O assassinato de um brasileiro, ocorrido domingo (16/3) em Portugal, está gerando um incidente diplomático, segundo o jornal lisboeta Diário de Notícias. Identificado apenas sob o nome de Moisés, o brasileiro contava 23 anos. Imigrou de Goiana há três anos, vivia na região de Charneca de Caparica e trabalhava em obras públicas. Foi assassinado domingo no Café Johny, freqüentado por brasileiros, quando um homem lhe espetou uma faca no coração. O suspeito é outro brasileiro, identificado apenas como Maurício.
Segundo o jornal, a polícia portuguesa “foi procurar o suspeito do homicídio no Consulado do Brasil, em Lisboa”. A Casa do Brasil protestou contra o que considerou ser “invasão de território brasileiro”. Um cônsul brasileiro diz que, ao entrar na embaixada, policiais portugueses teriam violado território nacional. “Entram três elementos da polícia em território brasileiro, saem e fazem a identificação das pessoas no interior do edifício, tudo isto sem pedir autorização do cônsul-geral”, protesta Carlos Vianna, da direção da Casa do Brasil.
O episódio foi presenciado por Heliana Bibas, representante da comunidade brasileira no Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração, que considerou a ação uma “clara intimidação aos cidadãos brasileiros”. Uma situação que nunca tinha ocorrido, a não ser a pedido das autoridades brasileiras, ressalta ela.
A polícia portuguesa teve de emitir nota de explicação pública do episódio. “A pedido da Brigada de Homicídios da Polícia de Setúbal, três elementos deslocaram-se ao Consulado-Geral do Brasil, com a finalidade de interceptar um indivíduo suspeito de homicídio (perigoso). Entraram na área de atendimento ao público, onde houve necessidade de identificar algumas pessoas. A situação foi devidamente explicada ao senhor cônsul.”
Em declarações à agência Lusa, o cônsul do Brasil em Lisboa, Renan Pais Barreto, considerou que a polícia deveria ter tido “um comportamento mais cauteloso”. Observou que “a atuação da polícia não foi a mais adequada. Até porque não se tratou de nenhum caso relacionado com imigrantes brasileiros, mas sim de alguém que praticou um homicídio”.
Segundo a polícia, Maurício, o suspeito, não foi encontrado no Consulado. Mas foi interceptado na zona do Castelo de São Jorge.
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