos milhares de adesivos de pára-brisas de carros e pulseiras com a mesma mensagem e até um site foi criado em defesa do americano.

Decisão reformada

No dia 17 de dezembro passado uma corte de apelações da cidade de Granada, a sudoeste de Manágua, reformou a decisão da juíza e decidiu que Volz era inocente, por dois votos contra um. O terceiro juiz, Norman Miranda, membro do Partido Sandinista, a que pertence o presidente Daniel Ortega, decidiu por um novo julgamento, mas manteve Volz atrás das grades.

Um dos magistrados da corte de apelações confessou que reteve os autos além do prazo normal por ter “perdido alguns originais do processo”. Isso fez com que o Departamento de Estado dos EUA entrasse no caso, emitindo nota em que pede que a Nicarágua “cumpra suas próprias leis com rigor”.

Na última semana de dezembro Volz foi posto e m liberdade e fugiu da Nicarágua, com a ajuda de seguranças particulares, que o promotor-chefe do caso, Julio Centeno, sugeriu serem agentes da CIA, a central de inteligência dos EUA.

O presidente nicaragüense Daniel Ortega agora acusa os dois juízes que votaram pela libertação de Volz como “nomeados por partidos que se opõem aos sandinistas”.

Claudio Julio Tognolli

é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Seja o primeiro a comentar.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também