A juíza Elizabeth Coker, ex-promotora, foi forçada a renunciar ao cargo porque nunca se desligou de seu passado: nos julgamentos criminais que presidia, continuou ajudando a Promotoria. Bastou uma denúncia formal para vários casos virem à tona. A gota d’água foi uma mensagem de texto que enviou a uma promotora, durante um julgamento. Ela deu uma dica para agravar a situação do réu. A mensagem caiu nas mãos de um investigador da Promotoria que, mais tarde, a denunciou.
Em agosto de 2012, a juíza presidia o julgamento de David Reeves, acusado de causar ferimentos em um bebê. Antes que a promotora começasse a inquirir o réu, ela enviou uma mensagem a então promotora – hoje juíza – Kaycee Jones, dizendo: "O bebê fez cocô em Reeves. Se ele jogou seu cachorro no chão porque ele fez xixi na cama, o que ele faria com um bebê que fez cocô nele?"
Kaycee Jones não estava atuando no caso. Ela estava na audiência, acompanhando o julgamento. Transcreveu a mensagem da juíza em um pedaço de papel e pediu ao investigador da Promotoria David Wells para entregá-lo à promotora atuando no caso, Beverly Armstrong. Depois do julgamento, em que Reeves foi inocentado, Wells escreveu uma carta à Comissão de Conduta Judicial do Texas, relatando o que testemunhou.
Em carta ao Conselho Disciplinar do Texas, Kaycee Jones confirmou que recebeu a mensagem e a repassou, textualmente, à promotora. Ela poderá responder processo administrativo por sua participação nessa ação entre "colegas", de acordo com o Houston Chronicle e o Jornal da ABA (American Bar Association).
A Comissão de Conduta Judicial acusou a juíza Elizabeth Coker de violar a regra que proíbe ao juiz comunicações ex parte – ou seja, conversas particulares entre o juiz e uma das partes, apenas. O Código de Conduta Judicial do Texas estabelece, entre outras regras:
"Um juiz não deve iniciar, permitir ou considerar comunicações ex parte ou outras comunicações feitas ao juiz sem a presença das partes, entre o juiz e uma parte, um advogado, um curador ou advogado ad litem ou qualquer outro apontado pelo tribunal, sobre os méritos de um procedimento judicial pendente ou iminente".
Nas investigações, a Comissão levantou vários casos de comunicações ex parte entre a juíza e Kaycee Jones e também com outros promotores de sua jurisdição, todos referentes a casos em andamento em sua corte, o que comprometeu a imparcialidade que se espera de um magistrado. A Comissão também colheu relatos de interferências dela durante o processo de deliberação dos jurados, sem a presença de advogados, em alguns casos criminais.
A porta-voz da Comissão de Conduta Judicial Seana Willing disse aos jornais que a juíza concordou em renunciar ao cargo para encerrar os procedimentos investigatórios e não ser julgada pela Suprema Corte do Texas. No acerto que fez com a Comissão, ela concordou em "abandonar qualquer ambição de concorrer ao cargo de juiz no futuro". Segundo a porta-voz, "ela nunca mais será juíza no Texas". Aparentemente, nada impede que volte a ser promotora.
A Comissão de Conduta Judicial do Texas recebe mais de 1.200 denúncias por ano, das quais cerca de 70 se convertem em sanções disciplinares a juízes. As punições variam de sanções privadas a reprimendas públicas. Nos casos mais sérios, como de crimes ou delitos, a remoção do cargo é o procedimento comum.
A maior frustração da Comissão decorre do sistema de nomeação de juízes do estado, que é feita por eleições. A remoção de alguns juízes do cargo é infrutífera, algumas vezes. "Alguns juízes são tão populares, que são reeleitos, não importa o que ocorreu anteriormente. Às vezes pensamos que alguns desses juízes seriam reeleitos mesmo que fossem acusados de assassinato", disse a porta-voz da Comissão ao jornal, ao comentar outros casos de remoção de juízes.
"Esse é o caso do juiz de Paz de Dallas Thomas Jones. Ele já foi sancionado várias vezes pela Comissão. Mas não importa. Ele ganha todas as eleições", ela declarou.
No Brasil nem precisa enviar email ao promotor, pois juiz pode prender sem pedido do MP, condenar em agravantes e causas de aumento de pena sem pedido do MP, é a ditadura judicial.
No Brasil nem precisa enviar email ao promotor, pois juiz pode prender sem pedido do MP, condenar em agravantes e causas de aumento de pena sem pedido do MP, é a ditadura judicial.
E no Brasil tem juiz que recebe o advogado de uma das partes apenas, sem a presença da outra. E, se bem me lembro, alguns querem obrigar o juiz a receber o advogado da parte.
E pensar que se a denúncia fosse feita no Brasil a juíza iria processar o denunciante, receber 150 mil de indenização, e ainda teria o Ministério Público a sua disposição para processá-lo criminalmente.
Se, como sói acontecer, a denúncia contra o juiz for caluniosa, não vejo motivo para que todas as providências aludidas por MAP não sejam tomadas. O valor da indenização por danos morais deve ser aquilatado caso a caso e pode ser mais ou menos de R$ 150 mil a depender, inclusive, da competência argumentativa do advogado.
O que temos visto é os acusadores dominando os juízes, andando ombreados contra os réus, especialmente os pobres. E os juízes parciais galgando lugar de destaque na carreira ... jogando para a plateia, crendo que com isso dignificam o Poder Judiciário. Meus respeitos aos inúmeros juízes que não se sujeitam a essas patifarias.
Aqui Brasília a coisa mais comum é o Juiz ser chapa do Promotor....nem precisa as vezes o Promotor requerer algo....
Certamente se a denúncia for caluniosa, sr. Prætor (Outros), o denunciante deve se sujeitar à lei penal. Mas aqui no Brasil não faz diferença. Se o denunciado é alguém a ser protegido por quem vai decidir ele dirá que a denuncia é caluniosa independentemente dos fatos. Já se o objetivo do decisor for apenar o denunciado, ele dirá que a denúncia é procedente independentemente dos fatos. Aqui não importa a lei, nem os fatos, mas apenas a qualidade das pessoas envolvidas, e é por isso que se diz que vivemos uma DITADURA JURISDICIONAL!
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login