O Ministério Público Federal em Novo Hamburgo, município da Região Metropolitana de Porto Alegre, instruiu Ação Civil Pública para exigir que a União informe, por meio da internet, ‘‘a qualquer um do povo’’, quanto cada pessoa física ou jurídica recolhe de tributos na esfera federal. A peça foi assinada pelo procurador da República Celso Antônio Tres na última quinta-feira (3/10).
O procurador explicou que o MPF não está requerendo a veiculação de qualquer dado pessoal declarado ou auditado pela Fisco pertinente a pessoas físicas e jurídicas (relações pessoais/familiares/comerciais, fontes e valores de rendimentos/faturamento, doações, pensões, contratos, clientes, fornecedores etc.), mas exclusivamente valor e espécie do tributo pago. Afinal, segundo ele, ‘‘ignora-se o porquê, o quê, quanto e quem paga, bem assim, e especialmente, o porquê, o quê, quanto e quem não paga”, justificou.
Tres embasou sua ação em dados como o crescimento da carga tributária nacional, que somava cerca de 24% do PIB nos anos 80 e agora já alcança os 35%, e que, mesmo tendo arrecadado na casa de R$ 1,5 trilhão em 2012, a União já pode ter sofrido um rombo de R$ 300 bilhões em 2013.
Ele também se valeu de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério da Fazenda, e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento que demonstrou que o empregado paga mais tributo direto que o patrão. Este contribui com 32,6% sobre a empresa, e o funcionário com 68,4% sobre sua renda (dados de reportagem publicada na Folha de São Paulo em 4 de julho de 2005).
De acordo com o procurador, a concessão despropositada de incentivos fiscais agravam a injustiça tributária. “A perversidade do sistema faz do contribuinte correto, pagador de seus impostos, um perfeito idiota”, critica. Ele cita na ação o caso da Zona Franca de Manaus, que em 2006 deixou de recolher um montante do tamanho de R$ 1 bilhão em favor da Coca-Cola, Pepsi-Cola e Ambev, ainda que as três empresas mantivessem apenas 236 empregos diretos na região.
Clique aqui para ler a petição inicial.
Processo 50119263-43.2013.404.7108 (Justiça Federal do RS)
Faço votos que prospere. Aí quero ver a cara daqueles que batem no peito afirmando-se sufocados pela carga tributária, mas que, por debaixo dos panos, sonegam tudo o que conseguem e mais um pouco...
Como é que é mesmo? Ah, quem não deve não teme...
A iniciativa é boa mas a meu ver é completamente impossível que o Estado discrimine detalhadamente quanto cada um paga de impostos no Brasil. O sistema é caótico, e não há como se apurar tais dados.
O doutor antes dessa iniciativa poderia pleitear que o mp, cumprindo a lei de transparência, publicasse os salários de todos os seus membros com todas as vantagens, inclusive fazendo constar as licenças remuneradas para realizações de mestrados e doutorados no estrangeiro.
Vejamos bem, será que divulgarão publicamente o quanto recebem a título de "indenizações" não tributadas?
Nos olhos dos outros pimenta é colírio.
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