Reportagem da Folha de S.Paulo informa que policiais federais que participaram da Operação Satiagraha disseram ter sido seguidos em Brasília pelo menos seis vezes, inclusive por funcionários da própria PF. A história é narrada em relatório da Diretoria de Inteligência Policial da PF. No dia 8 de julho, a operação levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito paulistano Celso Pitta, que depois obtiveram Habeas Corpus e foram soltos.
Assunto da PF
Três dias depois de cobrar a volta do delegado Protógenes Queiroz ao comando da Operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que o assunto agora é responsabilidade exclusiva da Polícia Federal. Na Colômbia para uma visita de Estado, o presidente afirmou que o problema é interno da PF. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo.
Ordem na casa
Na esteira do afastamento de Protógenes Queiroz da condução dos inquéritos da Operação Satiagraha, o governo vai esperar a volta de férias do diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, para adotar medidas que mostrem à ala rebelde da corporação que “os tempos serão outros”. “Há uma disputa por grupos e desse jeito não pode mais ficar”, resume um ministro. Além do manejo da crise, o ministro Tarso Genro (Justiça) discutiu com Lula ao longo da semana um esboço de normas de conduta para tentar “unificar” as ações da PF.
A coluna Painel da Folha informa que o governo vai reforçar a necessidade de “normalização institucional”, com demonstrações como a reunião conjunta com o presidente do STF, Gilmar Mendes, na semana passada.
Desmotivação política
Líder do governo durante a CPI dos Correios, o atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), avalia que não há vontade política de apurar denúncias feitas pela Operação Satiagraha no Congresso. Em entrevista à Folha, o deputado disse acreditar que Dantas tem “ligações mais sórdidas com outros partidos do que com o PT”, mas cobrou explicações de eventuais relações de petistas com o banqueiro.
Resultado do grampo
Uma interceptação telefônica mostra, segundo a Polícia Federal, que o advogado e ex-deputado federal do PT Luiz Eduardo Greenhalgh intercedeu no governo do Pará a favor da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa do Grupo Opportunity. Um mês depois de tratar de notificação emitida pela Secretaria do Meio Ambiente do Pará, que solicitava que a Santa Bárbara esclarecesse “a situação ambiental de suas terras”, Greenhalgh participou de almoço com a governadora Ana Júlia Carepa (PT) e com Carlos Rodenburg, outro investigado pela Operação Satiagraha.
De acordo com reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, Rodenburg figura ao lado de sua ex-mulher, Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, como diretor da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, que investe em terras no Pará. O telefonema de Greenhalgh para Rodenburg ocorreu em 7 de abril, às 12h04. O advogado pede cópia da notificação que o executivo ligado ao Opportunity recebeu “a fim de intermediar junto ao governo do Estado”.
Na mira
Apontado pela Polícia Federal como beneficiário de movimentação de US$ 32 milhões no exterior, o Esporte Clube Bahia está, segundo as investigações, no time dos “negócios” do Opportunity usados para suposta lavagem de dinheiro. Sob a gestão de uma teia de empresas ligadas ao grupo Opportunity entre 1998 e 2006, o clube não traz esse aporte em seu balanço e afirma desconhecer o dinheiro. Ao contrário: viu seu patrimônio líquido passar dos R$ 10,2 milhões positivos em 1998 para um passivo de R$ 47,9 milhões em 2007. De acordo com a Folha, o clube, que, antes da parceria, tinha dívida de R$ 2,9 milhões, apresentou prejuízo de R$ 6,3 milhões em 2007.
Paradas na Justiça
O jornal O Globo informa que operações da Polícia Federal deflagradas nos últimos anos contra grandes empresas privadas estão muito longe do fim. Duas delas, contra o Grupo Schincariol e a Daslu, que foram iniciadas em 2005 para apurar crime tributário e formação de quadrilha, ainda não foram julgadas pela Justiça Federal. Provas coletadas pela PF e até escutas telefônicas são derrubadas judicialmente.
De acordo com a reportagem, os donos e diretores destas empresas já voltaram a trabalhar normalmente — o Ministério Público havia pedido, por exemplo, condenação máxima para Eliana Tranchesi, dona da Daslu. O mesmo se aplica aos executivos da Cisco Systems, empresa sob investigação por fraude fiscal desde outubro do ano passado.
Contrato anulado
O colunista Ancelmo Gois, de O Globo, informa que a juíza da 1ª Vara de Família da Barra da Tijuca, no Rio, Maria Cristina Lima, anulou o contrato de união estável celebrado entre o jogador Marcelinho Carioca e sua ex, Eduarda Rodrigues. “Esse tipo de contrato é, acredite, até comum em casamentos em que uma das partes é rica de marré-de-ci e a outra, pobre de marré-marré”. O advogado de Eduarda, Teixeira Neto, argumentou, com o auxílio do filme da cerimônia, que a moça assinou o tal contrato, na hora das núpcias, “sem saber do que se tratava”.
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