País tem mais de 16 mil linhas telefônicas sendo monitoradas

De acordo com dados do Sistema Nacional de Controle de Interceptações Telefônicos, há mais de 16 mil linhas telefônicas sendo monitoradas em todo o país. Somente no primeiro semestre deste ano, o número de linhas em monitoramente saltou de 11.946 em janeiro, para 18.271 em maio.

“Os dados comprovam que não há um estado policial no Brasil”, comenta o corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp. Segundo ele, o controle sobre a utilização das escutas, por meio do sistema, evita a banalização da técnica que é essencial na investigação de crimes de alto potencial ofensivo.

São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de janeiro, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são os estados onde, em geral, existe uma maior quantidade de linhas telefônicas monitoradas. Pelo balanço, cerca de 5,4 mil telefones são monitorados por decisão dos Tribunais de Justiça desses estados, o que equivale a mais de 40% de todas as escutas autorizadas pela Justiça Estadual no período. Segundo o ministro Dipp, o número elevado de interceptações nesses estados se deve, em parte, ao fato de eles fazerem fronteira com outros países, ou, no caso de Rio e São Paulo, por abrigarem os dois maiores aeroportos internacionais do país, o que favorece crimes como tráfico de drogas e contrabando.

Aumento
Em junho deste ano, a quantidade de linhas monitoradas no país foi cerca de 45% maior do que o número registrado no mesmo período do ano passado, quando havia 11.350 escutas em andamento. O aumento, segundo Dipp, pode refletir o incremento no número de inquéritos e processos penais que necessitam da ferramenta, resultante do provimento de comarcas e maior especialização em matéria penal. As interceptações telefônicas são utilizadas em investigações de maior complexidade, que envolvem organizações criminosas, como tráfico de entorpecentes, fraude na previdência, crimes financeiros, pirataria, roubo de cargas, sequestro, entre outros.

A Justiça Estadual é responsável por autorizar a maior parte dos monitoramentos telefônicos em andamento no país: 13.194, contra 3.232 da Justiça Federal. Entre os Tribunais Regionais Federais (TRFs), o da 1ª Região lidera a lista, com 1.347 escutas em andamento. Decisões dos TRFs da 3ª e da 4ª regiões, que englobam a região sul e os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, são responsáveis por 1.628 monitoramentos. 

Controle
Desde que foi implantado, o cadastro demonstra que o número de escutas telefônicas no Brasil é bastante inferior ao divulgado pela CPI dos grampos em 2008, que informava a existência de 400 mil linhas interceptadas em todo o país. Segundo o corregedor nacional de Justiça, a divulgação desse número motivou a criação do cadastro, o que têm garantido maior controle sobre a utilização da ferramenta fundamental em investigações mais complexas. “Havia uma incompreensão dos dados e falta de critérios para computar as interceptações. Muitas vezes não eram levados em conta os inquéritos já arquivados”, explica o ministro. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

Elza Maria disse:
18 de agosto de 2010 às 20:43

Duvido que só existam 16 mil interceptações no país atualmente. E duvido porque o sistema utilizado grampeia em cascata automaticamente. O mais provável e que a informação tenha sido manipulada para não escandalizar a sociedade. Meu palpite é que hoje existem no mínimo 160 mil grampos, embora receie que esse número possa ser até dez vezes maior.

VITAE-SPECTRUM disse:
18 de agosto de 2010 às 21:40

Em verdade, o número enunciado alude à parte das interceptações legais, sem incluir as ilegais. Há muitos juízes autorizando interceptações telefônicas em hipóteses não autorizadas, prorrogando-as "ad perpetuam", usando-as de todas as maneiras. Um exemplo de como alguns juízes "pensam" está bem claro nas absurdamente ilegais gravações contínuas dos contatos entre advogados e "internos". Vale tudo... Por que não valeria interceptar inúmeros, vários ou todos os advogados?! Qual a diferença essencial entre uma e outra situação, sob ângulo dos motivos criminais e da tutela desta ou daquela autoridade?! Quem rompe o tecido legal de um jeito pode rompê-lo de todas as maneiras. Não me refiro, porém, a este ou àquele magistrado, antes à formação ideológica e à conduta reacionária de muitos juízes. Há uma unidade federativa em que se "comunizaram" as interceptações telefônicas, tendo virado até motivo de chacota.

Lívio Rocha - Mestre em Gestão e Políticas Públicas disse:
18 de agosto de 2010 às 23:50

Espero que não chegue a profissional um bacharel que emite opinião com base em achismo. Alguém perguntou que são os autores dos "grampos"? Eu respondo: 2/3 são responsabilidade do DPF e das polícias civis estaduais e dos distrito federal.E o outro 1/3? MP e Pm... mas eles podem pedir? Eles "tocam" inquérito que fundamente pedido de interceptação? Que eu saiba, não. Mas como eles pedem então? Mistério...

Olho clínico disse:
19 de agosto de 2010 às 09:42

Considerem quantas linhas telefônicas há no Brasil...só celulares, recentemente ouvio que o número ultrapassou 90 milhões...16 mil é ínfimo, um nada perto do universo de linhas de telefones celulares e fixos. Acham muito, para compater o crime? Eu acho quease nada...Detalhe, tudo com autorização.

Marcos Alves Pintar disse:
19 de agosto de 2010 às 11:26

Alguém confia nesse números? dica: o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa não existem.

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