Entidade de promotores defende veto do novo Código Florestal

“O Congresso Nacional optou pela aprovação de um projeto de lei que atende primordialmente aos interesses econômicos de pequena parcela da população, em detrimento de um direito fundamental consagrado pelo nosso texto constitucional e instrumentalizado por normas ambientais conquistadas ao longo de décadas”. Com essas palavras, a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) divulgou, na segunda-feira (7/5), nota de repúdio contra o texto do novo Código Florestal, que espera aprovação da presidente Dilma Rousseff.

A Abrampa defende o veto ao texto por entender que os parlamentares não atentaram para “as várias manifestações de membros do Ministério Público, de organizações da sociedade civil, de integrantes do poder público e de instituições de pesquisa, com demonstrações científicas e empíricas cabais da inadequação da reforma”.

A entidade declara, ainda, que a posição do Congresso “representa uma afronta à sociedade, sobretudo em um momento em que catástrofes ambientais e as constantes mudanças climáticas indicam que a tutela ambiental é insuficiente e necessita de ampliação”.

“A aprovação de uma lei que reduz a proteção jurídica ao direito fundamental ao meio ambiente, implicando evidente retrocesso ambiental, é vedada pela ordem constitucional vigente e, portanto, passível de questionamento junto ao Poder Judiciário”, diz a nota, assinada pelo presidente da entidade, Sávio Bittencourt. Com informações da Assessoria de Comunicação da Abrampa.

Leia abaixo a nota:

A Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente – ABRAMPA, que congrega os Promotores e Procuradores de Justiça, Procuradores da República e do Trabalho que militam na área de defesa do meio ambiente no Brasil,  atenta ao direito constitucional ao meio ambiente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida das presentes e futuras gerações, vem manifestar publicamente seu repúdio ao texto do chamado Novo Código Florestal, aprovado recentemente pela Câmara dos Deputados.

Não obstante as várias manifestações de membros do Ministério Público, de organizações da sociedade civil, de integrantes do poder público e de instituições de pesquisa, com demonstrações científicas e empíricas cabais da inadequação da reforma, o Congresso Nacional optou pela aprovação de um projeto de lei que atende primordialmente aos interesses econômicos de pequena parcela da população, em detrimento de um direito fundamental consagrado pelo nosso texto constitucional e instrumentalizado por normas ambientais conquistadas ao longo de décadas.

Tal opção representa uma afronta à sociedade, sobretudo em um momento em que catástrofes ambientais e as constantes mudanças climáticas indicam que a tutela ambiental é insuficiente e necessita de ampliação.

Às vésperas da Rio+20, esperava-se que os representantes do povo brasileiro buscassem garantir adequada proteção ao meio ambiente, e que alterações legislativas na seara ambiental fossem feitas de forma responsável, buscando avanços, assegurada a participação pública e o equilíbrio  dos diferentes interesses existentes.

A aprovação de uma lei que reduz a proteção jurídica ao direito fundamental ao meio ambiente, implicando evidente retrocesso ambiental, é vedada pela ordem constitucional vigente e, portanto, passível de questionamento junto ao Poder Judiciário.

Ante o exposto,  a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente manifesta total repúdio ao texto do novo Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados, depositando sua confiança no veto integral do texto pela Exma.  Sra. Presidenta da República

Brasília, 07 de maio de 2012
Sávio Bittencourt
Presidente da Abrampa

Diogo Duarte Valverde disse:
09 de maio de 2012 às 14:12

"A Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente - ABRAMPA, que congrega os Promotores e Procuradores de Justiça, Procuradores da República e do Trabalho que militam na área de defesa do meio ambiente no Brasil"
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"Militar" é o verbo correto, pois isso é pura militância e proselitismo, sem qualquer conexão com a realidade. O que querem esses ecochatos? Que todos passem a comer mato e morar em casas na árvore? Alimentação não é interesse de "uma pequena parcela da população"! Pensam que os alimentos vêm de onde? Da casa de Marina Silva?
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Creio que a referida entidade devia "militar" menos. A propósito, seria menos pior se a militância fosse em prol dos interesses nacionais. Militam mesmo é em prol do interesse estrangeiro, manifestado através de organizações como Greenpeace, WWF e Fundação Ford. Está passando da hora de defendermos a soberania brasileira.

Ricardo disse:
09 de maio de 2012 às 17:42

a entidade cumpre o seu papel. se os membros do MP atuam na defesa do meio ambiente, é claro que nunca irão defender o interesse de ruralistas, madeireiros, etc, etc. no interior de sp só plantam cana; cana nao serve prá comer, só pra enriquecer o bolso de usineiros, que manipulam os preços do álcool ao seu bel prazer. e tome dinheiro do governo para financiar a produção de etanol...

Leitora Comentarista disse:
11 de maio de 2012 às 04:28

Esses argumentos são frágeis. O IPEA já revelou ser mais interessante investir na melhoria dos meios de produção do que permitir a expansão da área agricutlável e que a anistia não resolverá o problema da maioria dos pequenos agricultores, os quais abastecem 70% dos alimentos consumidos no Brasil. Tudo aponta que esse Código não favorece nem o povo, nem o mercado interno...

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