Exame de Ordem não terá mais pegadinhas, diz secretário da OAB

Depois de reprovar quase 90% dos candidatos, o Exame de Ordem agora deve avaliar apenas “os conhecimentos mínimos”, e “não terá pegadinhas ou qualquer armadilha para o examinado”. As afirmações do secretário-geral da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coelho, em entrevista ao portal Terra.

Segundo Coelho, a prova não será mais como um concurso público, ou um vestibular, e sim “um teste de conhecimento mínimo para entrar na carreira”. “Não podemos exigir o conhecimento de um advogado experiente ou de um doutor em Direito”, disse.

A primeira fase do Exame, segundo o secretário-geral da OAB, terá 80 perguntas e cinco horas de duração, em vez das 100 questões objetivas. Na última edição da prova, 106.891 bacharéis se inscreveram. Para a próxima edição, há 121.309 candidatos.

Sobre as reprovações na última edição do Exame de Ordem, Coelho afirmou que o índice de aprovação dos que fizeram a prova pela primeira vez foi “bem maior em relação à média geral”. Desses, segundo ele, 25% foram aprovados, o que “demonstra que os atuais estudantes de Direito estão recebendo uma formação mais adequada”. Dos que fizeram a prova pela segunda vez, 5% passaram, de acordo com Coelho.

Flávio Souza disse:
15 de julho de 2011 às 13:32

Quer dizer então que tinha pegadinha?. Caprichavam tanto na pegadinha que até mesmo quem as elaborava tinha dúvida quanto a veracidade, bastando ver questões serem anuladas aliado a não publicação dos recursos de forma que todos (candidato e a sociedade) tomassem conhecimento da fundamentação conferida a questão objeto de recurso. Já vi recursos de candidatos ref. concursos sendo publicados em jornais sobre determinada questão recorrida. Isso sim é transparência e respeito para com a sociedade. Por outro lado, defendo a manutenção do Exame da OAB, como tb pela existência de somente uma fase (prova objetiva). Quanto a fiscalização do curso, creio que compete ao MEC e não a uma entidade de classe. Se for assim daqui há pouco os conselhos de classe, sindicatos e associações vão querer impor regras em lugar do Poder Público. As entidades de classe e a sociedade como um todo devem somar esforços em busca de soluções para o ensino de forma geral e não somente na área jurídica como vem acontecendo.

Lima disse:
15 de julho de 2011 às 13:33

O intuito da OAB em impor provas cada vez mai difíceis é, claramente, corporativista, numa defesa intransigente por reserva de mercado. Pois bem. Não seria então mais fácil e mais correto, principalmente com os milhares de estudantes que todos os anos adentram aos cursos de Direito espalhados pelo País, limitar esses cursos a seletas e excelentes universidades, impondo que não haja mais do que dois cursos por estado, sendo um numa universidade particular a ser escolhida e outro numa das universidades federais existentes naquela região (pergunto, perdi meu ponto de interrogação). Pensem bem, 27 estado multiplicados por 2 cursos em cada, dariam 54 cursos, que em turno duplicado, poderiam se transformar em no mínimo 108 turmas por semestre, sendo que se cada turma tiver 30 alunos, seriam 3.240 novos possíveis bacharéis todo semestre, o que, em cinco anos, se transformaria em 32.400 estudantes em vias de se formar, normalizando a situação, sem gerar excessos, sem prejuízo a inocentes estudantes, e sem causar falta de profissionais no mercado. Ainda, com esse pequeno número de cursos, se tornaria mais fácil um controle melhor sobre a qualidade do ensino. Ou, fiquemos com a situação atual, tal como aqui na minha região, (contando apenas seis cidades vizinhas), onde por baixo, deve ter pelo menos uns 20 cursos de Direito bombando em pelo menos dois turnos, formando sabe-se lá o que.

Chiquinho disse:
15 de julho de 2011 às 14:39

Dr. Marcus Vinícius Furtado Coelho, fico feliz por essa sua declaração concedida ao PORTAL TERRA de que não vai mais haver pegadinhas desnecessárias aos futuros exames da OAB, o que resultaria em muitas reprovações de candidatos altamente preparados para exercerem a advocacia mas não conseguiam por que no caminho HAVIA A PEDRA DE DRUMMOND. Conheço vários bacharelados em direito com uma capacidade judicante extraordinária, com um conhecimento técnico muito bom bem como uma capacidade argumentativa excepcional, mas que não obtiveram êxitos nos dois últimos EXAME DA ORDEM por causa daquele espelhozinho que existe na segunda etapa e que deixa muito a desejar. Espero que a partir do próxomo exame a OAB, depois dessa declaração concedida por vossa senhoria, se faça mais digna e solidária, só reprovando mesmo aqueles bacharéis em direito que não tenham mesmo nenhuma capacidade postulatória de estarem em juízo defendendo processos que têm sinônimos de VIDA!

Felipe Lira de Souza Pessoa disse:
15 de julho de 2011 às 17:33

É uma pena essa facilitação, é culpar a janela pela paisagem. Se o sujeito não estuda de forma aprofundada, por bons livros, e prefere decorar apostilas e leis de maneira robótica, se o sujeito não sabe desenvolver uma argumentação criatica e construir um bom texto, suficientemente convincente, não é em razão de a prova ser altamente complexa, porque não é. Ela nem se compara aos concursos públicos para MP e Magistratura. Infelizmente facilita-se a aprovação de pessoas sem talento, sem desejo de conhecimento e sem a menor capacidade de atacar o MP ou um Juiz.

Spartacus disse:
15 de julho de 2011 às 18:49

É um erro dizer que o exame objetivo, que antigamente se chamava "prova de múltipla escolha" tem ou não pode ter "pegadinhas". Isso porque nesse tipo de exame a resposta pedida está lá, à frente do examinando. Ele só prcisa identificá-la. Por isso, o que chamam de "pegadinha" nada mais é do que sutilezas que distinguem a resposta certa das respostas erradas. Se não for assim, isto é, se essa distinção não for sutil, a prova perde todo o sentido de ser, esvazia-se completamente seu conteúdo, pois uma diferença grosseira entre a resposta certa e as respostas erradas antes de apurar o esmero do conhecimento do examinando o empurrará para a resposta correta sem que ele tenha de fazer qualquer esforço, sem que ele tenha de consultar a razão ou mesmo apenas a memória. Em suma, se elaborar uma prova de múltipla escolha oferecendo várias opões que se distinguem sutilmente umas das outras para o examinando escolher aquela que deve rerpesentar com acerto o que se lhe pede significa "pegaginha", então a prova toda é de pegadinhas. E se querem acabar com as pegadinhas, então que se mude o tipo de prova. A não ser assim, tudo será uma grande FRAUDE!
.
(a) Sérgio Nimeyer
Advogado em São Paulo - Mestre em Direito pela USP
sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
15 de julho de 2011 às 19:30

E COMO FICAM OS MILHARES DE CANDIDATOS QUE "CAIRAM NAS PEGADINHAS" E, EM DECORRÊNCIA DA MAIS DESPREZÍVEL VERDADEIRA MALDADE, DESISTIRAM DE PRESTAR EXAME, SEGUINDO OUTROS RUMOS, CABISBAIXOS, ENVERGONHADOS, DESOLADOS. QUANTOS SONHOS VIRARAM PESADELO!!!!!

Raul Haidar disse:
16 de julho de 2011 às 08:42

Quem reconhece seus erros deve crescer no respeito que merece. Não temos que nos preocupar com o passado, a não ser para evitar os mesmos erros. A OAB, nas palavras do seu secretário, entendeu o que foi publicado no jornal Tribuna do Direito no início de 2001 sobre o assunto. Tal artigo atingiu a vaidade de algumas pessoas e serviu de desculpa para que a mediocridade de alguns e as ambições políticas de outros o interpretassem como um perigo. Realmente, a verdade é muito perigosa!

Carlos disse:
16 de julho de 2011 às 13:46

Por ex. Toda prova do CESPE faz pegadinhas. TODA!!
Vou dar um exemplo do que eu chamo de pegadinha ou melhor, SACANAGEM.
.
Em uma prova do CESPE havia um enunciado contando uma certa história. Haviam 5 respostas sendo apenas uma certa. Uma delas era roubo qualificado e uma outra roubo.
.
No enunciado ocorreu um ROUBO QUALIFICADO, porémmm, a resposta do CESPE foi que houve APENAS roubo. PORQUE? Pq eles alegaram que no artigo 157 do CP não existe o termo "roubo qualificado" e sim apenas a palavra ROUBO acima do número 157.
.
Logo, quem assinalou que houve roubo qualificado, na vida real teria acertado, mas na prova errou.
.
Nenhum delegado, juiz, promotor, advogado, escreve apenas roubo, §2° ou §3°. Escreve também que houve roubo qualificado..
.
Como isso se chama? Pegadinha, sacanagem ou armação?
.
Eu chamo de sacanagem.

Flávio Souza disse:
16 de julho de 2011 às 15:49

Dr. Carlos, vc foi feliz no exemplo citado, o que mostra as barbariedades que acontecem contra candidatos(as). Entretanto, a meu ver isso acontece porque nos dias atuais tanto concursos quanto o Exame da OAB fazem tb uso da jurisprudência/doutrina, logo, passam a existir dois critérios para uso quando do julgamento sem contar os inúmeros pronunciamentos de renomados doutrinados que emitem entendimentos diferenciados sobre determinado assunto. No caso citado por vc, entendo que a questão devesse ser anulada. Quanto ao pronunciamento do Dr. Lima, fico a imaginar o que seria do Brasil se todas as profissões adotassem tal linha de raciocínio? será que as classes B, C e D teriam oportunidades de estudar como hoje tem? claro que não. Entendo que o problema da educação não cinge apenas na área jurídica, embora esta seja a mais atacada por existir o Exame da OAB, cuja reprovação é utilizada como argumentos diversos, inclusive para fechar cursos superiores. O Poder Público não deve curvar-se a entidades de classe, seja qual for, e sim ouvi-las e unir-se a elas em busca da qualidade e tb da fiscalização quanto a qualidade do ensino dos cursos superiores, como um todo e não especificamente do curso de direito.

JPLima disse:
16 de julho de 2011 às 20:40

Prezados Drs,
Prestei este Exame em 2009 e fui reprovado na 2º fase, por 0,2. Irei fazer novamente amanhã, dia 17/07. Não posso advogar, pois sou servidor do Judiciário, vou fazer novamente pensando em quando me aponsentar não ficar totalmente parado. Em relação ao nível de dificuldade da prova realmente não foi uma prova fácil, para se ter uma ideia a prova teve 6 questões anuladas. Quer dizer, tentaram fazer uma prova tão difícil que os próprios examinadores se enrolaram. Penso sinceramente que o Exame de Ordem deveria ser uma prova simples como outra qualquer e de apenas uma fase. Vejam Senhores antes de 1994 não havia nada, nem mesmo um simples teste, hoje temos um vedadeiro Concurso, como disse o representante da OAB, e ainda com pegadinha. Penso sinceramente que é importante para o Bacharel, que ficou 5 anos no banco da faculdade, passar no Exame, mas agradeço por não precisar da carteira de Advogado para sustentar minha família. Realmente pegadinha, concurso ou tentativa de enganar o examinando não testa o conhecimento de ninguém. Ainda bem que a Ordem parece que acordou e esse Exame, com tanta especulação, caminha o FIM.

Deusarino de Melo disse:
21 de julho de 2011 às 16:09

Realmente, é necessário que os estudantes e formandos, cresçam... Não só na idaqde mas no conhecimento e atuação.
Só assim não haverá mais pegadinhas , mas pelo menos, pegadas...

Você precisa estar logado para enviar um comentário.