Liminar do CNJ obriga que TJ-SP atenda todos que estiverem na fila até as 19h

O Conselho Nacional de Justiça deferiu liminar, nesta segunda-feira (12/8), determinando que o Tribunal de Justiça de São Paulo atenda todos os jurisdicionados e advogados que estiverem na fila de atendimento até as 19h. Em julho, o CNJ havia negado liminar, porém após um novo pedido do advogado Marcos Alves Pintar reconsiderou a decisão.

Em sua decisão, o conselheiro Guilherme Calmon levou em consideração um novo argumento apresentado pelo advogado: os problemas técnicos no TJ-SP. De acordo com Pintar, o sistema interligado do Tribunal de Justiça de São Paulo vem apresentando problemas técnicos, o que faz com que o atendimento fique prejudicado, aumentando consideravelmente a fila de espera. O advogado explica que, desde que o CNJ negou o primeiro pedido de liminar, começou a monitorar o funcionamento do TJ-SP e apontar ao CNJ as falhas e paralisações do sistema.

Para Guilherme Calmon, não é razoável que problemas técnicos possam impedir o atendimento daqueles que se encontravam na fila no horário fixado pelo TJ-SP. “Esses problemas não podem ser imputados aos jurisdicionados e advogados que, ao chegarem dentro do horário de atendimento ao público, adquirem o direito de serem atendidos, salvo hipótese de caso fortuito e força maior, que impossibilitem o atendimento. Se, mesmo com os problemas técnicos, há o atendimento, embora em escala reduzida, em virtude de eventual morosidade, há que se garanti-lo a todos que se encontrem na fila, em posse de senha, as 19h”, diz na decisão.

De acordo com Guilherme Calmon, o TJ-SP funciona sob o sistema de distribuição de tarjas magnetizadas, “o que não justifica que seja negado o atendimento aos portadores de tal identificação, tendo em vista a comprovação de que chegaram durante o horário de atendimento”. De acordo com ele, a presença do requisito do periculum in mora ficou comprovado pois a atuação do Tribunal poderá trazer para os jurisdicionados e advogados diversos problemas, como deslocamentos desnecessários e aborrecimento injustificado.

No dia 22 de julho o Tribunal de Justiça de São Paulo divulgou um comunicado informando que a partir de 29 de julho todas as unidades administrativas e judiciais, incluídos protocolo e distribuidor, encerrariam suas atividades às 19h, ainda que haja fila ou vista no balcão.

Ao comentar a decisão, o advogado Marcos Alves Pintar diz ser solidário aos servidores, porém ressaltou que o advogado ou a parte que se dirigir ao protocolo faltando dois minutos para o encerramento do horário, deve ser atendido, havendo filas ou não. “Sabemos de suas dificuldades, mas não podemos permitir que o jurisdicionado reste prejudicado pelo fato do sistema não funcionar como deveria, lembrando que as dificuldades de acesso ao site do Tribunal, as filas nos cartórios, e inúmeras outras dificuldades atrasam também nosso trabalho, fazendo com que não raro o peticionamento se dê nos horários mais próximos ao final do expediente”, conclui.

Clique aqui para ler a liminar.

Tadeu Rover

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Valdecir Trindade disse:
13 de agosto de 2013 às 17:20

É atitude como a do colega Marcos Alves Pintar honra sobremaneira a advocacia. Veja-se que uma ação que deveria ser da OAB-SP, omissa, avocada que foi por um advogado solitário, mas atuante, culminou por ser vitoriosa e beneficiar toda a classe. Sinto-me honrado, Pintar, por ter você como meu colega. Quiçá essa vitória faça com que os colegas se convençam que a efetividade do Direito depende da sua provocação. E foi isso que o digno colega fez. Provocou. Quero também parabenizar o Conselho Nacional de Justiça, órgão jovem das nossas instituições, mas que tem buscado cumprir sua finalidade constitucional.

Orlando Maluf disse:
13 de agosto de 2013 às 17:27

Ao mesmo tempo em que cumprimento o colega que envidou competentes esforços para a recomposição da justiça e do principio de igualdade e direito de petição, pergunto onde esta (ou estava) a OAB/SP que deveria assumir tal mister?

Eduardo. Adv. disse:
13 de agosto de 2013 às 17:50

Enquanto isso, a "nossa OAB"...
E tome livro com 50% de desconto! Aliás, nas filas para as compras, o que mais se vê é gente estudando para deixar de ser Advogado...

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
13 de agosto de 2013 às 17:50

Parabéns ao prezado Pintar pelo apreço ao interesse coletivo, pois nesta questão, não se limitou ao caráter individual, e sim, de uma imensa coletividade de colegas advogados. Polêmicas à parte, e qual o advogado com vocação não as têm? Contudo, teve a firmeza de se embater em um questão, que como muito bem lembrado pelo colega Maluf - amigo de bravas lutas, juntamente com o saudoso Waldemar Alves dos Santos, quando certa vez, estivemos juntos em um evento da OAB na cidade de Jales-SP. Valeu Pintar, a sua luta em prol da nossa categoria serve de um belo exemplo, principalmente àqueles que só sabem criticar as boas ações e jamais ousam em enfrentar os desafios do nosso mister.

Rodrigo Zampoli Pereira disse:
13 de agosto de 2013 às 18:11

Dou os PARABÉNS ao Dr. Marcos Alves Pintar pela sua atitude abnegada em prol da classe. Estendo os cumprimentos a OAB-SP pela ação junto ao Conselho Federal da ADIN (LIMINAR) que tramita no STF referente os horários para nós Advogados das 09h até as 19h.
Como sempre diz o Dr. Raul Haidar: "A OAB SOMOS NÓS", independentemente de quem está dirigindo o órgão de classe.
Um forte abraço a todos.
Atenciosamente,
Rodrigo Zampoli Pereira
OAB-MT 7198
OAB-SP 302569

DJU disse:
13 de agosto de 2013 às 18:15

Dr. Pintar, mais uma vez parabéns pelo seu zelo que, antes de servir aos colegas, serviu à Justiça.

Raul Haidar disse:
13 de agosto de 2013 às 19:21

Parabéns ao dr. Marcos Pintar. O jovem e combativo combativo advogado merece os cumprimentos de todos nós.

Renato Muyashiro disse:
13 de agosto de 2013 às 20:22

Lastimável decisão. O CNJ evidentemente deve julgar com política e técnica. Quando julga apartado da técnica resta apenas a política que no Brasil, quando é má, sabemos a que leva. O sistema bancário lucra bilhões, mesmo assim, restringe o atendimento à apenas 5 horas diárias no estado de São Paulo, o mais rico da nação, para sustentar esse lucro. Dá conta do recado porque tem dinheiro para investir em tecnologia. Evidente que o TJSP tem um sistema informático falho por conta do apertado orçamento e falta de pessoal para dar conta do recado de forma eficiente. Estender o horário de atendimento para além de 10 horas por dia (!!!) para sustentar privilégios sem indicar a fonte de recursos para tanto não melhora a máquina pública e é decisão temerária. Quer diminuir os lucros bancários? Chame o CNJ, ele provavelmente saberá como resolver a questão de forma mais rápida do que qualquer economista: ao invés de consultar um gestor da área administrativa, resolverá judicialmente, só não espere que o juros venham a cair, mas ao menos os banqueiros irão à ruína (política por má política, agradará a um número maior de pessoas... para o CNJ, melhor matar o boi para acabar com os carrapatos...)

DBS disse:
13 de agosto de 2013 às 21:09

Grande vitória para a advocacia e a Justiça!
É como dizem mesmo, SEM ADVOCACIA, NÃO HÁ JUSTIÇA!
PS: Acho que amanhã um certo travesseiro praetoriano vai amanhecer molhado de lágrimas!
Chora que o travesseiro é quente!

Hélder Braulino Paulo de Oliveira disse:
13 de agosto de 2013 às 21:29

Valeu Dr Marcos Alves Pintar : parece-me acertado que a próxima batalha é derrubar " um funcionário no balcão do cartório depois das seis da tarde, não importa quantos advogados estejam em e (na) fila esperando".
Parabéns pela iniciativa.

Manente disse:
14 de agosto de 2013 às 06:57

Com a brilhante decisão, ganham os jurisdicionados e a advocacia.
Vamos aguardar qual será o próximo capítulo da novela, ou seja, um novo provimento para prejudicar e causar transtornos no árduo exercício da advocacia.

mtognolo disse:
14 de agosto de 2013 às 14:46

Acho que o Tribunal poderia até funcionar 24h, com servidores à disposição de todos a qualquer momento. Mas onde está a estrutura, os funcionários etc. Não adianta ampliar e ampliar horário de atendimento sem infraestrutura, sem investimento do Governo. Valeu Doutor, lutou por sua classe, agora brigue na Assembléia Legislativa para contratação de servidores !!

Eduardo. Adv. disse:
14 de agosto de 2013 às 15:23

Que tal dar uma passadinha na sede (Palácio) do TJ? Lá descobrirá que a roda trava porque ela não começa a girar no horário determinado pela Presidência.
O problema não é investir, mas gastar mal... O problema é fechar os olhos e deixar que titulares de cargos de confiança/comissionados (concursados, diga-se!) ajam como se fossem donos do TJ.
Não adianta contratar servidor, se o funcionário entra às 07:00 para ir embora às 13:00... O fórum começa a funcionar às 09:00 e se falta mão de obra durante o horário o problema não é de quantidade...

Corradi disse:
14 de agosto de 2013 às 17:58

Quando comecei a estagiar, há quase trinta anos, meu mentor já dizia que na visão do judiciário o problema do seu mau funcionamento eram eternamente os mesmos: os advogados e os jurisdicionados. Se não houvessem os dois, seria o paraíso. Juízes, cartorários e uma cadeira para pendurar o paletó e só. Ah, sim, e uma garrafa de café. Trinta anos depois e a coisa continua a mesma. Mal funcionamento e a velha desculpa de sempre, a falta de funcionários. Até bem recentemente a reclamação tinha mudado para a falta de informatização. Veio a informatização e como não se tem mais do que reclamar, volta-se para a velha falta de funcionário. O que falta para um serviço judiciário eficiente é, a bem da verdade, uma boa gerência. A atribuição de gestão para quem não está preparado nem tem vocação, resulta no consequente mau gerenciamento e má produção da função principal. Aliás, ao que me consta, Getúlio Vargas já dizia isso há mais de 70 anos. A sociedade, de modo geral, não tem consciência disso, mesmo porque, embora os tribunais estejam abarrotados de processos tramitando há dezenas de anos sem a menor previsão de fim, a maioria é do próprio Estado e seus servidores e de bancos e serviços públicos e os advogados é que são os culpados. Ninguém diz que para os advogados os prazos são de apenas 5 dias, inclusive domingos e feriados e os prazos internos são eternos. Até para uma simples juntada tem cartório com meses de atraso. Realmente, furar um papel e arquivá-lo no processo é um serviço extremamente penoso, exige meses para ser realizado (quando não se tem gerenciamento). Os protestos estão por aí e poderão também chegar ao judiciário. Ou este está imune?

Eduardo. Adv. disse:
14 de agosto de 2013 às 18:36

O pior é que apesar de cada mão ter cinco dedos e cada funcionário ter ao menos dez dedos (situações normais), em termos de processo eletrônico não existe um dedo sequer para apertar a tecla "Enter"... Multiplique o numero de dedos em cada mão pelo número de servidores em certos locais e não se consegue compreender, de modo algum, como falta um simples indicador para dar o "Enter" em uma providência do PJe...
No JEF/SP os processos se arrastam por anos e lá a informatização chegou faz tempo.

mtognolo disse:
15 de agosto de 2013 às 14:52

Seus comentários demonstram total desconhecimento do funcionamento do Tribunal de Justiça, além de insinuar preconceito com os servidores, algo que não deve ter aprendido no banco da faculdade. É lamentável. Procure um conhecido que trabalha no Tribunal para explicar o nosso dia a dia, inclusive na questão da informática.

Eduardo. Adv. disse:
16 de agosto de 2013 às 13:33

Há funcionários no prédio-sede do TJ que têm horário em desacordo com o determinado em norma editada pelo Presidente do TJ. Enquanto boa parcela (lotados em outros locais) faz o horário das 10:00 às 18:00, com rodízio interno para dar conta do atendimento entre 09:00 e 10:00 e 18:00 e 19:00, há departamentos na sede do TJ em que, para uns, o expediente começa bem antes das 09:00 (fóruns ainda fechados) e se encerra bem antes das 18:00 (fóruns ainda abertos).

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