Salvatore Cacciola não obtém HC e vai continuar preso

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, negou liminar em pedido de Habeas Corpus do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso preventivamente desde 18 de julho no Presídio de Bangu 8, no Rio de Janeiro.

Joaquim Barbosa afastou o argumento de que a prisão de Cacciola foi decretada sem que a defesa do ex-banqueiro fosse ouvida pelo juiz da 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Os advogados alegam que o juiz primeiro negou o pedido de prisão, mas voltou atrás e atendeu pedido do Ministério Público Federal.

Segundo o ministro, ao contrário do que foi alegado pela defesa, o pedido de prisão do ex-banqueiro não foi julgado pelo juiz federal. Ele apenas se retratou de decisão anterior, conforme previsto no Código de Processo Penal, explica Joaquim Barbosa.

O ministro acrescentou que Cacciola não foi prejudicado, já que o CPP prevê que a parte contrária pode recorrer da decisão do juiz por meio de petição. “Ademais, considerando que a prisão preventiva pode ser decretada até mesmo de ofício pelo juiz, não se sustenta a tese de que a defesa deveria ser ouvida antes da decretação da custódia, apenas porque, no caso, a decretação operou-se em sede de juízo de retratação.”

Joaquim Barbosa também observou que o pedido de Habeas Corpus foi feito sem que documentos importantes fossem anexados, como as decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio, que indeferiram pedidos anteriores feitos pela defesa.

O ex-banqueiro nasceu na Itália, onde morava antes de sua prisão. A defesa de Cacciola alega que ele não fugiu do Brasil, mas retornou à sua terra natal, constituindo advogado para responder aos processos e dando ciência de seu endereço.

Cacciola foi denunciado, junto com outras cinco pessoas, por crime de gestão fraudulenta de instituição financeira e outros ilícitos penais contra o sistema financeiro nacional. Em outro processo, ele foi condenado a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta do banco Marka, que quebrou com a desvalorização cambial de 1999.

HC 96.445

Armando do Prado disse:
13 de outubro de 2008 às 22:28

Que boa surpresa! Temos juiz em Brasília! Parabéns Ministro J. Barbosa.

dinarte bonetti disse:
14 de outubro de 2008 às 00:37

Caro SR. Cacciola.
insista na pretenção, pois há ministros no Supremo, que pensam diferente, e poderão coloca-lo novamente no rumo da Italia, sem mais preocupações. Somente devera tomar cuidado ao ir a Monaco, pois poderá acabando por ficar na cadeia por mais tempo que no Brasil.

Pugli. disse:
14 de outubro de 2008 às 11:58

Entrega pro GM que tá na rua.

Parabens ministro J. Barbosa, como aluno(cidadão) só tenho a elogiar sua decisão e poder acreditar que ainda existe gente boa no STF.

Zerlottini disse:
14 de outubro de 2008 às 13:18

Parabéns ao STF, por não haver repetido a asneira da primeira vez. Agora, já passou da hora de botar os outros também na cadeia, né. Como diz o Eng. Quintela, será que pegaram o Cacciola pra Cristo? Como dizia o Jô: "E o resto???"
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.

João G. dos Santos disse:
14 de outubro de 2008 às 13:51

O problema é que ele saiu no Jornal Nacional. Se o sr. Cacciola tivesse obtido ajuda do governo agora, nesta fase atual de crise bancária, não haveria ilícito nenhum. E a turba não ficaria ensandecida.

ANS disse:
15 de outubro de 2008 às 00:37

Faço minha as palavras do Professor Armando do Prado- Parabéns Min.Joaquim Barbosa!

GUSMAO BRAGA disse:
16 de outubro de 2008 às 11:45

Quando li anteriormente que caberia a decisão ao Ministro Joaquim Barbosa, tive muita esperança de haveria um julgamento honesto e sem demagogia política. Creio que nunca é tarde para aprender e espero que seu exemplo de transparência seja seguido pelos outros Ministros, principalmente ao Presidente do STF, que transbordou arrogância no episódio Dantas, eivado de vaidades como O DONO DA VERDADE, que a meu ver, Dantas não passa de um verdadeiro assassino de uma população massacrada de injustiças sociais. O Sr, Gilmar prestou um grande serviço, nesta ocasião, deixando solto um BANDIDO, e tentou manchar uma carreira de um juiz que só fazia o seu trabalho. Portanto, espero que reflita de seus destemperos e aprenda alguma coisa com o Ilustre Ministro Joaquim.
PARABÉNS, MAIS UMA VEZ, SR.MINISTRO.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.